quinta-feira, 2 de abril de 2015

37º Capitulo - « Eu não tenho nenhum problema, entendido? »

A vida é um puzzle. Há peças perdidas e várias que não encaixam.
Nem sempre a peça é daquele lugar mas pode ser de outro qualquer ou então até é desse mesmo lugar mas nós não a estamos a colocar da forma correta.
Por vezes perguntamo-nos porque é que aquilo nos aconteceu ou porque é que teve que ser assim…para mim a resposta é fácil. Porque é que eu encontrei aquela peça perdida no chão? Porque mesmo não fazendo parte daquele pedaço de puzzle que já fiz, pertence a outra parte que comecei a fazer mas que tinha deixado de lado.
Nada vem por acaso. As pessoas entram na nossa vida por alguma razão, por algum propósito, se não nunca entrariam. E os momentos…os momentos acontecem porque tinham que acontecer. E as desilusões? As desilusões acontecem porque precisamos delas para aprendermos a ser mais fortes.
Se há coisa que aprendi…é que nunca devemos desistir de um puzzle. Havemos de encontrar todas as peças perdidas e havemos sempre de conseguir encaixá-las todas.



(Halle)

- Bem? Achas que estou bem? A minha mãe diz-me o que comer todos os dias e se eu não comer ameaça-me que me interna, como é que eu poderia estar bem?
Certo, de todo que não foi a melhor forma de começar. Sentei-me na sua cama e fiz sinal para que ela se sentasse junto a mim.
- É para o teu bem…
- Já estou farta de ouvir isso, Halle.
Levantou-se e deu algumas voltas pelo quarto. O seu telemóvel tocou. Foi até à secretária e olhou-o.
- Faz-me um favor – começou – diz ao Mario que preciso de tempo e que por mais que ele tente não lhe vou responder às mensagens tão cedo.
- Vocês são namorados, Thaís. É normal que esteja preocupado contigo. Não falas com ele há mais de uma semana, além disso fui eu quem lhe disse que tu estavas com um distúrbio alimentar, como é que achas que ele se sente?
- Eu não tenho nada disso – falou, perdendo-se depois a olhar para o teto.
- Como é que tem sido com a psiquiatra? Tens mais consultas marcadas?
- A minha mãe decidiu marcar uma para hoje à tarde, sem me consultar sequer!
- Queres que eu vá contigo?
- Não, obrigada.
- Sabes que se precisares de alguma coisa é só dizeres.
- Sei mas enquanto tu e a minha mãe andarem com essa ideia na cabeça de que estou anorética nem vale a pena falar com vocês.
- Certo – levantei-me e olhei-a – eu vou-me embora, tenho a ecografia marcada para daqui a pouco e pronto…
Nem sabia mais o que dizer. Tínhamos combinado que ela viria comigo à primeira ecografia mas nunca pensei que isto acontecesse assim. Fiquei algum tempo parada e vi um sorriso a formar-se na sua face. Olhava para a minha barriga que era ainda bastante pequena.
- Sempre foste magrinha, já se nota aí alguma coisa engraçada.
- Ui, engraçadíssima – ironizei – cada vez gosto mais de acordar enjoada e passar a manhã toda a vomitar.
- O Marco tem sido um marido de grávida compreensível?
- Pode-se dizer que sim.
Voltou a sorrir e percebi que a verdadeira Thaís aparecia, de vez em quando, ao de cima daquela frustração toda.
De um momento para o outro todas as suas ambições tinham ficado por terra. Já não ia para Munique viver com o Mario e fechou-se. Afastou-se completamente de todos porque não conseguia enfrentar o problema, na verdade, para ela não havia qualquer problema. Naquele seu sorriso veio a esperança, ela ia ser capaz de passar por tudo mas primeiro…teria de elucidar-se de que tem um problema.
- Até amanhã – falei saindo do quarto.
- Até amanhã – respondeu calma.
- Então? – a Minna saiu da cozinha e venho na minha direção – conseguiste alguma coisa?
- Não. Ela está distante e torna-se brava quando se fala da anorexia. Temos que ir com calma. Ela tem comido?
- Pouco, muito pouco. Mas falei com a nutricionista que a anda a acompanhar. Disse-me que mais vale ela comer pouco mas tentar seguir a dieta à risca. Tenho feito tudo o que ela me recomendou mas ela come em muito pouca quantidade.
- E a psiquiatra?
- Diz que vai demorar algum tempo até ela conseguir aperceber-se de tudo o que se está a passar com ela e que talvez encontre a razão para o que sucedeu mas vai levar tempo.
- A Minna tem alguma ideia de como ela chegou a isto sem nós nos apercebermos de nada?
- Não, nem desconfio. Ela nunca teve problemas com a aparência e sempre foi muito segura do corpo dela, não entendo.
- Nem eu Minna, nem eu…
Acabei por me despedir dela e sair da sua casa, conduzindo em direção à minha.
Tinha a ecografia marcada para dali a uma hora. Em pouco tempo cheguei a casa e reparei que o Marco ainda não tinha chegado.
Peguei no telemóvel e iniciei a chamada para o Mario.
- Olá Halle – falou calmo, não era evidente alegria ou entusiasmo na sua voz – estiveste com a Thaís?
- Sim – teria que lhe dizer a verdade, ela tinha-se afastado completamente dele e não o queria por perto – Ela precisa de tempo Mario, por mais que te custe, e eu não sei mas imagino o quanto te deve custar, ela precisa de estar sozinha.
- Achas que…isto pode voltar a ser o que era?
- Não sei – por mais que lhe quisesse dizer que sim não o fiz porque neste momento nem eu imagino se é possível que tudo volte ao normal – ela está revoltada e acho que tem medo de falar contigo porque tem medo que a julgues.
- Eu nunca faria isso…
- Eu sei e ela também sabe, lá no fundo, mas por enquanto esta tudo muito confuso. Só quando falámos no meu bebé é que a verdadeira Thaís veio ao de cima.
- Eu sinto-me horrível, os sinais estavam todos lá e eu não me apercebi do que se estava a passar, da gravidade da situação. Eu deveria ter feito alguma coisa!
- Fizeste o que podias, avisaste-a e falaste com ela sobre o facto de estar mais magra. O que é que ela fazia? Ignorava, dizia que não era nada e deu a desculpa do stress. Nem ela própria se apercebeu do ponto a que chegou, agora é esperar que ela se elucide de tudo isto e que se consiga curar.
- O que é que eu faço, Halle? – notei o desespero na sua voz – ela afastou-me, o que é que eu faço?
- Numa situação “normal”, diria para estarmos junto dela e lhe darmos apoio porque ela precisa de nós mais do que nunca, mas ela distanciou-nos, é a verdade, por isso nem eu sei o que podemos fazer. Ela está a ser acompanhada, esperemos que dê resultado.
- E se não conseguirmos nada com a psiquiatra e a nutricionista, ela é internada?
- Provavelmente. Ou ganha peso a bem…ou é internada e ganha peso à força.


Tentava abrir a porta enquanto o Marco me enchia de beijos. Ria-me que nem uma perdida porque me estava a fazer cocegas ao mesmo tempo. Finalmente consegui abrir a porta, e entramos começando ali uma sequência de beijos.
- Olá! – a voz da Thaís, ela estava lá em casa já me tinha esquecido.
Largamo-nos e olhámo-la. Coloquei a minha mala no sofá e caminhei lentamente na sua direção, sentando-me junto dela.
- Fofa – falei, passando a minha mão pelo seu rosto – oh, olá Mario – reparei que ela estava a falar com ele por videochamada – então…? Vocês estavam a conversar?
- Ao contrário de vocês… - atirou a Thaís.
- Fofita – disse o Marco chegando finalmente ao pé de nós e sentando-se ao lado da Thaís mas do outro lado. Mexeu-lhe no cabelo, despenteando-a em seguida.
- Vês como o teu amigo me trata? – perguntou ao Mario.
- A tua namorada é mesmo sensível! – falou o Marco despenteando-a mais um pouco.
- Chato, burro, loiro e…chato. Como é que o aturas, Halle?
- A Halle apaixonou-se por ele, tal como tu te apaixonaste por mim – disse o Mario
- Quem te disse que eu me apaixonei por ti? – atirou, levando-nos a rir.
- Aprende com a Halle por favor. Sê calma e pacífica!
- Realmente… - olhou para mim com cara estranha – quando vocês nos conheceram apanharam a Halle já calma.
- Eu sempre fui calma! – defendi-me.
- Não, isso é mentira! Tu eras fogo e uma boa prova disso foram as nossas férias em Barcelona no verão passado.
- O que é que aconteceu no verão passado? – perguntou o Marco olhando para mim.
- Cala-te Thaís… - sussurrei-lhe, dando-lhe um leve encontrão no braço.
- A Halle teve uma noite daquelas…ui.
- Como é que sabes se foi uma noite daquelas, estavas lá? – perguntou o Mario com um sorriso matreiro no rosto.
- Estava no quarto ao lado e teve uma noite igual! – atirei, entrando no jogo dela.
- Igual não foi que eles não eram nada iguais… - disse olhando-me. Começámo-nos a rir as duas, uma piada que nem o Mario nem o Marco perceberam – eles eram gémeos – esclareceu ela.
- Ah – ouvimos o Mario – espera lá, o quê?
- Gémeos, twins, duas pessoas iguais que nasceram ao mesmo tempo, pensa lá bem Mario, tu sabes o que são…
- Eu sei o que são gémeos! Mas vocês as duas…?
- Vá eu conto, era Agosto. Estava calor em Barcelona, havia uma discoteca e nós as duas… - começou a Thaís.
- Com uns copos a mais! – atirou o Mario, interrompendo-a.
- Não! Estávamos bem sóbrias para que saibas! Conversa puxa conversa e pronto…fim. – vi a cara do Mario e do Marco a olharem-na admirados – achavam mesmo que eu ia contar alguma coisa? Não queriam vocês mais nada! Ah, fiquei com o mais velho.
- Com quantos minutos a mais que o outro? – o Marco apenas nos ouvia e o Mario era quem fazia as perguntas todas.
- Dois minutos e meio! Logo tem mais experiência de vida…viveu até hoje mais dois minutos e meio que o outro!
- Eram bons rapazes! – comentei, o que levou o Marco a fuzilar-me com o olhar – a sério! Foram muito queridos connosco. Além disso, com quantas é que vocês já deram umas voltinhas?
- Com muitas! De certeza! – atirou a Thaís – e autógrafos em sítios estranhos?
- Soutiens… - disse o Marco.
- O melhor foi aquela da tanga! – atirou o Mario.
- Não quero saber! – disse a Thaís.
- Queres sim! – insistiu o Mario.
- Não quero não!
Começamo-nos a rir perante aquele mini discussão deles. Era verdadeiramente bonito ver como eles se relacionavam.

- Cheguei! – o Marco entrou em casa e despertou-me – estás a chorar?
- Não, quer dizer – limpei uma lágrima que tinha-me escorrido pelo rosto – as recordações fazem-me disto.
- Tudo vai voltar a ser como era – assegurou-me. Ultimamente o Marco adivinhava os meus pensamentos e sabia das minhas preocupações quanto à Thaís.
- Eu não tenho assim tanto a certeza, ela está tão diferente.
- Vais ver que tudo vai correr bem – sentou-se junto a mim e colocou o seu braço por cima dos meus ombros – está quase na hora da ecografia.
- É – passei o meu dedo indicador pela barriga – a Thaís disse que já se nota alguma coisa.
- E nota! – passou o seu dedo pelo meu rosto – fazes-me mesmo feliz, sabias?
- E tu também me fazes muito feliz – coloquei as minhas pernas por cima das suas e ajeitei-me no sofá – estou super enjoada mas tenho a plena consciência que foste a melhor coisa que me aconteceu na vida, Marco – encostei os meus lábios à sua bochecha – tu e esta coisa bonita que está dentro de mim.
- Rapaz ou rapariga?
- Hum…não dou palpites mas…tu queres um menino, não queres?
- Sim, gostava muito mas se for uma menina vou gostar igualmente.
- Se a Thaís estivesse bem começava aí já a fazer apostas com o Mario. Ela diria que era menina e o Mario que era menino. Depois, provavelmente, se a Thaís ganhasse deixava o Mario sem sexo durante um mês porque ela adora vê-lo sofrer…
- E se o Mario ganhasse obrigava a Thaís a declarar-se a ele no meio de muita gente, ele adora ficar com o ego em alto!
- Tenho saudades deles assim.
- Eu também, acredita.
- Podias falar com ela, Marco – comecei – ela não fala comigo, nem com o Mario nem com a Minna mas contigo talvez ela falasse. Não estás muito tempo com ela e vocês têm aquela relação tranquila e divertida. Eu acho que iria ser bom.
- Eu posso tentar.
- Ela sabe que tu não a vais julgar nem vais dizer todas aquelas coisas de só querer o bem dela. Têm uma relação mais tranquila de amigos e acho que isso agora é positivo. Podias tentar falar com ela amanhã?
- Sim, claro que posso. Além de a querer ver bem a ela, também te quero ver bem a ti e sei que isto te está a afetar.



(Marco)

Bati duas vezes à porta do quarto da Thaís, esperei alguma reação da sua parte que tardava em chegar.
- Oh mas o que é que tu queres? – falou assim que abriu a porta do seu quarto.
- Olha, tu vê lá como é que falas para mim! – disse, tentando fazer cara séria mas ao mesmo tempo mostrar que estava a brincar.
- Entra… - não mostrou nenhum entusiasmo, não sorriu, não me tratou mal, estava mesmo diferente – como correu a ecografia ontem?
- Bem, ainda é muito pequenino. Mas a médica disse que estava tudo bem.
- Que bom – sentou-se no fundo da cama e olhou-me – o que é que tu queres? – voltou a perguntar.
Não sabia por onde começar. Nem sabia sequer o que lhe dizer. Nunca pensei sair dali com uma vitória mas pelo menos gostava de a tentar elucidar de certas coisas.
- Peço-te que não me ataques, quero apenas que me oiças, certo? – assentiu com a cabeça. Talvez tivesse cedido por agora – eu não imagino o que é que te esteja a passar pela cabeça neste momento, sei que para ti está tudo bem e o problema está nos outros que vêm coisas que não existem. Mas, Thaís… - entrelacei as minhas mãos e notei que aqueles seus olhos não estavam normais – nós não estamos a ver nada que não exista. Está a acontecer, tu tens um problema e precisas de te aperceber disso.
Por momentos pensei que ia chorar, estava com o olhar distante, mas rapidamente apercebi-me que não. Olhava-me frustrada e sabia que ia começar a disparatar.
- Eu não tenho nenhum problema, entendido?
- Não, não está entendido! – interrompi-a, decidi levar aquela conversa ao limite. Ela precisava de o ouvir por alguém – ouve, tu tens uma anorexia! Estás muito, e quanto eu digo muito é mesmo muito, magra! Tu tens um namorado que neste momento anda bastante preocupado contigo porque tu nem sequer lhe diriges a palavra, fechaste-te no teu mundo e deixaste-nos a todos cá fora sem margem para te apoiar – andei um pouco pelo quarto e notei que me olhava atenta – nós não estamos aqui para julgar, estamos aqui para te ajudar e queremos que tu entendas que tens um problema. Nós vamos ultrapassar isto todos juntos, eu, a Halle, o Mario, os teus pais somos os únicos que sabemos disto por enquanto e queremos apoiar-te, deixa-nos fazê-lo por favor!
Colocou as mãos à frente da cara e desta vez notei que chorava. Não queria que isto acontecesse mas talvez assim ela se tivesse apercebido de alguma coisa.
Sentei-me junto dela, não tinha muito jeito para isto. O que é que era suposto fazer? Abraça-la? Pedir desculpa?
- Queres um abraço? – perguntei baixinho.
- Não! – encostou uma das suas mãos ao meu ombro e afastou-me – deixa-me chorar sozinha!
- Thaís… - do nada, teve a reação mais estranha de sempre, abraçou-se a mim e continuou a chorar – eu não tenho jeito para isto – coloquei as minhas mãos em torno das suas costas – está tudo bem – assegurei.
- O Mario tem muito mais jeito para isto que tu – largou-se de mim e olhou-me – dá-me um lenço, por favor – levantei-me indo em direção à mesa-de-cabeceira dela e voltei com um lenço, entregando-lhe.
- Bem…
- Vai-te embora! – interrompeu-me, surpreendendo-me.
- Tudo bem, eu vou-me embora – assegurei, levantando-me – desculpa se disse alguma coisa que não devia, mas só quero o teu bem.
- Marco, desaparece! – ordenou, já com a cara isenta de lágrimas, apenas os seus olhos estavam vermelhos.
- Tudo bem – levantei-me da cama percebendo que já tinha passado o seu momento de calma. Comecei a caminhar em direção à porta, quando senti o meu braço a ser agarrado.
- Espera…podes vir comigo à psiquiatra esta tarde?
- Sim – fiquei espantado com aquela pergunta – claro que posso.


- A minha psiquiatra chama-se Adela e a nutricionista Elma.
- E como é que tem sido com elas? – perguntei, tentando perceber como andavam a correr as coisas.
- Mais ao menos. A Elma, a nutricionista, tem-me dado bons conselhos mas…eu não sei.
- Hoje vai ser com ela?
- Não, já te disse que é com a psiquiatra.
Pois disse mas é a única forma que consegui arranjar de manter uma conversa com ela que não acabe em discussão. Decidi não dizer mais nada até entrarmos no consultório. Podia ser que corresse bem, hoje.
- Vejo que hoje trouxeste companhia – disse a tal Adela assim que entramos no consultório.
- Senta-te Marco – disse sentando-se numa das cadeiras e apontando para a outra.
- Eu acho que o conheço de algum lado – a Adela olhou para mim.
- É possível – interveio a Thaís – ele joga no Borussia de Dortmund!
- Hum, que engraçado – fiquei um pouco intimidado com tudo aquilo. Estava habituado a ser abordado mas não a ser olhado como ela me estava a olhar – não são namorados, pois não?
- Não, o meu namorado é o Mario Götze. Você sabe quem é, joga no Bayern de Munique, foi ele que marcou o golo que deu à Alemanha o campeonato do mundo! – falava de uma forma estranha e percebi que a Thaís estava ali, escondida mas aparecia sempre que achava necessário – mas aqui o Marco Reus é casado com a minha melhor amiga, a Halle – pegou na minha mão esquerda e elevou-a apontando para a minha aliança – é mesmo linda a aliança, não é?
- Bem – a psiquiatra olhou em voltou e focou-se depois na Thaís – vamos ao que interessa, tens comido?
- Sim, o normal – encolheu os ombros e olhou para mim com uma expressão completamente diferente da que tinha há pouco.
- Ambas sabemos que o teu normal nunca foi muito normal.
- Eu nunca deixei de comer, por isso…
- Vamos voltar ao princípio, Thaís? – perguntou-lhe como que desafiando-a – já te disse e volto a dizer que preciso te empenhes nisto. Pelo que parece muita coisa mudou e queremos que tudo volte ao normal, certo?
- Sim…
- Marco, não se importa que eu fique um bocadinho com a Thaís?
Olhei para ela como que lhe pedindo autorização para me ausentar, afinal ela tinha-me pedido para vir com ela e agora eu iria ausentar-me.
- Vai Marco, eu fico bem – assegurou-me.


(Halle)

- Ela disse que ficava bem – disse o Marco.
- Hum – encostei-me no sofá e senti os seus braços em volta do meu corpo, aconchegando-me – começo a não gostar dessa psiquiatra.
- Não precisamos de gostar dela, apenas precisamos que ela seja boa profissional.
- Sim, tens razão. Precisamos que ela ajude a Thaís, isso sim.
O toque do telemóvel despertou-me, peguei nele e atendi. Era a Thaís.
- Diz boneca – disse assim que atendi.
- Amanhã vou para Munique, importas-te? – percebi que me fazia aquela pergunta com toda a inocência.
- Vais ter o Mario? – arrisquei.
- Não. Vou passar uns dias com a Astrid. Só tenho consultas daqui a uma semana por isso acho vai ser bom.
- Eu tenho a certeza que vai ser bom! – como é que ainda não me tinha lembrado? A Astrid deve ser a melhor pessoa para estar com ela e a ajudar neste momento – mas ela…sabe?
- Sim, a minha mãe contou-lhe. Mas o Mario não sabe que eu vou.
- Por alguma razão em especial?
- Eu não quero estar com ele Halle, não por agora.
- Sim, eu já entendi isso.
- Então, até daqui a uma semana.
- Sim. Beijinhos.
- Beijinhos – esperei algum tempo para perceber se ia desligar a chamada mas não o fazia - Halle?
- Sim. – respondi com receio do que podia ela dizer.
- Eu adoro-te, isto é complicado para mim e já percebi que não tenho sido nada fácil de lidar mas obrigada por ainda estares aqui.
Sorri instintivamente. Tinha reconhecido que estava a ser complicado tudo isto.
- Eu também te adoro. 


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Boa tarde!
Espero que disfrutem do capitulo e me deixem as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina

4 comentários:

  1. Olá

    Adoreiiiiiiiiii *_*


    Beijinhos


    Catarina

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  2. God, ela tem de estar com o Mario, please...
    Anorexia não é nada fácil, mas torço para que ela ultrapasse isso, tal como torço por todas.
    Estou ansiosa à espera de mais.
    Beijinhos
    Boa Páscoa!
    Rita B.

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  3. Olaaa
    comecei a ler esta fic a semana passada e viciei completamente, li todos os capitulos e adoreeei . A minha prima ja a lia, mas eu nunca tinha lido nada.
    Parabéns, ri-me tanto com o casal Mario-Thais e quando estava a ler num local publico tipo autocarro e me começava a rir sozinha e depois tinha de me controlar. E depois o casal fofinho Marco-Halle adorooo.
    E quando se juntam os quatro é sempre super divertido. Agora quero de volta a Thais que ela recupere.
    Quero muito o proximo, estava habituada a acabar um capitulo, começar logo outro quando acabei este, ja ia a correr abrir o proximo mas este era o ultimo.

    Quero muito o proximooo

    Beijinhooos

    Patricia Almeida

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