terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

35º Capitulo - « Thaís, não me provoques! »

Bati à porta esperando que mais tarde ou mais cedo alguém se dignasse a abrir-ma.
- Thaís? – a Halle abriu-me a porta e parecia surpreendida.
- Eu sei – caminhei para o interior do quarto e sentei-me no fundo da cama onde o Marco já estava deitado – eu sei que vocês deviam estar a ter uma noite de núpcias mas…
- Mas? – perguntou o Marco esperando que eu continuasse o meu raciocínio.
- O Mario não me parou de me chatear desde que nos deitámos. – esclareci.
- Oh Tha! – a Halle fez sinal para eu me deitar junto dela. No meio dos dois – o que é que se passa?
- Ele levou demasiado a sério a minha brincadeira no casamento.
- A de estares grávida?
- Sim. Desde que nos deitámos na mesma cama que ele só fala em ter bebés.
- Ele quer ter filhos contigo, Thaís. É normal – explicou o Marco – ele gosta tanto de ti. Eu conheço o Mario há muito tempo. Ele tem medo de te perder, sabes?
- Eu não vou fugir dele, juro que não.
- Acabaste de o fazer Thaís, deixaste-o sozinho no quarto! – alertou-me a Halle.
- Começo a sentir-me pressionada. – movimentei-me na cama e fiquei a olhar para a barriga da Halle. Custava-me a crer que ela estava mesmo grávida. Fiz alguns círculos com o meu dedo indicador sobre a sua barriga.
- Já estás a tentar ganhar empatia com o nosso bebé? – encolhi os ombros perante aquela pergunta do Marco.
- Não te começas a sentir pressionada, Thaís. Começas é a sentir-te tentada.
- Sabes bem que eu…
- Sei, sei – interrompeu a Halle – filhos nunca na tua vida mas isso era antes de conheceres o Mario.
- Imagina que nascem com a parvoíce dele?
- Já começas a fazer suposições. Para quem diz que não quer ter filhos…
- Oh Marco, cala-te! – peguei na almofada que estava ali perto e atirei-a contra ele – onde vão passar a lua-de-mel?
- Ora, passamos mais uns dias aqui em Santorini, depois vamos para Veneza e não sabemos ainda se vamos Punta Cana.
- Sim senhora! Vocês estão com vontade de correr o mundo. Quando forem a Veneza vejam lá se encontram o filho que eu fiz a um italiano há uns anos.
- És tão parva! Põe-te com essas coisas que o Marco acredita! – falou a Halle dando-me um encontrão.
Ouvimos a porta bater. Virei-me de barriga para baixo e deixei a minha cabeça cair sobre a almofada.
- Eu não estou cá! – disse-lhes.
- Eu vou abrir a porta – a Halle levantou-se e ouvi a porta a abrir.
- Oh Tha! – ouvi a voz do Mario e não me mexi.
- Veio interromper a nossa noite de núpcias, a tua mulher! – atirou o Marco.
- Namorada! – avisei sem nunca olhar para eles.
- Ela tem razão, vocês não precisam de noite de núpcias. Já fizeram um bebé!
Retirei a minha cabeça da almofada e virei-me, sentando-me depois virada para eles.
- Estás com uma cara de sono. – disse o Mario.
- Não me deixaste dormir!
- Estás a difamar…
- Não estou não…
- Nós vamos ali – anunciou a Halle levantando-se.
- Onde é ali? – perguntou o Marco confuso.
- É ali! – pegou na mão dele e foram até à varanda.
O Mario sentou-se ao pé de mim. Coloquei as minhas pernas por cima das suas e cheguei-me mais perto dele.
- Desculpa ter saído do quarto. Conversa de filhos ainda me baralha.
- Eu sei. A culpa também foi minha. Ando muito entusiasmado com este assunto.
- Já podem vir! – avisei-os.
Saíram os dois da varanda e sentaram-se junto a nós na cama.
- Eu e o Marco tivemos uma ideia!
- Que ideia?
- Vamos casar-vos!
- Apanhaste vento a mais lá fora, não? – perguntei.
- Oh anda lá, Thaís! Lembraste bem que nós quando éramos mais novas tínhamos o sonho de casar juntas.
- Isto não tem jeito nenhum. Vocês devem ter bebido uns copos a mais. – declarei.
- Andá lá, o Mario quer! E tu também.
- Boa! Quem é o padre? – perguntei aventurando-me naquela brincadeira.
- O Marco!
- Ui, tem tanto de padre como eu de freira.
- Não é para tratar mal o padre que vos vai casar, menina Thaís! E respondendo à sua pergunta de há umas horas atrás: não tem mal nenhum estar grávida e não estar casada.
- É pena eu não estar grávida.
- Vamos lá! – incentivou a Halle.
- Thaís Götze…
- Não! – interrompeu a Halle – ela ainda não tem o nome do Mario!
- Ah pronto – rimo-nos todos, para depois o Marco continuar – Thaís Baden, aceita Mario Götze por seu esposo e promete ser-lhe fiel, amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da vossa vida?
- Calma lá que ele decorou isto tudo! – brinquei.
- Responde!
- Aceito.
- Agora repete o que eu disse mas pegas na mão do Mario!
- Oh Marco! Que cena foleira.
- Agora! – barafustou, pegou num pequeno papel e deu-me.
- Então mas tu tens isto escrito?
- Não faças perguntas e diz o que é para dizer!
- Pronto, pronto – peguei na mão do Mario para depois me rir.
- Thaís! Isto é sério.
- Desculpa – pedi para depois continuar – Eu Thaís, recebo-te a ti Mario, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-se, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
O Mario encostou a sua testa à minha e quando ia juntar os seus lábios aos meus ouvimos o Marco a barafustar.
- Não se podem beijar ainda!
- Pronto, agora sou eu – o Mario agarrou a minha mão e olhou-me – Eu Mario, recebo-te a ti Thaís, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nos dias de mau humor e nos de êxtase, nas dores e nas alergias, todos os dias da nossa vida.
- Podem-se beijar!
Aproximei a minha face da do Mario para depois a afastar rapidamente.
- Acham mesmo que íamos fazer isso à vossa frente? – perguntei.
- Como se fosse a primeira vez! – o Marco falou olhando depois para a Halle assustado – olha, está a chorar!
- Halle! Casámos no mesmo dia! – disse animada.
- Não literalmente – disse limpando algumas das lágrimas que lhe escorriam pelo rosto – são cinco e meia da manhã. Nós casámos ontem, vocês casaram hoje.
- Podemos fingir que foi no mesmo dia.
- Onde vai ser a vossa lua-de-mel?
- Já está programada há algum tempo – disse o Mario – amanhã vamos para Montenegro e depois Ibiza.
- E temos que ir a Formentera.
- Encontramo-nos em Ibiza – disse o Marco.
- Não, não! Eu vou tirar férias de ti, Marco. Não é para ires lá ter.
- Mas a Halle faz anos dia doze de agosto!
- Escusas de ir lá porque nessa altura já devemos cá estar.
- Muito bem! – falou o Mario – vão dormir que nós temos que ir fazer uma coisa.
- Temos? – perguntei surpreendida. Assentiu com a cabeça e levantou-se – só vou ao colo, agora. – informei.
Levantei-me para depois «saltar» para o colo do Mario. Coloquei as minhas pernas em torno da sua cintura e rodeei o seu pescoço com os meus braços. Deixei cair por fim a minha cabeça sobre o seu ombro, estava verdadeiramente cansada.
- Halle, dá-me aquela manta, por favor – pediu o Mario, agarrando depois nela e colocando-a com alguma dificuldade nas minhas costas, cobrindo-as.
- O que é que vocês vão fazer? – perguntou o Marco.
- Deves ter muito a ver com isso! – respondeu o Mario na brincadeira – durmam bem, aproveitem a vossa noite de núpcias. Halle abre-me a porta, por favor.
- Não adormeças aí, Thaís – disse a Halle tocando-me ao de leve no nariz. Abriu a porta e o Mario começou a caminhar.
- Para onde vamos? – perguntei curiosa.
- Ver algo magnífica.
- Está bem – passei as minhas unhas ao de leve pelo pescoço do Mario e beijei a sua pele quente.
- Thaís, não me provoques!
- Mario…estou só a dar beijinhos.
- Nesse sítio não estás só a dar beijinhos, estás a tirar-me do sério.
- Desculpa – pedi, dando-lhe outro beijo no pescoço.
- Oh Thaís!
- Sabes bem que eu só me sei redimir com beijinhos.
Saímos do hotel e o Mario começou a caminhar em direção à praia.
- O que é que vamos ver à praia?
- Uma coisa bonita.
- A que horas é o voo amanhã?
- É de tarde.
- Dá para passar a manhã com eles?
- Sim – parou no meio da areia – vou-te largar – avisou.
Coloquei os meus pés no chão e compus a manta. Estava frio àquela hora da manhã.
O Mario sentou-se na areia e fez-me sinal para eu me sentar no meio das suas pernas.
- Não sei como não tens frio – observei. Retirei a manta das minhas costas e dei-lhe para ele colocar nas suas – tu abraças-me e assim não temos frio.
- Vês? – perguntou, apontando para o nascer do sol que ia aparecendo – o nascer do sol é magnífico, não é?
- É. E ainda é mais magnífico vê-lo aqui contigo. – entrelacei as nossas mãos e senti os seus lábios na minha bochecha – obrigada por teres entrado na minha vida.
- Obrigada também por teres entrado na minha.




- Dormiram de noite, pelo menos? – a Halle colocou o seu braço em torno dos meus ombros e beijou-me em seguida a bochecha.
- Sabes bem que não. – caminhamos em direção à mesa onde já estavam os nossos familiares, entre outros – depois do nosso casamento fictício já ninguém dormiu.
- Estiveram a fazer amor? – perguntou sorrindo.
- Não Halle, ninguém esteve a fazer amor.
- Tens a certeza? – assenti com a cabeça enquanto me olhava séria – ou isso é só a tua paranoia de não chamar amor a nada e chamar sexo a tudo?
- A falar de sexo logo pela manhã? – a Evelyn apareceu atrás de nós e falou toda animada.
- Não, estávamos a falar de amor, Evelyn. – esclareceu a Halle.
- E não é tudo a mesma coisa?
- Não! Claro que não é tudo a mesma coisa!
- É sim, Halle. Não há sexo sem amor nem amor sem sexo.
- Concordo na parte de não haver amor sem sexo – falei encaminhando-me para junto do Mario que já estava sentado - isso é como o Mario sem mim, não resulta.
- Ui, que ela acordou romântica! – disse o Marco.
- Foi a noite, que foi boa – disse-lhe em tom de gozo.
- Só que não – completou o Mario.
- O que é que fizeram de noite? – a Halle deu uma trinca numa torrada e depois olhou-nos esperando uma resposta.
- Ora, jogámos a pedra, papel ou tesoura…
- Pintei as unhas à Thaís… - completou o Mario.
- E fizeram bolos, aposto! – atirou o Marco levando a Halle a rir.
- Não fizemos bolos, não. Falámos muito sobre o nosso futuro – disse o Mario – vamos viver juntos em Munique, depois das férias.
- Vai ser complicado habituarmo-nos a vida a dois. Dia sim, dia não vamos estar chateados, aposto!
- Não agoires, Thaís! – o Mario deu-me um encontrão – falamos da nossa futura vida a dois como se fosse algo assustador e terrível.
- Não é Mario, mas vai ser complicado – assustei-me com o toque do meu telemóvel, levantei-me da mesa no fim de pedir licença e encaminhei-me para um lugar mais isolado.
- Thaís?
- Oh, olá Dennis!
- Como andas, miúda?
- Bem! – olhei para o mar, fiquei ali com o meu olhar preso. Como era bonita a vista lá de cima – e tu?
- Estou bem, sim. Deves perguntar-te o porquê deste telefonema.
- Sim…
- Tenho uma proposta para ti! – disse animado.
- Para mim?
- Sim. Fui convidado para dirigir um videoclipe. Tenho que escolher os bailarinos e em vez de andar aí a fazer castings sozinho pensei: o melhor é convidar a Thaís para minha bailarina número um e ela ajuda-me depois a fazer os castings. O que me dizes…?
- Digo que…aceito! Claro que aceito!
- Sem pensar? Sem ponderar? Esta sim, é a Thaís que eu conheço!
- Achas que é preciso pensar? Isto é uma oportunidade única!
- Ainda bem que pensas assim!
- E detalhes?
- Só para o final do verão. Falamos melhor nessa altura e eu dou-te todas as informações necessárias.
- Obrigada por te lembrares de mim, Dennis.
- Obrigado, eu, por aceitares. Aproveita as férias. Estás por cá?
- Não. Neste preciso momento estou em Santorini.
- E pensas passar por aqui nos próximos dias?
- Não era suposto mas acho que preciso de resolver umas coisas aí por Dortmund.
- Vê lá se te lembras de me vir ver.
- Prometo que se tiver tempo, o farei.
- Então, até um dia destes.
- Até um dia destes. – repeti desligando a chamada em seguida.
Caminhei lentamente até à mesa e voltei a sentar-me junto deles.
- Que sorriso é esse? – perguntou a Halle.
- Um sorriso de quem teve uma proposta espetacular e que aceitou claro…mas, antes de mais tenho um pedido a fazer-te, Mario.
- Diz-me lá. – colocou o seu braço em torno dos meus ombros e encostou os seus lábios à minha testa.
- Precisamos de um desvio na rota…preciso de ir a Dortmund. Tenho coisas a resolver antes de partir para o nosso devido descanso.




- Eles adoraram-te, Thaís – disse a Martha. Tinha sido a minha coordenadora de estágio e tinha-me ajudado imenso.
- É bom saber isso!
- Sabes o que é que acrescentaram no relatório do estágio que me mandaram?
- O quê? – perguntei curiosa.
- Que tinhas grandes probabilidades de ficar lá se quisesses. Eles gostaram mesmo de ti, principalmente a Solange.
- Obrigada Martha, muito obrigada mesmo.
- E aqui estás tu, uma fisioterapeuta pronta a exercer a profissão.
- Isto é…um sonho tornado realidade.
- O que pensas fazer a seguir? – começamos a andar para o exterior da faculdade.
- Quero começar pelas minhas férias e depois tentar ficar no centro em Munique. Já é um princípio eles terem gostado de mim, não é verdade?
- Sim é. – olhei em volta, iria sentir saudades daquele lugar – vi-te na televisão e…nas revistas.
Comecei a rir-me juntamente com ela. Já não era a primeira a dizer-me aquilo.
- Hum, interessante. Pelo menos estava favorecida?
- Sim! Dizem que a televisão faz as pessoas mas é mentira, mas tu também estás mais magra.
- Foi destas últimas semanas, foram muitas viagens, muitas complicações. Mal tive tempo para comer.
- Acredito, mas tens que te alimentar.
- Sim, minha quarta ou quinta mãe. – brinquei, levando-a a rir.
- Está na minha hora. Ainda tenho que fazer umas coisas por aqui antes de me ir embora.
- Espero ver-te por aí.
- Sim, havemo-nos de ver ainda por aí.
Despedi-me dela para depois encaminhar-me para o parque de estacionamento.
- Oh Thaís Götze! – ouvi aquela voz e virei-me imediatamente para trás.
- Luke! – falei animada – Luna! – reparei que estavam de mãos dadas o que me levou a sorrir. O que está destinado a acontecer acontece, e parece que no caso deles foi fácil a união.
- Pensei que agora que és famosa te tinhas esquecido de nós. – disse a Luna em tom de gozo.
- Nunca! Eu nunca faria isso. Além disso não sou famosa, apenas sou reconhecida na rua pelas fãs do meu namorado – olhei mais uma vez para as mãos deles que estavam entrelaçadas, estava feliz de saber que eles também o estavam – e o que é que vieram aqui fazer?
- O mesmo que tu provavelmente! - o Luke deu-me uma chapada no braço o que me levou a queixar – estás mais magra! Isso é o teu namorado que não te anda a alimentar como deve ser, ou é o quê?
- Acho que tem sido mais a falta de tempo para comer. – olhei para o relógio que marcava cinco da tarde – eu tenho mesmo que me ir embora, adorava continuar aqui a falar com vocês que são uns amores mas tenho que ir.
- Porta-te bem, Thaís – disse a Luna, dando-me um beijo na bochecha – e come!
- Come mas comida não é o Mario! – brincou o Luke. Comecei a encaminhar-me novamente na minha direção até ouvi-lo novamente - Thaís? – olhei para trás – We are the champions!
Ri-me tal e qual como eles e continuei a caminhar. Parei em frente do meu carro. Olhei para o lado e vi que alguém saía do carro, podia ter ignorado porque poderia ser qualquer pessoa…mas não era.
- Alicia? – chamei, ciente do rumo que aquela conversa podia levar.
- Thaís…eu acho que é melhor nós não…
- Espera, deixa-me falar – assentiu com a cabeça e eu continuei – só preciso que me respondas a uma pergunta com sinceridade.
- Diz.
- Estás arrependida?
Baixou o olhar e passou alguns segundos a olhar para os seus pés. Quando levantou a cabeça, vi-lhe as lágrimas que escorriam pela sua face e não hesitei em chegar perto dela. Abracei-a, esquecendo o passado. Abracei-a, apagando as imagens daquele beijo da minha cabeça. Abracei-a porque sei que todos cometemos erros e nem sempre temos coragem de os admitir. Abracei-a porque acredito que não o fez por mal, fê-lo porque precisava de amor como qualquer um de nós, que somos independentes desse veneno.
- Muito Thaís – disse entre soluços – estou mesmo muito arrependida. Não sei o que me passou pela cabeça…ou se calhar até sei – largou-me e olhou-me, limpando as lágrimas em seguida – foi a falta de afeto e a ambição de querer sempre mais. Foi a minha mania de querer sempre o que os outros têm e de nunca me contentar com o que possuo. Peço-te perdão por isso e por até agora nunca ter tido a coragem de falar contigo e de me tentar redimir.
- Está tudo bem, Alicia. Todos cometemos erros, uns mais graves que outros, mas todos temos a tendência a errar porque ninguém é perfeito.
- Não te entendo, Thaís. No teu lugar não sei se alguma vez me perdoaria. Como é que consegues ser tão boa pessoa?
- Eu não sou assim tão boa pessoa. Só que…eu sei que todos cometemos erros e que temos que saber perdoar porque um dia me vai calhar a mim. Um dia também eu vou errar e vou precisar desse perdão. E espero que nessa altura alguém mo dê.
- Desculpa mais uma vez – disse cabisbaixo.
- Estás desculpada. Só não peças uma coisa, que é voltar a confiar em ti como dantes. Sim, eu perdoei-te mas há coisas que nunca voltam ao seu devido lugar e a confiança é uma delas. Eu confiei em ti, eu tomei-te por minha amiga e depois tu traíste a minha confiança. Vai ser complicado esquecer mas perdoada, tu estás.
- Obrigada por isso.
Sorri-lhe e entrei finalmente no carro.
Peguei no telemóvel e liguei para o Mario.
- Já fiz a minha boa ação do dia – disse assim que atendeu.
- Ajudaste a tua avó a atravessar a passadeira?
- Não! Liguei ao David a perguntar se ele estava bem.
- E ele está bem?
- Está ótimo. Deu-me mais uma vez os parabéns e disse que nos tínhamos que encontrar nestas férias.
- E o que é que tu lhe dissestes?
- Que não dava porque íamos para um retiro espiritual.
- Um retiro espiritual? Não te lembraste de nada mais convincente?
- Ele acreditou. E tu…?
­- Eu o quê?
- Já trataste das coisas que tinhas a tratar na faculdade?
- Sim, e fiz a boa ação do mês.
- Que foi?
- Perdoei a Alicia.
- Ui…
- Achas que fiz o correto?
- Isso nem se põe em causa, claro que fizeste o correto. Só não entendo como o conseguiste fazer.
- Sabes que agora eu sou uma boa pessoa! – brinquei, levando-o a rir – bem, agora a sério. Antes de irmos de férias e de ir viver para Munique queria resolver as coisas com ela. Não gosto de estar chateada com as pessoas.
- Sim, eu sei. É por isso que não consegues estar chateada comigo muito tempo.
- Isso é outra conversa. Dormimos em casa da tua mãe ou da minha?
- Dormimos aqui, que dormir em tua casa não é boa ideia.
- Deixa-me adivinhar, tens medo do meu pai!
- Não é bem medo mas não me sinto muito confortável lá.
- Está bem, então. Já vou aí ter contigo.
- Amo-te.
- Eu também te amo, sweetheart.
Desliguei a chamada e pousei o telemóvel.
Finalmente estava tudo bem. Já não havia mais nada a atormentar-nos. Podíamos finalmente começar a disfrutar da nossa vida a dois. Sem complicações. Sem tormentos. Apenas com amor.


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Boa tarde!
Ainda não muito segura deste capítulo mas aqui está ele.
É um capítulo muito calmo mas eu prometo que está para chegar o ponto alto.
Espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina

4 comentários:

  1. Oi
    Adorei <3
    Está perfect (como sempre)
    Fico à espera de mais... Por favor...
    Beijinhos,
    Rita Bonito

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  2. Olá!
    Eu não consigo desfrutar a sério destes capítulos porque estou sempre à espera que algo mau aconteça e estrague esta perfeição toda! E pelos vistos esse momento está para breve, porque esse tal "momento alto" cheira-me a reviravolta!
    Na indo a este cap.
    Então foi mesmo a Thais a "fingir-se grávida". Mas desconfio que esse bebé não está para chegar, não vai haver baby boom.
    E esta proposta que a Thais recebeu...não sei mas tenho o pressentimento que vai dar confusão.
    Espero para ver!

    Beso
    Ana Santos

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