sábado, 16 de setembro de 2017

Capítulo 46 "Há gavetas que tenho que fechar!"

1 ano depois

- Estou farta disto! – virei-me para a Halle desesperada – o vestido nem no sítio fica! – dei uma volta sobre mim mesma olhando-me ao espelho – acho que não me quero casar… - voltei a repetir pela sétima vez.
A Halle abriu a boca, provavelmente com o intuito de me gritar alguma coisa, quando o som de alguém a bater à porta a interrompeu.
- Posso? – O Marco perguntou entrando.
- Podes! Olha… – pegou na sua clutch e caminhou na sua direção – atura-a porque eu juro por tudo que já não consigo mais! – deixou o quarto e eu sentei-me no chão, bem que tentei cruzar as pernas, mas o vestido não me estava a permitir.
- Então? – o Marco sentou-se ao pé de mim e sorriu-me como sempre fazia quando se armava em irmão mais velho – és capaz de me explicar o que é que se passa?
- Eu tenho dúvidas, entendes? – fez uma cara de assustado – não é normal ter dúvidas no dia do casamento?
- Eu não tive, Thaís. Eu sempre soube que era a Halle e no dia do casamento só ansiava que o dia chegasse ao fim para a ter só para mim nos meus braços – sorri olhando-o – o que não aconteceu porque tu foste para lá e enfiaste-te no meio de nós!

“Bati à porta esperando que mais tarde ou mais cedo alguém se dignasse a abrir-ma.
- Thaís? – a Halle abriu-me a porta e parecia surpreendida.
- Eu sei – caminhei para o interior do quarto e sentei-me no fundo da cama onde o Marco já estava deitado – eu sei que vocês deviam estar a ter uma noite de núpcias, mas…
- Mas? – perguntou o Marco esperando que eu continuasse o meu raciocínio.
- O Mario não me parou de me chatear desde que nos deitámos. – esclareci.
- Oh Tha! – a Halle fez sinal para eu me deitar junto dela. No meio dos dois –o que é que se passa?

- E como sempre vocês acolheram-me – relembrei – o que é que eu faço? Não sei se estou pronta para isto.
- Foste tu que o pediste em casamento.
- Eu sei! Sei que fui eu que o pedi em casamento, eu que tive a ideia de comprarmos casa os dois depois de ele tanto insistir para ir morar com ele, e eu que tive a bela ideia de me candidatar ao hospital de Dortmund agora que o Mario vai voltar.
- E depois disso tudo não tens coragem para te casar?
- Não sei – fui passando os meus dedos pelo tecido do vestido enquanto refletia.
- Thaís, não te vou enganar, casar com uma pessoa é um passo enorme, no entanto parece mínimo se já conviveres diariamente com ela.  Tu e o Mario já passaram por algumas coisas juntos, o que é que o casamento vai mudar? Uma aliança? – não sei, continuavam a haver um milhão de dúvidas na minha cabeça – claro que há coisas que vão mudar, gavetas que se vão fechar e novas que se irão abrir.
- É isso! – exclamei. Agarrei-me à cama tentando levantar-me do chão, o Marco lá me deu a mão ajudando-me – há gavetas que tenho que fechar!
- O quê? – vasculhei naquele quarto procurando as chaves do meu carro – Thaís, não estás a fazer sentido!
Podia até não estar, mas para mim tinha todo o sentido. Precisava de fechar algumas gavetas, talvez por isso tinha eu tantas dúvidas, havia gavetas por fechar.
- Tu conduzes! – atirei-lhe as chaves do carro para as mãos – e eu já te explico tudo, prometo.
Desatei a caminhar em direção das escadas e ia olhando para trás para garantir que o Marco vinha atrás de mim, sentei-me no fundo das escadas, no último degrau, e calcei umas sapatilhas enquanto o Marco me olhava meio confuso.
Levantei-me e entrei na cozinha, a Halle estava com o Isaac ao colo enquanto a minha mãe conversava com ela encostada à bancada.
- Volto já! – falei enquanto caminhava rápido na direção da porta de saída que dava para a garagem.
- O quê? – quase que gritou a minha mãe.
- Eu avisei que ela não estava bem hoje! – lamentou-se a Halle – Marco toma conta dela, por favor – olhei para trás no momento em que a Halle deu um rápido beijo ao Marco e ele vinha trás de mim.
- Thaís, volta aqui!
Eu obedecia à minha mãe maior parte das vezes, mas não hoje. Entrámos na garagem, o Marco abriu o carro e eu entrei ainda que a muito custo por causa do vestido volumoso que trazia vestido. O vestido meu casamento, feito pela Evelyn.





Abri o portão da garagem, tentei pôr o cinto de segurança e saímos em direção desconhecida. Por agora.
- Thaís? – ouvi o Mario gritar.
Tinha acabado de estacionar em frente à minha casa, o Marco abrandou e eu abri mais a janela para o poder ver e falar com ele.
- Onde vais? – perguntou estupefacto.
- Vou tratar de umas coisas. Eu não vou fugir! – gritei esta última parte e quase que senti a respiração aliviada dele – prometo que volto! – gritei, visto que estávamos afastados e cada vez mais, dado que o Marco não tinha parado só diminuído a velocidade.
- A propósito, estás linda! – a sua voz ecoou em todo o quarteirão e fez-me abrir um sorriso enorme enquanto o vento me dava na face. Eu não tinha dúvidas de que era com ele que queria passar o resto da minha vida. Apenas tinha dúvidas quanto ao que ia “deixar” para trás na minha vida.
- Então? – o Marco parecia desesperado por saber o rumo desta nossa viagem repentina.
- Ora bem – ajeitei-me no banco – há um mês recebi uma carta da minha mãe biológica – ouvi um silencioso “o quê?” – não contei a ninguém, é verdade. Bem, o que ela diz além de todas as desculpas que pede em me ter “deixado”, e que contactou com os meus pais há pouco tempo, mas pediu que eles não me dissessem nada é que ela vive cá em Dortmund – abri o porta-luvas e vasculhei procurando a tal carta que ela me tinha mandado – ora “olá Thaís”, blá, blá, blá, moro na rua das flores perto do…
- Estádio – completou o Marco – eu sei onde é essa rua, é mesmo atrás do estádio perto daquele parque. É para ir lá…? – perguntou ainda que um pouco a medo.
- É pois!
- E já sabes o que lhe vais dizer? É que em quinze minutos vamos estar lá.
- Não sei, não achas que gostavas de ver o teu filho biológico no dia do casamento dele?
- Então, mas vais convidá-la para o casamento?
- Não!
- Então o que é que vais fazer?
- Não sei – respondi com toda a sinceridade.
No caminho até à tal rua não dissemos mais nenhuma palavra. Eu ia-me lembrando de algumas coisas, nomeadamente quando o Mario descobriu o nome da minha mãe biológica. Chamava-se Sandra. Talvez fosse morena como eu e tivesse os olhos castanhos, ou talvez fosse loira e tivesse os olhos azuis. Podia não ter saído a ela. Quantos pais loiros têm filhos morenos?
- Chegámos – anunciou fazendo-me despertar de todos aqueles pensamentos – queres que eu vá contigo?
- Oh sim, claro.
Saímos os dois do carro e olhei novamente para a carta confirmando que estava no lugar certo, no prédio certo, só me restava ter a coragem de tocar à campainha do apartamento certo.
- O que é que estás a fazer? – perguntei perplexa assim que ele pressionou o botão.
- Deduzi que não ias ter coragem de tocar, por isso…
- Sim? – ouvimos do outro lado do intercomunicador.
- Sandra? – questionou ele, ao que do outro lado ouvimos “a mesma” – o meu nome é Marco e gostaria de falar uns minutos consigo, se fosse possível.
- Qual é o assunto?
- Eu – tomei as rédeas da conversa – o meu nome é Thaís.
Não se ouviu mais nenhuma voz, apenas o barulho da porta do prédio a abrir. Segurava o vestido nas minhas mãos para não arrastar no chão e o Marco segurava a minha cauda enquanto subíamos as escadas em direção ao segundo andar.
Pensei umas vinte vezes em como iria introduzir aquela conversa, na verdade que conversa? Não tinha nada planeado para lhe dizer. Apenas a queria conhecer antes de me casar.
Ia bater à porta quando esta se abriu e uma mulher com os seus quarenta e poucos anos me abriu a porta. Era morena, tinha o cabelo liso, castanho avelã e cortado pelos ombros.
- Thaís? – o meu nome dito por aquela pessoa que tinha à minha frente suava de forma bastante estranha, como se houvesse algo a impedi-la de falar e o dissesse no fim de engolir algumas vezes a seco – estou feliz por te ter aqui, mas não esperava ter-te aqui assim… - apontou para o meu corpo.
- Bem, eu vou-me casar – declarei – daqui a… - peguei no pulso do Marco que assistia a tua aquilo – três horas mais ao menos que a noiva tem que sempre chegar atrasada – sorriu e voltou a olhar-me atenta. O seu sotaque era estranho, notava-se que não era alemã nativa.
- Então talvez tenhamos depois outras oportunidades para falar?
- Não sei –  respondi com toda a sinceridade – não sei se estou disposta a conhecer, depois destes anos todos, uma parte de mim que até agora desconheço. Não sei se quero – olhava-me confusa. Realmente deveria estar, se eu não a queria conhecer melhor porque raio estava ali? – eu só vim aqui agora porque queria fechar algumas gavetas e não me sentia bem, não me pergunte porquê, a casar-me e a não a ter visto nenhuma vez depois da carta que me mandou.

- Estás bem? – perguntou o Marco assim que entrámos novamente no carro.
- Sim, acho que sim – abri a janela e respirei algum do ar fresco – apesar de não ter fechado esta gaveta, penso que fiz algum progresso nela.
- E agora? Podemos voltar para o teu casamento?
- Não – respondi rapidamente. Olhei para o meu telemóvel e entre chamadas da minha mãe e do meu pai olhei para as horas. 10:42. – o centro de saúde está aberto até ao meio dia, certo?
- Penso que sim.
- Então vamos lá!
- Fazer o quê? – perguntou-me um tanto confuso.
- Eu… - seria a primeira vez que ia verbalizar aquilo em que pensava todos os dias – acho que estou grávida.
- Grávida? – o espanto era bem visível no seu rosto.
- Sim – confirmei sorrindo.
- E porque é que achas que estás grávida?
- Ai! – virei-me para ele com cara de má – mas tu és algum médico ou coisa parecida? Estás a duvidar da minha palavra?
- Sim! Quer dizer, não! – viu-se um pouco atrapalhado com as palavras – só acho estranho como consegues ter essas certezas de que estás grávida.
- Em primeiro lugar – comecei – deixei de tomar a pilula há dois meses – o Marco olhou-me novamente espantado – estou a brincar, eu não tomo a pilula! – sorri e voltei a ficar séria – eu uso adesivo contracetivo e não o pus há um mês exatamente na altura em que estava a ovular, o que significa que provavelmente estou grávida.
- Ou não…
- Ou sim!
- Estás feliz? – perguntou confuso – não foi um acidente?
- Não…eu não o pus de prepósito.
- O Mario…sabe?
- Oh, não. Mas ele quere.
- Ai Jesus – parámos naquele momento em frente ao centro de saúde – vocês são um casal muito estranho. Eu e a Halle falámos de ter um filho, foi quase planeado.
- O nosso também! – falei – planeado para ter dois anos de diferença do Isaac e vir exatamente na altura certa, quando estivermos num bom sítio, em Dortmund, próximos da nossa família. Para ter duas avós babadas a tomar conta de um neto que é o primeiro de uma e o segundo de outra. Foi tudo planeado…embora que à nossa maneira.
- Também foi planeada esta fuga?
- Oh, não! – assegurei abrindo a porta do carro e saindo com a intenção de caminhar até ao centro de saúde – isto foi só uma daquelas ideias magníficas da Thaís.
Entrei na sala de espera e dirigi-me ao balcão de atendimento sentindo todos os olhos em cima de mim.
- Bom dia! – saudei baixando em seguida o tom – será que é possível eu ser atendida por alguém? Um médico…um enfermeiro…alguém que me consiga fazer um teste de gravidez…? – a senhora olhou-me e pegou no telefone.
- A Doutora atende-a em seguida, pode sentar-se um pouco – respondeu bastante seca.
- Obrigada – agradeci.
Sentei-me no único lugar vago que era entre duas senhoras já com alguma idade. Os olhares sobre mim eram tão fortes que se tornava impossível não sentir.
- A menina fugiu? – perguntou-se a senhora do meu lado direito.
- Não – abanei a cabeça enquanto sorria – só vim fazer uma coisinha antes do casamento.
- É aquele borracho ali o seu noivo? – questionou desta vez a do lado esquerdo. Apontava para o Marco que estava no seu magnífico fato encontrado à ombreira da porta e a falar ao telemóvel com alguém. A Halle provavelmente.
- Não – voltei a abanar com a cabeça – é o meu padrinho de casamento.
- Rapariga do vestido de noiva? – ouvi a senhora do balcão a chamar – não lhe perguntei o nome.
- Thaís – falei assim que me levantei.
- Pode estrar por essa porta e é o gabinete dois.
- Obrigada – fiz sinal ao Marco e entrei na tal porta. Dizia enfermaria, gabinete um e…ali estava o gabinete dois – posso? – perguntei assim que bati à porta.
- Sim – entrei dando de caras com uma senhora de meia idade, mas com um sorriso fantástico – fugiu? – perguntou sem rodeios.
- Não, doutora. O meu casamento ainda está para ser.
- E o que a trás cá? Não tenho os seus dados, nem nada…a administrativa disse que seria rápido.
- E é – sentei-me na cadeira em frente à secretária – eu só preciso de fazer um teste de gravidez.
- O de sangue é mais preciso, mas demora um pouco mais.
- Quanto tempo?
- Não sei, tenho uns contactos ali no laboratório em Dortmund. Algumas horas, talvez ao início da tarde já tenha uma resposta para si – queria tanto saber o resultado naquele momento - basta deixar-me o seu contacto e assim que eu souber eu digo-lhe – sorri-lhe – só se…?
- Sim?
- Não pensou em fazer um teste de farmácia?
- Sim, mas como nem sempre é fiável…
- Bem, há quanto tempo acha que está grávida?
- Não sei – respondi – usava adesivo contracetivo, há um mês que deixei de pôr.
- Então vamos fazer. O resultado é menos fiável com certos comportamentos, tais como: aborto nos últimos dois meses – abanei a cabeça em sinal negativo – toma alguma medicação?
- Não.
- Então vamos fazer o teste de gravidez e mando à mesma o teste de sangue para o laboratório.
- Obrigada – agradeci sorrindo.


- Tens a certeza disto? – ajeitei o meu vestido assim que saí do carro e olhei séria para o meu pai – é só uma pergunta! Foste tu quem fugiu há pouco!
- Isso foi um momento. E qual é mesmo o problema, pai? Ele agora até para o Dortmund vai voltar – sorri para a Cíntia que depois de me dar o ramo apressou-se a entrar na igreja.
- Nenhum – deu-me um beijo na testa e depois deu-me o seu braço – só ainda não estou ciente que vou perder a minha filha.
- Prometo que vou todos os meses a vossa casa – olhou-me com cara de mau fazendo-me rir – pronto, pronto, de duas em duas semanas eu vou lá. Sabes que também tenho que intercalar com a casa dos sogros!
Não disse mais nada e agradeci mentalmente por o ter feito. Olhei para a escadaria à minha frente e respirei fundo. À minha frente tinha duas das minhas meninas da dança a deitar algumas pétalas de rosa no chão. Já atrás tinha mais duas meninas, a Emma, a prima do Mario e a Lóris que seguravam meticulosamente a cauda do meu vestido.
Subi cada degrau com algum receito, e a cada passo fui descobrindo novas sensações que jamais tinha pressentido. Assim que a música “Ave Maria” começou a ser tocada e vi o Mario perto do altar o meu estômago encheu-se de pequenas borboletas.
Em menos tempo do que tinha imaginado já o meu pai me tinha largado o braço e me olhava com aqueles olhos brilhantes.
- Estás linda – sussurrou assim que me agarrou na mão.
Cheguei-me um pouco perto dele enquanto esperávamos que todas as pessoas se colocassem no devido lugar e assim que os meus lábios ficaram o suficientemente perto do seu ouvido, sussurrei:
- Estou grávida, Mario – peguei na sua mão e coloquei-a sobre o meu ventre. 

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Olá minha gente!
Seis meses depois aqui estou eu! Sei que devia ter publicado na I Will Wait For You e não aqui, mas desta vez as coisas processaram-se assim! Aqui está um novo capítulo, prometo que os próximos vão trazer grandes novidades e aproximar-se-ão cada vez mais do final. 
Espero que gostem! Se ainda não leram o capítulo 46 da I Will, poderão fazê-lo agora! Em pouco tempo haverão novidades por lá!
Não vos massacro mais, espero que tenham desfrutado da leitura!
Beijinho e até breve, 
Mahina ღ

sábado, 4 de março de 2017

Capítulo 45 " Às vezes acho que estamos encurralados"

- O teu namorado perdeu as alianças!
- Se ele jogasse no Dortmund…isto não tinha acontecido…
- Pai! – repreendi – e porque raio é que o Mario tinha as alianças? – perguntei perante a sua cara de terror.
- Porque o teu namorado vai ser meu padrinho de casamento, já que o meu padrinho de casamento inicial não pode vir.
- O mundo está perdido, ouve lá Thaís – o meu pai deu-me um encontrão chamando-me à atenção – o padrinho de casamento da tua tia é da equipa da Baviera e ainda por cima a madrinha de casamento é a tua mãe, estás a ver a situação, filha?
- Estou! Estou a ver que só vais aceitar que o Mario seja meu namorado quando ele se mudar novamente para o Dortmund.
- Nós não o queremos de volta! – levou a mão ao peito como se eu tivesse acabado de o ofender – por quem tomas esta nação que se chama Borussia de Dortmund? Nós não queremos cá traidores!
- Podes parar de ser tão dramático? – pedi.
- E podem concentrar-se em mim? – a Evelyn estalou os dedos fazendo-nos olhar para ela – o teu namorado deve estar a chegar para procurar as alianças. Podes ir ajudá-lo a procurar?
- E quem é que te ajuda a ti a preparar? – encolheu os ombros e acabei por me virar para o meu pai e sorrir – sabes o que é que vais fazer quando o Mario chegar? – olhou-me desconfiado e com aquela cara de mau – vais ajudar o meu namorado, o teu futuro genro, a procurar as alianças – olhou-me bastante espantado, talvez porque eu tinha acabado de dizer “futuro genro” – porque eu vou ajudar a Evelyn a preparar-se. E tu sabes, pai, que sem alianças não há casamento, por isso dá o teu melhor nessa caça ao tesouro! – atirei dando-lhe uma palmadinha no ombro e sorrindo-lhe.
Olhou-me incrédulo, peguei na mão da Evy e começámos as duas a subir as escadas rumo ao quarto.
- Sim, senhora! Futuro genro! – felicitou-me com uma pontinha de ironia.
- Oh não – falei abanando a cabeça em sinal negativo – não me lembres por favor que acabei de dizer isso. Foi sem dúvida…o calor do momento que me levou a dizer tal coisa.  
- O Mario ia gostar de saber que disseste isso – sentou-se em frente àquele espelho enorme. Passou um dos pinceis pelo pó compacto e depois passou-o pelo seu rosto lentamente enquanto me olhava séria através do espelho – é um homem maravilhoso, não é? – assenti – eu gosto muito dele – arqueei a sobrancelha – quer dizer, neste momento eu odeio-o, mas… - gargalhei perante a sua expressão – acho que é o homem certo para ti.
- Achas mesmo?
- Acho – levantou-se e encaminhou-se para o seu vestido de noiva que estava pendurado o mais alto que tínhamos conseguido para que não arrastasse no chão – vamos lá vestir isto?
Alcancei o cabide que suportava o vestido, retirei-o de lá com todo o cuidado, e ajudei-a a vesti-lo. O vestido de noiva que a Evy tinha desenha e criado para si não era nada convencional. No fim de correr o fecho peguei na coroa de flores colocando-a na sua cabeça.
- Estás pronta – afirmei – agora falto eu que ainda estou de pijama.
- Tha? – o Mario estava encostado à ombreira da porta e olhava-me de uma forma preocupada – preciso da tua ajuda – olhei para a Evelyn que me olhou nada contente.
- Eu já volto – assegurei caminhando na direção do Mario – já encontraste as alianças? – nem precisava de me responder, a sua cara transmitia um grande e redondo “não” – o que é que tu fizeste às alianças?
- Eu não me lembro – sussurrou. Saí daquele quarto e fechei a porta atrás de mim – ajudas-me? – olhei-o atenta. Já estava de fato e pronto para o casamento. Tinha uma expressão preocupada, mas mesmo assim não deixava de ser o mesmo Mario, com um sorriso que me faz sorrir como ninguém – Tha? – pegou na minha mão chamando-me à atenção.
- Desculpa – pedi – estás muito bonito – declarei. Coloquei-me em bico de pés e coloquei as minhas mãos no seu pescoço – ainda nem um beijo me deste hoje – queixei-me.
- E tu estás demasiado… - fez uma expressão super engraçada – cola!
- Cola? – perguntei incrédula – eu estou aqui a dizer que estás lindo e a pedir-te um beijo e tu dizes que estou demasiado cola?
- Tu não costumas ser assim, vá admite! – desafiou-me com aquele olhar.
- Não vou admitir nada – cruzei os braços – só que hoje é um dia especial – levei as minhas mãos ao seu pescoço novamente – até acho que podíamos sei lá… - peguei nas mãos dele e coloquei-as na minha cintura, colei o meu corpo ao seu e encostei-o à parede – que se lixem as alianças, temos coisas tão mais… – trinquei levemente a pele do seu pescoço – interessantes para fazer…
- É isso! – afastou-me de si – já sei onde estão as alianças! – olhei-o confusa – anda comigo!
- Estou de pijama! – alertei-o – há pessoas lá fora.
- Não te importes com isso – pegou na minha mão e começámos a caminhar. Saímos de casa e caminhámos até ao seu carro. Entrou do seu lado e começou à procura…das alianças? – procura aí da parte de trás.
Fiz o que ele me disse e abri a porta procurando pelas alianças no chão. Olhei atentamente verificando que estava uma caixa azul escura de veludo no chão. Abri-a e ali estavam as duas alianças.
- Estão aqui! – informei. Levantou a cabeça e olhou para mim.
- E lembras-te porque é que estão aqui? – abanei a cabeça negando – no dia em que a Evy me deu as alianças em Dortmund, eu fui buscar-te a casa dos teus pais e fomos jantar, ou melhor dizendo, íamos jantar porque tu… - parou de falar olhando-me atento – tu não te lembras Thaís? – olhei-o ainda mais confusa. Lembrar-me de quê? – eu até fiquei bastante convencido que fizemos um filho!
- Ai! – sim, agora já me lembrava – qual filho qual carapuça! Não fizemos filho nenhum!
- Bom dia! – olhámos os dois para o nosso lado direito vendo a Halle que tinha batido no vidro da porta de trás do carro.
Saímos os dois do carro e pude ver a expressão do Marco e da Halle ao verem que estava de pijama. Apressei-me a pegar no Isaac que estava nos braços do Marco.
- Bom dia coisinha boa da madrinha! – dei-lhe um beijo na bochecha e passei-o depois ao Mario que, ainda um pouco desajeitado, lhe pegou – já tinha saudades vossas – declarei dando dois beijinhos a cada um – como correu a viagem até Berlim?
- Acho que até correu bem – a Halle encostou-se ao Marco – o Isaac não chorou muito no avião e aqui estamos nós. Ainda tenho que me ir vestir – falou exibindo o seu vestido num cabide devidamente protegido.
- Eu também tenho – acabei por dizer – acho que é melhor irmos.
- Ficam com o Isaac? – perguntou a Halle ao que tanto o Mario como o Marco assentiram – que tal essas viagens com o Mario? Já não te via há algum tempo, mesmo! – constatou.
- Estivemos em Ibiza tal como tu sabes, depois fomos para Barcelona para o casamento do Thiago, demos um saltinho a Munique e viemos para aqui. Acabámos por vir de carro e tudo.
- E como estão as coisas?
- Bem… - chegámos finalmente ao quarto, não havia sinal da Evy. Fechei a porta e começámo-nos então a preparar – faz por esta altura um ano que as coisas começaram a mudar bastante. Estávamos na Grécia quando recebi uma proposta do Dennis para bailarina dele e fazer uns castings, escusado será dizer que nada disso se chegou a realizar – ajudei-a fechar o fecho do vestido dela e ela atou o meu fazendo um laço perto do pescoço – neste ano que passou não fiz nada do que sonhei. Eu não trabalhei, em vez disso passei a vida em conferência com a psicóloga e com a nutricionista. Tinha tantas coisas programadas. Foi um ano complicado. Nunca mais vi as minhas miúdas e tenho tantas saudades delas.
- Sabes bem que poucas coisas na vida são como programamos – olhou-me sorrindo - Há uns dias vi a Lóris – sussurrou – assim que me viu correu para mim na rua. É incrível que ainda me conheça, já não me vê há tanto tempo!
- E os pais?
- Acharam estranho, acho eu – respondeu – no entanto, quando lhes disse que era tua amiga compreenderam.
- Como é que ela está?
- Enorme – acabou por sorrir e olhar-me – tem os olhos do Kyle, sabes? – o pai da Lóris, que a Halle nunca mais tinha visto.
- Mas continua a ter o teu sorriso, aposto!
- Ela é feliz, e eu fico feliz por ela. Eu estava com o Isaac e ela pediu-me para o ver no carrinho – sorriu enquanto olhava para o teto – ela conheceu o meio-irmão – levantou-se da cama e calçou os sapatos enquanto me olhava – estás muito bonita.
 - Olha quem fala! – falei contemplando-a – ninguém diria que tiveste um filho há cerca de quatro meses!
- Bom dia! – a Evy entrou no quarto alegre.
- Alianças! – peguei na caixa que tinha pousado em cima da cama.
- Que alívio – acabou por dizer a minha tia.
- Que história é essa? – perguntou curiosa a Halle.
- Depois eu conto-te – assegurei rindo-me sozinha.
- Estão lindas, meninas! Só vos falta uma coisa – pegou em duas coroas de flores que tinha em cima da mesa de cabeceira. Colocou uma na minha cabeça e outra na da Halle – agora sim. Não vos disse que eram minhas damas de honor? – abanámos as duas com a cabeça – passaram a ser a partir de agora!
Coloquei-me ao lado da Halle e olhámo-nos as duas ao espelho. Ela vestia um vestido rosa que lhe dava pelo joelho com uma racha à frente.


Eu tinha escolhido um vestido comprido num tom azul claro. Seria um casamento bem simples, mas com um toque de glamour, bem ao jeito da Evy.



Aquele tinha sido sem dúvida um casamento maravilhoso. A cerimónia tinha sido linda e estavam os dois imensamente felizes, era sem dúvida o que se esperava de um casamento. Felicidade para toda a vida. 






Sentei-me à frente do Mario e pousei o meu tabuleiro sobre a mesa. Olhei-o enternecida. Hoje tinha sido um bom dia. O casamento da Evelyn com o Roman foi magnífico e tudo tinha corrido bem.
- Quem diria que o nosso dia iria acabar aqui – falou quase num sussurro.
- É verdade – concordei. Fui tirando algumas batatas fritas do pacote e comendo enquanto o Mario me olhava atento. Porquê? Talvez por estar a comer fast food depois do meu distúrbio alimentar? – que é? – perguntei um tanto intrigada com aquele olhar sobre mim.
- Não sei… - roubou uma das minhas batatas e continuou com aquele olhar profundo sobre mim. Tinha insistido que não queria comer nada, o que me admirou. Baixou o olhar, mas depois voltou a olhar-me de uma forma diferente – às vezes acho que estamos encurralados – o quê? – nós não vamos andar com a nossa relação para a frente tão depressa, e para trás também não é caminho…
E este foi sempre o meu medo. Que o Mario sentisse que a nossa relação não tinha volta a dar.  Que tudo caísse numa monotonia extrema. Que nos tronássemos prisioneiros um do outro e que isso não tivesse qualquer saída.
- Desculpa – pedi – a culpa é minha – abanou a cabeça em sinal de negação – a culpa é minha porque tenho sempre mil e uma perguntas na cabeça, mil e uma dúvidas e esqueço-me do mais importante. Esqueço-me que ao meu lado tenho o homem dos meus sonhos. Que és tu – sorriu ainda que com algum nervosismo – já provaste tantas vezes que me amas, mas eu continuo a ser a parva de sempre que insiste em pensar e ponderar mais vezes do que as necessárias, em vez de avançar logo. Eu própria me sinto cansada por vezes de ser esta Thaís, que espera que tudo lhe caia aos pés e não faz nada para que as coisas aconteçam. Eu tenho pensado durante estes dias, e tomei uma decisão.
- Que é? – parecia nervoso.
- Eu sei que isto não é o local ideal – olhei em volta contemplando o McDonald’s praticamente vazio – e talvez…bem, mas chega de talvez. Tu queres casar comigo, Mario?


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Olá meninas! Estou de volta passado quase um ano. Peço imensa desculpa, mas vou-me deixar disso porque sei que as minhas desculpas não valem capítulos. Peço apenas que acreditem que se eu tivesse oportunidade publicaria mais vezes, sem dúvida.
Relembro que Boundless Love fez 3 anos, no dia 10 de Novembro, mas não tive oportunidade de vir ao blog e fazer uma publicação. Um grande obrigada a vocês por estes 3 anos!
Espero que gostem e aguardo as vossas reações.
Não prometo capítulos em breve, mas prometo que vou fazer de tudo para os escrever.
Aproveito para desejar um bom  ano a todas!
Beijinhos,

Mahina