quarta-feira, 29 de outubro de 2014

30º Capitulo - « Este jantar não devia ter sido planeado »

Acordei sobressaltada, podia jurar que acabava de ter um pesadelo mesmo não me lembrando do que estava a sonhar. Não reconhecia a cama, não reconhecia o espaço. Mas reconhecia a respiração, era a forma tão característica de respirar do Luke.
Para estar naquela cama…a dormir com ele…sim, eu tinha mesmo sido traída. Não o tinha imaginado, era mesmo verdade. A sensação? Pior não podia ser, um vazio do tamanho do mundo e uma dor intensa como tudo. Virei-me na cama olhando o Luke ainda a dormir. Dava-me uma certa tranquilidade, ver alguém assim…a dormir calmamente e por alguma razão desconhecida associei o Luke a dormir, a um filho. Eu, que nunca quis ser mãe, estava agora a olhar o Luke e a pensar qual a sensação de ver um filho dormir. Seria também tranquilizadora? De certeza que também nos faz ficar com o coração quente, com um sorriso nos lábios ou até com uma lágrima no canto do olho.
- Já acordaste? – a voz dele, ainda ensonada, despertou-me. Olhei-o, procurando interpretar o que lhe ia na cabeça – mal te deitaste, adormeceste. – informou puxando o seu corpo pra cima e sentando-se.
- Estava cansada.
- Estás bem?
- Não… - não iria estar a responder que sim quando a resposta era mesmo não, um grande e forte não. Com ele, eu sabia que não me precisava de fazer de forte, muito menos mentir.
- Essa dor não vai durar para sempre – susssurrou desta vez. O Liam estava a uns metros de nós por isso agora teve mais cuidado com o tom de voz.
- Eu vou, arranjar-me. Preciso de sair e não me apetece falar com ninguém nem…tu entendes. – saí de baixo dos lençóis. Ainda estava com a roupa da noite anterior.
- Porta-te bem – falou deitando-se outra vez.
Saí do quarto deles com os sapatos nas mãos. Fui até à casa de banho olhando-me ao espelho. Não tinha conseguido cumprir o que havia dito. Há lágrimas que têm que ser derramadas, por mais que andemos elas têm que sair e deixar-nos mais leves. Tinha o rimel borratado da noite anterior. Enquanto lavei a cara não conseguia parar de pensar no que se tinha passado. Era impossível não pensar, era mais impossível ainda não me questionar o porquê de tudo isto.
No fim de tudo aquilo, tinha vindo com o Luke para casa. E acabei por me deitar com ele e adormecer. Foi o único que me conseguiu acalmar. Sem a Halle ali na casa ao lado, falta-me tudo. Falta-me o amor, falta-me a confiança, falta-me o ombro amigo. O Luke tem sido o melhor amigo nestes tempos e foi como que encontrasse nele a Halle que não está presente agora.
Peguei no telemóvel que estava no bolso desde ontem. As chamadas…eram precisamente dezasseis chamadas do Mario e mais do dobro das mensagens, também dele. Atirei o telemóvel em direção ao lavatório sem me aperceber bem do que fazia. Apanhei-o nos minutos seguintes verificando que estava bem.
- O telemóvel não tem culpa… - olhei para a porta encontrando a Luna, de pijama encostada à porta. Olhava-me como que dizendo: lamento.
- Acordei-te – perguntei colocando novamente o telemóvel no bolso – desculpa – pedi sem lhe dar tempo de responder.
- Não, não acordaste mas…Thaís? Há algo que eu te quero dizer.
- Luna, peço-te que deixes isso para outra altura. Quero só tomar um banho e sair daqui, é sábado…não há estágio e eu necessito mesmo de fugir, por enquanto, a certas coisas.
A Luna cedeu ao meu pedido e voltou para o quarto. Estava eu a ser demasiado fria com as pessoas? De todo não era essa a minha intenção mas uma coisa era certa. Não iria fingir que estava bem quando não estava. Nunca fui muito boa a fingir, muito menos o iria fazer agora.
No fim de me ter arranjado voltei ao quarto do Luke onde ele ainda dormia. Escrevi um pequeno recado num papel.

Falei com a Solange, ela dá-me a segunda-feira e depois trabalho no sábado. Volto na segunda à noite. Vou a Dortmund. Obrigada por tudo.
Beijo, Thaís




(Halle)

Acabei de arrumar a cozinha e já não tinha a Thaís perto de mim. Atirei um dos panos para a bancada depois de limpar as minhas mãos molhadas e fui em direção à sala.
- Olá Oliver Kirch – a Thaís falava para o nada mas estava concentrada com as pernas cruzadas a olhar a janela.
- O que é que estás a fazer Thaís Go… - coloquei a minha mão na boca quase involuntariamente. Boa Halle, acabaste de fazer porcaria! - Baden? – corrigi ainda a tempo fazendo assim que ela me olhasse com um estranho sorriso na cara.
- Estou a treinar – explicou com um tom de voz calma.
- A treinar para o quê…?
- Para conhecer os amigos do Marco!
- Já os conheces…
- Mas tenho que treinar à mesma! Achas que se disser olá com uma voz mais sedutora tenho mais hipóteses de fazer amizades?
- Talvez – caminhei em direção ao sofá e sentei-me colocando um dos braços em torno no ombro dela – como estás?
- Bem!
- Quando chegaste aqui não achei isso…
- Era o choque inicial, sabes como é…mas depois passa, não esta dor horrível mas sim a sensação de mau estar. Agora estou bem, principalmente vamos deitar o olho aos jogadores de futebol.
- Sim, e tu adoras futebol!
- Nem por isso mas sabes que por ti faço isto. Pelas pessoas que nós gostamos fazemos sempre tudo, não é?
- Minha fofa – abracei-a, apertando-a contra mim – tudo vai correr bem.
- Eu sei – assegurou.


- Halle? – colocou a sua mão na minha perna e fez com que eu a olhasse.
- Se…esquece. – virou a cara para o lado e retirou a mão da minha perna.
- O que foi Thaís? Fala.
- É que…bem, se eu aqui em Dortmund saísse com alguém durante estes dois dias, irias contar ao Mario?
- Se tu não lhe contasses porque havia eu de lhe contar?
- O Marco e tu são amigos dele e…podiam contar, eu não sei… - colocou a mão na testa e mirou o chão enquanto mexia os pés inquietamente.
- Conheço-te suficientemente bem para saber que se fosses sair com alguém só ias mesmo sair.
- Deixas e não contas a ninguém? - perguntou como que uma adolescente a pedir para sair à noite. Senti-a tão frágil.
- Claro que deixo e não, não vou contar a ninguém.
Olhámos as duas para o relvado e para as bancadas. Incrivelmente já estava tudo vazio. Ainda se ouvia a playlist das músicas que tinham colocado no fim de o jogo ter acabado.
- Achas que aquelas meninas já estão prontas? – falou colocando os seus pés sobre o encosto do lugar da frente – estou farta de estar aqui…não consigo estar muito tempo no mesmo lugar.
- O Marco garantiu-me que no máximo demorava vinte minutos.
- Já passaram…
- Olha pois já! – olhei espantada para o relógio – vamos então?
Assentiu com a cabeça e levantou-se. Fomos as duas em direção às garagens. Podia apostar que o Marco ainda não estava despachado, o normal claro!
Passado uns minutos o Marco apareceu com alguns dos seus colegas. Vi a Thaís a fixar-se em cada um deles, como que analisando-os. Entendia o seu lado, precisava de se animar, de se divertir. Necessitava de se esquecer do Mario por uns dias para depois voltar à realidade.
- Olá! – o Marco saudou-nos agarrando-me depois e para me dar um leve beijo na bochecha. – o que é que ela tem? – falava da Thaís que parecia não ter visto o Marco, estava de costas para nós noutro mundo.
- Faz uma coisa por mim, por ti, por ela e pelo Mario. Diz ao Erik para cuidar dela.
- O quê? – perguntou confuso.
- Eu vou ali… - a Thaís virou-se para nós finalmente, tinha um sorriso – oh, olá Marco. Está tudo bem?
- Sim e contigo?
- Também!
Inclinei um pouco a cabeça para confirmar as minhas certezas. O Erik olhava para ela tal como ela olhava para ele. Afastou-se de nós. Andei dois passos para a frente para conseguir ver melhor o que se passava entre aqueles dois.
- Não te armes em espia.
- É a minha menina, eu sei que ela está mal…
- Mas vai ficar bem. – assegurou-me.
- Não sei se vai…
A Thaís vinha na nossa direção com o Erik a acompanhá-la. Halle, agora espera o pior.
- Eu e o Erik vamos sair, jantamos e tal – explicou agarrando a minha mão e fazendo pequenos movimentos com os seus dedos na palma da minha mão.
- Portem-se bem. – disse beijando-lhe a testa.
Começaram a andar sem que o Marco tivesse tido qualquer tido de reação àquela informação.
- Erik? eu sabia que ele não resistia!
- Sim. – o Erik aproximou-se do Marco enquanto a Thaís continuava a caminhar.
- Toma conta dela, como deve ser.
- Eu tomo, Marco. – garantiu afastando-se com ela.


(Thaís)

- Bem – o ambiente estava estranho, demasiado estranho para eu conseguir lidar.
- Bem… - o Erik falou olhando para mim, voltou a olhar para a estrada e voltou a falar – bem…
- Então? – entrelacei uma mão na outra e fiquei à espera que ele dissesse algo.
- Então… - não íamos muito longe a falar assim – vamos para minha casa? – olhou para mim e assenti com a cabeça – e…o que é que se passou?
- Então? Tu não queres saber dos meus problemas pessoais.
- Quero sim. Se me quiseres contar eu estou aqui para ouvir e dizer umas coisas bonitas.
- Tu não dizes coisas bonitas! – atirei tornando o ambiente entre nós mais agradável.
- Digo, sim! – fingiu-se chocado para depois se rir.
- Do tipo: vamos para a cama Thaís?
- Sabes bem que nunca iria perguntar isso na tua situação atual.
- Tu sabes a minha situação atual!
- Não…quer dizer…
- O Marco fala de mais – interrompi – mas não tem mal, é para as pessoas perceberem o quanto aquele rapaz foi cabrão comigo.
- Tens a certeza dessa suposta traição.
- Ouve Erik – coloquei uma das minhas mãos na sua perna por instinto, olhou-me admirado e retirei a mão de seguida – desculpa – pedi referindo-me à mão.
- Tudo bem, podias ter deixado…eu é que achei estranho.
- Eu vi. – disse referindo-me ao que tinha acontecido com o Mario – eu vi com estes dois olhos aquele beijo. Ninguém me contou…
- Isso é lixado – colocou a sua mão na minha perna e olhou-me – eu vou animar-te hoje, prometo, palavra de Erik – piscou-me o olho voltando a olhar para a estrada.


Podia ter achado que quando disse que me ia animar era só uma daquelas promessas sem nexo. Daquelas que às vezes fazemos sem sequer nos apercebermos delas. Mas o Erik cumpriu à risca o que me prometeu. Consegui voltar a ser verdadeiramente feliz durante aquela tarde e o nosso jantar.
Na realidade eu precisava de mais. Precisava de me voltar a sentir livre de uma maneira totalmente inconsciente.
Aproveitei o domingo para passa-lo com os meus pais de manhã e à tarde dediquei-me à Halle e ao Marco. Ao lado deles sentia-me uma total adolescente revoltada já ao lado do amor deles sentia-me pequenina, sentia-me desprotegida porque neste momento não tinha o tal ao meu lado.

Já era de noite, queria sair. Queria divertir-me ao máximo para depois voltar para Munique já a ter certezas do que fazer. No fim de uma conversa longa com o Marco a tentar convence-lo a arranjar-me alguém que saísse comigo para a loucura total, consegui a tal noite. Tive que mudar de estratégia quando o Erik me disse que não lhe apetecia sair, muito menos num sábado à noite, já que tinha treino de manhã no dia a seguir. Mas eu sabia que o Marco havia de ter amigos que não se preocupassem com o dia seguinte, que quisessem aproveitar a noite tal como eu.
- Tenho um – falou finalmente – Aubameyiang é pegar…ou largar.
- Tem namorada? – perguntei curiosa. O que eu menos precisava agora era de namoradas histéricas porque fui sair com os namorados delas.
- Claro que não. Se tivesse não ia sair contigo, não é?
- Não sei…há quem tenha namorada e beije outras!
A Halle olhou para o Marco e depois para mim com uma cara triste. Chegou perto de mim e falou numa voz doce:
- Não faças asneiras por favor. Preciso demasiado de ti na minha vida.
- Calma, não me vou suicidar nem coisa parecida. Vou divertir-me.
- Sabes que a este não posso dizer para tomar conta de ti, é que nem dele próprio ele sabe cuidar.
- Posso ser eu a tomar conta dele – falei levando-os a rir.
- Podes. Poder até podes mas duvido que isso aconteça.

Como é natural em mim, apresentações aprofundadas é coisa que dispenso. Bastou-nos saber o nome um do outro para começarmos a viaje, ao paraíso. Disse qualquer coisa do tipo: vou-te levar a uma festa como nunca viste antes.
Claro que não acreditei nele ao início. Já fui a tantas festas que achava que nada me surpreendia até ter visto aquilo. Uma casa, a festa era numa casa. Aquilo era completamente fora do normal, a iluminação era espetacular, a música batia tudo. O volume elevado, as luzes e o intenso cheiro a álcool que invadia a casa.
- Não fazia ideia que pessoas como tu frequentavam sítios destes…
- Eu não frequento isto! – acabou de falar quando um rapaz passou por nós cumprimentando-o. Podia ser de noite mas consegui ver muito bem que lhe passou droga. Sim, droga!
- Deixa-me adivinhar…e também não tomas disso – falei apontando para a sua mão que estava fechada.
- Claro que não! – abriu a mão mostrando-me os dois pequenos comprimidos que ali estavam - queres?
- É forte?
- Não…é fraquinho.
- O que é que eu tenho a perder?
- A lucidez.
- Isso é ótimo! – falei tirando um daqueles pequenos comprimidos da sua mão.
- Vamos só…buscar bebidas primeiro.

A sensação? Completamente única. Na verdade nunca pensei sentir-me tão bem, nunca pensei que droga fosse tão boa. Não há noção do tempo, do lugar…não há noção dos nossos problemas. Aquela dor passa…aquela dor arrebatadora desaparece enquanto me preocupo com o sabor do próximo shot. Mas mesmo perdendo quase a noção de tudo, há uma algo que se mantém - não me posso envolver com um qualquer. Isso seria desastroso, chegando até a ser nojento.
A noite demorou a acabar, entre dançar e beber, mas tudo acabou de uma forma agradável. Sem envolvimentos com pessoas estranhas, sem descontrolo total. O Aumabeyang levou-me a casa e no fim de lhe agradecer a noite espetacular que me tinha dado entrei em casa da Halle. Não me senti com forças de subir as escadas. O efeito da droga tinha passado e a realidade começava a tornar-se nítida. Acabei por me sentir no sofá e adormecer passado alguns minutos. Amanhã era dia de decisões.




- Halle! Estava a ver que nunca mais ligavas. O Marco não me atende, eu preciso do número do rapaz de ontem! Acho que deixei as minhas chaves, do apartamento de Munique, ontem no carro dele ou então perdias – atirei assim que atendi.
- Eu não sou a Halle – boa! É o que dá atenderes as chamadas sem olhares para o visor. Afastei o telemóvel do meu ouvido confirmando que era o Mario que me tinha ligado…e eu tinha acabado de atender – quem é o rapaz de ontem?
- Deves ter muito a ver com isso!
- Não acredito que foste para Dortmund para te envolveres com qualquer um…
- Ouve! Eu ao contrário de ti não desço a esse nível. E realmente…tens uma boa impressão da tua namorada, só venho para Dormtund para me envolver com um qualquer…Sabes que primeiro para me envolver com um qualquer não precisava de sair de Munique e segundo eu em Dortmund tenho pessoas que gostam a sério de mim e não me traem.
- Eu não te traí!
- Então o que eu vi foi…um beijo inocente, foi?
- Foi tudo um mal-entendido! Eu não te traí Thaís.
- Se eu fosse a acreditar em tudo o que me dizem, estava mal, sabes? E agora eu vou desligar porque há pessoas que ao contrário de ti me respeitam que precisam de falar comigo e tu estás a ocupar isto, por isso adeus. – falei com ironia desligando o telemóvel a seguir.




- Onde é que está a Thaís? – retirei os fones dos ouvidos, havia um ruido e quando os tirei ouvi aquela pergunta, a voz do Mario. Não havia melhor maneira de regressar a casa, realmente!
- Mario, é melhor te ires embora. – a voz da Luna surgiu. Levantei-me da cama onde estava deitada e fui até à entrada da porta do quarto para ouvir melhor tudo o que se passava.
- Eu não me vou embora sem ver a Thaís!
- Mario, põe-te a andar! – o Luke falou, de uma forma violenta, quase, como eu nunca tinha ouvido – a Thaís saiu, ela não está cá e mesmo se estivesse, ela não iria querer falar contigo. Tu magoaste-a, ou não entendes isso?
- Eu sei que ela está aí e preciso de falar com ela.
- Mas eu não quero falar contigo, não agora e na verdade nem depois – saí do quarto e caminhei lentamente em direção ao Luke e deixei-me ficar atrás dele como que me protegendo – aguardo que saias e não incomodes os meus colegas que não precisam de levar com os problemas da tua vida…ou falta dela.
Agarrei o braço do Luke e esperei que o Mario se fosse embora, o que não demorou muito a acontecer.
- Desculpem – deixei a minha cabeça cair sobre o braço do Luke e pedi quase num sussurro.
- Não tens culpa – falou a Luna fazendo-me uma breve carícia no rosto – a culpa sei em bem de quem é! – falou apontando para o quarto da Alicia.
- Eu vou voltar para o quarto – informei começando a caminhar na direção certa.
- Estás…bem? – o Luke agarrou o meu braço impedindo que eu continuasse a andar.
- Vou ficar.
Voltei ao quarto e peguei no telemóvel iniciando chamada para a Julia.
- Olá fofinha! – disse ela assim que atendi.
- Planos para esta noite?
- Hum, deixa-me pensar. Podíamos ir jantar. Eu ligo à Sarah e vamos divertir-nos, que achas?
- Amanhã tenho que ir trabalhar, não nos podemos alongar muito nas horas mas é mesmo isso que eu estou a precisar.
- Thaís…? – perguntou a medo.
- Sim…
- O Thiago disse-me que…tu e o Mario…é verdade?
- É.
- Depois falamos melhor sobre isso?
- Sim.
- Beijinho.
- Beijo.
Desliguei a chamada. Coloquei o telemóvel em cima da cama e fui procurar algo para vestir. Preparei a roupa e depois comecei a arranjar-me. Precisava de fazer uma coisa sem falta antes de ir jantar com elas.

Retirei a chave da mala e abri a porta de casa do Mario. Tinha o direito e entrar em casa dele, assim? Claro que tinha. Aquela casa tinha muitas coisas minhas, desde roupa a sapatos e…tinha o Otto.
Pelo que a Julia me tinha dito quando trocámos algumas mensagens, o Mario não estaria em casa a esta hora. E era mesmo o que me dava jeito, não o ter ali era o ideal.
Entrei naquela casa normalmente. Sem qualquer tipo de medo ou receio. Ali estava o Otto, no seu aquário junto de algumas molduras com fotografias do Mario.
Baixei-me ligeiramente para ficar à altura do aquário.
- Eu pensei mesmo que era desta, que a felicidade que eu sentia ia durar para sempre – passei os meus dedos pelo vidro do aquário – mas parece que não.
Senti a presença de alguém atrás de mim. Levantei-me e virei-me para trás. Era o Mario que ali estava.
- Ouve, Thaís. Preciso tanto que me oiças.
Comecei por dar dois lentos passos em direção a ele. Esqueci-me de tudo o que se havia passado por uns momentos, eu precisava de me esquecer! Precisava de o voltar a ter só para mim nem que fosse por escassos minutos.
Coloquei uma das minhas mãos no seu pescoço, a sua pele suave e quente aqueceu a minha mão e fez-me sentir novamente especial. Aproximei o meu rosto do dele, encostei a minha testa à dele e fiquei por alguns segundos a saborear aquele momento. Senti a sua respiração mais acelerada de o normal, o meu coração batia depressa tal como o dele.
Num movimento rápido enquanto os meus lábios embatiam com os dele a suas mãos rodearam-me a cintura, apertando-me contra ele. Sentia novamente aquela proximidade, aquele amor. Começou a caminhar e eu acompanhei-o sabendo muito bem até onde aquilo iria levar.
O seu toque era muito mais apressado e até violento que o normal. Pensei algumas vezes no que estava prestes a acontecer mas nem por um segundo duvidei que era mesmo o que eu queria que acontecesse. Sabia que precisava dele, precisava de o sentir. Precisava de ter a certezas que nada tinha mudado entre nós e que tudo não passava de um mal-entendido.
- Sabes bem…que na minha vida só existes tu e mais ninguém. – a sua voz saiu lenta, seguida de pequenas mordidelas no meu pescoço.
Incrível é como aquelas palavras me fizeram desejá-lo de uma forma quase sobrenatural.
Desta vez, com uma delicadeza enorme deitou-me sobre a sua cama e beijou-me de uma forma apaixonada, veloz e impaciente.  As nossas peças de roupa já se encontravam espalhadas pelo chão e num movimento pacífico acabou por me retirar as peças que restavam ainda no meu corpo. E entregámo-nos ali, um ao outro, entre beijos, gemidos e mordidelas.
E mais uma vez, não foi apenas sexo, foi sim, amor. Amor intenso, o nosso amor.
Os nossos corpos, cansados, caíram sobre a cama. Voltei à realidade crua e dura quando o Mario me apertou contra ele e beijou-me a testa. Coloquei a minha mão na testa, apercebendo-me então da asneira que tinha acabado de fazer. Da cedência que tinha acabado de fazer. Levantei-me e vesti a minha roupa interior sobre o olhar atento do Mario. Caminhei até à sala e buscando o meu telemóvel. Tinha uma mensagem da Julia, e há poucos minutos, a perguntar se eu estava pronta. Respondi-lhe.

5 minutos. E, mudança de planos, apanha-me em casa do Mario.
Beijo.

Voltei para o quarto, e procurei o meu vestido. Vesti-o com o Mario fixado em mim.



Apressei-me a ir até ao lado dele da cama e sentei-me junto a onde ele estava deitado.
- Podes fechar, por favor? – pedi.
Acedeu ao meu pedido. Levantou o seu tronco e fecho do meu vestido demoradamente. Entretanto recebi outra mensagem da Julia.

Estou a chegar. Vais-me contar o que aconteceu, certo?

Apressei-me a responder, sem que o Mario visse as mensagens.

Talvez…

- Já está. – disse passando as suas mãos frias sobre os meus braços, arrepiando-me por completo – Thaís…? – virei-me para ele – e nós? – perguntou olhando-me.
- Nós…isso é uma conversa a ter depois.
- Depois quando?
- Depois…vou sair com a Julia e a Sarah.
- Falamos amanhã?
- Sim. – virei-me e senti os lábios do Mario a embaterem contra o meu pescoço.
Levantei-me um pouco atrapalhada ainda que sem o tentar demonstrar o Mario percebeu, e riu-se baixo. Saí do quarto e fui em direção à porta de entrada para sair para o exterior.
A Julia já me esperava e assim que entrei no carro não pude deixar de suspirar um ‘’ai’’.
- Vocês…? – a Julia falou olhando-me desconfiada.
- Nós…apenas nos enfiamos na mesma cama.
- Apenas?
- Sim…apenas.
- E vão fazer as pazes?
- Talvez…
- Saíste-me uma boa peça, Thaís Götze!
- Também tu?
- O Thaís Götze? – assenti com a cabeça e ela continuou – tudo te trata assim, Thaís. É que a vossa relação é mesmo engraçada. E de vez em quando também chamam o teu namorado Mario Baden. Trocam-vos os apelidos é bonitolindo! – já agora estás toda gira, admite que vestiste esse vestido para engatares o Mario.
- Não era bem essa a ideia – comecei – mas…até que resultou. – falei levando-a a rir.




 (Halle)

- A Thaís disse que eu me devia preocupar com o teu pai e com a tua mãe. E ela também disse que a Dona Elmara não gostava de loiros. Devo ficar preocupado?
- Ainda acreditas no que aquela maluca diz? – atirei o telemóvel para cima da cama em alta voz e ri-me com o que ele tinha acabado de dizer.
- Ela assustou-me com aquela conversa!
- Quem te manda a ti, ir pedir-lhe conselhos?
- Tenho que os pedir alguém, não é?
- A Thaís não é a pessoa indicada. Quando fui ter a tua casa no Natal, ela disse-me que a Dona Heloísa me ia assassinar.
- Ela disse isso?
- Disse! Ela é maluca! Não podes acreditar em tudo o que ela diz. E por estarmos a falar no nosso jantar. O meu pai não está cá. Logo vai ser só a minha mãe.
- Oh que bom! Que alivio! – disse levando-me a rir – O meu pai também não está cá, meu amor. Está em Berlim. Isto vai ser tão bom!
- Vai, Marco?
- Vai! É só com as mães, não há pais. Quando não há pais corre tudo bem.
- Esperemos que sim. Agora vou preparar-me para o nosso jantar.
- Leva um casaco que à noite arrefece.
- Mais alguma coisa?
- Passas a noite comigo?
- Fazes muita questão?
- Faço alguma…
- Em tua casa ou na minha?
- Pode ser na minha.
- Parece-me um belo plano.
- Combinado?
- Sim, beijito. Amo-te.
- Eu também te amo, minha flor.
Desliguei a chamada vestindo-me depois. Nada de muito extravagante, apenas o ideal para o jantar de esta noite.



Peguei depois num casaco e saí de casa. Vesti-o enquanto ia em direção ao carro. Olhei algumas vezes antes de atravessar a rua. Desde o que tinha acontecido sentia um medo enorme em atravessar a rua.
Cheguei ao carro e coloquei as coisas em ordem. Olhei uma última vez para o telemóvel para ver se havia alguma novidade da Thaís. Ainda devia estar em estágio a esta hora.
Tirei uma foto antes de me dirigir para casa dos meus pais.



É sexta-feira, finalmente! Bom fim-de-semana (:



- Halle! – a minha mãe veio até à sala e chamou por mim – levanta esse teu rabo grande e vai abrir a porta.
- O Marco costuma dizer que é jeitoso… - disse levando-a a rir.
Voltou para a cozinha e eu levantei-me indo em direção à porta, dançando pelo caminho. Estava verdadeiramente feliz.
- Olá! – falei sorrindo e abrindo a porta.
O Marco avançou, dando-me um breve beijo no nariz e depois os lábios.
- Como estás, minha flor? – perguntou entrando em casa deixando a mãe para depois.
- Bem - respondi – olá! – falei cumprimentando Heloísa.
- Olá Halle, estás cada vez mais bonita!
- Não diga isso que eu fico envergonhada. – pedi rindo do nervosismo.
- Sim mãe, não digas isso que só eu posso deixar a Halle envergonhada.
- Tens ciúmes é, Marco Reus? – perguntou a Heloísa como que desafiando o Marco.
- Tenho sim, Heloísa Reus, ela é minha! – falou rindo e agarrando-me pela cintura.
- Vou chamar a minha mãe. – avisei.
- Eu vou contigo – permaneceu com as suas mãos na minha cintura e caminhámos os dois em direção à cozinha.
- Minha mãe – falei com que ela olhasse para mim – o meu Marco… - falei fazendo assim com que um sorriso aparecesse no seu rosto. Veio em na nossa direção e deu dois beijos ao Marco, cumprimentando-o.
- Tenho muito gosto em conhecer-te, Marco!
- Eu também tenho muito gosto em conhece-la Dona Elmara.
- Deixa o Dona para lá, trata-me apenas por Elmara.
O Marco sorriu-lhe e agarrou novamente a minha cintura beijando-me o pescoço em seguida.
- Mãe, a mãe do Marco está na sala, que tal vires conhece-la?
- Sim, claro, deixa-me apenas acabar isto.
- Está bem.
Voltámos para a sala ainda agarrados e sentámo-nos no sofá. Sentei-me no colo do Marco olhando para a Heloísa, eram parecidos.
- Então, Halle? Fala-me sobre ti, nasceste cá?
- Sim.
- Mas esse cabelo…
- A minha mãe nasceu na Colômbia e depois veio para cá mas os meus avós são mesmo colombianos.
- Que engraçado, tive várias colegas que também tinham nascido na América do Sul e depois vieram para cá.
- E cá estou eu… - a minha mãe chegou à sala e virámo-nos para trás para a ver. Tinha um olhar estranho. Olhava a Heloísa de uma maneira mesmo estranha - tu? – a voz dela saiu mais fraca.
- Elmara? Eu não acredito… - a Heloísa falou pegando depois na sua mala e levantando-se – é melhor irmos, embora Marco.
- Sim, eu também acho. – atirou a minha mãe.
Tanto eu como o Marco as olhávamos confusos, não percebíamos nada do que se passava ali. Elas conheciam-se e pelo que parecia não se davam muito bem.
- São capazes de nos explicar o que se passa aqui? – falei levantando-me do colo do Marco.
- Este jantar não devia ter sido planeado… - a minha mãe falou mais uma vez com aquele olhar estranho ainda.
- Concordou – a Heloísa falou caminhando em direção à porta – vamos embora, Marco?
- Esperem lá! Podem parar de agir como crianças? Que tal nos contarem porque é que estão a agir assim? É que nós não estamos a entender nada! E tenho a certeza que o problema que as duas têm não será nada que não se resolva, e senão se resolver, eu não quero saber mas vocês vão ter que se respeitar uma a outra. Eu encontrei o homem da minha vida e não vou deixar de ser feliz só porque as nossas mães não se dão bem!


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Boa tarde!
Aqui está mais um. Espero as vossas opiniões que nesta fase da história são bastante importantes.
Bom resto de semana.
Beijos,
Mahina ღ



sábado, 11 de outubro de 2014

29º Capitulo - « O Mario sente a tua falta na cama »

- Thaís, tem calma! – disse o Luke agarrando-me as mãos.
- Clama? Como é que queres que eu tenha calma? Tu ouviste o que ela me disse!
- Mas ela é assim…eu estou com ela a fazer fisioterapia e ela diz isso a toda a gente.
- Ela sabe o meu nome!
O Luke retirou-me o crachá e virou-o para mim.
- Thaís Baden, estagiária. – disse lendo.
- Mas…
- Podes parar…está tudo bem – puxou-me para ele e abraçou-me, estava mesmo a precisar – eu sei que me mexeu contigo mas é só uma senhora que pensa que vê o futuro e sabe o passado de toda a gente. – apertou-me um pouco mais contra ele e fechei os olhos tentando acalmar-me – quando me conheceu ela disse-me logo que sabia a minha história e eu ri-me. Contigo teve a sorte de o dizer e de tu te identificares com isso mas ela não sabe nada de nada.
- Começo a achar que isto me está a afetar…eu digo que não mas eu quero conhecer a minha mãe biológica, a minha família. Ainda há pouco disse que não me sentia preparada e que não era a melhor altura mas começo a achar que preciso de encontrar pelo menos a minha mãe biológica para me sentir bem…para me conseguir sentir completamente feliz.
- Eu sei, eu entendo e…quando te sentires preparada podes contar comigo.
- Obrigada – agradeci largando-me dele.
- Voltemos ao trabalho, anda! – agarrou a minha mão e saímos do gabinete voltando depois para a sala onde estávamos há pouco.


Tinha saído mais cedo do estágio, talvez porque a fisioterapeuta que nos estava a orientar o estágio, a Solange, reparou que estava um pouco longe de tudo. Não era que eu quisesse mas aquilo tinha-me afetado de verdade.
A casa estava vazia, o Luke e o Liam ainda tinham ficado no centro a cumprir o horário completo e a Alicia e a Luna provavelmente ainda estavam no centro de treinos do Bayern. Ainda não tinha falado com o Mario sobre isso. Estariam a correr bem as coisas lá?
Liguei ao Mario, esperando que ele atendesse o que se sucedeu segundos depois.
- Olá minha companheira de cama – muito bem, aquela não era a voz do Mario – como estás minha ursinha de peluche?
- Thomas Mullër, andas a pedí-las! Onde é que está o meu namorado?
- A levar com água quente no seu corpo despido. Sim, não és só tu que o vês nu. 
- Oh bolacha americana? – boa, o telemóvel mudou de dono.
- Olá Jérôme Boateng.
- O Mario sente a tua falta…na cama! – atirou levando a que uma serie de gargalhadas se ouvissem. Aquele balneário devia ser muito animado.
- Diamante mais brilhante, preciso que vás lá a casa! – e mudou outra vez de pessoa. Thiago Alcântara.
Ei o Thiago precisa que a Thaís vá la a casa, oh Mario! – foi o que ouvi como barulho de fundo.
- Oh seus feios! A minha cadela partiu a pata – informou-me.
- Não sou veterinária, Thiago.
- Mas ela precisa de fazer fisioterapia!
- Goza comigo que eu gosto, goza. E preciso do meu namorado! – barafustei.
- Ele demora muito tempo no banho, sabes como é.
Ai não sabe! Os dois juntos devem demorar o dobro. – mais uma boca foleira.
- Importam-se de para de falar da nossa vida intima? – perguntei.
- Nós paramos de falar sim, bolacha americana. Estás em alta voz – informou-me o Jérôme.
- Olá meninos! – saudei animada. Eles tinham conseguido que eu ficasse assim.
- Espera, o Bastian sentiu-se excluído! Tens que dizer olá meninos e meninas.
- Por falar nisso. Vá contei-me, desembuchem como tem sido a Alicia e a Luna aí no centro.
Formou-se um silêncio enorme. Falam tanto para umas coisas e para outras nada.
- Vá! Falem! Não me queiram ver enervada. Jérôme fala tu que estás solteiro.
- Fogo! Teve que me calhar a mim? Muito bem eu falo. Há uma loira que se atira a tudo o que mexe…
- A Alicia. – informei.
- E depois há uma morena que é simpática.
- A Luna. – concluí – muito bem, o meu namorado?
­- Está a caminhar para aqui, sempre sexy.
- Gays!
- Muito! Só não te papo o namorado porque nem tu nem a Sarah deixam! – atirou o Bastian.
- O que é que vocês estão a fazer? – finalmente, Mario.
- A falar com a tua namorada, já que tu estás mais interessado em tomar banho.
- Trataram-te mal, meu bem?
- Não, chamaram-me ursinho de peluche, bolacha americana e diamante brilhante. Fui bem tratada.
- Vá, agora vamos tirar isto de alta voz que isto não é bonito. – esperei uns segundos até ouvir outra vez a sua voz – temos hoje o nosso jantar romântico?
- Já estou a começar a preparar o jantar, pode ser amanhã?
- Thaís…estás bem? Não gostas de cozinhar e estás a cozinhar…
- É estranho sim mas…eu preciso de me livrar de pensamentos e se seguir a receita à risca, não deve ficar assim tão mal.
- Mas estás bem?
- Sim, depois falamos sobre isto amanhã, pode ser?
- Claro.
- Vou continuar a fazer o jantar, adoro-te muito.
- Eu também, meu bem. Beijo.
Acabei por desligar e começar a cortar umas coisas para o jantar. Ouvi a porta bater, já alguém tinha chegado.
Estava a sentir-me estranha, por muito que quisesse esquecer o que se tinha passado ainda estava tudo muito recente na minha cabeça. Sem me dar conta a faca escorregou-me da mão e fiz um pequeno corte no dedo.
- Oh boa… - disse pegando num lenço e limpando o sangue que tinha no dedo.
- Thaís! Estás bem? – a Alicia entrou na cozinha e dirigiu-se a mim.
- Sim, foi só um corte… - desvalorizei.
- Anda comigo – pegou-me na mão e levou-me até à casa de banho – vamos tratar disso.
- Não é nada, Alicia.
- Deixa-me ajudar-te – começou a desinfetar-me o corte e depois colocou-me um penso. – já está.
- Obrigada – agradeci.
- Estás estranha…
- Mas está tudo bem.
- Se precisares de falar…podes contar comigo. Somos amigas – sorriu-me sincera.
- Obrigada – agradeci.




- Vamos ter um jantar romântico! – atirei assim que saímos do carro – como é possível?
- E tu vais-te declarar a mim! Como eu desespero por isso!
- Tem mesmo que ser? – entrelaçou a sua mão na minha e começamos a dirigir-nos para o restaurante.
- Sim!
- Mas…
- Eu acho que até vou gravar isso!
- Ai de ti, Mario Götze! Perdias logo uma namorada.
- E ganhava uma noiva…
- Oh! – parei no caminho e fi-lo olhar para mim – nem penses! Não tenho idade nem paciência para isso.
- Estava só a brincar – esclareceu.
- Começo a ter medo das tuas brincadeiras…
Continuamos a andar até entrarmos no restaurante. A partir daí foi normal. Sentamo-nos, pedimos e entre conversas e brincadeiras comemos. Evitei ao máximo a conversa da declaração, não seria capaz de o fazer. Não sou rapariga de conseguir exprimir os meus sentimentos muito menos a ele.
- Thaís, chegou a hora.
- Espera! Há algo que te tenho que contar – fiz cara séria e coloquei a minha mão sobre a dele, fazendo com que ele ficasse com um ar assustado – olha eu a tentar ser dramática! – retirei a minha mão de cima da dele e sorri juntamente com ele – quero uma opinião tua.
- Acerca de…
- A minha tia propôs-me desfilar em Barcelona.
- Isso é bom?
- Provavelmente…
- E tu queres?
- Não sei…
- Há rapazes?
- Eu sei lá se há rapazes! – atirei – tenho cara de vidente?
- A ideia de haver de rapazes assusta-me.
- A ideia de haver duas raparigas a estagiar no teu centro de treinos também me assusta e eu não digo nada! – não me respondeu e desviou o olhar do meu – mas eu pedi-te uma opinião.
- Espera…estás a pedir-me uma opinião sobre a tua vida pessoal, o que quer dizer que gostas mesmo de mim…senão nunca irias pedir a minha opinião…certo?
- Eu sei lá! Dá mas é a tua opinião.
- Eu acho espetacular, uma oportunidade incrível e desfilar com a coleção da tua tia não é todos os dias.
- A sério…? – perguntei a medo.
- Claro que é a sério.
- Obrigada Mario – desta vez coloquei a minha mão sobre a dele com intenção, nunca esperei que ele tivesse aquela reação.
- Thaís…hoje é um dia importante…
- Mario… - sussurrei com medo do que podia vir.
- Deixa-me continuar, hoje é mesmo um dia importante oh meu Deus!fazemos um mês de namoro ele contou os dias… - e é importante porque Thaís Baden, tu, mudaste a minha vida por completo! Ensinaste-me tanto, deste-me tanto…e quero acreditar que eu também te dei algo. E tu fazes-me tão feliz…que nem imaginas!estou chocada!e queria que me dissesses se partilhas o mesmo sentimento, por isso é que quis que este jantar acontecesse…entendes?
- Oh Mario…eu, eu… - levantei da cadeira onde estava sentada e fui até ele – dá espaço, anda – pedi, fazendo gestos para que me deixasse sentar no seu colo – podemos esquecer o que eu vou dizer a seguir? – perguntei levando-o a rir, assentiu com a cabeça e prossegui – És…talvez tudo aquilo que eu precisava para me sentir bem, fazes-me feliz, dás-me segurança, és um chato e és o meu namorado e eu sinto-me muito feliz por isso, e tenho orgulho disso e…Mario Götze, eu estou completamente apaixonada por ti!
E eu não acredito que acabei de dizer isto. Podia ter diversas reações mas apenas me beijou, da sua forma tão genuína. Fazendo com que os seus lábios se encaixassem com os meus perfeitamente. Falando entre beijos um - és me tanto.
- Mario?
- Diz.
- Se contas isto alguém…eu irei negar.
- És tão doida. – falou beijando-me outra vez de seguida.


- Tenho uma surpresa! – avisou assim que atendi.
- O que é, o que é?
- É surpresa!
- Mas Mario…eu…diz lá…por favor – pedi.
- A que horas sais?
- Olha, daqui a quinze minutos.
- Então, queres que te vá buscar?
- Podes vir…
- Que alegria! Oh sim, amor da minha vida, meu namorado estou ansioso que me venhas buscar! – ironizou.
- Até estava se me dissesses qual é a surpresa.
- Não vai acontecer, chantagista.
- Então, adeus! Vou trabalhar.
- Vai sim, amorzinho. Beijo, até já.
- Até já.
Desliguei o telemóvel e coloquei-o no bolso da bata.
- Thaís? – a voz da Solange fez-se soar no consultório. Abriu a porta pouco tempo depois e entrou – estás aqui.
- Vim só… - atender o telemóvel ao meu namorado.
- Tudo bem – respondeu-me com um sorriso – preciso só de falar contigo, com o Luke e o Liam. Podias chamá-los, por favor?
- Sim, claro. Dê-me uns minutos.
Sorriu-me e saí do gabinete em direção às salas. Encontrei o Liam logo na primeira e avisei-o que a Solange queria falar connosco. O Luke iria ser mais difícil de encontrar, provavelmente ainda estava a fazer uma sessão de fisioterapia a esta hora. Encontrei a sala onde ele estava e entrei.
- Thaís! – saudou-me o Luke.
Olhei-o atento, estava a tratar da D. Klaudia, a tal senhora que disse a famosa frase que ainda não me saiu da cabeça: eu conheço-te Thaís…eu sei toda a tua história.
- A…Solange precisa de falar connosco. – disse atrapalhada. A maneira como a senhora me olhava assustava-me de verdade.
O Luke falou com ela para depois se juntar a mim.
- Vamos? – perguntou saindo da sala.
- Claro… - acompanhei-o e percorremos o corredor em passo lento – eu preciso de falar com ela.
- Thaís…
- Thaís, nada! Viste como ela me olhou? Ela assusta-me!
- Já contaste ao Mario? – perguntou mudando o rumo da conversa.
- Não. Temos estado a tratar de outros assuntos.
- Tu queres contar-lhe, Thaís?
- Acho que não. Não sem antes falar com aquela mulher.
- Continuo a achar que será inútil, eu já te disse que ela não diz tudo certo. Ela é assim com toda a gente, o que te faz acreditar que contigo seja diferente?
- O olhar…a forma como me olha. Parece que me conhece, é estranho! Eu sinto que ela me pertence de alguma maneira.
- Tu lá sabes o que dizes.
Acabámos por entrar no consultório, falar um pouco do estágio, de como estava a correr e do que ainda nos esperava. Já tinham passado umas três semanas. Estava tudo a correr bem no meu ponto de vista. Estava-me a dar otimamente com as pessoas, percebi que queria de verdade isto para o meu futuro.
Saímos os três do centro e o Mario já me esperava, despedi-me dos do Liam e do Luke e fui até ao Mario.
- Qual é a surpresa? – atirei.
- Boa tarde!
- Oh Mario – cheguei perto dele e juntei os nossos lábios – boa tarde.
- Queres a surpresa?
- Quero muito, muito, muito.
- Tanto quanto me queres a mim?
- Não, a ti quero-te mais mas eu quero a surpresa.
- Então fecha os olhos.
- Já fechei – avisei de olhos fechados.
- Espera um bocadinho – parecia-me uma eternidade – e agora podes abrir, apresento-te o Otto.
- Um peixe? – atirei.
- Sim, um peixe. É o nosso peixe.
- Porque é que lhe deste um nome?
- Ao próximo dás tu, pronto…
- És tão lindo – dei-lhe um pequeno beijo nos lábios para depois lhe tirar o saco que tinha o peixe – tão lindo, o Otto da mamã – disse com uma voz de bebé, o Mario olhava-me chocado.
- Não voltes a fazer isso – pediu – é demasiado chocante.
- Eu sou a mamã, trata-me bem e poderás ser o papá. – olhei para um peixe mais umas vezes, era muito…peixe. – posso-lhe tirar uma foto?
- Sem flash que depois cegas o peixe.
- Oh, não cego nada. Vamos dar as boas vindas ao Otto lindo e informar os tios.
- Quem são os tios?
- A Halle e o Marco!
- Eles devem querer ser tios devem mas não de um peixe.
- É o nosso peixe, Mario! É o nosso Otto. Vamos para casa, já tens aquário?
- Sim, já. Vamos lá.
Passei o caminho a olhar para o peixe, era mesmo engraçado. Sentia que estranhamente este peixe era algo que nos iria ligar mais. O Otto era nosso, de nós os dois. Algo que nos unia ainda mais.
- Sabes que devias vir viver cá para casa, para cuidarmos os dois do Otto – o Mario acabou por colocar algumas das coisas que tinha comprado no aquário. E no fim de estar tudo pronto colocou o Otto lá dentro.
- Não vai acontecer…
- Pelo menos tentei a minha sorte…
- Afasta-te lá para eu tirar foto ao peixe. – baixei-me para ficar ao nível do aquário tentando depois tirar-lhe uma foto, o que estava a ser complicado porque ele não parava quieto – ele está sempre a mexer-se!
- Normal Thaís, é um peixe!
- Mas eu quero uma foto.
- Dá cá. – entreguei-lhe o telemóvel para as mãos e fiquei a olhar o Mario que andava com o telemóvel de um lado para o outro para tentar tirar-lhe uma foto – já está.
- Isto está horrível! – atirei, depois de ver a foto que ele tinha tirado.
- É pegar ou largar…
- Eu pego.
- Também o que é que tu não pegas? – chegou mais perto de mim, colocou os seus braços em torno da minha cintura e dobrou-se sobre mim. Caímos assim os dois no sofá.
- Eu não vou responder a essa pergunta. – falei debaixo do seu corpo. Coloquei uma das minhas pernas sobre as suas, prendendo-o ali – olha lá, como é que anda a tua vida social?
- O quê?
- A tua vida social, Mario…ninguém me conhece pois não?
- Não – disse rindo – tens medo?
- Talvez…
- Vamos tirar uma foto!
- Não, isso não vai acontecer.
- Porquê?
- Fotos nossas, nas tuas mãos é perigoso. Mario…?
- Diz.
- Tu nunca irias expor a nossa relação sem falares comigo primeiro, certo?
- Certo.
- Mesmo? – perguntei a medo.
- Sim – deu-me um pequeno beijo no nariz – nunca te exporia sem o eu consentimento.
- És tão…
- Espera, diz o que disseste no outro dia, por favor – pediu levando-me a rir.
- O quê?
- Aquilo…de que estás completamente apaixonada por mim.
- Isso era só no outro dia, agora já não estou.
- Thaís…por favor. – a maneira como me pedia, levava-me a rir. Falava de uma forma calma mas engraçada. E nunca tinha pedido tal coisa antes.
- Eu não estou…eu sou completamente apaixonada por ti.
- Sabes que ficas ainda mais linda a dizer isso?
- Oh Mario…
- É verdade, ficas mesmo perfeita. Eu também sou completamente apaixonado por ti. – beijou-me de seguida, sem que eu tivesse tempo de dizer uma só palavra.
- Agora deixa-me publicar a foto – pedi rolando por baixo dele para que ficasse ao seu lado.



Bem vindo Otto





O plano era fácil. Uma saída de sexta à noite, a uma das discotecas de Munique. Eu e o Luke já tínhamos pensado nisto algum tempo. Desde que estávamos em Munique ainda não tínhamos ido sair, por isso eu, o Luke, o Liam, a Alicia e a Luna tínhamos alinhado. O Mario ia connosco e a Solange também iria. Apesar de por vezes fazer aquele ar de durona que nos orienta o estágio, ela era bem simpática e divertida. Apostava que o Mario levava companhia, o irmão…o David. Sozinho ele não ia.
Acabámos o estágio na sexta à tarde e viemos para casa. A partir daí foi sempre a correr, fizemos o jantar, arranjámo-nos e depois saímos em direção à discoteca.
- Estás estranha. – o Luke esperou por mim já que era eu que tinha ficado para ultimo e como tal fechava eu a porta.
- Isto é estranho… - comecei – mas eu estou com um pressentimento assim mau.
- Do tipo…vai começar a chover? – brincou.
- Não! Do tipo…não sei, mas é mau.
- Dormiste bem?
- Sim, dormi. Era suposto não ter dormido? – agarrou-me a mão e abriu a porta das escadas para irmos por lá.
- Eles devem estar no elevador e depois temos que esperar por eles – explicou – às vezes quando não durmo bem também fico assim.
- Isto deve ser do dia. É sexta feira e…pronto é sexta-feira.
- Estás estranha! – deu-me um encontrão levando-me a rir.
Chegámos ao hall do prédio e os outros já esperavam lá por nós. Saímos todos animados, esta prometia ser uma grande noite.


- Deste-lhe o jantar? – encostei-me ao Mario e ele rodeou-me a cintura.
- Dei.
- Mas alimentaste bem o nosso bebé?
- Sabes que se lhe dermos comida a mais ele também morre, não sabes?
- Se lhe dermos comida a mais fica como tu, gordo.
- Eu não sou gordo!
- Eu sei que não, trabalhas muito para teres esse corpinho. – dei-lhe um pequeno beijo nos lábios para me afastar em seguida – vou ali e venho já.
Fui até junto Luke que estava sozinho, fixado a Luna para variar.
- É hoje? – perguntei na brincadeira.
- Achas? Ela não está para lá virada.
- Quem sabe, Luke…quem sabe…
Agarrei o braço dele e virei-me para o lado onde há pouco estava o Mario. Tinha aquela necessidade de estar sempre a olhá-lo, começava a ficar como aquelas namoradas todas apaixonadas que sentiam falta dos namorados, que nem há 1 minuto estavam afastadas.
O espanto não podia ser maior. Não queria nem conseguia acreditar no que via. Parecia que o meu coração tinha parado. Não havia palavras para descrever o que sentia…o meu namorado a beijar aquela que se dizia ser minha amiga bem há pouco tempo, a Alicia.
Olhei para o Luke que olhou para mim no fim de ter visto o mesmo que eu. Virei costas e comecei a andar em passo acelerado para o exterior. Precisava de ar, precisava de vida porque na verdade parecia que a tinha perdido.
- Thaís? – a voz do Mario… - Thaís? Espera!
Continuei a andar até conseguir chegar ao exterior.
- Thaís! Espera por favor! Aquilo não era o que parecia!
- Não digas essa frase… - as forças faltavam-me para falar – não te atrevas sequer a dizer essa frase…
- Thaís, ouve-me! – agarrou o meu braço chegando perto de mim.
- Larga-me! – afastei-me dele – tu não me toques! Tu metes-me nojo!
Continuei a andar, sem um caminho a seguir. Acabei por dar a volta à discoteca. A parte de trás estava deserta o perfeito para eu me isolar durante uns minutos.
- Thaís…?
Virei-me para trás encarando o Luke, corria até ele quase como que uma criança a correr para os braços de um pai.
- Calma… - falou com uma voz doce e delicada enquanto me acariciava o cabelo.
- Eu…eu não vou derramar qualquer tipo de lágrimas por…ele… - acabei aquela frase num tom rude, ele não merecia outra coisa. 


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Bom dia!
Peço que não me matem e tenham um bom fim de semana.
Espero que tenham gostado, aguardo ansiosamente a vossa opinião a esta parte final.
Beijos,
Mahina