sexta-feira, 12 de junho de 2015

38 Capitulo – «Eu já não sou a mulher que ele conheceu»

(Astrid)

Passei os meus dedos pelo seu cabelo suave, enquanto ela mantinha um choro diminuto e calmo. Não precisava de palavras naquele momento e eu entendia-o. Virou-se para mim e limpei-lhe com todo o cuidado as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto.
- Amanhã vamos para Dortmund, mas ficas comigo à mesma, certo? – perguntei numa voz serena. Ela apenas assentiu com a cabeça e voltou ao seu mundo – não chores mais, Thaís – implorei. Não a conseguia ver naquele estado, principalmente porque não havia nada ao meu alcance que eu pudesse fazer.
- Desculpe – sussurrou.
- Não tens que pedir desculpa – passei a minha mão pelo seu rosto num ato de carinho – é só que…me custa imenso ver-te assim. Vamos falar um bocadinho?
- Eu não quero falar sobre…
- Tudo bem – interrompi-a – podemos falar sobre o que tu quiseres, tu escolhes.
- Fale-me sobre o Mario, como ele era em pequeno.
Fiquei surpreendida com tal pedido, não o esperava. Permaneci algum tempo ainda a olhá-la, a pensar no que poderia dizer sobre o meu filho.
- Ele sempre foi muito calmo – comecei – não quebrou muitas regras em adolescente. Desde que o Felix nasceu que é o menino dos olhos dele. Ele é capaz de fazer qualquer coisa pelo Felix – parei por um tempo e vi um sorriso, ainda pequeno e discreto, a formar-se no seu rosto – tanto é que agora o acolheu lá em casa, desde que ele veio para Munique que tem passado mais noites lá em casa que aqui.
- É normal. Eu sempre vi naqueles olhos que o Felix é o orgulho dele.
- E o Felix também adora o Mario, e adora-te a ti. Fala muito em ti, Thaís. E por incrível que pareça nunca teve ciúmes teus, o que acontece maior parte das vezes. Eu sempre pensei que quando o Mario arranja-se uma namorada, a sério, o Felix não iria gostar nada, pelo facto de serem tão chegados, entendes? – perguntei tentando-me fazer entender. Ela acenou com a cabeça enquanto me ouvia atentamente – mas contigo foi surpreendente, ele ligou-se a ti de uma forma bastante surpreendente, dizendo assim.
Abriu um sorriso, desta vez radiante. Aproximou-se um pouco mais de mim e agarrou a minha mão, ficando a olhar-me por alguns minutos.
- Obrigada por ter entrado na minha vida. É a única pessoa com quem eu me sinto bem a falar.
- Thaís – respirei fundo, precisava de abrir o jogo. De tocar no ponto fraco e perceber o seu estado – sabes que todos os que estão à tua volta te querem ajudar. Ninguém está contra ti, querida – olhava-a nos olhos enquanto falava, com a intenção de ela perceber que só a queria ajudar – estamos todos aqui, dispostos a ajudar-te e dar-te carinho como sempre fizemos. Não te podes fechar, assim irás ficar cada vez mais frágil e cada vez será mais difícil para nós chegar a ti.
- Eu não consigo abrir-me para ninguém. Não sei porquê mas…eu não consigo… - falou num tom de desespero tal que me atingiu verdadeiramente o coração.
- E o Mario? Ele que é teu namorado, Thaís.
- Eu…eu não sei – levantou-se e deu alguns passos para a frente e para trás, encarando-me segundos depois – eu não consigo pensar sequer em estar ao pé dele. Eu já não sou a mesma, eu estou diferente e…o Mario não me quer assim. Eu tenho vergonha de tudo isto… – apontou para o seu corpo e depois colocou rapidamente as mãos sobre o seu rosto, tapando-o – eu já não sou a mulher que ele conheceu…eu já não sou a pessoa por quem ele se apaixonou… - deu mais alguns passos para depois se voltar a sentar junto a mim – sou apenas…eu…a pessoa que tem medo de voltar a ver o namorado e que tem pavor que ele me encontre nos próximos tempos. Por isso é que eu não o quero perto de mim – esclareceu – não quero olhares de pena postos sobre mim, não quero que ele fique comigo por obrigação e o principal…não quero que ele esteja comigo só porque sente esse dever…porque eu já não sou a mesma e não sei se algum dia o voltarei a ser…
Uma lágrima escorria-lhe pelo rosto, ela tinha-se aberto para mim. Tinha falado em tudo o que sentia. Tinha dado um passo enorme na sua recuperação mas sei que a qualquer momento pode dar dois passos para trás e esse…é o meu maior medo.


- Estás estranha mãe, o que é que se passa? – o Mario, o filho que sem dúvida melhor me conhece.
- Bem, eu confio em ti…
- Diz de uma vez. O que é que se passa?
- Preciso que faças algo pela Thaís.
- Mãe, pela Thaís eu faço tudo o que estiver ao meu alcance.
- Então, no fim de eu te contar isto não tentes sequer vir até aqui a casa, certo? Promete-me isso.
- Eu… - fez-se algum silêncio do outro lado da linha – a Thaís está aí? – perguntou num tom elevado e diria que quase descontrolado.
- Mario, por favor ouve-me.
- Ela está aí? – insistiu.
- Sim…a Thaís está comigo há dois dias e amanhã vamos para Dortmund. Achámos que esta semana comigo lhe iria fazer bem.
- Mas…ela não me quer ver pois não? Por isso é que esconderam isto de mim…? – a sua voz era melancólica e com uma pontinha de desilusão.
- Ela não está bem filho e tu sabes disso. Ela gosta de ti da mesma forma acredita só que…ela tem vergonha, Mario.
- Vergonha? Como assim vergonha? De mim?
- Não. Ela confessou-me esta manhã que tem vergonha dela própria porque ela tem noção que não é a mesma Thaís. Ela tem medo que a rejeites e que só permaneças com ela por obrigação.
- Mas isso nunca vai acontecer!
- Mario, não a julgues por ter medo. Apenas tenta compreender o seu lado e dá-lhe espaço.
- Ainda mais? Eu não troco uma palavra com ela desde a festa de aniversário da Halle. Foi há duas semanas.
- Sê paciente. É a maior virtude que se pode ter.
- Tu não imaginas o quanto está a ser complicado lidar com isto. Cuida dela por favor, já que ela não mo deixa fazer.
- Eu cuido, filho. Podes ter a certeza que cuido.




(Halle)

- Bom, temos que começar a pensar em nomes – disse o Marco assim que se sentou ao meu lado.
- Nomes? Para quê?
- Para o nosso bebé – passou a mão pela minha barriga e sorriu-me.
- Calma Marco, ainda não sabemos se é menino ou menina.
- Mas podemos começar a pensar na mesma!
- Eu gosto muito de um nome – sorri-lhe e ele fez o mesmo.
- Mas não vais dizer qual é, pois não?
- Claro que não – sorri e vi-o a amuar tipo criança – tu não gostas de nenhum nome em especial?
- Marco!
- Oh por favor, eu não vou dar o teu nome ao nosso filho!
- Não sei porquê! É um bonito nome!
- Não é não – cruzei os braços e fiquei a olhá-lo – acho que devemos deixar isto em aberto. Primeiro temos que saber o sexo e em segundo acho que quando ouvirmos o nome saberemos que é o tal.
- Tenho outra hipótese?
- Não! Claro que não! Não sei porque ainda perguntas!
- Estás de mau humor, porquê?
- Porque… - bem, eu sei lá porquê – não faço a mínima ideia – acabei por admitir perante o seu ar sério.
- Volto a repetir, a tua gravidez é uma montanha russa.
- Sabes o que é? Falta-me alguém feminino. Falta-me alguém que me compreenda, falta-me a Thaís…
- Como é que ela está…?
­- Não sei. Tenho-lhe dado espaço. Ela precisa dele – admiti.
- E o Mario precisa dela.
- Eu nunca pensei que aquilo fosse tão sério – cruzei as pernas sobre o sofá e olhei-o – sinceramente nunca pensei que o Mario fosse assim, muito menos que se agarrasse tanto a uma rapariga.
- Não é uma rapariga qualquer, Halle. E nós sabemos bem disso…é a Thaís.
- A Thaís…principalmente a Thaís – olhava-me confuso não percebendo a onde queria chegar – ela fez várias coisas para o tentar afastar e ele…ele nunca desistiu dela. Ele fez com que ela esboçasse o seu melhor sorriso, ele fez com que ela se risse sem parar…eu não sei mas…ele trouxe o melhor da Thaís ao de cima.
- E o pior…?
- Não – olhei para o teto pensando sobre tudo aquilo para depois voltar a olhar o Marco – aliás, acho que o pior da Thaís era mesmo a ingenuidade e o Mario acabou com ela. Ele tornou-a uma mulher diferente, forte, decidida e sem dúvida melhor.
- Tudo vai voltar a ser como antes, vais ver.
A campainha tocou, despertando-nos daquela conversa. Levantei-me e lentamente fui até à porta abrindo-a.
- Olá Halle!
- Oh Evy, como estás? – perguntei, a Evelyn entrou juntamente com o Roman no fim de me cumprimentar.
- Estamos bem! – entrámos todos para a sala e eles cumprimentaram o Marco, sentei-me novamente junto dele e agarrei a sua mão entrelaçando-a com a minha – alguém sabe da minha sobrinha Götze?
O Marco olhou para mim e eu fiz o mesmo. Ficámos por algum tempo a olhar um para o outro.
- Passa-se alguma coisa?
- Passa e não sei se te deveríamos ser nós a contar – disse o Marco.
- Estão-me a assustar – disse ela com o seu típico olhar aterrorizado.
- Evelyn – tentei começar, passei a minha mão pela barriga para depois a olhar – a Thaís foi diagnosticada há umas semanas com anorexia.
Pude ver o seu olhar de espanto, tanto ela como o Roman nos olharam bastante surpresos.
- Tens a certeza disso?
- Infelizmente tenho – respondi.
- E…onde é que ela está? Como é que ela está?
- Neste momento está com a mãe do Mario, a Astrid, e não faço a mínima ideia como é que ela está agora.
- Como é que ela está a reagir?
- Mal – o Marco tomou a palavra e apenas fiquei a ouvi-lo, já me custava falar disto – a Thaís está completamente revoltada, ela não aceita o que lhe dizemos e não quer ver nem falar com o Mario.
- Portanto a cabeça dela está uma confusão… - deduziu a Evelyn.
Acenei afirmativamente com a cabeça e encostei a minha cabeça ao ombro do Marco.
- Ela não fala contigo, Halle?
- Não – respondi – a única pessoa em quem nós temos esperança que consiga falar com ela é mesmo a Astrid.
- Porquê?
- Porque ela sabe muito da vida da Thaís, ela acompanhou o crescimento da relação dela com o Mario. Cada vez que se sentia mal ou com dúvidas, sabes a quem é que recorria?
- A Astrid…
- Sim. Elas têm uma ligação…estranha mas boa.
- Acho que a Thaís confia nela de olhos fechados – o Marco olhou-me de uma maneira estranha – a relação delas foi muito depressa, gostaram logo uma da outra, já reparaste?
- Sim e…a Thaís sabe que pode confiar na Astrid de olhos fechados e sabe que ela não a vai julgar, talvez seja por isso que se unem assim.
- Mas isso é bom, certo? – interveio a Evelyn.
- Sim, acho que sim. Temos esperança que seja a Astrid a abrir os olhos à nossa menina.
***

- Vá, vai-te lá embora por favor – coloquei as minhas mãos nas costas do Mauro e esperei que ele seguisse o seu caminho até à porta – eu quero descansar e não estou para te aturar.
- Já te disse que é muito perigoso estares aqui sozinha? Neste apartamento tão vazio?
- O apartamento não está vazio! Além disso estou quase, quase a arranjar um cão para viver comigo.
- Eu ofereço-me para isso!
- Não quero! – olhei para ele e ri-me com a sua expressão, acabámos por nos rir os dois em conjunto segundos depois – vai-te embora, por favor – pedi agora seriamente.
- Vemo-nos amanhã?
- O nosso treino é só na quarta, Mauro.
- Eu sei mas pensei que podíamos encontrarmo-nos.
- Pensaste mal. – falei de rajada.
- Desculpa – pediu apercebendo-se de que tinha abusado – mas eu estou só a brincar. Eu sei que não devia dizer estas coisas.
- Está tudo bem – declarei – a minha irmã deve estar a chegar e é mesmo melhor ires embora.
- Certo, então até quarta.
- Adeus – disse fechando a porta em seguida.
Fui até ao sofá e sentei-me, peguei na caixa que estava no chão e coloquei-a por cima das minhas pernas. Ainda não tinha arrumado aquela caixa e sabia bem porquê.


- Bem… - levantei-me da cama e fui em direção à janela, afastei as cortinas e olhei para o jardim.
- Agora voltas para Munique, certo? Já está tudo «estabilizado» digamos assim.
- Vou continuar a ser acompanhada pela psiquiatra e a nutricionista mas sim…sinto-me outra…
- Já disseste ao Mario que vais voltar? Ou vai ser a grande surpresa deste natal? – fez algumas caricias na sua barriga já de cinco meses.
- Eu vou para Munique mas não vou com o Mario, Halle.
- Como? – olhou-me séria e ajeitou-se na cama.
- Eu vou acabar com o Mario – fui direta ao assunto, não podia ser de outra forma – e não há nada que me faça mudar de ideias agora. Eu mudei, eu não sou a mesma e apercebi-me que quero ficar sozinha por enquanto. Quero uma vida calma e não a quero estampada nas revistas.
- Vais mesmo fazer isso?
- Vou. Posso estar a ser uma parva e uma cobarde. Sei que ele esperou estes meses todos por mim e que teve que lidar com o meu afastamento mas por isso mesmo é que acho que não dá mais. 
- E agora?
- Agora vou para Munique. Já tenho apartamento. Eu e o Dennis vamos fazer os castings em Munique também, e será assim.
- E vai acabar assim?
- Vai ter de acabar assim, Halle.


- O que é isso? – perguntou a Halle chegando perto de mim – é a tua carta ao pai natal?
- Não…é para o Mario.
- O quê? Vais acabar com ele por carta? – atirou.
- Não!
- Então?
- Então isto foi a carta que escrevi para a próxima namorada dele.
- O quê?
- Sim, eu…eu acho que ele deve continuar a sua vida e…merece sem dúvida uma mulher que o ame.
- E a minha pergunta continua a ser: porque é que tu não és essa mulher?
- Porque as coisas mudaram, eu não sou a mesma e a nossa relação também já não é a mesma há meses. Agora que eu tenho noção da doença que tenho, prefiro estar sozinha e recuperar sozinha. Ele não precisa de mim como um peso na vida dele.
- Eu não insisto mais, tu sabes o que estás a fazer certo?
- Sim, sei o que estou a fazer e é o melhor para os dois.
- Posso? – perguntou estendendo a mão na direção da carta.
- Sim – entreguei-lha e fiquei alguns segundos a observá-la a ler. Olhava de vez em quando para mim e abanava a cabeça.
- «Faz com que ele volte a ser o Homem que foi comigo por mais que eu o tenha magoado» - leu, olhando para mim – continuas a ter certezas de que estás a fazer a coisa correta?
- Sim.
- Desculpa mas eu tenho que fazer esta pergunta – pousou a carta ao seu lado e olhou-me séria – tu estás bem?
- Sim, estou.
- Não. Desculpa mas tu não podes estar bem! Tu tens a noção do que estás a fazer?
- Oh Halle, sim. Já te disse que sim e volto a repetir: sim! Tenho a plena noção do que estou a fazer e verás daqui a uns tempos que tomei a decisão certa.


Não me sinto bem, nada bem. Estou nervosa e sinto aquele friozinho na barriga. Há quanto tempo já não me sentia assim. Cruzava e descruzava as pernas, levantava-me e voltava-me a sentar na cama. Natal é Natal! O que sorrio ao lembrar-me do meu último Natal.
- Thaís, o Mario chegou. – a minha mãe entrou na meu quarto, olhou para mim e sorriu.
- Pede-lhe para subir, mãe. Não me apetece ir lá baixo.
Saiu do quarto e fiquei ainda mais nervosa. Ele estava prestes a entrar naquele quarto, íamo-nos voltar a ver depois de tanto tempo separados.
- Posso? – a voz dele despertou-me e olhei-o, entrou no meu quarto e ficou bem perto da porta a olhar para mim.
- Olá – foi a única coisa que consegui dizer perante aquele reencontro tão esperado mas tão assustador.
- Como estás? – deu um passo na minha direção e controlei-me para não dar um para trás. A proximidade assustava-me.
- Bem, acho que estou no bom caminho para a recuperação.
- Fico feliz – deu outro passo na minha direção e desta vez não consegui manter-me ali, dei um passo para trás e o Mario olhou-me com alguma preocupação – está tudo bem?
- Sim…é só que…prefiro manter a distância por enquanto ainda me faz alguma confusão – o toque dele, os seus beijos, são algo que eu desejo tanto mas que não consigo imaginar sequer a acontecer. Assusta-me tanto.
- Vamos com calma então – mais uma vez me compreendia. Mais uma vez estava a aceitar a minha decisão e o meu desconforto em relação a ele. Mas não é justo, não é justo que ele tenha que se sujeitar a estes meus «caprichos», que na verdade não o são mas que são vistos como tal.
- É melhor não irmos… - disse calmamente.
- Não irmos…?
- Mario, as coisas mudaram, eu mudei e tu não mereces isto. Esperaste por mim até agora e…até te estás a sujeitar a isto! Eu…não te consigo tocar e aterroriza-me pensar que algum dia o possas voltar a fazer. Eu não sei bem explicar como me sinto mas eu não sou a mesma e tu não mereces uma namorada assim…
- Tu estás a acabar comigo, Thaís?
Respirei fundo olhando para a sua cara, como ia eu conseguir dizer que sim?
- Sim – fechei os olhos e respirei fundo mais uma vez – por favor, Mario, não tenhas a menor dúvida que ainda te amo. Eu sei que te amo e que isto vai ser doloroso mas eu preciso do meu espaço de me reencontrar, de perceber quem sou eu depois de tudo isto. Eu preferia pedir-te um tempo em vez de acabar tudo mas eu não sei quanto tempo preciso para mim. Pode demorar semanas, meses ou até anos – andei alguns passos para trás e peguei naquela carta – não peço que me percebas mas respeita esta minha decisão, é o melhor para ti – dei apenas um passo na sua direção e entreguei-lhe aquele envelope que aceitou de imediato – peço-te que não o leias e que o entregues à tua próxima namorada. Ela vai precisar de te dar o devido valor e esta carta vai ajudá-la nisso.
- Apenas… - deu um passo até mim e fiz um esforço para me manter no mesmo lugar – dá-me um abraço, Thaís.
- Eu não sei… - avançou na minha direção de repente, sem que eu tivesse tempo para reagir e abraçou-me.
De uma forma totalmente aliviadora, acolheu-me nos seus braços e acalmou-me. Não era assim tão mau, afinal não era assustador. Quando senti os seus lábios perto do meu pescoço e aí senti-me desconfortável, totalmente fora do meu ambiente. Afastei-me dele e fiquei a olhá-lo.
- Eu se calhar vou indo – disse aproximando-se da porta – eu amo-te – disse antes de sair finalmente por aquela porta.


O telemóvel despertou-me de todos aqueles pensamentos, era a Halle.
- Então, então? Já a caminho de Dortmund?
- Ai não! – sim, tinha-me esquecido por completo.
- Eu não acredito, Thaís! O teu comboio partiu há 2 horas!
- Desculpa! Esqueci-me mas eu ainda vou para aí hoje, sim? Vou almoçar e vou comprar o bilhete e à tarde estou aí sim?
- É bom que sim que hoje temos que ir às compras!
- Compras? Oh Halle eu combinei com o Moritz esta noite, ele disse que ia passar por aí, não podemos demorar muito nas compras!
- Está bem, eu prometo que não demoramos mas anda lá! Quero-te aqui rápido!


- Boa tarde, Marco – entrei no carro dele e falei com a minha voz mais doce.
- Boa tarde, Thaís. Como está? Já não ouvia falar de si há muito tempo.
- Pois é meu caro. Mudei-me para Munique e deixei de falar com os meus amigos.
- É o que nós dizemos. Desde que a Thaís foi para Munique nunca mais foi a mesma.
- Confirmo! – a Halle interveio naquela conversa a primeira vez – agora só me ligas de dois em dois dias!
- E já é demasiado! – atirei – agora tenho uma vida muito ocupada.
- Estás a trabalhar? – o Marco olhou para trás por instantes para depois voltar a olhar para a estrada.
- Não, por enquanto ainda não. Tenho estado a trabalhar na minha recuperação. Comer saudavelmente e praticar exercício físico!
- Ela agora até tem um personal trainer!
- Tens? – perguntou o Marco.
- Sim! O Mauro – desbloqueei o meu telemóvel e procurei por o instagram dele passando depois o meu telemóvel à Halle – vê lá se não é um borracho?
A Halle olhou para o telemóvel e depois mostrou ao Marco que olhou por instantes para as fotos.
- Conheço-o de algum lado, Thaís. A cara dele é-me familiar.
- É? – perguntei intrigada.
- Sim mas não sei de onde. Olha e… - reparei que olhou para a Halle por alguns segundos e voltou a olhar para a estrada – o Mario?
- O Mario deve estar em Munique.
- A sério Thaís, como é que está o Mario?
- Olha que pergunta, Marco! Eu sei lá como é que ele está! Deve estar a fazer a vida dele tal como eu estou a fazer a minha – a Halle devolveu-me o telemóvel e sorriu-me.
- Pensei que soubesses alguma coisa…só isso.
- Eu não sei mas talvez as revistas saibam – desbloqueei o telemóvel e fui em busca de notícias recentes sobre o Mario – já viram alguma notícia sobre nós?
- Eu não – disse a Halle – tenho andado mais preocupada com o quarto dele – disse passando a mão pela sua barriga linda de sete meses.
- Olha esta é boa! – chamei a atenção deles e comecei a ler em voz alta a notícia que tinha à minha frente.

Olhando para os mais recentes escândalos de separações (como foi o caso de Cristiano Ronaldo e Irina), poderá existir mais um casal eminente da separação. Pois é, Mario Götze e Thaís Baden parecem estar a dar um ponto final na relação que os uniu por mais de um ano.
Muito se vê Thaís com os seus amigos, companheiros de trabalho e, até, com um misterioso rapaz. Mas, também, se consegue perceber que Mario tem a sua vida a levar o mesmo rumo: mais jantares com os companheiros de equipa, saídas noturnas suspeitas e, como no caso de Thais, até já uma rapariga se viu a entrar em sua casa.
Não sabemos se podem ter novos pretendentes que conquistaram o coração de ambos mas, a verdade, é que o jovem casal que prometia ser sensação começa a cair na rutura. Uma outra questão que se impõe, neste momento, está relacionada com a família de Götze. Segundo fontes próximas, sabemos que a mãe, Astrid Götze, mantém uma ligação muito forte com Thais. O mesmo não aconteceu quando Mario se separou de Ann-Kathrin Vida.
Ficamos à espera de novidades sobre esta relação, mas uma coisa é certa: algo não está certo.

- Pois não está certo não! – disse no fim de ler aquela notícia – o nome da ex-namorada dele e o meu na mesma notícia não é agradável!
- Ela já não é ex-namorada, Thaís! Essa és tu.
- Algo me diz que ainda volta a ser namorada!
- Tu? – perguntou o Marco.
- Não! A Ann-Kathrin, ela vai-lhe conseguir dar a volta.
- Se eu fosse a ti não tinha tanto a certeza. Duvido mas duvido mesmo que o Mario se envolva com alguém nos próximos tempos – olhei para a Halle que se virou para trás e me sorriu timidamente como que me dizendo que o Marco tinha razão – e o mesmo se aplica a ti, Thaís.
- Próxima! – disse passando à próxima noticia e ignorando o que o Marco tinha dito.


As mais recentes novidades sobre o casal Mario Götze e Thaís Baden, não serão as melhores. Ao que conseguimos apurar, o jovem casal atravessa uma fase complicada da relação. Se, há 7 meses na final do Mundial 2014, a relação se tornou pública, depois das notícias que começam a surgir será de esperar que, dentro de pouco tempo, iremos ter uma confirmação do casal relativamente à separação. Muitas são as vezes que os dois são vistos separados e, segundo conseguimos apurar através de fontes próximas de Götze, o jogador do Bayern de Munique anda bastante em baixo o que se poderá refletir nas suas exibições.
É certo que Mario Götze não demonstra ser um namorado carinhoso e compreensível com as suas namoradas e, desta vez, poderá ter acontecido o mesmo. Thais poderia procurar em Mario algo mais e o rapaz ter avançado com o fim do relacionamento.

- Esta gente é muito parva! Olha que esta! O Mario não é carinhoso. Se ele não é carinhoso quem há de ser? – o Marco estacionou finalmente o carro e olhou para mim.
- Isso está a incomodar-te não está?
- Está! Claro que está! Uma coisa é dizerem que nós acabámos, outra muito diferente é inventarem coisas sem sentido.
- Já sabes como são as revistas… - elucidou-me a Halle – inventam e inventam.
Saímos todos do carro e dirigimo-nos para o centro de Dortmund. As esperadas compras da Halle estavam prestes a acontecer.
- Esta notícia fala da tua anorexia – olhei para o Marco assustada e retirei-lhe o telemóvel da mão – calma, não fala diretamente mas…
- Shh… - pedi por momentos enquanto lia aquilo.

Todo o mundo já reparou que a atual namorada de Mario Götze não demonstrava estar nas melhores condições, ainda há poucos meses. Nota-se, também, que essa fase já terminou. Através das imagens que as objetivas capturam, e as que a própria partilha nas suas redes sociais, Thaís demonstra estar mais feliz e resplandecente.
O que acaba por ser contraditório face às notícias da possível separação que atravessa com Mario Götze. O casal já dormia em casas separadas quando Thaís estava em Munique e, recentemente, a jovem rapariga mudou-se para a sua terra natal: Dortmund.
Ninguém esperava que tais acontecimentos surgissem, que o casal se separasse passado mais de um ano de namoro. Aos olhos da comunicação social e dos fãs, este namoro estava a dar esperanças a quem gostava de os ver juntos. Não sabemos se, se trata de um caso onde a pressão falou mais alto ou se foi apenas acontecimentos que ditaram estas circunstâncias. Mas o facto é que muito se especula sobre o fim da relação.
Queremos, ainda, salientar uma informação pertinente: os dois tornaram a vida um do outro diferente. É o que afirma quem os conhece.

- Achas que eles…? – olhei para a Halle esperando que ela me respondesse àquela pergunta.
- Thaís, mais tarde ou mais cedo eles vão acabar por saber. Não é nada que já não se especule mas preferem dizer que estiveste menos bem do que atirar logo ao ar o que tens.
- Eu não quero, não quero a minha vida assim estampada nas revistas.
- Vais ter que lidar com isso, querida. Olha para mim, grávida do Marco Reus, a última vez que vim às compras fui capa de revista no dia a seguir.
- E vê lá que estás mal grávida de mim! – o Marco falou, levando-me a sorrir.
- Estou! Estou porque já não consigo usar saltos e pareço tua filha ao teu lado!
- Não discutas com ela, Marco – avisei – ela põe-te a dormir no sofá – olhei para a minha mãe e ainda tinha o telemóvel do Marco na minha mão, olhei para ele com a intenção de lho dar a seguir e a mensagem que tinha chamou-me à atenção. «Estás com ela? Como é que ela está?», era uma mensagem do Mario. Devolvi-lhe o telemóvel – vou fingir que não olhei para aí.
- Thaís…
- Tudo bem – interrompi-o – vocês são amigos e eu é que não devia ter olhado.

A tarde estava a ser bastante animada. Acabei por mandar o Marco embora já que só mandava vir connosco por estarmos muito tempo nas lojas.
- Agora ainda vai ficar chateado comigo!
- Tu és a grávida! Tens poder sobre tudo, amiga.
- Lá isso é verdade, no outro dia preparou-me o jantar quase que morri intoxicada.


O jantar ia decorrendo tranquilamente. Tenho que admitir o Mario tinha bastante jeito para cozinhar, estava admirada.
- Sabes…tens mais jeito para cozinhar do que para jogar futebol! – pela cara que o Mario fez percebi que não tinha gostado do que eu tinha dito –estou a brincar! Não na parte de que cozinhas bem mas na parte em que pus o futebol na conversa – um sorriso formou-se no seu rosto – aliás eu e futebol…nem nos damos bem nem mal apenas nos damos.
- Obrigada – agradeceu. – Thaís…
- Sim…? – medo…
Sorriu nervoso e o medo que eu sentia começava a aumentar.
- Bem – ele ia falar mas começou a rir.
Percebi que não se ri porque algo tinha piada mas sim porque estava nervoso. Comigo acontecia o mesmo.
- Mario…
- Thaís… - pegou na minha mão e por momentos tremi – queres namorar comigo?

- Thaís? – a Halle passou a sua mão em frente aos meus olhos – Terra chama Thaís!
- Desculpa estava a pensar em… - em… - diz!
- Olha este carrinho tão lindo!
- É cor-de-rosa, Halle!
- Ah, verdade. Vou ter um menino, o Isaac – olhou para mim e eu olhei para ela sorrindo – sim, vai ser o nome dele. Tu deste-nos o empurrão que precisávamos. Quando tocaste na minha barriga e disseste «Isaac», nós percebemos que era o nome ideal. Escolhido por ti!
Sorri-lhe. Não tinha palavras. Aquele momento tinha acontecido quando eu estava mais frágil e o nome Isaac tinha-me saído do nada.
- Olha este! – disse entusiasmada para outro carrinho de bebé – não é cor-de-rosa e é bem giro!
- Pois é – disse sorrindo – só de imaginar que daqui a 2 meses já está cá fora e vou poder estar com ele nos meus braços.
- Só de imaginar eu a passear o Isaac pelas ruas de Dortmund neste carrinho a alta velocidade!
- Nem penses! – deu-me um encontrão e sorriu – não sei se te deixo andar com ele, és perigosa!




Recebi a mensagem da Halle com um link e rapidamente o abri.

Na bela, mas fria, tarde em Dortmund, o casal Halle e Marco Reus passearam pelas ruas da cidade muito animados. Acompanhados da sua grande amiga Thaís Baden, o casal foi visto às compras de artigos de bebés. Já se tornou pública a gravidez de Halle, pelo que começam a preparar a chegada do filho de ambos.
Quem se cruzou com eles no interior das várias lojas onde entraram, comenta que o casal e a amiga estavam bastante animados, as brincadeiras foram muitas e sorrisos não faltaram.
A dado momento, Reus ausentou-se é as duas raparigas pareceram desfrutar mais daquela tarde. Talvez Marco não seja a melhor companhia para compras, mas, o é certo que a chegada do rebento do casal parece estar a deixar as raparigas mais divertidas.
Entre roupas e produtos de higiene, houve ainda espaço para a escolha do carrinho que usará o bebé nos seus passeios. Fontes relatam que foi um momento divertido entre as duas, já que Thaís demonstrou querer ser ela a passear o bebé. Sabemos que a relação das duas amigas é muito próxima e não seria de esperar que Thais fosse madrinha do bebé. Tal como acontece com Mario.
Resta saber se existem condições para que o jovem jogador do Bayern de Munique ser um padrinho presente já que, não estando na mesma cidade e afastado de Thaís, torna tudo um pouco difícil. Mas, a verdade é que, todos iriam gostar de ver Mario Götze a trocar fraldas.

Acabei de ler e iniciei chamada para ela.
- Que tal a notícia? – perguntou.
- Bastante engraçada! Notícias destas levava eu todos os dias na boa.
- Como é que estás?
- Um pouco enjoada mas bem.
- Comeste?
- Sim, Halle – típica pergunta, no dia em que ma deixasse de fazer algo estaria mal.
- E sentes-te bem psicologicamente?
- Creio que sim.
Ouvi a campainha, devia ser o Mauro.
- Halle? Vou ter que desligar, o Mauro chegou. Beijos enormes para ti e para o Isaac – ouvi a voz do Marco a perguntar «e para mim?» e ri-me – para o Marco também!
- Beijinhos e vê lá o que fazes!
Desliguei a chamada, atirei o telemóvel para o sofá e fui rapidamente abrir a porta.
- Olá! – disse-me ele com a sua voz sexy – posso entrar?
- Claro – abri-lhe espaço para passar e fechei depois a porta.
- Então, o cão?
- O cão? Que cão? – perguntei confusa.
- Disseste que estavas quase, quase a arranjar um cão!
- Ah! Isso! Acho que pensei melhor e vou arranjar um gato.
- Hum, muito me contas – sorriu e deu-me a mão levantando-me do sofá onde eu já me tinha sentado – vamos ao trabalho?
- Sim – deitei-me sobre o tapete de exercícios enquanto ele me olhava.
- Porque é que hoje não quiseste ir ao ginásio?
- Porque não.
- Boa resposta, Thaís – ironizou.
- Não me apetece sair de casa.
- Olha que mau, logo hoje que eu te ia fazer um convite.
- Um convite? – colocou a mão sobre o meu abdómen.
- Podes começar – disse referindo-se aos abdominais. Fiz o que ele disse e esperei que ele começasse a falar – vai haver uma festa na casa de uns amigos meus e eu gostava que fosses comigo – olhou para mim e claro que não disse uma palavra – mais dez – informou-me – acho que precisas de sair e podias vir comigo como minha amiga…
Parei finalmente os abdominais e fiquei deitada a olhar para ele.
- Vais dizer que não, não vais?
- Hum…talvez possa dizer que sim – respondi, vendo o seu sorriso em seguida. O que é que eu tinha a perder? Nada.


Maior parte da roupa ainda não me assentava bem. Ficava demasiado larga e nada do que mais gostava conseguia vestir. Optei por algo mais simples, estava frio. Fevereiro não cedeu e pouco sol tínhamos de dia.


Depressa o Mauro chegou e mandou-me mensagem para eu ir ter com ele ao carro. Peguei no casaco e desci de elevador e rapidamente o avistei , indo ter com ele.
- Boa noite – saudei.
- Boa noite. Estás muito bonita.
- Tu também deixa-me que te diga.
O caminho até à casa do tal amigo do Mauro foi pacífico. Falamos um pouco sobre a minha evolução e eu contei-lhe mais algumas coisas sobre a minha vida. Até hoje nunca lhe tinha referido o Mario ou outras partes da minha vida. O Mauro apenas sabia o essencial, que eu estava em recuperação de um distúrbio alimentar.
- Ainda bem que vieste comigo, Thaís. Obrigada a sério.
- De nada – sorri-lhe e saímos os dois do carro.
Estava de noite e talvez a minha visão já não fosse a melhor mas a casa que estava à minha frente era sem dúvida alguma a do Mario.
- Mauro…eu…
- Anda, entramos pela parte de trás.
Agarrou a minha mão sem que eu tivesse tempo para reagir. Entrou pela parte direita do jardim…que ia dar à parte de trás. Piscina e jardim…
- Mauro…eu acho que é melhor irmos embora…
- Mauro então já…Thaís? – olhei em frente reconhecendo aquela voz.
- Vocês conhecem-se? – o Mauro fez aquela pergunta olhando para mim e para ele.
Como era possível o Mauro ser amigo do Mario? Como é que era possível ele não me reconhecer? A nossa relação foi tão falada, se eles são amigos como é que ele não sabia que eu era a ex-namorada dele?



--------------------------------------------------------------


Olá!
Desde o dia 5 de Abril que andava a trabalhar neste capítulo. 17 páginas e aqui está ele hoje.
Tenho que ser sincera, o tempo que tenho dedicado a ele é muito pouco porque na verdade não tenho tempo.
Voltei agora para vos deixar este capítulo mas agora só volto para o final do mês.
Tenho que vos pedir desculpa pela ausência mas espero compensar com isto.
Novo fundo porque Boundless Love acabou de entrar numa nova fase.
Espero que gostem e espero as vossas opiniões a este capítulo. Estou ansiosa por «ouvir» o que me têm a dizer! 
Beijinhos,
Bom fim-de-semana
Mahina

3 comentários:

  1. God! :o
    E agora? Por favor, junta o casal... Pleasee, quero os dois together again...
    Bem, fico à espera do próximo...
    Rapidinho, pode ser? ;)
    Beijinhos,
    Rita B.

    ResponderEliminar
  2. Olá

    Adoreiiiiiiiiiiii *_*


    Beijinhos


    Catarina

    ResponderEliminar
  3. Olá :)
    Pelo capitulo valeu bem a espera :D
    Tenho o felling q o Mauro gosta da Thais :)
    Quero ver a cara do Mário quando vir a Thais :P
    Próximo bjs

    ResponderEliminar