sábado, 4 de março de 2017

Capítulo 45 " Às vezes acho que estamos encurralados"

- O teu namorado perdeu as alianças!
- Se ele jogasse no Dortmund…isto não tinha acontecido…
- Pai! – repreendi – e porque raio é que o Mario tinha as alianças? – perguntei perante a sua cara de terror.
- Porque o teu namorado vai ser meu padrinho de casamento, já que o meu padrinho de casamento inicial não pode vir.
- O mundo está perdido, ouve lá Thaís – o meu pai deu-me um encontrão chamando-me à atenção – o padrinho de casamento da tua tia é da equipa da Baviera e ainda por cima a madrinha de casamento é a tua mãe, estás a ver a situação, filha?
- Estou! Estou a ver que só vais aceitar que o Mario seja meu namorado quando ele se mudar novamente para o Dortmund.
- Nós não o queremos de volta! – levou a mão ao peito como se eu tivesse acabado de o ofender – por quem tomas esta nação que se chama Borussia de Dortmund? Nós não queremos cá traidores!
- Podes parar de ser tão dramático? – pedi.
- E podem concentrar-se em mim? – a Evelyn estalou os dedos fazendo-nos olhar para ela – o teu namorado deve estar a chegar para procurar as alianças. Podes ir ajudá-lo a procurar?
- E quem é que te ajuda a ti a preparar? – encolheu os ombros e acabei por me virar para o meu pai e sorrir – sabes o que é que vais fazer quando o Mario chegar? – olhou-me desconfiado e com aquela cara de mau – vais ajudar o meu namorado, o teu futuro genro, a procurar as alianças – olhou-me bastante espantado, talvez porque eu tinha acabado de dizer “futuro genro” – porque eu vou ajudar a Evelyn a preparar-se. E tu sabes, pai, que sem alianças não há casamento, por isso dá o teu melhor nessa caça ao tesouro! – atirei dando-lhe uma palmadinha no ombro e sorrindo-lhe.
Olhou-me incrédulo, peguei na mão da Evy e começámos as duas a subir as escadas rumo ao quarto.
- Sim, senhora! Futuro genro! – felicitou-me com uma pontinha de ironia.
- Oh não – falei abanando a cabeça em sinal negativo – não me lembres por favor que acabei de dizer isso. Foi sem dúvida…o calor do momento que me levou a dizer tal coisa.  
- O Mario ia gostar de saber que disseste isso – sentou-se em frente àquele espelho enorme. Passou um dos pinceis pelo pó compacto e depois passou-o pelo seu rosto lentamente enquanto me olhava séria através do espelho – é um homem maravilhoso, não é? – assenti – eu gosto muito dele – arqueei a sobrancelha – quer dizer, neste momento eu odeio-o, mas… - gargalhei perante a sua expressão – acho que é o homem certo para ti.
- Achas mesmo?
- Acho – levantou-se e encaminhou-se para o seu vestido de noiva que estava pendurado o mais alto que tínhamos conseguido para que não arrastasse no chão – vamos lá vestir isto?
Alcancei o cabide que suportava o vestido, retirei-o de lá com todo o cuidado, e ajudei-a a vesti-lo. O vestido de noiva que a Evy tinha desenha e criado para si não era nada convencional. No fim de correr o fecho peguei na coroa de flores colocando-a na sua cabeça.
- Estás pronta – afirmei – agora falto eu que ainda estou de pijama.
- Tha? – o Mario estava encostado à ombreira da porta e olhava-me de uma forma preocupada – preciso da tua ajuda – olhei para a Evelyn que me olhou nada contente.
- Eu já volto – assegurei caminhando na direção do Mario – já encontraste as alianças? – nem precisava de me responder, a sua cara transmitia um grande e redondo “não” – o que é que tu fizeste às alianças?
- Eu não me lembro – sussurrou. Saí daquele quarto e fechei a porta atrás de mim – ajudas-me? – olhei-o atenta. Já estava de fato e pronto para o casamento. Tinha uma expressão preocupada, mas mesmo assim não deixava de ser o mesmo Mario, com um sorriso que me faz sorrir como ninguém – Tha? – pegou na minha mão chamando-me à atenção.
- Desculpa – pedi – estás muito bonito – declarei. Coloquei-me em bico de pés e coloquei as minhas mãos no seu pescoço – ainda nem um beijo me deste hoje – queixei-me.
- E tu estás demasiado… - fez uma expressão super engraçada – cola!
- Cola? – perguntei incrédula – eu estou aqui a dizer que estás lindo e a pedir-te um beijo e tu dizes que estou demasiado cola?
- Tu não costumas ser assim, vá admite! – desafiou-me com aquele olhar.
- Não vou admitir nada – cruzei os braços – só que hoje é um dia especial – levei as minhas mãos ao seu pescoço novamente – até acho que podíamos sei lá… - peguei nas mãos dele e coloquei-as na minha cintura, colei o meu corpo ao seu e encostei-o à parede – que se lixem as alianças, temos coisas tão mais… – trinquei levemente a pele do seu pescoço – interessantes para fazer…
- É isso! – afastou-me de si – já sei onde estão as alianças! – olhei-o confusa – anda comigo!
- Estou de pijama! – alertei-o – há pessoas lá fora.
- Não te importes com isso – pegou na minha mão e começámos a caminhar. Saímos de casa e caminhámos até ao seu carro. Entrou do seu lado e começou à procura…das alianças? – procura aí da parte de trás.
Fiz o que ele me disse e abri a porta procurando pelas alianças no chão. Olhei atentamente verificando que estava uma caixa azul escura de veludo no chão. Abri-a e ali estavam as duas alianças.
- Estão aqui! – informei. Levantou a cabeça e olhou para mim.
- E lembras-te porque é que estão aqui? – abanei a cabeça negando – no dia em que a Evy me deu as alianças em Dortmund, eu fui buscar-te a casa dos teus pais e fomos jantar, ou melhor dizendo, íamos jantar porque tu… - parou de falar olhando-me atento – tu não te lembras Thaís? – olhei-o ainda mais confusa. Lembrar-me de quê? – eu até fiquei bastante convencido que fizemos um filho!
- Ai! – sim, agora já me lembrava – qual filho qual carapuça! Não fizemos filho nenhum!
- Bom dia! – olhámos os dois para o nosso lado direito vendo a Halle que tinha batido no vidro da porta de trás do carro.
Saímos os dois do carro e pude ver a expressão do Marco e da Halle ao verem que estava de pijama. Apressei-me a pegar no Isaac que estava nos braços do Marco.
- Bom dia coisinha boa da madrinha! – dei-lhe um beijo na bochecha e passei-o depois ao Mario que, ainda um pouco desajeitado, lhe pegou – já tinha saudades vossas – declarei dando dois beijinhos a cada um – como correu a viagem até Berlim?
- Acho que até correu bem – a Halle encostou-se ao Marco – o Isaac não chorou muito no avião e aqui estamos nós. Ainda tenho que me ir vestir – falou exibindo o seu vestido num cabide devidamente protegido.
- Eu também tenho – acabei por dizer – acho que é melhor irmos.
- Ficam com o Isaac? – perguntou a Halle ao que tanto o Mario como o Marco assentiram – que tal essas viagens com o Mario? Já não te via há algum tempo, mesmo! – constatou.
- Estivemos em Ibiza tal como tu sabes, depois fomos para Barcelona para o casamento do Thiago, demos um saltinho a Munique e viemos para aqui. Acabámos por vir de carro e tudo.
- E como estão as coisas?
- Bem… - chegámos finalmente ao quarto, não havia sinal da Evy. Fechei a porta e começámo-nos então a preparar – faz por esta altura um ano que as coisas começaram a mudar bastante. Estávamos na Grécia quando recebi uma proposta do Dennis para bailarina dele e fazer uns castings, escusado será dizer que nada disso se chegou a realizar – ajudei-a fechar o fecho do vestido dela e ela atou o meu fazendo um laço perto do pescoço – neste ano que passou não fiz nada do que sonhei. Eu não trabalhei, em vez disso passei a vida em conferência com a psicóloga e com a nutricionista. Tinha tantas coisas programadas. Foi um ano complicado. Nunca mais vi as minhas miúdas e tenho tantas saudades delas.
- Sabes bem que poucas coisas na vida são como programamos – olhou-me sorrindo - Há uns dias vi a Lóris – sussurrou – assim que me viu correu para mim na rua. É incrível que ainda me conheça, já não me vê há tanto tempo!
- E os pais?
- Acharam estranho, acho eu – respondeu – no entanto, quando lhes disse que era tua amiga compreenderam.
- Como é que ela está?
- Enorme – acabou por sorrir e olhar-me – tem os olhos do Kyle, sabes? – o pai da Lóris, que a Halle nunca mais tinha visto.
- Mas continua a ter o teu sorriso, aposto!
- Ela é feliz, e eu fico feliz por ela. Eu estava com o Isaac e ela pediu-me para o ver no carrinho – sorriu enquanto olhava para o teto – ela conheceu o meio-irmão – levantou-se da cama e calçou os sapatos enquanto me olhava – estás muito bonita.
 - Olha quem fala! – falei contemplando-a – ninguém diria que tiveste um filho há cerca de quatro meses!
- Bom dia! – a Evy entrou no quarto alegre.
- Alianças! – peguei na caixa que tinha pousado em cima da cama.
- Que alívio – acabou por dizer a minha tia.
- Que história é essa? – perguntou curiosa a Halle.
- Depois eu conto-te – assegurei rindo-me sozinha.
- Estão lindas, meninas! Só vos falta uma coisa – pegou em duas coroas de flores que tinha em cima da mesa de cabeceira. Colocou uma na minha cabeça e outra na da Halle – agora sim. Não vos disse que eram minhas damas de honor? – abanámos as duas com a cabeça – passaram a ser a partir de agora!
Coloquei-me ao lado da Halle e olhámo-nos as duas ao espelho. Ela vestia um vestido rosa que lhe dava pelo joelho com uma racha à frente.


Eu tinha escolhido um vestido comprido num tom azul claro. Seria um casamento bem simples, mas com um toque de glamour, bem ao jeito da Evy.



Aquele tinha sido sem dúvida um casamento maravilhoso. A cerimónia tinha sido linda e estavam os dois imensamente felizes, era sem dúvida o que se esperava de um casamento. Felicidade para toda a vida. 






Sentei-me à frente do Mario e pousei o meu tabuleiro sobre a mesa. Olhei-o enternecida. Hoje tinha sido um bom dia. O casamento da Evelyn com o Roman foi magnífico e tudo tinha corrido bem.
- Quem diria que o nosso dia iria acabar aqui – falou quase num sussurro.
- É verdade – concordei. Fui tirando algumas batatas fritas do pacote e comendo enquanto o Mario me olhava atento. Porquê? Talvez por estar a comer fast food depois do meu distúrbio alimentar? – que é? – perguntei um tanto intrigada com aquele olhar sobre mim.
- Não sei… - roubou uma das minhas batatas e continuou com aquele olhar profundo sobre mim. Tinha insistido que não queria comer nada, o que me admirou. Baixou o olhar, mas depois voltou a olhar-me de uma forma diferente – às vezes acho que estamos encurralados – o quê? – nós não vamos andar com a nossa relação para a frente tão depressa, e para trás também não é caminho…
E este foi sempre o meu medo. Que o Mario sentisse que a nossa relação não tinha volta a dar.  Que tudo caísse numa monotonia extrema. Que nos tronássemos prisioneiros um do outro e que isso não tivesse qualquer saída.
- Desculpa – pedi – a culpa é minha – abanou a cabeça em sinal de negação – a culpa é minha porque tenho sempre mil e uma perguntas na cabeça, mil e uma dúvidas e esqueço-me do mais importante. Esqueço-me que ao meu lado tenho o homem dos meus sonhos. Que és tu – sorriu ainda que com algum nervosismo – já provaste tantas vezes que me amas, mas eu continuo a ser a parva de sempre que insiste em pensar e ponderar mais vezes do que as necessárias, em vez de avançar logo. Eu própria me sinto cansada por vezes de ser esta Thaís, que espera que tudo lhe caia aos pés e não faz nada para que as coisas aconteçam. Eu tenho pensado durante estes dias, e tomei uma decisão.
- Que é? – parecia nervoso.
- Eu sei que isto não é o local ideal – olhei em volta contemplando o McDonald’s praticamente vazio – e talvez…bem, mas chega de talvez. Tu queres casar comigo, Mario?


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Olá meninas! Estou de volta passado quase um ano. Peço imensa desculpa, mas vou-me deixar disso porque sei que as minhas desculpas não valem capítulos. Peço apenas que acreditem que se eu tivesse oportunidade publicaria mais vezes, sem dúvida.
Relembro que Boundless Love fez 3 anos, no dia 10 de Novembro, mas não tive oportunidade de vir ao blog e fazer uma publicação. Um grande obrigada a vocês por estes 3 anos!
Espero que gostem e aguardo as vossas reações.
Não prometo capítulos em breve, mas prometo que vou fazer de tudo para os escrever.
Aproveito para desejar um bom  ano a todas!
Beijinhos,

Mahina 

1 comentário:

  1. Olá
    Casamento e pedido de casamento...lindoooooooooooooo *.*
    Espero e quero mais capitulos da fic :)
    Beijos :*

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