quarta-feira, 1 de outubro de 2014

28º Capitulo - « Eu sabia que isto não ia correr bem »

- Não te imaginava tão violenta.
- Eu não sou, a sério que não – movimentei-me ficando com o meu corpo em cima do Mario e pousei a minha cabeça sobre o seu peito – mas a miúda abusou.
- Mas isto já acabou.
- Quem me garante que ela não me vá agora atropelar a mim já que finalmente descobriu que a Halle não é a tua namorada.
- Não vai acontecer.
- Só porque tu falaste com ela, achas que ela vai parar com tudo? Ameaças, tentativas de homicídio…
- Thaís, não exageres.
- Não exagero? – levantei-me de cima dele e coloquei-me em pé – a tua ex-namorada tentou atropelar a minha melhor amiga e eu estou a exagerar? – peguei na minha mala que estava sobre uma cadeira – de um momento para o outro até parece que a estás a defender.
- Ei, não é nada disso.
- Tudo bem. Tenho que me ir embora, eles devem estar à minha espera para jantar.
- Podias jantar comigo. – propôs levantando-se agora do sofá.
- Já combinei com eles. Agora vou-me embora.
- Que tal um beijo Thaís, não?
Em passo acelerado fui até ele juntando os nossos lábios num beijo rápido.
- Uau, mais seca não podias ter sido. – ignorei o que disse e caminhei em direção à porta – e vais como?
- Há uma coisa que se chama metro não sei se conheces – ironizei.
- Podia levar-te.
- Não precisas de te incomodar, eu vou bem sozinha. Adeus.
Abri a porta e saí sem que ele pudesse dizer algo. Não acredito que o raio da rapariga me estava a dar problemas.
O meu telemóvel começou a tocar segundos depois de sair de casa do Mario. Provavelmente seria um deles perguntando se eu iria jantar com eles já que na verdade não tínhamos combinado nada mas não…era o Mario.
- Sim – disse ao atender.
- Ficaste chateada…
- Talvez.
- Por causa…dela?
- Não, Mario! Por causa de ti que não soubeste pôr travões à tua ex-namorada ou então ela é psicopata e tu esqueceste de me avisar.
- Thaís…
- Thaís nada! Eu sabia que isto não ia correr bem.
- Isto o quê?
- O nosso namoro.
- E vamos desistir ao primeiro obstáculo.
- Então ela é um obstáculo?
- Não te entendo.
- Nem eu a ti!
O silêncio apoderou-se de nós. Tinha uma grande vontade de desligar aquela chamada, não queria ouvir mais nada por enquanto.
- Tenho que desligar.
- E ficamos assim?
- Não vejo outra forma de ficarmos.
- Cada vez é mais difícil entender-te.
- Tudo bem, vou desligar. – não deixei que ele respondesse e desliguei a chamada.
Em pouco tempo cheguei a casa. Já tinha respondido a uma mensagem do Luke a dizer que não jantava com eles, não tinha qualquer tipo de fome por isso quando cheguei a casa fui direta para o quarto.
Apostei em ligar para a Halle, era a única que me iria conseguir acalmar e pôr-me a pensar como deve ser.
- Olha o docinho da Halle, ligou. – atirou assim que atendeu.
- Ei, sabes estás com voz de quem acabou de fazer amor.
- Também ficas assim com esta voz é? – esperava que me repreendesse, esperava tudo menos isto.
- Claro que não. Eu não faço disso.
- Deixa-me rir!
- Estás aleijada, não devias andar a saltar para cima do Marco.
- É ele que salta para cima de mim, não te preocupes docinho.
- És doida – acabei por soltar uma pequena gargalhada nada muito entusiasmante – sinto a tua falta.
- O que é que se passou com o Mario?
- Halle…
- Achas que sou parva? Só sentes a minha falta quando o Mario não está por perto.
- Halle…isso é mentira.
- Estou a brincar docinho, mas o que se passa?
- Porque é que hoje só me tratas por docinho?
- O Marco diz que acha que fizemos um filho.
- Dispenso pormenores.
- E diz que o Mario gosta de ti de verdade e não te deves chatear com ele.
- Eu não me chateei com ele…
- E também diz que…ai isto não é para dizer. – foi impossível não rir com a conversa.
- Só vocês, para me fazerem rir.
- O Marco pergunta o que é que o Mario fez.
- Nada, acho que é esse o problema. Aquela ex-namorada dele…
Ouvi um: Ei, essa cabra. A voz era a do Marco e nem me queria acreditar que o Marco, aquele anjo tinha tratado mal uma pessoa.
- Ela queria matar a minha Halle! – a voz do Marco apareceu e percebi que o telemóvel tinha passado para ele.
- É possível que ela traga problemas ao meu namoro com o Mario?
- Isso só depende de vocês.
- Pelo Mario acho que ela pode entrar até na nossa relação e dormir connosco na mesma cama.
- Podiam fazer uma ménage! Halle Andler, eu não acredito que acabaste de dizer isto!
- Não lhe ligues, está…animada.
- Desculpa docinho, estava a tentar animar a coisa. E estou animada mas é bom. Tenho um joelho e um cotovelo numa miséria mas consigo ser feliz!
- E tu também o devias ser – completou o Marco.
- E sou…mas começo a ficar insegura com isto tudo.
- Ouve lá, não há aí dois rapazes em casa? – perguntou a Halle com uma voz mesmo animada.
- Sim, o Luke e o Liam.
- Então…enfiaste no quarto deles e fazem uma ménage!
- Okay, Halle Andler começo achar que a tua fantasia é fazer uma ménage.
- O Marco não quer…e trata-me por Halle Reus é mais sexy.
- Halle acabaste de te reconverter numa tarada sexual com fantasias estranhas.
- Vá, deixemos as ménages e falemos de coisas importantes: tu e o Mario.
- Vão ser meus terapeutas?
- Vamos sim. – respondeu o Marco.
- Há quando tempo é que vocês não fazem sexo? – não podia acreditar, a Halle…tinha voltado ao que era.
- Halle! – repreendi.
- É importante para a terapia.
- Não acredito que tiveste que ser quase atropelada para voltares a ser assim.
- Sabes, vi a vida a passar-me à frente e pensei: tenho que aproveitar a minha vida e tenho que ser feliz com o Marco! Mas voltando à conversa.
- Não te vou dar informações sobre a última vez que fomos para a cama…
- Não quero informações, não quero detalhes, quero uma data apenas!
- Não…
- Está visto! Isso é falta!
- Obrigada terapeuta Halle, adorei. Deixa a fisioterapia e põe-te na terapia de casais. – o barulho estranho do meu telemóvel sobressaltou-me, tinha uma chamada em espera…do Mario. – o Mario está-me a ligar…
- Boa! Resultou! Atende vá! Adeus, adoramos-te docinho. – disse a Halle antes de desligar.
Respirei fundo antes de ouvir a voz do Mario.
- A Halle acabou de me ameaçar que ficava estéril, estás bem?
- Estou tal e qual como há bocado.
- Thaís…
Ouvi o meu nome a ser quase gritado na sala, era o momento certo para me escapar daquela conversa.
- Estão-me a chamar, tenho de ir.
- Thaís…não faças isto.
Acabei de fazer – pensei. Voei até à sala.
- Vamos ver um filme, contamos com a tua companhia? – perguntou o Luke.
- Claro. – sentei-me junto do Luke e da Luna – isto vai-me fazer bem – sussurrei, ao que o Luke me sorriu.




- Thaís, há aqui alguém que pretende falar contigo. – informou a Alícia abrindo a grande janela que dava para a varanda.
- Eu já vou. – avisei, apagando depois o cigarro.
- Vê lá se resolves as coisas. – avisou o Luke.
- Vou tentar. – garanti sem muito entusiasmo.
Levantei-me da cadeira onde estava sentada, respirei fundo e calmamente entrei na sala indo depois até à porta de entrada. Só se eu fosse muito burra é que não sabia que era o Mario que queria falar comigo.
- Diz. – falei olhando-o.
- Estiveste a fumar…
- Sim paizinho. – respondi sem dar muita importância ao que dizia.
- Nota-se! – pegou na minha mão acariciando – não entendo esta tua atitude Thaís. 
- Eu também não entendo a tua, Mario.
- Temos um jantar hoje.
- Mario, certamente hoje não será o bom dia para o tal jantar e muito menos para a minha declaração e nem sei se esse bom dia chegará.
- Podes parar de agir como uma criança? Podes parar de fingir que a nossa relação acabou?
- E tu podes parar de fingir que tudo está normal?
- E não está?
- Não! É assim tão difícil perceber que o que a tua ex-namorada fez nos afetou?
- Eu não queria. Desculpa, sim? Nunca fui de dizer basta a ninguém.
- Então está na altura de começares a dizer.
- Podemos esquecer isto? Estamos a discutir por uma coisa sem sentido.
- Tudo bem – virei costas e fui até ao meu quarto – fecha a porta. – avisei.
Entrei no quarto e fechei a porta depois de o Mario entrar. Procurei uma roupa para vestir enquanto o Mario me olhava. Quando finalmente encontrei algo comecei a despir-me para vestir a outra roupa.
- Estás…a despir-te?
- Onde é que é esse jantar?
- Oh, Thaís… - chegou perto de mim.
Tinha apenas umas calças vestidas e o soutien. Rodeou a minha cintura.
- Desculpa… - sussurrou-me ao ouvido – não te quero perder.
- Desculpa também eu… - agarrei o seu rosto entre as minhas mãos – ando insuportavél.
- Vamos?
- Deixa-me vestir a camisola – pedi afastando-me dele e acabando de me vestir – chega-me esses sapatos – pedi.
- Cor-de-rosa, Thaís?
- Sim, são bonitos. Dá cá.
Chegou-me os sapatos, atei o cabelo o cabelo e peguei na minha mala.




Entrelacei a minha mão com a do Mario e saímos do quarto os dois.
- Estás toda gira, Thaís. – disse o Luke.
- E eu a pensar que já era… - gozei – obrigada, fofinho – agradeci encaminhando-me para a porta – até amanhã!
- Não vens dormir a casa? – picou a Alicia.
- Claro que venho. – respondi saindo pela porta.
Saímos do apartamento e encaminhamo-nos para o elevador.
- Claro que vens? Obrigada, fofinho? – atirou o Mario assim que entramos no elevador.
- Mario, ciúmes a esta hora não. Onde é que vamos mesmo?
- Jantar com o pessoal.
- Que pessoal? – perguntei de rajada.
- O pessoal,…tu já os conheces a todos.
- Vais-me apresentar como tua namorada, é?
- Porque não havia de te apresentar como minha namorada? – entrelaçou a sua mão na minha e saímos do elevador dirigindo-nos para a rua.
- Tu é que sabes…
- Se és minha namorada, é assim que te tenho que apresentar.
- Obrigada – parei e juntei os seus lábios aos dele, já não beijava assim há mais de dois dias e já sentia falta daquela cumplicidade.
- Sou eu que te tenho que agradecer – colocou o seu braço em torno dos meu ombros e puxou-me contra ele, beijando-me a bochecha – por me fazeres tão feliz, meu anjo.




- Thaís, concentra-te! Só podes estar a gozar comigo…
- Como é que queres que me concentre? – perguntei perplexa – isto não está a dar resultado.
- Thaís! Concentra-te! – falou o Patrick. Desta vez não me refilei. Era perigoso refilar com o Patrick, tinha cara de mau – vamos passar à saudação ao sol.
Esticar-me, levantar as mãos, voltar ao chão e voltar a levantar-me e a esticar as mãos. Que grande palermice.
- E agora…? Invocamos o espirito da Amy Winehause?
- Thaís! – repreendeu o Mario.
- O que foi? Isto serve para alguma coisa? Só se for para me fazer dores de costas! – barafustei.
- Para a próxima exclui a tua namorada do yoga. – disse o Patrick com cara séria.
- Ele não gosta de mim! – disse depois de ele se afastar.
- Tu não te concentraste…
- Desculpa se estavas à minha frente e o teu rabo me distraiu! – o Mario agarrou a minha cintura e beijou-me – e ele não me curte! – acrescei no fim de separarmos os lábios.
- Eu curto…ele não precisa de curtir. – concluiu dando-me mais um beijo.




- Ai, ouve, estamos atrasados, Luke! – disse acabando de me arranjar na casa de banho.
O dia hoje podia dizer-se que era importante. Eu e o Luke tínhamos ido ao centro de reabilitação de manhã e com alguns problemas que tivemos de resolver atrasamo-nos. Mal tivemos tempo de almoçar. O jogo do Bayern de Munique com o Dortmund já tinha começado há uns minutos e nós ainda estávamos em casa. Além do jogo os meus pais estavam em Munique, que alegria! O jantar hoje ia ser animado, eu, os meus pais e o Mario…pior não podia ser.
- A culpa é tua! Estás aí há horas a arranjar-te. – ‘’gritou’’ o Luke.
- Mas… - saí da casa de banho e dei meia volta – que tal? – perguntei esperando ouvir algum comentário sobre o vestido que tinha vestido.



- Estás muito bonita, sim. Vamos embora? – perguntou esticando-me a sua mão.
- Vamos sim! – dei-lhe a minha mão e saímos de casa.
O Luke tinha-se tornado um grande amigo durante esta semana. Ele e o Liam estavam a estagiar no mesmo sítio que eu. A vergonha do Liam fez com que ele ficasse mais para o lado, já o Luke tinha-se destacado pelo quanto direto era e como em tão pouco tempo se estava a tornar um grande amigo.
- Estás nervosa por causa do jogo? – perguntou já quando tínhamos chegado ao estádio.
- Não, achas? Estou nervosa é porque…digamos que o jantar vai ser animado com os meus pais e o…Mario.
O Luke ria-se enquanto entravamos no estádio.
- Mario Götze vai ser aniquilado pelo sogro! – disse ironicamente.
- Goza…goza. Quero ver quando conheceres o pai da Luna. – há algum tempo que já tinha visto aquela química entre eles.
- O quê? – atirou perplexo.
- É o quê é…agora é o quê…
Chegamos às bancadas e começamos à procura do resto do pessoal.
- Senhora Thaís, seja bem aparecida – senti a minha perna a ser agarrada e assustei-me, olhei para o lado e vi a Julia, a namorada do Thiago. Uma das raparigas que tinha conhecido no tal jantar.
- Assustaste-me! – levei a minha mão ao coração sorrindo depois.
- Sou apenas eu, muito inofensiva. – disse com o seu sorriso característico.
O Luke tinha continuado a andar e já estava ao pé dos outros. Acenei-lhes com a mão para perceberem que já iria lá ter. Sentei-me junto da Julia já que o lugar ao seu lado estava vazio.
- Vais-me fazer companhia?
- Eu sei que adoravas ter a minha companhia para este jogo, seria uma honra ter-me aqui mas não te posso concretizar esse desejo. – falei rindo tal como ela – parei para te dar um beijinho e acho que vou andando para ao pé dos meus amigos, e rezar para os meus pais não estarem por esta zona.
Depositei-lhe um beijo na bochecha e despedi-me dela seguindo para ao pé deles.
O Liam, a Alicia, a Luna e o Luke estavam sentados focados no jogo que para dizer a verdade nem reparei no resultado. O meu telemóvel tocou com uma mensagem.

A sério Thaís Götze? Vais com esse vestido para o jantar com os teus pais e o Mario, uma coisa mais curta e justa ficava muito melhor.

Halle Andler…ela estava cá, tinha acabado por vir a Munique e não me tinha dito nada. Olhei em volta tentando perceber onde ela estava. Apercebi-me que tinha chegado o intervalo e fiquei mais atenta à minha volta para ver se encontrava a Halle. Acenou-me com a mão ainda longe, voei logo para junto dela.
- Ok, esse vestido ainda é mais horrível perto.
- Halle! – repreendi.
- Já olhaste bem para isso? Nem se nota que tens mamas! Uma coisa justa, Thaís! É uma coisa justa que tu precisas.
- Não digas asneiras.
- Qual é a sensação de o teu namorado estar a perder contra a equipa antiga?
- Assobiaste-o, Halle?
- Eu? Não seria capaz de fazer tal coisa ao Mario, sabes bem.
- Foi assobiado?
- Um bocadinho no início.
- Adeptos horríveis!
- Sabes bem que não são…
- Mas essa atitude que têm perante o Mario é horrível!
- Tem calma que agora está tudo nas calmas.
- O meu pai também o teria assobiado…se soubesse assobiar – disse levando a Halle a rir – muito medo desta noite – admiti.
- Não tenhas, ele vai adorar conhecer…o genro.


- Thaís! – o Mario agarrou a minha mão enquanto tentava sair do carro.
- O quê?
- Tenho…medo.
- Mario! Medo? O meu pai não te vai comer, meu bem. – uma das minhas mãos acariciou-lhe a face enquanto ele sorria.
- A filha dele costuma-se encarregar-se disso, sim, mas…continuo a ter medo.
- Vai correr tudo bem. – assegurei saindo do carro.
Ajeitei o meu vestido enquanto o Mario saía também. Fui até ao seu encontro rodeando-lhe o pescoço com os meus braços.
- A Halle disse que o meu vestido era horrível, não é pois não?
- Não, Tha. O teu vestido é bonito se fosse mais curto era melhor.
- Tão querido – dei-lhe um beijo rápido e entrelacei a minha mão na nele – vá, vamos.
- Espera! Este jantar tem mesmo que acontecer?
- Por mim não acontecia…
- Por mim também não!
- Mas tem de ser, anda! – comecei a caminhar mas o Mario parecia não querer, caminhava lentamente e fazia força na minha mão para parar – oh criança, mais tarde ou mais cedo tens que entrar ali.
- Então, escolho entrar mais tarde.
- Anda lá. Eu proíbo os assuntos de futebol. – voltei a caminhar e desta vez o Mario acompanhou-me. Entrámos no restaurante e fomos ter com os meus pais.
- Olá! – saudei assim que chegámos junto deles.
- Boa noite! – disseram os dois precisamente ao mesmo tempo.
- Boa noite! – saudou o Mario atrás de mim como que se estivesse a esconder.
Cumprimentei os meus pais para depois ser o Mario a fazê-lo.
- Estás mais magro! – a minha mãe falou depois de dar dois beijinhos ao Mario.
- Oh mãe, realmente, reparas em casa coisa…
- É verdade! Tens-te alimentado como deve ser, Mario?
- Tenho, obrigada – disse o Mario rindo-se.
Agora é que não te vais rir – pensei. Mas ao contrário do que espera foi tudo muito calmo quando o meu pai o cumprimentou. Sentámo-nos à mesa e agora é que a conversa provavelmente iria descambar.
- Então Mario, como é que tem sido a época no Bayern de Munique? – perguntou o meu pai.
- Não, não e não! Futebol não! – repreendi.
- Thaís, não sejas chata. – o Mario colocou a sua mão sobre a minha – tem corrido tudo bem – respondeu com um sorriso.
- Sou chata sou! Até agora só te perguntou se a época correu bem, o pior será quando começar a falar da tua transferência para aqui, por isso ninguém vai falar de futebol! – a minha mãe sorria-me cúmplice – como é que correu com a Cíntia?
- Bem, está grávida. Está bonita e está bem. – respondeu o meu pai – e como é que vocês se conheceram?
- Passemos isso à frente. – respondi rapidamente.
- Porquê?
- Porque é a nossa vida pessoal. Eu também não te pergunto como conheceste a mãe.
- Mas se quiseres eu posso contar…
- Não obrigada.
- Estás mesmo chata! O teu namorado tem razão.
Pronto…e agora juntaram-se e viraram-se os dois contra mim. Perfeito!


Depois do jantar tínhamos passeado um pouco. Já estava a ficar tarde quando decidimos voltar para casa.
- Foi assim tão mau? – perguntei assim que entrámos no carro para ir para casa.
- Não, o teu pai é bem fixe!
- É fixe porque se uniu a ti contra mim! – disse fingindo-me chateada.
- Nós não nos unimos contra ti, sabes bem que…
- Sou chata?
- Depende dos dias.
- Okay, informo que acabaste de ficar uma semana sem sexo.
- Thaís! Viste ao que me refiro?
- Não, não vi.
- Tu não és chata, amor…
- Tia, é à tua tia que tens de chamar amor não a mim.
- Viste, agora! Refiro-me a isto tudo. Não és chata…mas tu és muito vingativa sem sequer te terem tocado.
- Paciência…
- Eu gosto de ti assim, não há mal.
- Se não gostasses o problema também era teu, meu bem. Há aí muito rapaz espalhado.
- Acabaste de ser inconveniente!
- Inconveniente és tu, a pôr-me defeitos.
- Podemos acabar com esta conversa? Estamos a tornar-nos insuportáveis.
- Tudo bem – assenti com a cabeça e peguei na minha mala procurando as chaves de casa – oh boa!
- O que foi?
- Nada… - se te dissesse que não tenho as chaves de casa ias-me convidar para ir dormir para a tua e não me apetece vemo-nos amanhã? – perguntei assim que parou frente ao prédio.
- Sim… - aproximou-se de mim e beijou-me – adoro-te – sussurrou depois de separar os nossos lábios.
- Eu também – assegurei sorrindo e saindo do carro.
Depois de entrar peguei no telemóvel e iniciei chamada para o Luke, precisava de entrar em casa e se ele não me atendesse a coisa complicava-se. Tocou e tocou e voltou a tocar e ninguém atendia mas não desliguei e finalmente ouvi a voz do Luke.
- Thaís? – a voz de sono dele, ia-me matar! – Oh Thaís, o que é que tu queres?
- Que me abras a porta – pedi.
- Que porta? Oh Thaís tu tens namorado! Não te vou abrir a porta do meu quarto…além disso está aberta.
- A porta de casa, meu amigo.
- Para quê?
- Esqueci-me das chaves…
- Então e só chegas a estas horas? O que é que andaste a fazer?
- Deves ter muito a ver com isso!
- Já não te abro a porta.
- Anda lá!
- Preciso de me vestir? É melhor que depois apaixonaste.
- Oh cala-te e abre-me a porta!
Ouvi a porta a abrir e deparei-me com o Luke apenas de boxers e de telemóvel na mão.
- Não me digas que dormes nu?
- Não…
- Disseste que te ias vestir…
Entrei e fechei a porta não fazendo muito barulho.
- Vá, vai dormir que já me estragaste a noite.
- Sim paizinho, desculpa ter interrompido os teus sonhos com a Luna. – cheguei perto dele e depositei-lhe um beijo na bochecha indo para o quarto.
- Amanhã pagas por essa!
- Sim…sim… - ironizei entrando no meu quarto.




- Tira-me foto, vá tira! – pedi ao Luke.
- Faz cara feia.
- Isso é impossível…
- És tão doida!
Acabou por me tirar a foto e eu pu-la nas redes sociais.


Mais um dia de estágio

Chegamos ao centro de reabilitação e começamos a preparar-nos para mais um dia de trabalho. Eu já estava a tratar há alguns dias se uma senhora com os seus 30 e poucos anos. Tinha ficado em estado de coma três anos por causa de um acidente. Enquanto ia fazendo fisioterapia com ela, Magda fazia questão de me contar a sua história. O facto de ter perdido o seu marido e de a sua filha de agora seis anos não a reconhecer.
- Como se sente hoje? – perguntei enquanto nos encaminhávamos para a passadeira.
- Normal… - respondeu pouco entusiasmada.
- Normal?
- Sabes Thaís, sinto-me perdida neste mundo. Não encontro algo que me faça sorrir, eu perdi tudo. Cheguei ao ponto de a minha própria filha não me reconhecer.
- Tem de encarar isto como uma nova fase da sua vida, vai ter anos e anos para retomar a relação com a sua filha.
- Mas…e se ela não quiser?
- Eu sou adotada – admiti ajudando-a a subir para a passadeira rolante – e mesmo amando os meus pais tenho sempre aquela curiosidade de saber quem é a minha mãe biológica.
- Já a tentaste procurar?
- Ainda não arranjei coragem e acho que ainda não é a altura certa para isso.
- És realmente uma pessoa…diferente.
- Diferente?
- Sim – sorriu-me – consegues exercer o teu trabalho aqui, tens feito de minha psicóloga e tens uma história bonita.
- Ainda não sabe a Magda de metade… - andei metida com o meu namorado quando ele ainda tinha namorada, a ex-namorada dele tentou atropelar a minha melhor amiga, reencontrei a minha irmã Cíntia há um mês, vou ser tia…história grande e estranha.
Uma senhora já com alguma idade entrou na sala onde eu estava com Magda. Veio até mim e olhou-me, admito que me assustei o seu olhar, assustava de verdade.
- Eu conheço-te Thaís…eu sei toda a tua história. – fiquei a olhá-la sem saber o que dizer, ela sabia o meu nome…sem nunca antes me ter visto e…sabia a minha história.



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Boa tarde!
Está aqui mais um capitulo. Espero que tenham gostado muito. Espero também as vossas opiniões.
Que este mês de Outubro seja bom para todas vocês!
Beijos,
Mahina ღ

2 comentários:

  1. Esta última parte foi pow pow pow!!
    Mas começando pelo princípio: olá!!
    Eu tenho sempre o coração nas mãos quando leio. Parece que qualquer coisa pode ser a faísca que pega fogo ao rastilho e pum! No more Thais and Mario.
    Juro isto até faz mal ao coração!
    Mas esta Halle pós-susto é demais!! E ela tem razão: há quanto tempo a Thais e o Mario não têm uma boa dose de sexo? Aquele sexo de qualidade suprema? Eles andam a precisar! Menos palavras acesas e mais ação entre lençóis!
    Espero o próximo!!

    Beso
    Ana Santos

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  2. Olá :)
    Bem!...essa ex do mário é louca :O
    Espero que ela não estrague a relação dele com a Thais :/
    Adorei o jantar e amo as picardias entre o Mário e a Thais e não posso esquecer do outro par de tarados :p
    Esta última parte deixou-me curiosa...hum
    Próximo sff bjs

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