domingo, 15 de março de 2015

36º Capitulo - « Já as andavas a merecer há algum tempo, bebé! »

Passei os meus dedos pelo seu peito despido, olhou-me e sorriu, deduzi que o tinha arrepiado. Ao fim de todo este tempo, eu ainda o conseguia fazer.
- Vá, vamos sair da cama! – incentivei. Levantei o meu tronco e cruzei as pernas, olhei-o deslumbrada.
- Para quê?
- Tenho fome, Mario.
- Tens aqui o teu maior petisco!
- Parvo! - deitei-me de barriga para baixo, atravessada na cama, colocando depois a minha cabeça sobre a sua barriga  – tenho mesmo fome e tu como bom namorado que és, devias ir buscar-me o meu pequeno-almoço.
- Isso não vai acontecer.
- Rico namorado que eu fui arranjar, realmente. - sussurrei virando-me para o fundo da cama – não vais tu, vou eu! – arrastei-me pela cama, com a intenção de sair pelo fundo.
- Não vais não… - senti o meu pé a ser agarrado. Olhei para trás, vendo o Mario a agarrar-me um dos pés.
- Mario! – barafustei – larga-me! – tentei arrastar-me novamente mas foi em vão, a força que exercia sobre o meu pé era bastante.
Continuávamos naquela brincadeira ainda por algum tempo. Quando eu me conseguia aproximar do fundo da cama sentia-me a ser arrastada pelo Mario. Agarrou-me os dois pés fazendo-me rir.
- Estou a ficar nua! – avisei, compondo a camisola do pijama.
- É essa a ideia, bebé.
- Não te chegou a noite toda, Mario? – perguntei tentando soltar os meus pés das suas mãos – tu também, ou é tudo ou nada!
- Deves ter muita razão de queixa, Thaís.
- Por acaso nem tenho muita mas se continuas a tratar assim, terei com certeza.
- Pronto – largou-me os pés e eu arrastei-me até ao fundo da cama, levantando-me em seguida – tens razão temos que ir tomar o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia!
- Pareces a minha mãe a falar – gozei.
- Pareço? – perguntou ao aproximar-se de mim com cara de quem ia fazer das suas.
- Pareces e nem tentes aproximar-te de mim – levantei o meu pé encostando-o à sua barriga – aprendi técnicas de defesa pessoal há uns anos.
- Não me digas! – agarrou o meu pé, deixando-me sem chances de fazer algo mais – e agora, Thaís?
- Agora… - com alguma dificuldade ainda, fiz alguma pressão com o pé, acabando por lhe dar um pontapé na barriga - é isto que se deve fazer.
Agarrou-se à barriga, decerto que não o tinha aleijado muito mas teria que fingir que sim para eu me sentir mal comigo mesma, coisa que não iria acontecer.
- Já as andavas a merecer há algum tempo, bebé! – ironizei – acaba lá a fita, Mario.
- Podias-me ter aleijado a sério.
- Podia, podia mas não foi com muita força como viste.
- Deve ser de estares mais magra – chegou perto de mim e pegou num dos meus braços, olhando-me depois sério.
- Outra vez essa história? – virei costas, andando até à outra ponta do quarto – eu não estou mais magra, pelo contrário…
- Nem te atrevas a continuar! – interrompeu-me elevando a voz – não quero discutir contigo e tu sabes bem disso – chegou até mim e passou os seus dedos pela minha face – vamos apenas…vestir-nos e descer para tomar o pequeno almoço. Amanhã vamos embora e temos que aproveitar este último dia.
- Sim, tens razão – concordei.
Agarrou o meu rosto entre as suas mãos e aproximou os seus lábios dos meus, beijando-me em seguida. Coloquei as minhas mãos nas suas costas ainda despidas e pude sentir o seu calor.

- Halle, nós ainda não sabemos – menti.
- Como é que não sabem? – perguntou incrédula – está nas  vossas mãos voltarem amanhã ou não!
- Está nas do Mario, querida e ele não está com vontade de voltar amanhã.
- Passa-lhe o telemóvel, por favor – pediu. Dei-lhe o telemóvel para as mãos e fiquei a escutar.
- Eu sei que fazes anos, Halle. Ei, não me insultes! – bebi um pouco de café enquanto ouvia a conversa – white party? Que coisa foleira!
Ri-me sozinha, enquanto ele fazia o mesmo.
- Halle, calma. Ok, eu considero isso como um desejo de grávida e vou ter isso em consideração. Não, eu não vou de branco! Posso ir de preto? – o telemóvel do Mario começou a tocar, tirou-o do bolso e olhou-o para o ecrã – Eu sei que é white party mas eu não gosto muito de branco! – virou-se para mim e deu-me o telemóvel para as mãos para eu atender.
- Alô, alô! – falei sem ver quem era.
- Trocaram de telemóveis? – era a voz do Felix.
- O teu irmão está a ter uma discussão com a Halle sobre levar roupa preta para uma white party.
- Ele sempre foi muito parvo, só liguei para saber quando é que vocês vêm.
- Amanhã provavelmente, a Halle faz anos e temos que estar lá.
- Pois, eu suspeitava. Manda beijinhos ao Mario…ou não! Beijinhos para ti e até amanhã.
- Até amanhã, beijinhos. – desliguei a chamada e o Mario também o tinha feito, trocamos os telemóveis e ele sorriu-me - vamos?
- Mas…tu ainda não comeste nada – falou apontando apenas para o café que eu tinha bebido.
- Estou um pouco enjoada, Mario.
Olhou para o lado e segundos depois voltou a olhar-me.
- Tudo bem – parecia que tinha cedido finalmente – vamos então? – levantou-se e veio na minha direção entrelaçando a sua mão com a minha e caminhamos em direção ao elevador.



(Halle)

- Achas mesmo que está tudo? Não falta nada?
- Halle, por favor, está tudo mais que pronto. A tua white party vai ser um sucesso – pela milésima vez o Marco respondia-me a mesma coisa. Não sei mas parece que me falta qualquer coisa…
- Precisava da Thaís aqui. Ela iria dizer a verdade.
- E eu não digo? É isso?
- Não. Tu, se calhar, estás a ser querido.
- Eu não te iria deixar preparar uma festa que fosse um fracasso. Temos reputações a manter.
- E se não houver comida suficiente?
- Halle, tu estás a stressar sem razão. Está tudo controlado, meu amor.
- A que horas é que chegam os outros dois?
- A Thaís não te disse?
- Não. Ela pôs-me a falar com o Mario mas nenhum disse quando vinham.
- Eu também não sei.
- Ai a porra! E se eles não vêm?
- Eles não faltariam ao teu aniversário – e se faltassem? E se ninguém aparecesse de branco? Ou a comida não chegasse para todos? Organizar uma festa sozinha deve ter sido a minha pior ideia do milénio! – Halle? – o Marco puxou-me para dentro de casa. Até agora estávamos no jardim a finalizar os toques nas mesas – Está na hora de descansares, de aproveitares o resto da noite sem pensar na festa.
- Isso é muito bonito de se dizer. A Thaís e o Mario não disseram quando vinham, recebi mensagens há pouco de pessoas que não podem vir, os meus pais só chegam de tarde…
- E tu estás a stressar. Abranda, rapariga, tens de abrandar. Isso não fará muito bem ao nosso filho.
- E ainda há mais isso! Estou com enjoos matinais horríveis…estou para ver como é amanhã de manhã.
- Também estás com umas mudanças de humor horríveis – olhei-o…completamente surpreendida com aquela saída dele.
- Tu, em vez de ajudares não...obrigadinha! Vou dormir! – fui até ao quarto, deitando-me sobre a cama.
Ok, Halle, respira. É só uma festa, a tua festa de aniversário. Organizaste-a sozinha, em parte porque não tens a tua melhor amiga cá e, noutra parte, porque és casmurra e não quiseste ajuda da tua mãe.
O teu marido também não está a ajudar nada! Mas em nada mesmo!
- Estás mais calma?
- Marco, a sério, o melhor mesmo é nem sequer continuarmos essa conversa. 
- Eu não digo nada, então – ele deitou-se a meu lado, olhando para o relógio...23h59 – boa noite, Halle. Dorme bem.
- Boa...noite, Marco – olha, apagou a luz! A sério? Eu pensava que…oh ninguém me vai dar os parabéns à meia-noite! Apaguei a luz também, virando as costas ao Marco.
Senti o braço do Marco passar por cima de mim e deixar a sua mão na minha barriga. Puxou-me para junto dele, dando-me um beijo na bochecha.
- Parabéns, Halle Reus.
- Oh… – ai Halle, estás mesmo com as hormonas todas alvoraçadas! Agora choras? Virei-me para ele e, a mão que antes tinha na minha barriga, o Marco passou-a para as minhas costas.
- Porque é que estás a chorar?
- Oh. Eu tratei-te mal, já estava a pensar que não ias ser o primeiro a dar-me os parabéns. Obrigada, obrigada. Sabes...é que eu pensei que fosses mesmo o primeiro e...hum – ele interrompeu-me com um beijo e percebi que se ria ao mesmo tempo.
- É uma montanha russa a tua gravidez, não haja dúvida – não percebi bem o que ele quis dizer com aquilo e o Marco deve ter percebido – o que eu quero dizer é: eu não tenho experiência com gravidezes, tu tiveste...mas para mim, cada dia é uma aventura diferente. Ou acordas mal disposta, ou cheia de vontade de comer. Tão depressa queres mimos como no minuto a seguir não queres falar sequer. É uma aventura todos os dias.
- Na gravidez da Lóris foi tudo diferente. Não tinha enjoos, nem desejos e era tudo sem este amor intenso que há entre nós e mesmo já em relação ao bebé. Eu era muito nova…não tinha noção como agora. Desculpa o mau humor e a dificuldade em relaxar no dia de hoje…
- Não tens de pedir desculpa. mas devias relaxar…
- Vou tentar, pelo menos a dormir. E obrigada, por teres sido mesmo o primeiro.
- Achavas mesmo que ia dormir sem te dar os parabéns? Nem que estivéssemos chateados!



- Halle, já estás pronta? – perguntou o Marco entrando no quarto.
- Marco...o vestido não me serve! – tinha comprado o vestido de propósito para a festa na semana passada...como é que hoje não me servia?
- Mas estás vestida – virei-me de costas mostrando-lhe que o fecho não fechava – hum…o bebé cresceu.
- Não! Eu é que engordei! – tirei o vestido, sentando-me na cama – vou cancelar a festa.
- Estás doida! – aproximou-se de mim, levando as suas mãos ao meu pescoço – Tens um vestido branco lindo no armário. Nunca te vi com ele vestido.
- Se este não me serve, esse muito menos!
- Experimenta – ele foi até ao roupeiro, retirando de lá o vestido. Voltou para mim, entregando-me – se não servir, eu mesmo saiu por aquela porta e vou comprar-te um.
Peguei no vestido, levantando-me. Vesti-o e, para grande surpresa minha, servia.
- Não é o vestido... – comentei.
- Oh Halle. Estás linda, as tuas pernas ficam mais à mostra e tudo. O outro, ao lado desse, era para uma mulher casada com um marido que não gosta de ver as pernas da mulher.
- Isso é sinal que...
- Ver as tuas pernas assim, animam a qualquer hora!
- E o meu ego sobe, sobe, sobe… – aproximei-me dele, beijando-o – obrigada, marido.
- De nada, senhora minha esposa – dei-lhe mais um beijo para, depois, tratar do cabelo, maquilhagem e acessórios. Olhei-me ao espelho antes de sair do quarto e, por incrível que pareça, até estava a achar piada ao vestido.



Felicidade, amor, harmonia e sorrisos era o que mais conseguia ver ao meu redor. Chegar aos 24 anos e ter esta sensação de que sou uma rapariga realizada mas com muito mais para descobrir e conquistar, é das melhores coisas do mundo.
Juntar, neste dia importante, todas as pessoas que me são importantes faz com que seja uma celebração ainda maior. Não é só o meu aniversário que celebro. A vida, o amor, a família e amizade são outras das coisas que me importam no dia-a-dia...e hoje tenho a possibilidade de ter tudo e todos juntos.
- O que é que estás aí a pensar? – o Marco despertou-me daquele momento de reflexão, até parece que estou a comemorar o meu octogésimo aniversário.
- Nada de especial – o Marco vinha na minha direção, a andar devagar tal e qual como os fisioterapeutas dele, e eu mesma, tinham recomendado – como é que tu estás? – acabei com a distancia que existia entre nós, levando as minhas mãos até ao fundo das suas costas.
- Porquê essa pergunta?
- Porque te conheço e hoje estás a caminhar mais devagar…
- Dores normais. A minha fisioterapeuta pessoal, quando todos forem embora, vai ter de me fazer uma massagem.
- Ai eu não acredito – o Marco ficou com uma cara estranha a olhar para mim – o teu querido amigo Mario! – Apontei para o Mario e ele olhou para o amigo.
- Sabes, ele não gosta muito do branco.
- Oh Marco! Fogo! É o único que não vem de branco integral.
- Ai que isto não vai correr bem – disse-me quando me afastei para ir ter com o Mario. Estava sentado no sofá ao lado da Thaís, riam-se de qualquer coisa quando me sentei ao lado dele.
- Olá, Halle! Muitos parabéns!
- Mario. Eu devia expulsar-te da festa – a Thaís riu-se baixinho, desviando-se do Mario – eu disse-te para vires de branco!
- É uma cor muito clara, Halle! Ia sujar-me todo e depois não posso pôr os boxers pretos!
- Punhas uns brancos! Assunto resolvido.
- A Thaís gosta mais dos pretos.
- Estou chateada contigo! – levantei-me e ocupei o lugar que existia, agora, no meio deles dois – Thaís, o teu namorado enerva qualquer um. Como é que o aturas?
- Não sei, mas mereço um prémio! – ela levantou-se e pude ver o quão bonita ela estava!




- Diz lá que a Thaís não está linda? De branco! – virei-me para o Mario que a olhava embevecido.
- Oh cunhada!
- Já passou. Mas feriste os meus sentimentos, Mario.
- Pronto, peço desculpa.
- Porque é que chegaste depois da Thaís? – eles não tinham vindo juntos, o que estranhei.
- Ela sujou-me os calções brancos que eu trazia… – afinal ele vinha de calções brancos!
- Isso é mentira, Mario! – ela aproximou-se com uma bebida na mão. Sentou-se nas pernas do Mario olhando para mim – Eu não tive culpa, Halle. A caixinha do batom caiu sem querer…
- Isso explica à tua amiga o porquê de eu não ter calções brancos! Vês, Halle?
- Olha, ao menos foi só isso. Eu comprei um vestido lindo que ia usar hoje e, quando o fui vestir, não servia – o Mario riu-se e, não medindo bem a força, dei-lhe uma valente palmada no peito.
- Halle! Ias deixando o Mario sem ar! – a Thaís estava mesmo preocupada com o Mario, até o beijou e tudo! Que coisa...ela, normalmente, ri-se destas coisas.
- Foi sem querer, Thaís. E, ele está bem...
- Oh Halle! – não percebi se ela tinha ficado chateada comigo, mas foi embora deixando-me boquiaberta.
- Mario, o que é que fizeste à Thaís?
- Eu? Eu não fiz nada!
- Ai fizeste, fizeste. Ela pouco falou e anda estranha.
- Eu não sei, também já reparei nisso.
- Mario…ela está grávida? – perguntei baixinho.
- Não. Só se o filho fosse de outra pessoa.
- Mario!
- Vá, a sério. Nós temos cuidado com isso, não é? É muito pouco provável que esteja.
- Mas olha que tudo indica isso!


- Halle, o que se passa com a Thaís?
- Também já notaste? Eu não sei. Tão depressa está ali animada na gargalhada com a Minna e a Astrid…
- Como depois anda ali parada a olhar o nada, como anda de um lado para o outro sem rumo certo. Ela está grávida?
- Também achas isso? Eu já perguntei ao Mario…mas ele diz que têm imenso cuidado com isso.
- Olha, a mim parece-me que o nosso júnior vai ter um primo!
- Marco! – oh boa, o meu pai já estava mais animado que o normal…
- Sogro! – o Marco riu-se, olhando para mim.
- Pai. Eu também aqui estou…
- Pois estás filha, mas o que eu quero mesmo é conversar com o meu genro.
- E despreza a sua filha no aniversário dela?
- Já és crescida, Halle!
- Pai! – olha, olha…o homem está doido. A bebida afeta-o mesmo! Saiu dali apressada, indo na direção da minha mãe – Mãe, o pai rejeitou-me.
- Filha – ela riu-se, colocando uma das suas mãos no fundo das minhas costas – ele só quer falar com o Marco por causa da lesão.
- Oh não! – voltei para junto deles da mesma forma apressada.
- …quando voltares, quero que estejas bem. Muito melhor do que eras, genro!
- Pai! A mãe chamou-o!
- O que é que ela quer?
- Não sei…mas é urgente.
- Falamos depois, então – o meu pai afastou-se e coloquei-me em frente do Marco.
- Ele não reage muito bem a um copo a mais…falou muito da lesão?
- Não, Halle…o teu pai só quis dar apoio, nada mais.
- A sério?
- Sim.
- Ah…é que ele fala imenso da tua lesão e do que aconteceu.
- Fala?
- Sim. Como sabe que eu percebo do assunto a fundo quer saber mais detalhes que a imprensa não sabe…
- Estou a ver. Mas descansa está tudo bem. Halle… – ele aproximou-se de mim, levando as suas mãos até ao fundo das minhas costas – achas que eles notavam se desaparecêssemos por uns minutos?
- Marco… – as mãos dele vagueavam pelo meu corpo mas não podíamos desaparecer dali! – é melhor parares antes que eu te faça parar à bruta…
- Não consegues.
- O que é que me dás se eu conseguir?
- Paz e sossego.
- Ai eu bem preciso disso!
- E o que é que tu me dás?
- Nada… – as mãos dele foram até às minhas coxas e afastei-me dele, sem lhe dar hipótese de se aproximar de mim – ganhei, Marco.
- Ficaste a ver navios! – o Mario, que apareceu vindo da cozinha, comentou a rir-se – a miúda é mais rápida que tu.
- Olha, engravidas-te a Thaís? – perguntou-lhe o Marco e acabei por me aproximar do meu marido – Olha, voltaste?
- Cala-te. E tu responde ao teu amigo, Mario – virei-me para o Mario que nos olhava com cara de caso.
- Adorava dizer-vos que sim…mas ela não está grávida.
- Mas está estranha!
- Quem está estranha, Marco? – uau…agora aparece ela!
- A minha cunhada.
- Mas tu só tens irmãs… – ela olhou à volta, cruzando os braços.
- És tu, Thaís – disse-lhe.
- Ah, pois. Eu.
- Ok, estás mesmo estranha – o Marco, depois de expressar o que os dois pensamos, pegou num croissant em ponto pequeno que ali estava, começando a comer. Não o comeu todo, obviamente que lho roubei.
- Não comes nada, Tha? – perguntou-lhe o Mario.
- Sim – esperamos que ela fosse comer qualquer coisa mas não o fez – Se calhar não. Eu já comi.
Ou ela está grávida ou com o princípio de uma gripe qualquer! A Thaís está estranha, parece que não anda cá, que não quer saber de nada. Parece mesmo que está em choque depois de perceber que está grávida. Eu faço uma festa se for realidade!

(Thaís)

- Tha, acho que precisamos de falar – agarrou a minha mão e levou-me para perto da piscina – está tudo bem? Sinto-te estranha e distante.
- Está, é só que…         
- Estás grávida? – perguntou de rajada, interrompendo-me.
- Não! Quer dizer não sei…, estou com um atraso de duas semanas mas talvez seja só o stress.
- O stress? Como assim o stress? Tu provavelmente estás grávida. Explicaria isso tudo – apontou para o meu corpo e olhei-me, tentando perceber ao que se referia.
- Que “isso tudo”? Estou mais gorda?
- Não! Pelo contrário, perdeste bastante peso desde a última vez que estivemos juntas.
- Stress, Halle. Acabei o curso, tenho uma proposta para entrar num videoclip e vou-me mudar para Munique. São muitas coisas juntas.
- Não me parece que seja só isso.
- O que é que queres dizer com isso?
- Amanhã – agarrou as minhas mãos e olhou-me séria – amanhã vamos fazer exames ao hospital para vermos se estás grávida ou não. E nem penses em tocar em álcool o resto da noite.




- Não precisas de ter medo, Thaís – agarrou uma das minhas mãos e apertou-a – eu estou aqui e sempre estarei.
- Eu sei Halle e obrigada por isso mas é impossível não estar agitada.
- Se tu achas que não estás grávida, não é preciso ficares nervosa.
- Não podia ter feito antes um teste da farmácia? Já tinha dado negativo e eu estava calma.
- Não. Esses testes não são totalmente fiáveis, são muito influenciados por medicamentos que possas andar a tomar.
- Eu não ando a tomar nenhum medicamento.
- Mesmo assim – olhou para mim, desta vez com uma cara mais séria – neste caso análises são o melhor a fazer.
Não voltei a dizer mais nada até entrarmos no hospital. Estava agitada, sentia-me enjoada e não muito bem. Estar grávida era a última coisa que eu precisava neste momento.
Sentamo-nos na sala de espera e sentia a Halle bastante agitada também.
- Estás bem? – virei-me para ela e esperei uma resposta. Passou a sua mão pela barriga e olhou-me depois.
- Sim, quer dizer, mais ao menos.
- Mais ao menos?
- Sim, só ficarei mesmo bem quando a Layla te fizer as análises.
- Olá! – uma rapariga loira, de olhos bastante claros estava à nossa frente, aquela deveria ser a Layla – vi a tua mensagem Halle, está tudo bem?
- Sim, quer dizer, não sei – levantou-se e cumprimentou a rapariga para depois olhar para mim – a Thaís pode estar grávida e eu achei melhor vir aqui, em vez de fazer um teste.
- E achaste muito bem – levantei-me e fiquei junto delas – eu sou a Layla.
- E eu a Thaís – cumprimentei-a com dois beijinhos e tentei sorrir mas estava demasiado nervosa para tal.
- Vens comigo e vamos fazer umas análises – assenti com a cabeça enquanto ela me olhava – e não fiques nervosa, vai correr tudo bem – garantiu-me.


- Nunca gostei de esperar – falei perante aquele silêncio perturbador.
- Tha, aconteça o que acontecer eu vou estar aqui, sim?
- Eu sei Halle.
- Não tenhas medo. Eu sei que isto nunca esteve nas tuas perspetivas para o futuro mas também sei que agora é diferente porque tens o Mario – desviei o meu olhar do seu - Thaís? Está tudo bem? Essa tua reação não foi normal.
- Halle, se eu estiver grávida, não sei se vou levar a gravidez até ao fim – disse o que sentia, não lhe poderia mentir.
- O que é que estás para aí a dizer, Thaís?
- Estou a dizer que não me sinto preparada para ter um filho nem quero. Eu não sou como tu, eu não fui feita para ser mãe. Se eu por a caso estiver grávida não irá ser por muito tempo.
- Thaís!
- Thaís, nada! Eu só te estou a dizer a verdade. Só te estou a dizer o que sinto. Eu sei que a criança não tem culpa mas eu nunca me iria sentir bem ao ser mãe contrariada – olhava-me séria, percebi que a tinha surpreendido e não pela positiva – e não me olhes assim por favor, a última coisa que eu preciso agora é de ti a olhares-me assim, como se eu fosse um caso perdido.
- Eu só não esperava isto… - sentou-se direita na cadeira e cruzou as mãos – andas demasiado…diferente.
Olhei em frente e reparei que a Layla vinha na nossa direção.
- Podes vir comigo Thaís? – levantei-me e assenti com a cabeça, a Halle também se levantou e a Layla olhou para ela de forma estranha – eu preferia falar a sós com a Thaís, Halle. Não te importas?
- Não, claro que não. Vai lá, Thaís – agarrou uma última vez na minha mão e apertou-ma sorrindo-me.
Caminhei ao lado da Layla, seguindo-a até ao consultório.
- Podes-te sentar – falou apontando para a cadeira em frente à sua secretária. Assim o fiz e fiquei a olhá-la por algum tempo.
- Já tem os resultados das análises? – perguntei impaciente.
- Sim e podes-me tratar por tu, Thaís.
- Então não me faças esperar mais tempo, por favor.
- Não estás grávida Thaís, podes ficar descansada – senti um peso a sair-me de cima. Olhei para ela que estava com uma cara diferente, estava séria.
- Passa-se mais alguma coisa? – perguntei perante a sua expressão e o silêncio.
- Temo que sim, espero que me possas esclarecer quanto a algumas coisas – olhei-a preocupada, aquela conversa começava a ser aterradora – o teu ciclo menstrual foi afetado por um desequilíbrio hormonal bastante forte e foi por isso que deixaste de ser menstruada – ouvia-a atentamente e esperava pelo desenvolvimento daquilo tudo – a causa desse desequilíbrio hormonal é que me preocupa.
- Tens alguma ideia do que possa ser?
- Estás com muito pouco peso para a altura que tens, a Halle disse-me que emagreceste imenso nos últimos tempos.
- E o que é que isso tem a ver?
- Eu não posso confirmar-te um diagnóstico, Thaís. Tu tens de ser vista por um psiquiatra e fazer mais exames mas…é bastante provável que tu tenhas anorexia.


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Olá, olá!
Cheguei! Com um capítulo que espero que gostem e vos tenha surpreendido!
Opiniões! Eu preciso das vossas opiniões! Gostaram? Odiaram? Alguém me quer matar? Façam-se ouvir, reclamem se for preciso! Estou aqui para ler as vossas opiniões.
Ah, e não tive mão na parte da Halle, por isso muito obrigada Ana Patrícia!
Tenham um ótimo domingo,
Beijinhos
Mahina 

3 comentários:

  1. Anorexia? God, isso explica tudo...
    Credo, espero que não seja algo muito grave, espero que ela esteja no início da anorexia.
    Agora todos terão de ter muita força para ultrapassar isto e ajudar a Thaís...
    Que tudo corra bem...
    Adorei e estou ansiosa por mais...
    Besitos
    Rita B.

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  2. Olá

    Adoreiii ! Anorexia não é nada bom , mas se for isso ela vai curar-se e ficar boa, tem muita gente que gosta dela e agora quero o próximo , pois fiquei muito curiosa :)


    Beijinhos

    Catarina

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  3. Anorexiaaa? Nada bom mesmoo
    Mas ela tem quem a ajude e quem goste dela, vao ajuda la de certeza a repurar e a ficar forte. :)

    Comecei uma fic nova, gostava que visses, comentasses e se pudesses divulgar.
    A tua fic está nas que recomendo.

    http://aculpaedoamorr.blogspot.pt/


    Beijooo

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