sexta-feira, 21 de novembro de 2014

32º Capitulo - « Sentes o vento? »

- Boa, acho que me perdi!
- A sério Thaís? Ao tempo que já estás aí devias conhecer isso de cor.
- Um mês – falei encostando o carro – já estou aqui há um mês e parece que foi ontem que vim para cá.
- O próximo sábado o teu namorado vai ficar bêbedo e tu é que o vais aturar!
- Halle, não me assustes. Eu vou fugir para Dortmund sábado. – acedi ao GPS, via-me mesmo perdida neste sítio – ai que eu perdi-me mesmo.
- Espera lá, tu estás com que carro?
- O do Mario.
- Ele deixou?
- Claro. Hoje eu precisava de tratar de umas coisas, levei o Mario aos treinos, depois fui tratar de uns papéis do estágio e depois fui para o centro. Agora…bem, agora era suposto ir buscar o Mario.
- Ai, que vocês estão a ficar tão fofinhos e normais!
- Ah, boa já sei onde estou.
- E agora vais buscar o Mario?
- Vou.
- Como se vão buscar os filhos ao infantário?
- Hum, sim. É uma boa comparação.
Ela riu-se e eu também. Pousei o telemóvel novamente no banco e segui o meu caminho até ao centro de treinos.
- Thaís…posso-te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Se eu e o Marco…não sei…decidíssemos dar um passo na nossa relação, não achavas repentino?
- Vocês têm uma relação? – brinquei.
- Oh Tha, o assunto é sério.
- Eu sei mas ouve, vocês é que sabem, não é? Ninguém tem nada a ver com a vossa vida.
- Mas não achas que é muito rápido…?
- E tu estás mesmo a falar de quê?
- Casar, ter filhos não sei! Avançar com isto, eu nem sei…
- Acho bem! A natalidade é baixa, podem contribuir, vocês.
- A falar a sério, agora.
- Espera – tinha chegado ao centro de treinos, teria que entrar na garagem. Boa, o que é que eu vou dizer? Sou namorada do Mario e o segurança podem nem acreditar! – Sou…
- Eu sei, pode entrar menina Thaís.
- Obrigada – agradeci ainda um pouco espantada com o que tinha acontecido – ele chamou-me menina Thaís!
- És famosa, minha cara.
- Mais famosa és tu! Agora até vais casar com o Marco e tudo.
- Nós não vamos casar.
- Não?
- Não sei. Estou confusa. Ele anda com conversas demasiado estranhas...mas gora tenho um pedido muito sério.
- Diz lá.
- Se eu alguma vez casar, aceitas ser a minha madrinha?
- Isso implica depois dar-te uma prenda?
- Acho que sim.
- Então não quero. Se é para gastar dinheiro, pelo menos que seja com uma coisa decente. Agora o teu casamento e o desse não merece que eu gaste o meu dinheiro.
- Agora, fala a sério.
- Claro que aceito! Só não me ponho aqui a chorar de emoção porque o Mario está a caminhar na minha direção. E depois iria perguntar o que é que eu fiz ao carro dele para estar a chorar.
- A vossa relação, sem exagero, é das coisas mais bonitas que eu já vi, sabes?
- Não sabia, não. – o Mario abriu a minha porta. Eu não iria sair dali eu não vou sair daqui, se queres vais no lado de pendura, se não queres podes sempre ir atrás ou apanhar boleia do Alaba.
- Tão querida! – voltou a fechar a porta, deu a volta ao carro e sentou-se. Agarrou o meu pescoço com as suas mãos para me beijar depois.
- Ai que horror! Estou a ouvir os vossos beijos!
- Olá Halle! – o Mario falou com o sorriso enorme nos lábios – até te confesso uma coisa, estou cheio de saudades tuas, já não te vejo há tanto tempo.
- Eu não tenho saudades tuas, aqui os dias sem Mario Götze, têm sido maravilhosos.
- Já esperava essa resposta vinda de ti. Ouvi dizer que ias casar!
- Eu não vou casar…
- Vais sim. O Marco disse que queria casar contigo.
- Ele a mim não me disse nada disso.
- Ele é tímido, H.
- Não me chames H, Mario! E o Marco não é nada tímido!
- Lá na vossa intima é capaz de não ser mas na vida social, ele é muito tímido.
- Ele não tem vida social! – atirei, intervindo a primeira vez na conversa daqueles dois.
- Se ele se casar começa a ter vida social.
- Parem de falar assim do Marco! Ele tem vida social. É o meu Marco, o meu boneco, o meu amor, a minha vida…
- Ai, que bonito!
- E é! Ele deve estar quase a chegar e eu tenho que ir arrumar a cozinha.
- Vocês também…podiam muito bem ter ido para o quarto mas não, foram logo para a cozinha. Agora tens que arrumar tudo.
- A cozinha fica mais perto da porta de entrada, Mario, sabes como é…
- E vocês importam-se de parar de falar na minha vida intima? Eu tenho que ir arrumar a cozinha. Beijinhos.
- Beijo – dissemos ao mesmo tempo. Sorrimos um para o outro, e calhar éramos mesmo fofos, tal como a Halle dizia.
- Tive saudades tuas – voltou a agarrar o meu pescoço e desta vez encostou a sua testa à minha.
- Estás a ficar demasiado lamechas, Mario Götze.
- És tão linda! – falou beijando-me de seguida.
- Daqui a uns dias interno-te – disse interrompendo aquele beijo – vamos para casa?
- Eu até sou fofo.
- Não és não. – coloquei a minha mão na sua perna enquanto me dirigia para fora da garagem – porque é que o segurança sabe o meu nome?
- Não tenho nada a ver com isso. Vai falar com o Alaba.
- Aquele rapaz é mesmo… - detive-me quando vi o cenário cá fora, gente. Muita gente. Raparigas. Muitas raparigas. – oh meu Deus!
- Elas não te comem. – falou rindo.
- Mas comiam-te a ti, se eu deixasse!
Começou a rir-se que nem um doido. Olhei para ele com cara séria, enquanto ele se ria.
- A minha namorada deixa-me dar autógrafos às meninas?
- Deixo. Mas só autógrafos. – falei fazendo cara de má.
Abriu o vidro dele enquanto eu deixei o meu fechado.
Os minutos seguintes foram bastante secantes. O Mario a escrever o nome dele em cadernos, camisolas e bolas de futebol.
- Thaís? – chamou, despertando-me. Estava a jogar um jogo no telemóvel. Olhei para ele. – há aqui uma menina que quer fazer-te uma pergunta – oh Deus! – vai daquele lado que já falas com ela – o Mario falou para a rapariga que veio ter comigo.
Abri o vidro e ela olhou-me com um sorriso nos lábios. Não esperava isto de todo.
- És mesmo bonita! E és mais bonita ao vivo – fiquei perplexa a olhá-la. Eram demasiados elogios num dia – és modelo Thaís?
- Não! – tentei esconder a minha surpresa em tudo o que ela dizia mas acho que não fui capaz – eu estou no ultimo ano de fisioterapia.
- Que bonito! Depois podes cuidar do Mario. – foi impossível não sorrir.
- É mais ao menos isso. Como é que te chamas?
- Martha. – falou sorrindo-me – posso fazer outra pergunta?
- Faz as perguntas que quiseres, querida. Desde que eu te consiga ou possa responder.
- Conheces o Mario há muito tempo?
- Há uns sete meses, por aí.
- E vives cá, és de Munique?
- Não, eu sou de Dortmund mas estou cá agora.
- Por causa do Mario?
- É mais ao menos isso. – o Mario colocou a sua mão na minha perna, olhei para ele.
- Vamos? – perguntou.
- Sim, adeus Martha.
- Adeus Thaís e obrigada.
- De nada querida. – fechei os vidros para começar o nosso caminho até casa – tão querida a miúda.
- Para quem estava com medo que me comessem…ela ligou-te mais a ti que a mim!
- Não sejas ciumento. Achei-a mesmo querida.
- Eu disse-te que as minhas fãs não assustavam assim tanto.



Ultimo jogo da Bundesliga significa: entrega da taça ao Bayern de Munique e significa ainda aturar o Mario com os copos a mais ao fim da noite. O que é que poderá correr mal?

- Thaís, vamos? – perguntou o Mario entrando pelo quarto.
- Vamos sim – respondi pegando na minha mala – tenho mesmo que ir? – coloquei as minhas mãos em torno do seu pescoço.
- Tens, até porque eu sei que hoje gritas: Força Bayern!
- Tu nem vais estar a jogar! – o Mario não tinha sido convocado para o último jogo, iria estar comigo na bancada – mas eu vou, claro que vou! Principalmente para ver se não abusas, menino Mario.
- Isto só acontece uma vez por ano! Há que festejar.
- Sim, claro. Festejar…com cerveja, muita cerveja. Vais dormir para o sofá hoje, tenho essa ligeira sensação.
- Não me farias uma coisa dessas!
- Não me testes.
Agarrou a minha mão e começámos a caminhar para o exterior da casa.
- Eu vou-me portar bem.
- Hum-hum, e eu vou prestar atenção ao jogo! – ironizei.


- Seca, seca, seca. – falei encostando a minha cabeça ao ombro do Mario – o Moritz está a jogar, não está?
- Sim.
- Bem me parecia.
Tinha acabado a segunda parte, estávamos no intervalo. Peguei no telemóvel e iniciei chamada para a Halle.
- Estou a apanhar uma seca descomunal. – falei logo que ela atendeu.
- Eu não, sempre gostei deste estádio.
- Nem acredito que foste para Berlim sozinha, ver um jogo que nem importância tem.
- Eu não vim sozinha…
- Olá Thaís! – eu não podia acreditar na voz que ouvia.
- Ok, o que é que tu estás aí a fazer. Barcelona, minha cara, em Barcelona é que tu devias estar.
- Não, não. A titia Evelyn veio ver o homem da vida dela.
- Ainda não tiraste essa ideia da cabeça?
- Não é nenhuma ideia! Eu gosto dele – uma voz doce, uma voz apaixonada. A coisa está mesmo a ficar séria – próximo sábado é para vires a Berlim connosco ver a final da taça e ver o Dortmund ganhar.
- O Dortmund não vai ganhar.
- Ah, foste convertida.
- Eu…
- Não acredito Thaís! – o telemóvel voltou para as mãos da Halle – esse Mario converteu-te?
- Yap, somos os dois uns traidores. Sei que amas à mesma, por isso…
- O Mario vai ficar bêbedo, manda fotos para eu me rir! – disse entusiasmada.
- Oh Halle, por favor.
- Eu quero ver, juro que quero! Dava tudo para ver as figurinhas dele.
- A Halle está a dizer que vais fazer figuras tristes e que eu devia gravar – falei para o Mario.
- Diz-lhe que eu não vou fazer figuras tristes e que o Marco já fez figuras muito más há dois anos.
- O Mario disse que não vai fazer figuras tristes e que o Marca já fez pior há dois anos.
- O Marco não é homem de fazer figuras tristes, aliás ele é homem de não fazer nada mal.
- Isso é lá com vocês e o vosso quarto.
- Ah, há uma novidade. Decidimos que vamos comprar casa os dois e sermos felizes.
- Ei, e depois eu passo as minhas noites a onde? Vejam lá se compram casa com um quarto para a Thaís.
- E para o Mario.
- Não, não que eu nunca durmo com ele.
- Pois não dormes não, devem fazer outra coisa.
- Não dormes com quem? – o Mario perguntou confuso.
- Contigo. – respondi – o Marco e a Halle vão comprar casa e serem felizes.
- Daqui a uns meses já há miúdo.
- O Mario disse que daqui a uns meses já há bebé.
- Ele que não exagere.
- O Marco quer casar com ela, ter filhinhos com ela e até fazer uma casa com ela.
- De palha de preferência para depois comerem.
- O que é que vai ser feito de palha? – perguntou a Halle.
- A vossa casa.
- Estás a chamar-me indiretamente vaca?
- Não! Que ideia é essa, Halle?
- Estás com um humor negro, ui!
- Tem que ser, daqui a pouco fico sem o meu namorado. Vai-me trocar por cerveja e por rapazes a cheirar a cerveja. Devia ter trazido companhia. O jogo vai recomeçar, vou ver se o Mario deixa de estar fixado no jogo e liga aqui mais à sua namorada – olhou-me sorrindo depois – que desde o inicio que tenho sido ignorada, falo para o meu namorado e ele nem se digna a olhar pra mim – deu-me um beijo na bochecha mordendo-me depois ligeiramente – beijo grande.
- Beijito.

- Eu vou para lá, ficas aqui? – perguntou dando-me um leve beijo na bochecha.
O jogo tinha acabado, agora iria ser festa, entrega de medalhas e da taça.
- Sim, eu fico.
- Ficas mesmo? – perguntou olhando-me.
- Sim Mario, eu fico mas anda cá. – disse-lhe puxando a camisola dele para ele se aproximar de mim. – vou ter saudades tuas. – disse colando os meus lábios aos dele.
- Ui, estás a beijar-me em público!
- Toda a gente já sabe. Porquê esconder?
Beijou-me mais uma vez, despedindo-se de mim. Começou a afastar-se rumando até aos balneários.
- Espera um bocadinho – agarrei a sua mão e puxei-o para junto de mim – vais ver o Moritz, não vais?
- Provavelmente.
- E fazias um favor, à tua namorada?
- Eu digo para ele vir ter contigo.
- Obrigada – sorri-lhe e ele começou a afastar-seMario? – chamei. Olhou para trás esperando que eu falasse – tem cuidado com a quantidade de cerveja sim?
- Eu tenho – garantiu-me.
Ficar ali a ver a festa do Bayern de Munique, o que havia de me calhar na rifa. Ontem tinha ficado ate mais tarde no centro, a noite não foi propriamente calma. Estava tão cansada que sabia muito bem que não ia aguentar a festa até ao fim.
Passado uns minutos, enquanto os jogadores já andavam a levar banhos de cerveja, senti alguém a aproximar-se, era o Moritz.
- Então? – perguntou com o seu sorriso típico nos lábios – estive com o Mario, o teu namorado assumido, não é?
- Parece que sim.
- A vida dá com cada volta, Thaís.
- Se dá! Hoje pela primeira vez vou ver o meu namorado alcoolizado.
- Fica todo fofo – olhei espantada para ele – juro-te que sim! Quando ganhámos o campeonato há dois anos, ele estava todo feliz e…alcoolizado e pela primeira vez disse: Moritz, tu és um rapaz altamente, eu adoro-te.
Foi impossível não rir.
- Ui, vou ter um namorado lamechas!
- Vais…e até vais gostar – levantou-se dando-me dois beijos – eu agora vou-me embora, que ver a festa do rival não é muito interessante. Porta-te bem e convida-me para o teu casamento.
- Mais depressa de casas tu!
- E eu convido-te como bom amigo.
- Eu sei que sim – sorri-lhe e vi-o a afastar-se.


- Eu quero nadar! – o Mario abriu os braços acertando-me com um deles no peito.
- Mario! Para quieto, por favor.
- Eu quero nadar, tenho calor. – virou-se para trás e depois tocou no meu braço.
- O que foi? – perguntei já que não o podia olhar por estar a conduzir.
- O Alaba está a dormir.
- E tu também devias estar, é que assim é difícil conduzir. Estás tão chato.
Olhei-o por momentos, pegou no telemóvel e atirou-o para os bancos de trás, provavelmente acertou no coitado do David.
- Oh estúpido! Mas tu és parvo ou quê? Podias-me ter magoado!
- E tu estás a dormir porquê?
- Eu não estava a dormir, estava a descansar os olhos.
- Eu vou ter uma noite escaldante e tu não! – atirou o Mario.
- Vais…ui, então não vais? Só se for com a banheira.
- Oh Thaís! – agarrou o meu braço e olhou-me para se começar a rir depois – tu és tão linda.
- Ui, sou uma lindeza.
- Eu quero tanto ter filhos contigo, podemos ter sete? É o número da sorte.
- Podemos. Claro que podemos. – ironizei.
- Eu amo-te tanto, que tu nem fazes ideia – abriu o vidro e colocou a cabeça de fora, podia apostar que ele estava a cantar algo que eu não conseguia perceber.
- Mario! Fecha o vidro e para quieto de uma vez por todas!
Obedeceu. Começou a soprar na minha direção, não percebi o que queria ele com aquilo.
- Sentes o vento? – perguntou.
- Sinto, sinto o vento e o cheiro a cerveja!
- Estás a ser inconveniente! – agarrou o meu braço.
- Finalmente! – parei o carro em frente de casa – vá, fofinho sai lá do carro – entreguei-lhe as chaves de casa para a mão e ele saiu do carro em seguida.
- Alaba? – chamei virando-me para trás – anda lá, querido levanta-te e vamos para casa, dormes no sofá. – parei um pouco e pensei no que tinha acabado de dizer, tinha chamado o David querido!
- Estás muito querida Thaís, és boa miúda, tu! – saiu do carro e eu fiz o mesmo, caminhei em direção à porta onde estava o Mario ainda a tentar abrir a porta.
- A chave não cabe aqui! – falou enquanto tentava meter a chave da minha casa em Dortmund, naquela fechadura.
- Como tu estás, Mario Götze! – peguei na chave correta e abri a porta.
Eles entraram depois de mim, o David deitou-se no sofá. Provavelmente não ia sair dali o resto da noite.
Andei até ao quarto seguindo o Mario. Virou-se para trás de repente assustando-me.
- Sabes que eu te amo? – perguntou olhando-me nos olhos.
- Sei, já disseste isso muitas vezes hoje.
- Mas eu amo mesmo! – garantiu colocando as suas mãos nos meus ombros.
- Eu sei – passei a minha mão pela sua cara. Começou a rir-se pouco tempo depois. Aquele momento sério não iria durar para sempre como é óbvio.
- Deste-me assim o melhor sexo da minha vida!
- Olha que…é bom saber isso!
Caminhei até ao quarto enquanto ele me seguia.
- A minha mãe desde que te conheceu sempre me disse: a Thaís pode ser a tua sorte na vida mas para isso vais ter que a merecer. – sentou-se na cama e olhou para mim – a D. Astrid sempre soube o que disse! – fez sinal para eu me sentar junto dele e assim o fiz – sabes que eu nunca desesperei muito quando as namoradas acabavam comigo mas se tu acabares comigo…oh Thaís não acabes comigo, por favor. – pegou nas minhas mãos – eu depois não sei como lidar com a situação e de certa forma eu já sou demasiado afeiçoado a ti, entendes? – assenti com a cabeça para ele continuar – eu amo-te mesmo.
- Deita-te. Mario – pedi, dando-lhe um leve beijo na bochecha – eu vou ver se o David já esta a dormir.
Saí do quarto e percorri o curto caminho até à sala. O David já estava a dormir pacificamente, peguei numa manta que ali estava e cobri-o.
Voltei ao quarto, o Mario também já estava deitado. Deitei-me junto dele e tal como ele, eu nem me despi, ficando assim com a roupa que tinha no corpo.
- Oh Thaís, deixa-me dormir nas tuas mamas.
- O que Mario?
- Sim – colocou a sua cabeça no meu peito e aconchegou-se a mim – é fofinho, aqui.
- Dorme lá então – comecei a mexer-lhe no cabelo, esperando que ele acalmasse a adormecesse. Senti-o a acalmar, beijei a sua testa – eu gosto tanto de ti – sussurrei reparando depois que o Mario já dormia.




- Wake up, sweet… - sussurrei ao ouvido do Mario enquanto este ainda dormia profundamente - Mario? – chamei perante a sua falta de reação – anda lá meu amor, nós temos que ir para Dortmund?
- O quê? – perguntou ainda ensonado.
- Oh Mario, eu andei a lembrar-te a semana toda. É o primeiro almoço na nova casa dos meus pais, além disso vão estar lá os teus pais, os meus, os da Halle e os pais do Marco. Anda lá meu amor, vai tomar um banhinho e veste-te, eu deixo-te dormir no carro.
- O meu beijo? – perguntou em voz baixa. Juntei os meus lábios aos dele num curto beijo.
- Vai tomar banho, desaparece com esse cheiro a cerveja e recebes mais beijos.
Saí do quarto enquanto o Mario se dirigia para a casa de banho. Durante o caminho abri uma foto que a Halle me tinha mandado.


Isto explica alguma coisa?

Hum, explica MUITA coisa. Principalmente o vento. - respondi-lhe. Cheguei à sala. Tinha que acordar o David e provavelmente levá-lo connosco, não iria deixar o rapaz em casa, desamparado.
- David! – gritei. Atirei-lhe com uma almofada esperando que ele acordasse, o que sucedeu pouco depois – vá, banho lá em cima e vens connosco para Dortmund.
- Eu não vou para a cidade rival!
- Preferes ficar em casa, sozinho?
- Eu… - levantou-se e olhou para mim – arranjas-me uma toalha e roupa?
- Despacha-te! – barafustei.




- O teu Mario está bem?
- Provavelmente…está todo torto a dormir aqui no banco.
- Logo, não está a ouvir a nossa conversa?
- Afirmativo. Nem está ele, nem o David.
- Que David?
- O Alaba.
- Credo! Thaís, o Alaba agora virou emplastro?
- Ele está a dormir coitadinho.
- Agora ficaste toda defensora dos oprimidos?
- Teve que ser…é amigo do Mario.
A Julia começou a rir-se, talvez pela forma como tinha acabado de falar.
Já estava há bastante tempo a conduzir. Ia falando com a Julia, já que tinha o telemóvel ligado ao Bluetooth do carro.
- Mas…não vais para casa dos teus pais?
- Vou.
- Tu e o Mario…e o David atrás?
- Tem que ser! A minha mãe de certeza que vai gostar dele e tudo.
- Ela gosta dos solitários?
- Ela adora pessoas solitárias. Se não fosse enfermeira acho que adorava ser psicóloga. Ainda vira terapeuta dele!
- Estou mesmo a imaginar a cena, tu e o Mario de um lado e a tua mãe a tentar perceber aquela cabeça complicada do Alaba.
- Talvez isso vá acontecer…talvez!


- Sou, sem dúvida alguma, a vela mais sexy de sempre! – atirou o David. Eu e o Mario caminhávamos de mãos dadas, enquanto o David vinha atrás.
- És é a vela mais escura de sempre, isso sim! – atirei.
- És tão estúpida!
- Isso, insulta-me! Sabes que vais almoçar em minha casa, não sabes? E se por a caso eu não quiser, não almoças.
- Ela deixa-te almoçar, só está a fazer-se de má – disse o Mario olhando para trás.
Entrámos na suposta nova casa dos meus pais, que também iria ser a minha. Estava um dia de sol espetacular, Maio já ia quase a meio e não poderia ser melhor.
- Olha o meu cunhado preferido! – falei largando a mão do Mario.
- Isto é o momento em que ela me troca pelo meu irmão mais novo – falou o Mario para o David.
- Sabes bem que nunca te trocaria pelo mais velho! – atirei cumprimentando depois o Felix – credo! Tanta gente! Isto mais parece um casamento.
- Juro que não é o nosso! – atirou a Halle chegando perto de nós, acompanhada pelo Marco – quem é aquele? – perguntou nada baixo referindo-se ao David.
- É amigo do Mario.
- Olha é o da foto! E também é amigo do Marco! – o Marco tinha acabado de cumprimentar o David e estavam à conversa – ele é feio! Porque é que veio com vocês?
- Porque…a noite de ontem foi complicada se é que me entendes.
- Ah! Eu quero saber tudo!
- Não há muito para contar, nunca disse tantas vezes que me amava num só dia e começou a soprar na minha direção e a perguntar se sentia o vento. - a Halle começou a rir-se bastante.
- Agora já entendi aquela mensagem! Olha o teu tio está ali, sabias?
- Que tio?
- O Roman, Thaís!
- Não conheço esse!
- Não sejas assim! – deu-me um encontrão no ombro – ele é querido. E eles até vêm aí e tudo – a Evelyn dirigia-se a nós, estava de mãos dadas com o Roman.
- Minha fofa – deu-me um beijo na bochecha, abraçando-me depois – ah, preciso de ti em Barcelona daqui a duas semanas.
- Está bem.
- Cumprimenta o teu tio! – deu-me uma chapada no braço.
- Olá. – disse um pouco seca.
- Fogo, sobrinha! És mesmo seca, tu! – abraçou-me inesperadamente, não esperava aquela reação vinda dele. Acabei por o abraçar também e me rir.
- Cunhado! – a minha mãe chegou e deu um encontrão no Roman.
- Mãe, o que é que se passa contigo?
- É a primeira vez que tenho um cunhado a sério, Thaís! E que me trata bem – olhava séria para o lado esquerdo – quem é aquele? – perguntou referindo-se ao David – eu não me lembro de ter convidado aquele.
- É amigo do Mario – respondi – e nem tentes ser amiga dele!
- Mas ele parece ser tão fofo! – disse a minha mãe, levando a Halle a rir que nem uma perdida.
- Ele não é fofo, Minna! – argumentou a Halle – ele é feio!
- Oh filha – a minha mãe chegou perto de mim e agarrou o meu braço – vais-me apresentar o vosso amigo, sim?
- Nem te atrevas a dar mais atenção ao David que ao Mario! Depois o meu namorado fica com ciúmes.
- Relaxa – caminhámos as duas em direção ao Mario, ao Marco e ao David – olá! – disse ela assim que os alcançamos.
- Olá! – disse o Mario cumprimentando a minha mãe com dois beijinhos – é o David, um amigo meu. E é a mãe da Thaís, a melhor sogra do mundo! – boa agora ia ficar toda convencida.
- Oh, tão querido! – disse ela – fiz a tua tarte preferida!
- Como eu disse, a melhor sogra do mundo – falou o Mario novamente.
- E o meu bolo de ananás? – perguntei.
- Não tive tempo, Thaís.
- É! Mas tiveste tempo para fazer a tarte preferida do meu namorado! – barafustei.
- Estás com ciúmes? – perguntou-me ela.
- Não! Só acho que deves continuar assim: tudo para o namorado da tua filha e nada para a tua filha.
- Ela está com ciúmes! – o Mario falou rindo, caminhou na minha direção e rodeou-me a cintura.
- Deixa-me! – disse largando-me dele.
- Afinal quem ficou com ciúmes foste tu e não o Mario – disse a minha mãe provocando-me.
Não lhes respondi e comecei a andar pelo jardim, fui cumprimentando os pais do Marco e os pais da Halle. Quando cheguei perto da Astrid sentei-me junto dela.
- Olá querida – disse-me.
- Olá – dei um pequeno beijo na sua bochecha.
- Como vão as coisas por Munique?
- Cada vez melhores – respondi sorrindo.
- Hum, posso contar com casamento?
- Por enquanto não, daqui a uns anos talvez.
- Tens razão. Vocês são novos têm é que aproveitar a vida.
- E…pretendes viajar para o Brasil nos próximos meses? – perguntou-me com um sorriso na cara.
- E se me quiser fazer companhia…eu aceito.
- Ainda não disseste ao Mario que vais, pois não?
- Não…prefiro que ele fica na ignorância até lá.
- Quem é que vai ficar na ignorância? – o Mario aproximou-se, olhou-nos e de seguida sentou-se sobre as minhas pernas.
- Não devia ser ao contrário? – perguntou a Astrid perante o sucedido.
- Nós fazemos tudo ao contrário, mãe. Sou eu que cozinho logo sou eu que tenho direito a sentar-me no colo dela.
- Depois quando eu estiver grávida, o bebé não te vai deixar sentar no meu colo – falei arrependendo-me logo em seguida. O Mario virou-se para mim e colocou as suas mãos na minha face.
- Vamos ter um bebé? – perguntou.
- Não sei – respondi sem saber bem o que devia dizer.
- Eu quero muito!
- Oh Mario – falei em tom de súplica. Encostei a minha testa ao seu ombro e esperei que ele não falasse mais naquele assunto.
- Pronto – colocou a sua mão no meu rosto – vamos aproveitar o colo enquanto não há bebé.
- Sim – falei sorrindo.
- Posso dizer que gostava muito de ser uma avó babada? – perguntou a Astrid a medo.
- Tenho a certeza que será – respondi um pouco envergonhada com a situação – bem, vamos conhecer o meu novo quarto, sim? – o Mario levantou-se e eu fiz o mesmo.
- Tens quarto aqui? Pensei que os teus pais mudassem de casa para te expulsar. – brincou o Mario.
- Eles são meus pais! Gostam de mim ao contrário de ti – atirei começando a caminhar.
- Eu gosto de ti! – alcançou-me e rodeou a minha cintura com os seus braços.
- Gostas! – ironizei – oh mãe? – chamei-a. Estava a falar com o David e olhou-me – o meu quarto?
- Andar de cima, segunda porta à direita.
- Obrigada – agradeci. Começamos a caminhar os dois em direção ao interior da casa. Tudo aquilo era novo para mim. Estar em Munique a estagiar tirava-me estas coisas, como por exemplo a nova casa dos meus pais.
- Esta tua ideia de me levares para o teu quarto novo, tem alguma segunda intenção? – perguntou com um sorriso provocador.
- Não. A ideia é mesmo só e unicamente conhecer o meu quarto novo.
Entrei no meu suposto novo quarto e não podia ter ficado mais contente com o que vi. A minha mãe sabia perfeitamente os meus gostos, estava tudo lindo.
- Meu Deus, eras tão feia! – o Mario falava em frente ao meu armário.
Estava espantoso. As portas estavam cobertas por varias fotos minhas, maior parte delas em sítios fora da Alemanha, fotos que me tinham tirado em fotos de férias.





- Não era nada! – argumentei dando-lhe um encontrão.
- Deviam haver aqui fotos minhas.
- Querias não era? – sentei-me sobre a cama a olhá-lo. Havia algo coisa que eu tinha de lhe dizer – Mario, senta-te aqui – pedi fazendo indicação para se sentar junto a mim.
Cruzei as minhas pernas e ele fez o mesmo ficando à minha frente. Coloquei as minhas mãos no seu rosto e juntei os nossos lábios.
- Oh Thaís! – parou o nosso beijo e olhou-me com cara séria – tu disseste que não íamos fazer nada.
- E não vamos! Era só um beijo inocente.
- Ah!
- És tão parvo. – descruzei as pernas e deitei-me esperando que ele fizesse o mesmo, algo que não demorou muito - Mario?
- Sim…
- Sabes uma coisa?
- Não…
- Eu também não sei como te dizer… - bateram à porta, despertando-nos – entre!
- Estão a fazer bebés? – a Halle espreitou pela porta sorrindo.
- Não… - respondi.
- Venham almoçar, então.
- Vamos já. – disse-lhe.
- Estás estranha, Thaís – passou a mão pelo meu cabelo, acalmando-me assim.
- Tenho que te dizer uma coisa importante.
- Que é…?
- Que te amo – falei calmamente, chegando-me depois para mais perto dele.
- Eu sei – beijou a minha testa e continuou a acariciar-me o cabelo – eu também te amo.



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Boa noite!
Deixo-vos mais um capitulo, espero que vos agrade.
Bom fim de semana!
Beijinhos,
Mahina 

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