domingo, 24 de janeiro de 2016

43º Capítulo - «Quem é o amor da Thatha?»

- Olha cala-te! – barafustei ajeitando-me no banco do avião – já estou farta de te ouvir!
- Mas é verdade! – defendeu-se – eu sou o melhor jogador da Áustria e além disso… - levantei-me do banco e ele parou de falar olhando-me atento – onde é que tu vais? Eu estou a falar contigo.
- Vou ver se me livro de ti! – andei alguns passos e olhei para a fila do meio, há algum tempo que estava uma rapariga por volta dos 15 anos a olhar-nos – olá – saudei olhando para ela e tentando mostrar o meu melhor sorriso – conheces o David Alaba, não conheces?
- Sim, sou adepta do Bayern de Munique por isso…
- Boa! – interrompi – podes trocar de lugar comigo, por favor? O meu até é ao pé da janela e tudo!
- Mas…porquê?
- Porque… - porque ele é chato seria uma boa resposta – ele é meu amigo, sabes? Mas está a chatear-me.
- Olhe – senti que alguém me tocava no braço, olhei vendo a hospedeira – não pode estar em pé.
- Porquê? – perguntei de rajada.
- Porque…
- Eu estou mal disposta – interrompi-a. Tinha mesmo cara de arrogante – e vou trocar com a rapariga.
Ela lá se levantou e foi para o meu lugar ao lado da janela. A hospedeira acabou por sair dali e eu sentei-me no meu novo lugar.
- O que é que estás a fazer? – perguntou-me o David. Estava à minha frente, ainda há pouco estava sentado no lugar dele!
- Vai para o teu lugar, não podes estar em pé segundo a hospedeira.
- Qual delas? A loira gira ou a morena boazona?
Encostei-me para trás revirando os olhos.
- Onde é que eu estava com a cabeça quando decidi vir contigo de férias?
- Nós não vamos de férias, diamante brilhante – argumentou – nós vamos a Nova Iorque ver NBA.
- E às compras?
- Sim podemos negociar isso – cruzou os braços e olhou em volta – achas que me deva sentar ou esperar que a loira gira me venha dizer para o fazer?
- Acho que deves ir sentar-te e aproveitar e falar com a rapariga. Com sorte ganhas uma fã, não fales é demasiado por favor, senão creio que estragas tudo.
- Vou ter em conta esse teu conselho, prometo.
Saiu dali indo em direção do seu lugar. Finalmente silêncio e paz. Uma longa viagem e três dias imprevisíveis…eram o que se seguia!



- Já tinha saudades tuas! – o Felix deu-me uma cotovelada enquanto descíamos as escadas em direção aos nossos lugares do estádio.
- O teu irmão deve ter mais, o pobre coitado ainda não me viu desde que voltei de Nova Iorque – comentei sentando-me finalmente no meu lugar.
- Acho que ainda não te apresentei como deve ser a Maria – disse o Felix. Estava sentado do meu lado direito e do seu lado direito estava a tal Maria. A verdade é que ele tinha dito que era a Maria mas nunca referiu se era namorada ou não – é a minha namorada – pois, bem me parecia.
- Ai onde ela se veio meter – falei um pouco mais baixo, levando a que o Felix me olhasse séria. Cheguei-me para a frente podendo encarar a jovem rapariga – não estou a dizer mentira nenhuma, Felix! – a Maria sorriu e eu fiz o mesmo tentando pô-la o mais à vontade possível – realmente dos três irmãos calhaste com o melhor! Tiveste sorte! – brinquei, gargalhando em seguida.
- Tu foste a que tiveste mais azar? – inquiriu o Felix.
- Não! Eu fui aquela que nem teve sorte nem azar. Não me queixo porque eu gosto, mas acreditem que a Kristina, a namorada do Fabian, tem muito mais azar.
- E aqui está a minha cunhada – falou o Feliz virando-se para a namorada – fala mal dos meus irmãos á minha frente.
- Atenção! Só falei mal do Fabian! Eu gosto muito do Mario. Ele até me deixa conduzir o carro dele – brinquei, levando a que os dois se rissem – mas não gosto muito de vir a estes jogos por isso planeio sempre instalar uns bons jogos no telemóvel para jogar agora – coloquei uma das minhas mãos no joelho do Felix – mas para minha tristeza não tive tempo pra instalar jogos por isso deem para cá os vossos telemóveis.
Fiz a cara mais séria possível e a Maria ficou a olhar para o Felix sem saber o que fazer.
- Ela está a gozar – esclareceu ele, levando-me depois a rir – ela passa a vida a gozar, por isso habitua-te.
- E tu também te tens que habituar porque eu e o teu irmão já não nos largamos o resto da vida.
- Não? É de vez? Para sempre?
- Sim. Agora nós ainda não voltámos oficialmente mas está quase. Depois vamo-nos habituar um ao outro e passa a ser namoro de hábito e depois passamos à parte de namoro de paixão e aí casamos.
- Casam? Tu a casar? – questionou bastante espantado.
- Sim! Há de acontecer um dia, espero eu… - olhei para o relvado. O Mario estava a jogar e estava feliz. Pelo menos era o que me parecia – já estou farta deste jogo!
- Ainda agora começou minha querida cunhada – disse o Felix rindo-se.

O jogo nunca mais acabava! Foi um inferno, tenho que admitir. Suportar um jogo de futebol nunca me custou tanto. Talvez tenha sido pelas saudades que tinha do Mario, afinal já não o via há quase uma semana.
- Já podemos ir? – olhei para o Felix e depois para a nossa volta, já pouca gente se via naquele estádio.
- Não – respondi – o teu irmão demora imenso e além disso na garagem está sempre escuro e frio – queixei-me.
- Mas…tu não trouxeste o teu carro? – perguntou.
- Não beleza, eu ando de transportes públicos para o bem do ambiente.
- Sabes que os meus pais estão a pensar mudarem-se para cá? – desta é que eu não sabia!
- Não – falei olhando-o atenta – mas acho muito bem, tu sozinho com os teus irmãos deve ser uma festa!
- Podias-te mudar lá para casa…outra vez. Tenho a certeza que ia ser bom!
- Maravilhoso – ironizei – vá, bora lá! – incentivei – ele já deve estar despachado.
Levantamo-nos os três e começamos a sair em direção às garagens. O Felix e a Maria iam-se rindo enquanto caminhavam. Acabei por sorrir lembrando-me dos primeiros tempos em que namorisquei com o Mario, era tudo tão natural.
- Parece que o médio de meia tigela não te tirou nenhum bocado – senti as mãos do Mario na minha barriga e acabei por sorrir – que tal a cunhada nova? – perguntou-me falando perto do ouvido.
Virei-me de frente para ele. Coloquei as minhas mãos no seu pescoço e beijei-o durante alguns segundos voltando a sentir os seus lábios quentes e toda aquela suavidade da sua boca.
- Bastante simpática! – respondi depois de largar os seus lábios – tiveste saudades minhas?
- Muitas – respondeu envolvendo a minha cintura com os seus braços – quando é que voltas lá para casa?
- Calma – pedi – vamos com calma.
- Olha! Demoram? – perguntou o Felix interrompendo-nos – fazer de vela não está nos meus planos!
- Desculpa se fiz de vela durante um jogo inteiro! – brinquei, levando como resposta um encontrão do Felix – o que é que vamos fazer?
- Comer! – sugeriu o Felix – já íamos jantar, não?
- És igualzinho ao teu irmão! Vocês só pensam em comer! – falei, olhando-os – mas bem, já que é para jantar podíamos ir jantar todos juntos – sugeri.
- E levamos a minha mãe? O meu pai está a fazer noite no hospital e ela está sozinha – falou o Mario.
- Então podemos ir jantar os cinco! – falei animada – alinhas, Maria? – questionei sorrindo para ela.
- Claro que sim! Tenho só que falar com os meus pais.

- Eu escolho o filme! – disse o Mario assim que caminhávamos para a bilheteira.
- É que nem tentes! – agarrei-me ao seu pescoço, colocando-me em cima das suas costas – és sempre tu! Já escolheste o restaurante já foi bom!
- Mas se fores tu a escolher vais escolher um filme para maiores de 18 anos! E o meu irmão e a Maria são menores!
- Hello! Estão a fazer figuras no meio do centro comercial! – elucidou-nos o Felix.
- Pois é, tens razão – saí de cima do Mario e comecei a caminhar ao seu lado – esqueci-me que o meu namorado é uma figura pública.
- Eu não sou teu namorado!
- Sim, tens toda a razão – concordei – nós somos amigos de longa data, apenas.
- Ainda não voltaram a namorar? – a Astrid que permanecia calada, questionou-nos fazendo com que a olhássemos atentos.
- Não – disse o Mario – eu já não a peço em namoro a segunda vez, agora está na altura da Thaís me pedir a mim!
- Se isso foi uma indireta não me atingiu – falei olhando-o séria.
- Foi bem direta, Tha – colocou a sua mão na minha cintura ficando mais perto de mim – ou me pedes tu em namoro ou…não vai acontecer!
- Vou pensar nisso – assegurei, dando-lhe um beijo na face.
- Nós escolhemos o filme – disse o Felix segurando a mão da Maria e levando-a atrás.
- Pronto, parece que não temos que discutir mais por causa do filme – acabei por me sentar num pequeno sofá perto da sala de cinema. O Mario sentou-se sobre as minhas pernas e a Astrid ao nosso lado – vou para Dortmund amanhã – informei o Mario.
- Mas…eu ainda hoje te estou a ver a primeira vez depois das tuas mini férias.
- O Marco faz anos – relembrei – a Halle precisa de mim lá para fazer a festa surpresa dele.
- Tudo bem – cedeu – havemos de ter tempo para nós em Ibiza – encostei a minha testa às suas costas.
- Depois falamos sobre isso - disse tentando acabar com aquela conversa e guardá-la para outra altura – então e Astrid…? – chamei tentando chamá-la a atenção – vai-se mudar para cá?
- Agora que o Felix se mudou para cá também não faz sentido nenhum ficar em Dortmund – disse – e como é que estás?
- Bem, bastante bem. Continuo a ser acompanhada mas estou bem.
- Eu ajudo a que ela fique bem! – exclamou o Mario – senão fosse eu…ui! – agarrou as minhas mãos entrelaçando-as com as dele – o que era de ti sem mim?
- Nada! – falei rindo – não era nada, agora levanta-te lá de cima de mim, Mario! – pedi.
O Felix e a Maria aproximaram-se com os bilhetes e as pipocas.
- Vamos? – perguntou ele.
Levantámo-nos todos e em seguida encaminhamo-nos para a sala de cinema.
- Vamos tirar uma foto – sugeriu o Mario.
- Só se for sem ti! – brinquei – a foto só ficará bem sem ti!
- Cala-te, amorzinho! – disse colocando o seu telemóvel à nossa frente.
Tirou a foto e mostrou-ma depois. Em seguida colocou-a nas redes sociais.



- E aqui vamos nós para o escuro – caminhei à sua frente entrando na sala, o Mario colocou a sua mão no meu rabo e virei-me rapidamente para trás.
- Mario! – repreendi – para quieto, se faz favor! Estamos num local público!
- E escuro…
- Pronto. A tua mãe fica no meio de nós.
- Oh Tha!
- Nem Tha nem meio Tha, acabou! A tua mãe vai ficar no meio de nós a ver o filme senão aposto que te pões com ideias – sentei-me de um lado da Astrid e mandei o Mario sentar-se do outro lado.
- Eu amo-te – falou mais baixo desta vez, levando a que a mãe dele se risse.
- Eu também te amo, amorzinho – respondi rindo-me também.

(Halle)

- Quem faz dois meses amanhã, quem é? – peguei no Isaac elevando-o no ar. Aproximei-o depois de mim dando-lhe um beijo na bochecha.
- E quem faz vinte e seis anos daqui a três dias? – o Marco apareceu na sala, bastante animado por sinal.
- Não sei – respondi – não interessa – acrescentei.
Se calhar até interessava. Amanhã, no dia 29 de Maio o Isaac fazia dois meses. Dois meses a mudar fraldas, a dar de mamar àquela criança maravilhosa. Já dois meses se tinham passado e consegui aprender a ser mãe, não sei bem como, mas aprendi.
- A tua sorte é que sei que estás a gozar – disse o Marco sem perder o seu bom humor característico destes dias. O Isaac veio sem dúvida alguma alegrar esta casa! – mas olha, não era uma boa ideia fazer uma festa?
- Para o Isaac? – perguntei fazendo-me de desentendida.
- Não! Para mim, claro!
- Não é assim tão claro. Não achas que já tens idade para te deixares dessas festas?
- Ei, eu vou fazer vinte e seis anos. Eu não estou acabado – sentou-se junto de mim no sofá e retirou-me o Isaac dos braços, dando-me um beijo na bochecha em seguida – fala a senhora vinte e cinco… - troçou.
- Vinte e quatro, por favor – pedi, sorrindo – ainda falta muito para os vinte e cinco.
- Dois meses e meio! – atirou.
- Olha mas…sabes o que é que eu estive a pensar? – virei-me para ele e coloquei uma das minhas mãos no seu rosto – devíamos deixar o Isaac nesse dia com os meus pais…
- Ai era? – começou a rir-se – o que é que vai acontecer nesse dia? Para quem dizia que não sabia nem estava interessada…
- Cala-te! – ordenei, batendo-lhe no braço – podíamos…
- Shh! – tapou os ouvidos do Isaac levando-me a rir que nem uma perdida – ele é demasiado novo para ouvir o lado da mãe pervertida a falar! – deu um pequeno beijo na testa do Isaac que parecia já ter adormecido – mas sim acho muito bem. E no dia a seguir podíamos deixá-lo com os meus pais, não era? Assim nenhum dos avós fica com ciúmes…
- É, tens razão! – concordei rindo-me juntamente com ele – nós estamos a precisar de tempo para nós.
- O melhor mesmo era deixá-lo depois com a Thaís e o Mario mas…eles não me parecem muito interessados nisso.
- Sabes como é – levantei-me e com todo o cuidado peguei no Isaac, que permanecia nos braços do Marco, e comecei a subir as escadas em direção ao nosso quarto – é muito fácil falar quando ele está cá dentro – falei olhando para a minha barriga fazendo com que ele percebesse ao que me referia – o pior é agora. Eu até acho que a Thaís tem medo só de pensar em pegar no afilhado – o Marco seguia-me e assim que entrei no quarto, apressou-se a compor o berço do Isaac.
- Como é que ela está?
- Lindamente – falei mais baixo e coloquei o menino no berço. Liguei o intercomunicador e peguei na mão do Marco para que voltássemos para a sala no andar de baixo – ela está ótima! Deixámos de ter conversas sérias, logo como podes imaginar a Thaís voltou.
- Ela sempre vem cá?
- Sim, chega amanhã. Vai ser uma animação porque o Mario quer ir para a Ibiza e a Thaís diz que não quer. A Thaís quer passar cá o aniversário dela e o Mario quer passar lá. Como vês voltaram ao normal, discordam um com o outro e quem vai acabar por ganhar esta guerra já sabemos quem é…
- A Thaís – deduziu o Marco.
- Qualquer mulher ganha o que quer a um homem basta…saber persuadir!
- E tu sabes persuadir? – o Marco colocou a sua mão no meu cabelo acabando por brincar com um dos meus caracóis.
- Oh se sei… - arrastei-me subindo depois para o seu colo. Estávamos sentados no sofá. Peguei no intercomunicador e coloquei-o perto do ouvido do Marco - ouves? – questionei.
- Eu não oiço nada – respondeu confuso.
- Bem eu oiço o respirar do nosso filho – peguei no braço dele. Afastei a camisola deixando o relógio à mostra – começa a contar a partir de agora meia hora – falei sorrindo-lhe – se tivermos sorte ele ainda nos dá mais meia hora e repetimos, que tal?
- Já disse que tens umas ideias extraordinárias, minha querida esposa? – perguntou subindo a minha camisola acabando por retirá-la do meu corpo.
- Já disseste sim, marido – respondi enquanto me ria com toda aquela situação.



- Anda! Rápido! Senão aquela gorda vai chegar primeiro à caixa prioritária – a Thaís começou a andar mais rápido.
- Thaís! Isso é o carrinho do meu filho não é o carrinho das compras! – alertei.
- Ele está seguro – disse com cara séria – eles agora fazem os carrinhos bastante seguros para os bebés. Oh Halle, despacha-te! – agarrou a minha mão levando-me atrás com ela.
- Tem calma! – pedi.
- Viste? – acabámos por chegar à caixa do supermercado – a gorda chegou primeiro!
- Desculpe? Está a falar comigo? – a tal senhora virou-se para trás.
- Diga – a Thaís muito calmamente virou-se para a senhora – passa-se alguma coisa? – respirei fundo para não me desmanchar a rir com a cara que a Tha fazia – está grávida? De quanto tempo?
- Não, não estou grávida…
- Olhe que maravilha! – interrompeu a senhora e pegou no carro do Isaac – se me dá licença, eu estou grávida e temos aqui o meu afilhado que está muito irrequieto – a senhora da caixa fez sinal para avançarmos para a frente.
- Eu nunca mais saio contigo à rua – falei mais baixo.
- Eu disse que era gorda! – exclamou andando um pouco mais para a frente.
Enquanto a senhora passava os produtos olhei para a Thaís. Tinha retirado o pano de cima do carro e balançava com o carro de um lado para o outro.
- Quem é o amor da Thatha? – colocou o seu dedo indicador sobre o nariz do Isaac que se riu.
- A pergunta que se impõe é: quem é a Thatha? – perguntei rindo-me.
- Sou eu, não é Issac? – continuou a balançar com o carro.
Acabei por me virar para a senhora da caixa e pagar as compras. Peguei nos sacos e comecei a avançar com a Thaís para o parque de estacionamento.
- Já temos tudo para a festa do Marco? – perguntou olhando-me.
- Acho que sim. Faltavam-me estas coisinhas – acabei por dizer – quero mesmo que seja uma boa festa!
- Vai ser! – assegurou-me sorrindo – não vai, amor da Thatha? – falou virando-se para o Isaac novamente e sorrindo-lhe.


- Quem diria que ele faz vinte e seis anos – acabei por comentar com a Thaís que se servia de alguma comida.
- Querida, todos sabemos que, lá no fundo, o Marco continua a ser uma criança autêntica!
- Não exageremos…um teenager! Eu não iria casar com uma criança – acabamos por nos rir as duas e ela olhou-me.
- A festa está bonita, Halle. Mesmo com aquele vosso amigo – apontou discretamente para o Aubameyang – ele não para de olhar para mim, sabias?
- A sério? - é claro que não ficava surpreendida com aquilo…ele, quando pode, aproveita sempre para lavar as vistas – ele é casado, não te preocupes.
- Oh, a sério? Da última vez que o vi ele era daqueles solteirões que poderia estar em busca de…qualquer coisa, sabes? – ela riu-se e acabei por fazer o mesmo, obviamente que ela não estaria interessada nele.
- Mas, olha, se calhar, ainda está à procura – alinhei na brincadeira – como é óbvio ele sabe que estás com o Mario e…para estar a fazer-te olhinhos, hum-hum! – ela continuou a rir-se, agarrando-se ao meu braço.
- Estão muito animadas as meninas – viramo-nos as duas para trás, reparando que o Marco nos olhava de forma estranha.
- Estávamos a constatar que o teu amigo se está a atirar a mim – disse a Thaís, deixando o Marco confuso – e não, eu não estou a falar do Mario. Eu juro!
- Então estás a falar de quem? – perguntou ele.
- Ali do Aubameyang – respondi, levando a que o Marco se começasse a rir.
- É claro! Ele ainda não deve ter esquecido a última vez que esteve com a nossa amiga! – o Marco riu-se, olhando para a Thaís.
- Pois foi! Vocês chegaram a sair! Quando andavas a conhecer os amigos do Marco… – comentei – e nessa noite acabaste por dormir no sofá de minha casa!
- Foi uma grande noite! – comentou ela, olhando para o Aubameyang – mas acho que não iria repetir essa noite. E, oh Marco – ela olhou-o, rindo-se – se nós parecemos muito animadas, tu pareces muito bêbedo! O que é que andaste a beber?
- Alguma coisa…– ele olhou-me confuso – eu não sei o que era, foi o Mario que me deu!
- Pareces mesmo um teen! Qualquer dia troco-te por um homem a sério! – acabei por querer brincar com ele, mas que me levasse a sério. Coisa que não consigo…tanto ele como a Thaís se começaram a rir ao mesmo tempo – porque é que eu nunca consigo causar impacto nas minhas ameaças?
- Talvez porque a tua cara fique um bocadinho estranha, tu não consegues disfarçar que estás a brincar. E, vamos ser honestos – o Marco, que me falava do outro lado da mesa, veio ter comigo passando a sua mão pelas minhas costas – todos sabemos que serias incapaz de me trocar por alguém.
- E isto é a minha deixa para ir ver se o Mario me dá a mesma coisa que te deu – a Thaís passou por nós, dando uma palmada nas costas do Marco.
- Obrigado pela festa, a sério.
- Não é que mereças…– levei as minhas mãos até ao pescoço dele – sabes que não iria deixar passar o teu dia sem algum tipo de festa. Pode não ser uma coisa em grande mas, dada a nossa condição de pais recentes, creio que consegui. E ninguém diria que temos um bebé…dizlá: não se notam as minhas olheiras, pois não?
- Tu tens disso?
- Claro que tenho.
- Olha, então tenho a dizer que as escondes muito bem!
- Maravilhas dos corretores, meu filho – ele riu-se, aproximando-se de mim – oh meu Deus, Marco. Tu só cheiras a álcool.
- Não me digas que te enjoa…
- Não. Já passei essa fase quando passei os quatro meses de gravidez – rimo-nos os dois e ele acabou por se afastar – é bom que comeces a beber mais sumos e água. Não quero que acabes o dia todo bêbedo e não te lembres da maravilhosa noite que vamos ter.
- Ai vamos ter uma noite maravilhosa? – levou as suas mãos ao fundo das minhas costas, aproximando-me dele – estou a ver que deves ter umas ideias, então…
- Claro que sim, caro esposo. Deixar o Isaac ir com os meus pais foi a melhor ideia que tive. Imagina o quão bom vai ser ter a noite toda para dormir, imagina uma noite inteirinha sem ter de acordar para dar de mamar ou porque a chucha caiu…
- Ah tu queres uma noite maravilhosa para dormir?
- É claro! Pensavas o quê? Que ia ser a noite toda, seu tarado?
- Por acaso…
- É bom que tires essa ideia da cabecinha, então meu amor – dei-lhe uma palmadinha no peito, indo ter com a Thaís e o Mario – ouvi dizer que alguém se transformou em barman! – sentei-me ao lado da Thaís, olhando para o Mario – devias cuidar do meu Marco, sim? Ele daqui a nada cai para o lado e, lá por ter vinte e seis anos, ele é um teen! Não pode beber dessa forma.
- Desde que foste mãe – ele sussurrava ao aproximar-se de mim, ficando quase em cima da Thaís – estás cada vez mais chata! – falou, num tom muito mais elevado.
- Oh que engraçado, Mario – aproximei-me, também, dele olhando-o séria – e tu…sempre foste chato! Não é engraçado?
- Não, obviamente que não! – atirou a Thaís – Ele ser chato é a pior coisa que poderia acontecer. Halle…ele não se convence que eu não vou para Ibiza passar o meu aniversário.
- Ai não? Oh, mas oh chato, eu acho que vais ficar pendurado – acabei por me encostar ao sofá, vendo-o especado a olhar para mim – ela não vai mudar de ideias. Além do mais, eu quero ter a Tha ao pé de mim no dia de anos dela – abracei-a, deixando a minha cabeça em cima do seu ombro.
- Como é óbvio vocês vinham connosco! Íamos fazer alta festa, até às tantas da manhã!
- Que ideia maravilhosa, Mario – ele demonstrou-se bastante entusiasmado – mas, diz-me, achas que vão deixar o meu filho entrar numa discoteca? Ou tenho de o deixar na ama?
- Não sejas assim! O Isaac…podia ficar cá!
- Oh Mario, por amor de Deus – interveio a Thaís – isso não tem cabimento nenhum! O Isaac tem dois meses, ele precisa dos pais. E eu já disse, mas torno a dizer: eu não quero ir para Ibiza!
- Então olha não sei o que é que tu queres, nunca queres nada do que eu sugiro!
- Porque as tuas sugestões não têm interesse nenhum! Desde quando é preciso irmos para Ibiza a correr? Eu estou bem aqui, eu quero passar os meus anos noutro sítio, sem ser Ibiza.
- E queres ficar em Dortmund, é isso? O que é que isto tem de bonito? – o melhor mesmo seria eu sair dali, sem que dessem por mim – precisas de ter outros gostos, de outros sítios…
- E, se calhar, outras pessoas… – okay, esta é mesmo a minha deixa para sair daqui – oh, Halle! – a Thaís agarrou-me pela mão e acabei por olhá-la – sabes que eu não me referia a ti!
- Sim, sim. Mas vocês precisam de…espaço. Eu vou ver o que é que o Marco anda a fazer – sorri-lhe e ela soltou-me. À medida que me ia afastando, percebia que eles continuavam a falar. Provavelmente sobre o mesmo assunto, já que iam gesticulando um para o outro.
Cheguei perto do Marco, acabando por o abraçar.
- Isso eram saudades minhas?
- Não. Mas aqueles dois estão a preocupar-me – comentei, apontando para a Thaís e o Mario – estão muito estranhos com esta coisa de a Thaís não querer ir para Ibiza e o Mario querer ir…estão ali a discutir.
- A sério?
- Sim.
- Mas…achas que é uma discussão à séria? Ou vão sair dali e usar um dos nossos quartos?
- Creio que, se algum sair dali, será para fugir do outro. Mas…a Thaís já ganhou toda a situação de Ibiza. Ela não vai, eu aposto!
- Uma noite maravilhosa? – ele olhou-me, piscando-me o olho.
- Não te tornes um viciado em noites maravilhosas. O Isaac não pode andar a dormir sempre em casa dos avós.
- Então, podemos deixá-lo com a Thaís, com o Mario, com a tia Evelyn.
- Até parece que a Evelyn é tua tia!
- É como se fosse – ele riu-se, juntando os seus lábios com os meus – isto está tudo muito bom, Halle.
- Terei direito ao prémio de melhor esposa do mundo?
- Não…tu, quando queres, és mazinha para mim.
- Não podes ser um mimado, não é? – ele começou a fazer-me cócegas, algo que era totalmente impensável para mim. Consegui escapar dele o mais depressa que consegui, indo ter com a Evelyn que estava com o Roman mais afastados.


(Thaís)

- Thaís, anda lá, faz isso por mim – cruzei os braços e fiquei séria a olhar para ele.
- Não vou! – repeti pela milésima vez.
- Birra? Vais fazer birra? – questionou – por causa de umas férias?
- Sim, vou – respondi – não entendo qual é a necessidade de irmos para Ibiza e passarmos lá o meu aniversário e o teu.
- Para sairmos daqui!
- E quem diz que eu quero sair daqui?
- Thaís eu estou de férias – sentou-se ao meu lado – eu tenho direito de ir de férias e de descansar longe daqui.
- E porque é que temos que ir agora? Não podemos ir depois?
- Eu quero ir agora, quero sair daqui.
- Tudo bem. Não temos que discutir mais, eu estou farta deste assunto! E sim, talvez isto seja uma birra de criança, mas não vamos conseguir chegar a um consenso por isso podemos muito bem fazer o que queremos – ficou a olhar-me confuso – tu vais para Ibiza e eu fico cá.
- Vai ser assim?
- E porque não? Lá porque somos namorados temos que andar sempre um atrás do outro?
- Não sei…
- Nós ainda nem voltámos a namorar por isso…vá lá, Mario! Acho que até vai ser bom para nós.
- Passar o nosso dia de anos longe um do outro?
- Sim. Estamos longe um do outro mas estamos onde queremos – concluí – e…eu vou dormir a casa dos meus pais – levantei-me do sofá e dirigi-me para a porta – falamos amanhã. Quem sabe se já não estás dentro de um avião pronto para ir para Ibiza! – ironizei.
- Thaís…por favor isto é completamente estúpido.
- Eu não vou, faças o que fizeres para me convenceres eu não vou, por isso aproveita e vai tu. – estava a ser sincera, não podia ser mais sincera. Eu não queria ir mas não ia ser egoísta ao ponto de não o deixar ir a ele – dorme bem – desejei piscando-lhe o olho.



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Hello...
It's me...
I was wondering if after all these months
You'd like to read
Foram dois meses, só dois pequenos meses de ausência e aqui estou eu outra vez com este capítulo que espero que vocês gostem e tenha valido a pena a espera!
Espero os vocês comentários!
Beijinhos,
Boa semana!
Mahina 

4 comentários:

  1. Cada um vai passar o seu aniversário num sítio? Não, por favor...
    Realmente só falta o pedido de namoro, eles são muito fofos <3 Adoro que eles estejam juntos!
    Fico à espera de mais...
    Beijinhos,
    Rita B.

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  2. Hallo! Decidi que hoje iria comentar os capítulos que já li e retomar a leitura de outras coisas. Nada melhor que começar por comentar esta tua coisinha maravilhosa!
    É sempre uma surpresa cada novo capítulo da Boundless (ou de tudo o que tu escrevas mesmo), consegues surpreender a cada novo capítulo, a cada novo momento. Eles (Mario e Thatha) estão cada vez mais maduros e com a noção real do que se passou com eles, do que se estar a passar e quais as perspetivas para o futuro. Toda esta indecisão de ir ou não ir para Ibiza demonstra o quanto eles voltaram ao normal ahahahah mas é bom para cada um perceber a posição do outro em relação ao aniversário. Momentos Halle-Marco-Isaac são a coisa mais bonita e querida de se imaginar. Esses são mais calmos, com aquele lado mais perverso mas super bonito!

    Mesmo que já te tenha comentado isto...deixar aqui o comentário também é importante. Estou já ansiosa à espera do 44! Com certeza nos irás trazer novidades ;)

    Gosto milhões do que escreves.

    Beijinhos,
    Ana Patrícia.

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  3. Olá :)
    Gostei muito e quero mais capítulos ;)
    Bjs :*

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  4. Hello...
    It's me...
    I was wondering if after não sei quantos meses gostarias de ouvir a minha opinião... xD
    Confesso que nao gosto nada desta música, mas continuando...
    Primeiro de tudo, parabéns (muito atrasados). Eu tambem escrevo e sei que nao é facil manter-nos firmes numa história! Aprecio a tudo perseverança apesar de (na minha perspetiva)nao teres tanto feedback como mereces!
    Eu estive cá nestes 2 anos e continuarei a estar, porque vale a pena. A historia é bem construída e nunca entra num beco sem saída.
    E pronto, shippar Mario e Thais é muito dificil, mas eu nao desisto. Talvez eu esteja a ver coisas onde elas nao existem, mas esta nao-vontade de Thais em ir para Ibiza é apenas porque nao quer sair da Alemanha, ou porque Ibiza é praia, sol...biquini? Nao sei. Talvez seja eu a ver coisas onde nao existem e seja apenas mais um momento tipico de discussao entre estes dois. Veremos!
    Espero o proximo!

    Ana Santos

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