terça-feira, 10 de novembro de 2015

42º Capitulo: "Porque não gosto de ter só uma namorada"

- Podem parar de mexer no meu filho? – tanto eu como o Mario olhámos para o Marco assustados. Estava com uma voz autoritária!
- Olha, qual é a tua? – perguntei em tom sério.
- A minha é que vocês ainda não largaram o meu filho, saiam daqui! Vão-se embora desta maternidade, por favor! – olhou-nos sérios por uns segundos, para depois abrir um sorriso e se rir na nossa cara – estou a brincar! – voltou a fazer cara séria – não, não estou. Não podem ir embora e dar-nos um momento em família?
- A Halle está a dormir! – observou o Mario.
- Pois está, vão-se embora – voltou a repetir.
- Ouve lá. Eu estou preocupada – coloquei uma das minhas mãos sobre o ombro do Marco – tu não nos queres mesmo aqui ou…?
- Deviam ir… - começou a fazer um gestos estranhos na minha direção e na do Mario – não sei, resolver as coisas.
- Mas nós não temos assuntos pendentes – disse. Acabei por me encostar ao ferro no fundo da cama a olhar para ele.
- Olha Mario o que eu não faço por ti! – atirou aquilo do nada, e fiquei confusa a olhar para ambos. O que é que se passava ali? – ouve, Thaís – colocou as suas duas mãos nos meus ombros e sorriu-me forçadamente – o teu amigo… - olhou para o Mario com uma expressão nada feliz – ele quer falar contigo, entendes? Mas como lhe faltam uns órgãos, que nós sabemos quais são, não tem coragem para te pedir para saíres daqui com ele.
- Ah – fui até à cadeira, retirando de cima dela a minha mala – já percebi! – olhei para o Mario tentando descobrir no que pensava. Avancei depois na direção da Halle dando-lhe um beijo na testa. Dormia serenamente tal como o Isaac – então, vamos…? – propus caminhando em direção à porta do quarto.
- Mas voltem! – disse o Marco. Abanou em seguida a cabeça olhando para o Mario – és tão atado, realmente – falou baixo mas eu percebi o que ele disse apenas lendo-lhe os lábios.
- Ele não era assim! – aproximei-me do Mario e arrisquei-me a abraça-lo por trás, colocando as minhas mãos em torno da sua cintura – porque é que tens medo, agora?
- Eu não tenho medo… - respondeu-me – estava tudo a correr na perfeição até o Marco se fartar deste tiki taka.
- Então…vamos? – perguntei encostando a minha testa às suas costas. O Mario não respondeu nada e começou a andar para o exterior do quarto – Oh Marco, já agora – olhei para trás, olhando para ele – não lhe faltam órgãos nenhuns, pelo menos…não lhe faltavam!
- E continuam a não faltar, sua estúpida! – olhou para mim, parecia chateado! Comecei a rir-me graças à expressão maravilhosa com que ficou.
- Não sei Mario, não sei. Sabes bem que não falo do que não sei.
- Mas tu sabes!
- Não sei nada!
- Quem te ouvir falar até parece que nós éramos daqueles namorados que nem sexo tinham!
- Oh que vergonha! – dei-lhe uma cotovelada. Tinha acabado de entrar no quarto a médica da Halle, de certeza que ela tinha ouvido aquilo! Reparei que ela tinha vontade de rir e que talvez só não o fazia porque parecia mal – nós já estávamos de saída, não era?
O Marco acenou-nos com a mão e acabámos por sair os dois do quarto.
- Vamos para onde? – perguntei agarrando uma das mãos do Mario e encostando a minha cabeça ao seu ombro.
- Tens cá o teu carro?
- Sim, tenho.
- Então vamos a algum café no centro de Dortmund, pode ser? – parou e eu olhei para ele sorrindo.
- Sim, pode.


O facto de ninguém dizer uma só palavra estava a deixar aquele momento bastante constrangedor.
- Eu queria que voltasses a viver comigo, Thaís – colocou a sua mão por cima da minha que permanecia em cima da mesa. Passei a mão pelo cabelo ajeitando-o.
- Eu ainda preciso de tempo.
- Eu queria tanto que voltasses a viver comigo.
- Eu só volto a viver contigo se o Fabian se for embora daquela casa! – o Mario começou a rir. Eram esses os meus objetivos: ele rir e o ambiente aliviar.
- Eu acho que ele até gosta de ti, sabes?
- O Felix gosta mais, certamente.
- Sim, sem dúvida. Tem uma namorada agora.
- Hum, que bom! Como é que se chama?
- Maria – respondeu. Mexeu no telemóvel durante uns segundos mostrando-me depois a foto de uma rapariga loira bastante bonita com os seus 15/16 anos.
- É muito gira – comentei – agora és a ovelha negra da família. O Fabian namora com a Kristina, o Felix com a Maria…e tu Mário Götze?
- Eu namorava com a Thaís, lembraste dela?
- Hum-hum. Era boa rapariga, não era?
- Sem dúvida alguma que o era! E agora vou tentar recuperar a Thaís, achas que consigo?
- Acho que tens grandes probabilidades de conseguir! – levou uma das suas mãos ao meu rosto, acariciando-o – quando vais para Munique?
- Por mim ia amanhã mas como tenho a entrevista também amanhã, o melhor era ir hoje à noite, e tu?
- Eu estava a pensar ir amanhã mas tenho o carro por isso vou de carro…queres ir comigo, hoje à noite – ele sorriu-me e expliquei-me – eu ia amanhã mas se for para ter a tua companhia faço o sacrifício de ir hoje.
- Adorava fazer-te companhia.
- Só com a condição de conduzires metade do caminho!
- Temos acordo, menina Thaís – falou esticando-me a sua mão que eu agarrei sem hesitar.


A viagem com o Mario para Munique correu bem. Falámos sobre tudo o que havia para falar mas a verdade é que não resolvemos tudo o que havia para resolver. Porquê? Boa pergunta!
Apesar da sua insistência para o acompanhar até casa e jantar com ele preferi não o fazer. Continuava a sentir-me estranha junto dele. Ao lado dele não me conseguia definir. Tanto era a nova Thaís como por vezes era a velha. Ele tinha a capacidade de trazer ao de cima o passado e me fazer ser quem eu era.
No meio de todos estes pensamentos havia uma coisa, era tarde e eu sem dormir. É o que acontece às pessoas que pensam demasiado no passado. Peguei no telemóvel e liguei ao Mauro…quase por instinto.
- Então miúda, já és madrinha? – questionou assim que atendeu.
- Parece que sim.
- E de onde vem esse bom humor todo? brincou.
- Podias vir cá?
- Não sei, depende do que tiveres aí para me dar. Sabes bem que sou interesseiro.
- Eu preciso de falar…
- Eu sou PT não sou psicólogo!
- Mauro… - eu sabia que ele estava a brincar, claro que estava, mas a minha disposição para brincadeiras estava a níveis negativos.
- Bem, já vi que a coisa é séria. Eu ia agora sair mas passo por aí.
- Não te quero estragar a noite, atenção.
- Não estragas nada, não sejas parva. Olha 5 minutos, pode ser?
- Sim, obrigada.


- Diz-me lá o que se passou – abri-lhe a porta, ele entrou e fechou-a. Seguimos até ao sofá, coloquei as minhas pernas por cima das suas. O à-vontade que sentia com ele era imenso mesmo.
- Passou-se muitas coisas – comecei – primeiro: o Issac nasceu, segundo: o Mario vai ter uma entrevista amanhã onde vai falar do meu distúrbio alimentar e…
- Espera aí – tinha feito uma cara estranhíssima – ele vai contar…? A toda a gente…?
- É o melhor, não?
- Não sei, Thaís. Tu vais ficar muito exposta, sabes disso, não sabes?
- Mas…o que é que queres que eu faça? Mais tarde ou mais cedo as pessoas vão saber. Há revistas que já especulam isso.
- E tu achas que é melhor ser o Mario a fazê-lo? O teu ex-namorado a contar a toda a gente o que se passou contigo?
- Sei lá! – coloquei a minha cabeça no seu ombro dele – já te disse que és muito atraente?
- Não, ainda não tinhas dito isso. – respondeu a rir.
- Porque é que não tens uma namorada?
- Porque não gosto de ter só uma namorada.
- O quê? – perguntei confusa.
- Uma namorada, eu por mim tinha duas ou três, agora uma…isso não é para mim de todo.
- És muito parvo porque às vezes não sei se estás a falar a sério ou a brincar.
- Estava a falar bem a sério agora.
- Não estavas nada!
- Estava sim – puxou-me para o seu colo e colocou o seu braço em torno dos meus ombros – quando é que voltas para o Mario?
- Oh, deixa de ser parvo, também! – pedi, dando-lhe uma palmada no peito – achas que devo?
- Não sei, tu é que sabes.
- Preciso de alguém que me aconselhe, Mauro.
- O meu conselho é: vai viver com ele que a tua vizinha já deve estar farta de te andar a oferecer almoços.
- Mas…e se corre mal?
- E porque há de correr mal, diz-me lá – pediu, acariciando-me o rosto.
- Eu sou muito complicada, não sou?
- Eu não te queria para minha namorada, isso te garanto!
- Parvo! – ripostei. Começou a fazer-me algumas cócegas o que me levou a rir sem parar. Fez-me lembrar o Mario, quando ele me fazia cócegas acabávamos a correr pela casa para depois eu me render e me deitar no sofá já cansada.
- E agora? Saímos os dois?
- Não sei se me apetece - sentei-me direita no sofá e olhei-o – acho que prefiro ficar em casa a preparar-me para amanhã.
- A entrevista é em direto?
- Acho que sim – sorri-lhe e ele como sempre retribuiu-me aquele sorriso – obrigada por isto.
- De nada, piolha – levantou-se do sofá e ajeitou o cabelo – agora vou sair se não te importas – passou uma das suas mãos pelo meu cabelo e beijou-me a testa – porta-te bem, qualquer coisa liga-me.
- Obrigada, porta-te tu bem!
Piscou-me o olho e dirigiu-se à porta. Agora só me restava dormir bem esta noite e esperar pela incógnita do dia de amanhã.




- Está tudo bem? – perguntou assim que eu atendi a sua chamada como não me disseste mais nada ontem.
- O que é que querias que eu te dissesse, Mario?
- Não sei. Algo não lhe respondi e fez-se um silêncio enorme entre nós estou a sentir-te distante, o que é que se passa?
- Estou nervosa. É-te suficiente?
- Eu também estou, acredita. Preciso que me faças um favor.
- Que é…?
- Falas com o David?
- O Alaba? – questionei intrigada.
- Sim. Ele está lesionado e tu tens jeito para falares com pessoas, sabes?
- Achas? – perguntei bastante espantada.
- Tenho a certeza. Tu não notas, mas consegues ser direta e ajudar as pessoas ao mesmo tempo.
- Se tu o dizes…onde é que ele está? No centro de treinos?
- Isso mesmo. Já agora amanhã vens ao meu jogo? Eu arranjo-te companhia.


O facto de voltar àquele centro de treinos foi no mínimo estranho. O Mario não estaria ali. A esta hora estava-se a preparar para a entrevista certamente.
Caminhei pelo corredor até chegar à sala onde eles costumavam estar com o fisioterapeuta e os massagistas.
- Hello – falei encostando-me à porta.
- Olá – o David olhou para mim juntamente com o fisioterapeuta que me saudou.
- Aqui? – perguntou ele – a fazer o quê, diamante brilhante? – comecei a rir-me, dado que aquele era um dos nomes que os colegas do Mario me costumavam chamar – tens andado desaparecida!
- Bem, eu vou indo. Acabas o trabalho, Thaís? – perguntou-me o fisioterapeuta rindo-se. Bem, ele sabia o meu nome, eu é que não sabia o dele. Já o conhecia das poucas vezes que vinha ao centro de treinos – como estão a Alicia e a Luna? – pois bem, ele até tinha sido coordenador delas no estágio.
- Bem, creio – respondi. Acabou por se ausentar e deixar-me ali com o David - como vamos ser íntimos até te vou começar a tratar por David e não por Alaba, que achas?
- Acho ótimo.
- Quanto tempo?
- 7 semanas – respondeu colocando as mãos sobre os seus olhos. Estava deitado naquela maca e coloquei as minhas mãos sobre o seu joelho.
- E agora eu acabo este trabalho, não é? – claro que não ia fazer nada. Eu acho que até tinha um certo pânico.
- Estás à vontade – larguei o seu joelho e fiquei a olhar para ele. Como se lida com o facto de tirar um curso para exercer uma profissão e agora não o conseguir fazer? – o que se passa? – a sua voz libertou-me de todos aqueles pensamentos – o que se passa?
- Vamos à verdade? – perguntei. Recebi um aceno de cabeça como resposta – a causa do meu afastamento de tudo e todos, tem uma razão. Tive um distúrbio alimentar há cerca de 7 meses, ou melhor, como diz a minha psicóloga eu ainda tenho um distúrbio alimentar.
- A sério? – a cara de surpresa dele era enorme.
- Sim e também há uma razão para eu ainda não ter mandado nem um currículo ainda – respirei fundo e olhei para ele – e a razão é que eu tenho pânico a isto, o que não é normal, pois não?
Acabou por se levantar. Sentou-se na maca e eu fiz o mesmo, ficando ao seu lado.
- Pode ser só uma fase, Thaís.
- Será? E se não for? O que é que eu faço?
- Fala com a tua psicóloga, deve ser o melhor que tens a fazer.
- Eu não me sinto nada preparada para começar a exercer. Tenho medo, entendes?
- Não mas tento entender. E o distúrbio alimentar?
- Anorexia – esclareci – não sei porquê nem como mas aconteceu. E agora o futuro é completamente incerto.
- É para todos nós, não? – perguntou, dando-me uma palmada na perna – mais para uns que para o outros se calhar, mas incerto ele é.
- E bem – levantei-me e fiquei a olhá-lo – eu vim para aqui para te ajudar supostamente mas afinal és tu que me ajudas a mim.
- Foi o Mario que te pediu?
- Sim, foi. Ele gosta de ti – afirmei, sorrindo-lhe – e obrigada. Foi muito bom contar isto alguém, foi como que se um peso me saísse de cima.
- Acho que vou uns dias a Nova Iorque quando puder. Vai-me fazer bem para pôr as ideias em dia e estar longe disto. Sabes melhor que ninguém que o melhor a fazer quando temos algum problema é fugir.
- Então tu percebes? – questionei surpreendida – percebes que eu me tenha afastado daqui?
- Claro que percebo, Thaís. Agora que sei o que se passou não tenho como perceber. Só quem nunca teve problemas destes é que não sabe o quanto é bom afastarmo-nos de tudo e todos. Queres vir comigo?
- A Nova Iorque? – perguntei surpreendida.
- Sim, preciso de companhia.
- Eu acho que aceito. Obrigada – agradeci – obrigada mesmo.


Tinha o PC na pequena mesa da sala, estava em videochamada com a Halle. Ela já estava em casa com o Isaac.
- Ele dorme tanto, Thaís! – disse com um sorriso na cara – mas tem sido tão bom estar com ele e conhecer este pequeno ser feito por mim e pelo Marco. Vou-te mandar uma foto dele! – disse entusiasmada.
- Já começou a cena do Mario – falei concentrada na televisão.
- Já? E ele já falou do teu caso?
- Ainda não. Só falou do mundial e da carreira dele. Isto deve demorar.
- Hum, olha já mandei!
Peguei no telemóvel e abri a foto que ela me tinha mandado, era mesmo encantador o Isaac.


- Sim senhora, é mesmo bonito, Halle. Parabéns!
- Tens que vir cá.
- Ouve, o David convidou-me para ir com ele a Nova Iorque, o que achas?
- Quem? O Alali?
- Alali, Halle? – perguntei a rir.
- Sim é o nome dele com um toque de humor.
- Mas...diz-me lá o que achas?
- Não sei. Era suposto ter uma opinião sobre isso?
- Halle basta dizeres se achas boa ideia ou não.
- Eu acho. É capaz de te fazer bem para pores um fim a tudo. Desafio-te a deixares as inseguranças, os medos e tudo o que não é preciso em Nova Iorque.
- Vou tentar. Ainda não sei quando vamos mas isso é uma boa ideia.
- Ainda será melhor se a conseguires concretizar, acredita.
- Halle, chegou o momento – reparei que ela desviou o olhar do ecrã e eu fiz o mesmo, olhando para a televisão.
- Thaís Baden, não é um assunto proibido pois não? – ouvi o entrevistador perguntar.
- Não, de todo – sorriu e vi que estava com um à-vontade grande para a situação.
- Foi de repente que as coisas mudaram. Vocês acabaram a vossa relação, certo? – o Mario assentiu com a cabeça – a tua ex-namorada desapareceu das redes sociais e do mundo, e isso fez criar várias versões da história. E tu hoje estás aqui e vais contar a verdadeira versão, certo?
- Sim. Ambos achamos que está na altura de dar uma explicação. Nós sentimos que é o nosso dever explicar às pessoas que nos seguiram o que aconteceu.
- A Thaís foi acarinhada pelas tuas fãs?
- Sim, eu senti que sim. Desde o início que reparei que elas gostavam dela. Houve muitas que acharam o fim do mundo porque acabaram as probabilidades de eu casar com eles – todos se riram, eu inclusive.
- Foi bastante falado que foi muito rápido. Tinhas acabado a relação com a Ann e tinhas começado outra com a Thaís repentinamente. O que é que tens a dizer disto?
- Apesar de ninguém ter nada a ver com a minha vida pessoal, eu explico isto de uma simples forma. Fui feliz com a Ann, não digo que não, mas depois apareceu a Thaís que me fez ver o mundo com outros olhos. E aí eu percebi que não precisava de grande coisa para ser feliz, percebi que havia coisas que me faziam feliz e que eu não lhes dava importância nenhuma. Não sei se era esta a resposta que esperavam de mim mas é a que tenho para dar.
- Foi fácil conquistá-la?
- Não – ele riu-se – não foi mesmo nada fácil. Depois de a conhecer acho que não a convidei para sair mas se a tivesse convidado aposto que ela não tinha aceite, por isso tive que ir por outro caminho e aplicar outra estratégia.
- Ela não te queria?
- Ela afastava-me! – disse aquilo com uma cara séria, rindo-se em seguida juntamente com o entrevistador – primeiro pensei que era por eu ter mudado para o Bayern de Munique, porque ela é do Borussia de Dortmund…
- E foi?
- Não! Depois percebi que ela nem gostava de futebol. Acho que foi o destino a dizer-me para não desistir dela. O facto de ela me afastar foi um sinal.
- E parece tudo tão perfeito…o que é que aconteceu para tudo acabar?
- A dado momento houve uma mudança no comportamento dela e passado alguns dias descobrimos que a Thaís tinha um distúrbio alimentar. E por isso ela decidiu afastar-se de mim e de Munique e eu só tive que aceitar.
- Custou?
- Bastante. De um momento para o outro fiquei sem a minha namorada, a minha melhor amiga, a minha companheira.
- E agora? Como está a situação dela? Quanto tempo passou, mesmo?
- Passaram cerca de 7 meses. Ela está muito melhor e bastante bem.
- E vocês?
- Nós… - o Mario entrelaçou a mão uma na outra e sorriu ligeiramente – Não posso revelar muito mas estamos bem como amigos.
- Amigos?
- Sim. Só o futuro dirá mas amigos ficaremos certamente até porque a minha mãe gosta mais dela do que de mim – todos se riram, e eu acabei por me rir ali sozinha na sala. Olhei para o ecrã do PC vendo que a Halle fazia o mesmo – é uma força de expressão mas é quase verdade – finalizou ele.
- Achas que se ela não tivesse tido a anorexia vocês ainda estavam junto? Agora?
- Não tenho dúvidas nenhumas disso. Mas também não tenho dúvidas que o futuro será risonho para nós. Esta foi a prova que talvez o que sentimos um pelo outro seja mais forte do que pensamos. A vida pôs-nos à prova e agora o nosso dever é superarmos essa prova…e penso que está quase a ser superada.


- A sério que me vais deixar? No fim da declaração que fiz para o mundo inteiro? – o Mario ria-se enquanto me balança nos seus braços.
- Tem que ser! Além disso, não posso deixar o Alali ir sozinho, não é?
- Alali? – o Mario parou todo aquele balanço e olhou-me séria.
- A Halle chama-o Alali e até tem piada, não tem? – ele riu-se, olhando-me.
- Só tu – colocou as suas mãos no meu rosto e deu-me um beijo ternurento na testa – estás mais…solta!
- É bom, não é? – coloquei as minhas mãos nas suas costas e coloquei os meus lábios na sua bochecha – vem aí o David – falei apontando para trás dele.
- Anda lá, Thaís! – começou a barafustar – sabes que já chamaram para o voo, não sabes?
- Não sabia, não.
- Estás aí no blá blá blá com o Götze e daqui a pouco perdemos o voo!
- Que exagerado, Alali!
- Vou ignorar que acabaste de me chamar um nome das Arábias – pegou na minha mala e olhou para mim com a cara mais cómica de sempre – mexe esse rabo e vamos, anda lá! – deu-me um encontrão fazendo-me rir.
- Olha o Alali já me quer só para ele – ri-me e dei um beijo ao Mario pouco prolongado, já que em seguida levei outro encontrão do David.
- Anda lá! – voltou a barafustar. Pegou na minha mão e começou a arrastar-me com ele – vou-te comer a namorada em pleno Times Square!
- Atreve-te! – disse o Mario a rir. Realmente ele tinha uma grande confiança tanto em mim como no David para nos «deixar» ir sozinhos para Nova Iorque.
- Não ser no Central Park já é uma sorte! – disse-lhes – porta-te bem, Mario – dei um beijo na palma da mão e soprei depois na direção do Mario, piscando-lhe o olho – prometo que quando voltar as coisas serão diferentes – falei ao longe sorrindo-lhe.  



Olá!
E, não é que, dois anos depois cá estamos para celebrar o aniversário da Boundless Love? Pois é, faz hoje precisamente dois anos que esta história começou.
Hoje já conta com 42 capítulos (este incluído), mais de 12 550 visualizações e um total de 175 comentários. E, por isso, é importante agradecer a cada uma de vocês que ainda se mantém desse lado. Nem sempre é fácil manter uma regularidade ao publicar, mas é bom saber que ainda existe alguém desse lado a ler o que escrevo.
Neste ano que passou muita coisa aconteceu: desde as separações às reconciliações, um distúrbio alimentar e, ainda, o nascimento do bebé! Foi um ano onde (e pode dizer-se mesmo isto) tudo aconteceu de um pouco na vida dos protagonistas desta história. Acredito que, daqui para a frente, ainda muitas mais coisas podem (e vão) acontecer.
Têm sido dois anos a desafiar-me a mim mesma para vos trazer esta história mas tem valido a pena (espero)!
Bom, avançando! PARABÉNS BOUNDLESS!! Espero que tenham gostado deste capitulo e que deixem os vossos comentários. E, mais uma vez, obrigada a todas.
Um beijinho,
Mahina