quarta-feira, 2 de julho de 2014

22º Capitulo - « (...) o pai desta criança é o Mario »

- Mas vocês conhecem-se? – perguntei surpreendida.
- Espera a Cíntia é…a Cíntia? – perguntou o Mario sorrindo.
A minha cabeça não podia estar mais confusa. Estar ali, ver a Cíntia passado tanto tempo e…o Mario conhecia a Cíntia.
As memórias começaram a invadir a minha cabeça.



- Ah! – gritei tentando alcança-la enquanto fugia pelo corredor – Cíntia! Conta-me!
- Não, não te conto nada!
- Anda lá mana! – implorei.
- O que é que queres saber, oh feia?
- Mais bonita que tu! – atirei – como é que correu o encontro? – perguntei tentando com que ela me falasse do novo namorado.
- Bem.
- Como é que ele é? – perguntei curiosa.
- É todo tatuado e cheio de piercings!
Olhei para ela de forma suspeita, só podia estar a gozar…ou não.
- Estou a brincar! Não tenho assim tão mau gosto!
- Sinceramente? De ti já espero tudo!
- Ele é loiro…
- Olhos azuis e musculado, não Cíntia. Isso já foste tu a sonhar.
- Queres ou não saber?



- «Não sei se é amor mas no Louis eu vejo tudo…ele trata-me bem, ele respeita-me faz de mim uma pessoa melhor. Quando me criticam é ele quem me defende porque ele me conhece… como mais ninguém me conhece.». Verdadeiramente bonito, Thaís!
- Cíntia! Dá cá isso! – ordenei chegando perto dela e tentando-lhe tirar a folha de papel – respeita-me! Isso é meu e tu não tens o direito de ler!
- «A minha coragem é pouca, na verdade não sei como fazer para me aproximar ainda mais dele. Sou insegura quanto a ele.» Ai Louis! – disse enquanto se ria.
- Cíntia! Estás a desiludir-me! Tu não eras assim! Porque é que encistes em fazer-me isto? Uma irmã não faz isto à outra!
- Eu não sou tua irmã! – atirou – não te pertenço nada, entendes?
- O que entendo é que tu não dás valor ao que tens! Preferias ter ficado num orfanato e aos 18 anos teres sido posta fora? Sem um lar, sem nada? Tu não dás valor ao que tens! Merecias muito menos…e tu cada vez vales menos, estás a tornar-te numa pessoa horrível! – atirei antes de ir para o meu quarto.


- Posso entrar? – perguntou a Cíntia abrindo um pouco a porta do meu quarto.
- Sim. – respondi de uma forma seca.
Sentou-se na cama junto a mim e agarrou a minha mão.
- Desculpa…- sussurrou – eu não queria fazer nem dizer aquilo…eu amo-te tanto Thaís…tu és a minha vida percebes? Tu és a pessoa mais importante para mim neste mundo. E eu não te quero perder. Tu és a minha irmã mais nova! O que eu disse há pouco foi sem pensar e desculpa ter lido aquilo.
- Cíntia…percebe tu és a minha maior confidente, és a minha melhor amiga e magoaste-me há pouco…eu não esperava aquilo de ti…não de ti. Tu mudaste…
- O meu sentimento por ti não mudou é isso que interessa.
- Nunca me deixes Cíntia…eu sem ti sinto-me perdida, és o meu suporte, és a minha segunda mãe.
- Eu nunca te vou deixar.
- Prometes?
- Prometo que…aconteça o que acontecer tu estarás sempre gravada no meu coração.



- O que é que me queres contar afinal, Cíntia? – perguntei enquanto me levava pela mão até ao seu quarto.
- Hoje aconteceu uma coisa…
- O quê?- perguntei sentando-me junto dela em cima da cama.
- Eu experimentei droga…
- Tu estás doida?! – quase que gritei, não podia estar mais chocada.
- Cala-te! – ordenou-me – queres que os pais ouçam?
- Tu deves estar doida! Completamente maluca! Tu ouviste bem o que acabaste de dizer?
- Só te estou a contar a verdade!
- Não o devias ter feito!
- Foi uma vez…e não vai voltar a acontecer.
- Isso é o que tu dizes! É o que todos dizem! – levantei-me da cama e caminhei por algum tempo, dando voltas e voltas naquele quarto – sabes no que te meteste?
- Relaxa Thaís! Foi só uma vez e aqui a mais velha sou eu.
- Olha que não parece! Eu sou dois anos mais nova do que tu mas tenho a perfeita consciência que a droga não é um bom caminho.
Volte a sentar-me junto dela. Agarrou a minha mão e olhou-me com um sorriso.
- A sensação é fantástica! Nunca pensei sentir-me assim. Parece que estás a viver num mundo completamente diferente, um mundo só teu. Não há dor, não há sofrimento. Há apenas paz, tranquilidade. É como estar nas nuvens. Não foi tão mau como eu imaginava!
- Não foi tão mau como eu imaginava! – disse imitando a voz dela – estás louca, desvairada! Ganha juízo Cíntia! – acabei por dizer saindo do quarto.



- Cíntia? – entrei no quarto e chamei-a fazendo com que ela me olhasse – não acredito… - via o seu olhar distante…aquele sorriso na cara de quem não sabe porque sorri – Eu não acredito Cíntia! Tu estás drogada!
- Não sabes o que dizes… - disse fazendo um esforço para pronunciar aquelas palavras.
- Isto tem que acabar!
- Não és minha mãe! – o seu tom de voz mudou completamente, estava furiosa e gritava comigo – nem tu nem a Minna! Eu não tenho mãe! Não tenho pai! Posso fazer da minha vida o que quero e bem me apetece!
- Tu vais-te arrepender!
- E então? E se me arrepender? Arrependi! A vida é minha e faço o que quero dela, entendeste?



- Preciso da tua ajuda! – disse entrando no meu quarto.
- O que é que queres? – dinheiro, provavelmente queria dinheiro para alimentar os vícios.
- Eu preciso de dinheiro, meti-me num grande sarilho.
- Vai pedir à mãe. – atirei de forma seca.
- Ela não pode saber!
- Não és tu que dizes que ela não é tua mãe? Qual é o problema de lhe pedires dinheiro?
- Thaís ajuda-me! – implorou agarrando-me o braço.
- Não Cíntia! Não te ajudo! Ajudo-te se quiseres sair dessa vida! Se quiseres continuar na droga eu não te ajudo.
- Eu preciso de dinheiro, por favor Thaís…imploro-te, és a minha salvação.
A minha irmã, como podia eu dizer-lhe que não?



Acordei e incrivelmente não foi com o despertador, eram gritos. Era a voz da minha mãe e a da Cíntia.
- Porque é que te meteste nesse caminho Cíntia? – perguntava a minha mãe.
- Não tens nada a ver com a minha vida!
- Enquanto estiveres debaixo do meu teto tenho tudo a ver!
- Tu não és minha mãe! – gritou a Cíntia mais uma vez.
- Mas sou eu quem te alimenta, fui eu que te dei um lar, te dei educação, te dei carinho…porque te revoltas contra mim?
- Porque só me adotaste porque tiveste pena de mim! Mas eu não preciso que tenham pena de mim.
- Não! – disse a minha mãe, notava que estava furiosa, a Cíntia conseguia deixar qualquer um fora de si – adotei-te porque nunca consegui ter filhos e porque os queria. Queria construir uma família, eu e o teu pai…tu e a Thaís foram as escolhidas. Amo-vos como não amo mais ninguém. Apesar de não serem sangue do meu sangue são minhas filhas à mesma e tu Cíntia…tu desiludiste-me, não esperava isto de ti. Porquê? Porque é que foste por esse caminho, porquê a droga? Tu mudaste tanto, tu não eras assim filha…
- Não me chames filha! – atirou a Cíntia saindo do corredor e entrando no seu quarto.
Podia ver a tristeza na cara da minha mãe e as lágrimas que lhe começavam a cair pelo rosto. Descalça corri até ao seu encontro, era ela agora que precisava de carinho.
- Thaís…nunca faças o que a Cíntia fez. Nunca me rejeites…a pior coisa que um filho pode fazer a uma mãe é rejeita-la…
- Nunca o vou fazer, és imenso valiosa para mim.
- Quem me dera que a Cíntia olhasse para mim e para o teu pai como tu o fazes.
- Ela um dia vai perceber o quanto vocês são importantes.



- Olha para a tua cara! – estava completamente inchada, vermelha, ferida…a Cíntia tinha acabado de levar porrada – estás bem?
- Eu não sei o que vai ser de mim. – disse entre soluços, chorava…estava destroçada – eu caí lá no fundo e eu não sei como me levantar, não sei Thaís! – abraçou-se a mim, chorava…o choro era cada vez mais intenso.
Larguei-me dela e tirei a pulseira que tinha no pulso. Uma pulseira de ouro que os meus pais me tinham oferecido há um ano, nos meus dezasseis anos, tinha o meu nome gravado e também a minha data de nascimento.
- Toma! Deve valer alguma coisa, é de ouro e deve dar para pagar algumas das tuas dívidas.
- Mas Thaís…é a tua pulseira, eu não posso aceitar.
- Podes e deves! É a tua chance…paga o que deves a esses traficantes e volta para nós. Estamos de braços abertos, vamos ajudar-te a ficar bem.
- Obrigada! Obrigada! – disse abraçando-me mais uma vez – eu não sei como te agradecer. Obrigada por nunca teres desistido de mim, por estares sempre aqui para me apoiares mesmo no fim de eu te tratar mal ou discutir contigo.
- Irmã que é irmã está aqui para tudo…até ao fim.



- Há quanto tempo não consomes? – perguntei vendo um sorriso na cara dela.
- Dois dias mas…isto tem sido difícil.
- Nós estamos aqui…para tudo. – garanti-lhe.
- Obrigada, eu prometo-te que vou ficar bem. Não sei quanto tempo levarei, nem que mudanças na minha vida terei que fazer mas eu prometo-te que vou ficar bem, limpa, dizer adeus à droga de uma vez.
- Eu estou aqui Cíntia para o que der e vier.
- Eu sei Thaís, eu sei.



- A Cíntia?
- Ela não dormiu em casa Thaís…e – podia ver os olhos vermelhos e inchados da minha mãe de tanto chorar – ela não atende o telemóvel e ela levou as coisas dela.
- Mãe! Tu estás a dizer que a Cíntia foi embora?
- Sim Thaís, a Cíntia quis desaparecer de vez das nossas vidas.
- Mas ela estava bem! – não me cabia na cabeça o facto de agora ela se ter ido embora – mãe ela ia ficar bem, eu sei! Ela prometeu-me que se ia curar! Que ia fazer de tudo para voltar a ser a nossa Cíntia! Ela prometeu-me mãe!
- Eu tenho esperança que ela volte…só no fim de vinte e quatro horas podemos fazer a ocorrência. Eu tenho esperança… que ela volte para nós.



Por momentos perdi-me naquelas memórias. Fechei os olhos e voltei a encarar o presenta.
A Cíntia…como estava bonita, como estava diferente. Como estava mais mulher. Estava fixada há algum tempo sem saber bem o que fazer ou dizer. Senti as mãos do Mario nas minhas, entrelaçou as nossas mãos e pude sentir os seus lábios na minha bochecha.
- Estás tão linda – falou enquanto de aproximava de mim.
- Olha quem fala! – talvez o choque já me tivesse passado, ouvir a voz dela dava-me uma tranquilidade imensa e talvez a conversa do nosso reencontro não tivesse que ser estranha, dolorosa e constrangedora. Podia ser muito bem uma conversa normal, alegre e natural como sempre foi comum entre nós.
- Eu não sei o que dizer – falei sincera. A Cíntia passou suavemente a mão pela barriga e sorriu para mim, notei que o fez por instinto…ela estava grávida? – estás de bebé? – assentiu com a cabeça e sorriu – e eu que nem conheço o pai.
- Eu conheço! O Ian é um rapaz altamente. – disse o Mario.
- Afinal de onde que vocês se conhecem?
- Tivemos um caso. – disse o Mario.
- É…na verdade o pai desta criança é o Mario. – disse a Cíntia passando a mão pela barriga.
Olhei séria para a Cíntia e depois para o Mario. Poucos segundos depois começaram-se a rir os dois. Claro, estavam a gozar comigo.
- Viste aquele olhar? – perguntou a Cíntia virando-se para o Mario – ela fuzilou-me com olhar! Sabes o que é que isto quer dizer? Ela gosta mesmo de ti!
Eu não acredito no que é que ela acabou de dizer – pensei.
- Sabes? Só não te bato porque estás grávida!
- Oh anda cá. – abraçou-se a mim. Aquele abraço, que saudades daqueles abraços de irmã mais velha, que saudades de a ter junto a mim. – tinha tantas saudades tuas. Temos tanta coisa para falar…
- Estás grávida! Meu Deus…
- E tu namoras com esse parolo!
- Eu não namoro com o Mario. Somos amigos. – virei-me de frente para ele e coloquei as minhas mãos nas suas costas. O frio começava a ser sentido. Deixei as minhas mãos irem até ao interior da sua camisola entrando em contacto com a sua pele – estás quentinho.
- Amigos…
- De infância quase. – falou o Mario encostando os seus lábios à minha testa.
- Vão-me convidar para o casamento?
- Mas que casamento? – virei-me novamente para  Cíntia – a gravidez anda a fazer-te mal é o que é! E como é que vocês se conhecem? Ainda não me disseram.
- Eu sou jornalista como tu sabes.
- E quando eu vim para Munique foi a Cíntia que me acompanhou e já me fez duas entrevistas.
- Espera lá – a Cíntia olhou para o Mario e prosseguiu – a morenaça é a minha irmã?
- Cíntia… - disse o Mario enquanto me rodeava a cintura.
- Temos muito para falar estou a ver, por quanto tempo ficas cá em Munique?
- Até segunda.
- Domingo estamos em Colónia. – acrescentou o Mario.
- Vão fazer turné?
- Não, nós vamos mesmo a  The Mrs. Carter Show World Tour.
- Amanhã vais ao jogo do teu…amigo? – perguntou a Cíntia quase rindo.
- Sim, eu vou. Não sei bem porquê mas…eu vou.
- Encontro-te lá?
- Encontras-me lá. – respondi sorrindo-lhe.



- Como foi vê-la? – perguntou-me o Mario.
- Estranho, os primeiros olhares foram sufocantes. Vê-la ali passado tantos anos é algo que ainda me parece surreal, ainda não acredito que estive com ela.
Agarrou a minha mão e puxou-me para o seu colo.
- Estás contente?
- Claro que estou mas não sei…
- A Cíntia é cinco estrelas e o Ian também.
- E tu que conhecias a minha irmã…
- E nunca desconfiei de nada.
- Já agora…o Alaba? – ele tinha…desaparecido? Quando apareceu a Cíntia deixámos de o ver, teria ele ido embora?
- Mas tu preocupaste com ele? Deve ter engatado uma loira qualquer e a esta hora é feliz…tal como eu poderia ser – falou enquanto colocava as mãos no interior da minha camisola.
- Não – abanei a cabeça em sinal negativo – não vai acontecer.




(Halle)


- Vamos Dona Verena, para acabar vamos dar uma voltinha e hoje é para andarmos mais um bocadinho que ontem. – agarrei as mãos da senhora e com a minha ajuda levantou-se da cadeira de rodas – ai que hoje estamos tão cansadas! – a senhora sorriu-me.
- Sabe, as minhas pernas já não são o que eram.
- Nós estamos cá precisamente para elas voltarem ao que eram.
Andei um pouco pela sala, ainda era cedo para ir para a passadeira.
- Para a semana aventuramo-nos ali? – perguntei olhando para a senhora que ia caminhando muito lentamente.
- Não sei se consigo, sabe?
- Claro que consegue!
- Tem um namorado muito bonito. – disse-me a senhora sorrindo-me.
Namorado? Lindo? De quem é que ela estaria a falar? Olhei para ela esperando algo quando ela me fez sinal para olhar para trás. Assim o fiz e era o Marco quem estava ali. Encostado à porta, tinha um ramo de flores na mão e olhava-me de uma forma completamente intensa. Sim, deixava qualquer uma doida.
Virei-me novamente para a frente, estava a trabalhar e tinha que me concentrar.
- Eu por si, agora até caminho mais depressa até à cadeira. O rapaz está à sua espera e nós não os devemos fazer esperar. – foi impossível não sorrir com aquele comentário.
- Para a semana não se esqueça de mim – disse rindo-me – eu sei que sou chata mas ainda me vai ter que aturar durante algum tempo.
- Acredite que é com todo o gosto, agora não deixe é ali o rapaz à espera.
Vi a Dona Verena a afastar-se e rumei em direção ao Marco.
- O que é que tu estás aqui a fazer? – perguntei antes de o beijar.
- Estou aqui porque é dia importante.
- Tu lembraste-te Marco…- fazíamos um mês hoje. Pouco tempo, e uma data insignificante para alguns mas para nós é algo incrível.
- Como me podia esquecer? – entregou-me o ramo para as mãos. Aquele sorriso, como eu gostava dele. Aquele sorriso tão genuíno. – almoças  comigo?
- Achas que ia recusar? Deixa-me só trocar de roupa, sim? – dei-lhe um beijo rápido e fui depressa vestir a minha roupa do dia a dia.



- Marco Reus, o senhor preparou isto tudo sozinho? – a mesa estava cheia de pétalas de rosas, tinha uma rosa junto a um dos pratos e duas velas no centro.
- A Reich pode ter dado uma ajuda mas foi tudo preparado com muito amor para a minha namorada. – rodeou-me a cintura e puxou-me para ele.
- Em qualidade de sua namorada digo-lhe que se esmerou e que está tudo muito bonito.
- Bem – o Marco pegou na rosa que estava sobre a mesa – para ti.
- Estragas-me com mimos… - beijei-o agradecendo-lhe.
- Dou-te apenas o que mereces que é muito mimo.
Peguei numa das suas mãos e entrelacei-a com a minha, levei as nossas mãos ao meu coração.
- Obrigada, obrigada mesmo...obrigada por não me julgares, por nunca me teres rejeitado, por me aceitares tal como sou e o mais importante – sorri-lhe – obrigada por me amares e por seres a pessoa espetacular que és.



Acabámos de almoçar e sentamo-nos os dois no sofá apenas a aproveita o tempo para nos mimarmos um ao outro.
- Como começou…
- Começou com uma festa aqui, nesta casa, vim com a Thaís e foi nesse dia que nos vimos a primeira vez. – completei enquanto brincava com a mão do Marco.
- E foi quando os nossos queridos amigos começaram a implicar um com o outro.
- Tanto implicaram que olha! - acabámos por nos rir.
- Depois…
- Depois trocamos números e vocês dormiram cá tal como o palerma do Mario.
- Eles tiveram um encontro nessa noite? – perguntei olhando-o.
- Possivelmente sim que o Mario saiu da cama e disse que ia comer.
- A Thaís disse que ia procurar o Mario.
- Disse? – perguntou espantado.
- Indiretamente mas sim, disse. Passado uns dias estivemos juntos, os quatro em minha casa e foi no fim do Torsten ter estado comigo.
- Foi nessa noite que tu foste para o hospital e eu tive imenso medo de te perder. Na verdade pouco tempo tínhamos passado juntos mas naquela noite quando ficámos os dois a falar sentados naquele banco de jardim percebi o quanto importante eras. Lembro-me que me contavas como tinha sido a tua relação com o Torsten e como ele tinha aparecido nesse dia para fazer chantagem contigo.
- Foi horrível…quando ele me disse «ou voltas para mim ou conto à Thaís o teu passado maravilhoso». E ainda foi tudo pior quando o tive que defender à frente da Thaís sabendo que de inocente ele não tinha nada.
- Depois disso afastaste-te muito de todos. Até de mim. Foi frustrante, estávamos a construir algo bonito mas esse assunto deitou-te completamente a baixo. E passados cinco dias convenci a Thaís a trazer-te para o jantar em casa dos meus pais.
- Eu conheci a tua mãe nesse dia, estava tão envergonhada.


 - Estamos, atrasadas sabes? – Disse a Thaís quando chegamos perto da porta de casa do Marco.
- Desculpa. – Disse.
Bateu á porta, e foi uma senhora loira e bonita que abriu.
- Olá Heloísa.- Disse a Thaís.
- Olá Thaís! – Respondeu com um sorriso na cara.
- Desculpe lá o atraso. – Agarrou em mim e puxou-me mais para ao pé dela- Esta é a Halle.
- Finalmente conheço a Halle, quase há uma semana que oiço falar de ti. – Disse chegando-se junto a mim e dando-me um beijo. – Eu sou a Heloísa a mãe do Marco.


- E ela adorou-te. – disse-me enquanto brincava com uma das minhas pulseiras – também, quem não adora?
- Tanta gente Marco.
- Só quem é maluco!
- Fofinho, tu és maluco e adoras.
- Eu amo Halle, na verdade eu amo. Cada defeito, cada qualidade, cada traço. Amo a tua voz doce, a tua voz preocupada quando algo se passa e o teu embaraço quando não sabes como agir comigo. Amo a forma como contornas os problemas, como desabafas comigo, como me seduzes, como me acalmas depois dos jogos, como sabes quando estou mal e preciso que me dês o teu carinho.
- Marco… - passei a minha mão pela sua face acariciando-a – quem te ouvir falar até parece que sou assim alguém muito especial.
- E és na verdade és.
- E tu…és tudo o que eu preciso para ser feliz, para me sentir bem e completa.
Depositou um leve beijo nos meus lábios e voltou a brincar com a minha pulseira.
- Íamos em que parte?
- Jantar em casa dos teus pais. Quando conheci a tua mãe.
- A partir daí foram tardes e tardes bem passadas a dois. Uns dias antes de jogar contra o Bayern de Munique estivemos com as meninas da Thaís.
- E foi ela Marco…foi ela quem disse «Ola namorado da Halle». Arrepiei-me tanto, quando a Lóris disse aquilo…mexeu tanto comigo não por ela nos intitular de namorados mas sim por ser ela a dize-lo. Não contei nada à Thaís nem a ti na verdade, só soubeste depois, mas quando ela me disse aquilo sobre a barriga da mãe dela…acredita eu fiquei paralisada ali. Foi quando percebi que era mesmo ela.
Lembrava-me como se fosse ontem daquele momento com a Lóris.


- Halle, eu gosto do teu cabelo! – disse-me a Lóris. Baixei-me ficando ao seu nível – vês! O meu é parecido – disse mexendo no seu cabelo bonito e encaracolado.
- A tua mãe também deve ter um igual – porque razão disse eu aquilo?
- Não sei Halle, eu não sei. – chegou um pouco mais perto de mim – eu não conheço a minha mãe de verdade sabes? – disse na sua pura inocência e com um sorriso na cara – sabes? A minha mãe, mesmo minha mãe, ela não teve uma barriga grande quando eu nasci – disse fazendo o gesto de barriga grande com as mãos – a minha mãe pediu para me trazerem e trouxeram. Eu gosto muito da minha mãe mas ela diz que eu sou desarrumada e ralha comigo!
Limpei depressa a lágrima que me escorria pela cara. Era ela, tinha tudo para ser ela, a idade, o cabelo, aqueles olhos verdes e ela era adotada. Como podia eu agir normalmente depois disto.
- A tua mãe ama-te Lóris – coloquei um sorriso no rosto e passei a minha mão pela sua face acariciando-a – as mães são assim, ralham muito mas é só para o nosso bem.
- A tua também ralhava, não era?
- Sim, é normal fofinha, é normal elas ralharem mas no fundo só nos querem bem.


Abracei-me ao Marco num ato quase involuntário. Precisava dele, do conforto dos braços dele, dos seus beijos, das suas carícias…
- Vai ficar tudo bem – garantiu-me acariciando-me o cabelo.
- Já tive mais certezas disso, Marco.
- Limpa essas lágrimas que assim não gosto de ti – disse fazendo-me rir – és linda à mesma mas és mais linda quando não estás a chorar e tens aquele sorriso lindo na cara. – piscou-me o olho fazendo-me rir novamente.
- Estás a tentar engatar-me?
- Até engatava! Se eu não tivesse uma namorada toda à maneira.
- E eu até aceitava esse engate se não tivesse um namorado todo giro e que me trata tão bem.
Sorrimos e mais uma vez beijámo-nos. Aqueles nossos beijos eram diferentes uns dos outros, talvez porque cada vez me sentia mais apaixonada por ele.
- E depois?
- Depois? – perguntei confusa.
- Depois do episódio com a Lóris.
- Passado pouco tempo foi o jogo com o Bayern de Munique aqui em Dortmund se bem me lembro.
- Foi difícil, sabes? Aquele jogo custou-me de verdade e no fim bem que queria que passasses mais uma noite comigo mas não… devias ter medo que eu te comesse um bocado, deste-me uma tampa!
- Não dei nada! Até te fui queria e fui acordar-te no outro dia de manhã!



Ele estava mesmo a dormir, meio destapado, meio tapado. Todo torto e com um braço pendurado de fora na cama. Ri sozinha, aproximando-me da cama dele e ajoelhei-me junto dele, dando-lhe um beijo na bochecha.
Esperei um sinal da parte dele, mas este rapaz a dormir mais parece pedra! Inclinei a minha cabeça um pouco para junto da dele, fazendo com que os meus caracóis tocassem ao de leve nele e aí sim! Ele mexeu, levantou a mão afastando os cabelos dele.
- Deixem-me dormir...!
- Estavas à espera de mais pessoas? - entendi que só ao ouvir a minha voz é que percebeu que era eu.
- Halle?! - ele abriu os olhos, sorrindo.
- Surpresa, pedra dorminhoca!
- Sabes perfeitamente que eu sou assim, além do mais era suposto teres ficado cá!
- Sabes perfeitamente que isto não pode ser um hábito.
- Qual é o mal de dois amigos dormirem juntos?
- O mal é que todos pensam que somos namorados. E se eu dormir aqui todas as noites ainda pensam mais.


- Foste sim. Almoçamos o quarto mas antes eu bem que queria dar nome ao que tínhamos, algo que tu não quiseste não é?
- Daí gerou o nosso primeiro beijo… - sorri recordando tudo.


- Halle... - ele retirou as bebidas da minha mão, pousando-as na bancada. Colocou as suas mãos na minha cintura puxando-me um bocadinho para junto dele...e é coisas assim que me baralham toda - acho que já passou algum tempo para sabermos que isto anda um bocado sem nome.
- Marco...
- Tu és especial para mim...
- E tu para mim, és uma das pessoas que mais sabe da minha vida...tens sido maravilhoso comigo.
- Só porque o que sinto por ti...é forte.
- Marco...mas…
- Eu sei que tu ainda não esqueceste o Torsten, eu sei disso! Mas...nada me impede a mim de gostar de ti. Porque tu...
- Marco, não a sério, não pode ser - tentei afastar-me dele, mas ele acabou por me puxar para junto dele e beijou-me.
Foi uma coisa estranha e esquisita porque parece que nada em mim mudou, parece que a resposta que eu procurava não estava cá. Mas...ambos estávamos a querer aquele beijo, só o parámos quando ouvimos da sala o Mario a reclamar.


- O Mario sempre teve o dom de interromper boas coisas! – disse levando-me a rir.
Recordar tudo estava a ser tão bom, percebia como tinha evoluído com ele, como a nossa relação avançou sem nos darmos por isso.
- Bem e depois disso as coisas foram andando. Foi no Natal que tu ficaste a saber dela.
- Foi no Natal que te fiquei a conhecer inteiramente por dentro e por fora.
- No sentido literal? – perguntei rindo.
- Sim, no sentido literal, quando me disseste aquele: «eu tenho a certeza disto», fizeste-me sem dúvida ainda mais feliz.



- Estás linda hoje – sussurrou-me ao ouvido afastando-me o meu enorme cabelo para o lado. – mentira, tu já és linda na verdade – depositou um leve beijo no meu pescoço e deixou as suas mãos deslisarem pelo meu corpo.
O toque dele ainda era estranho, eu própria me sentia estranha mas tinha uma certeza, eu queria ser dele como nunca o fui. Esta noite tinha tudo para ser a noite.
Agora conhecia o Marco de uma forma diferente, de uma forma mais louca na verdade. A velocidade a que as mãos do marco percorriam o meu corpo era surreal. Os beijos tornavam-se mais rápidos, mais descontrolados mas também mais apaixonados.
As roupas começavam a voar por todo o lado e tudo acontecia naturalmente, algo que me fascinou desde início, a forma como nos tocávamos, como agíamos um com o outro, como respondíamos às necessidades um do outro…eramos nós.
- Halle… - sussurrou.
- Eu tenho a certeza disto. – disse segura de mim.


- Como é que Thaís e Mario que são…Thaís e Mario não se envolveram primeiro que nós?
- Isso é uma coisa que ainda não descobri. Se calhar porque o Mario tinha a Ann.
- Ainda bem que já não tem!
- A rapariga era assim tão má? – afinal falavam sempre tão mal dela.
- Era má no sentido de não ter ambições na vida dela com o Mario, percebes? Não te sei explicar mas ela sempre foi muito fria com as pessoas. Enquanto a Thaís que nem namorada dele é e conhece vários amigos do Mario e se dá bem com eles, ela não. Ela é estranha e ri-se de uma maneira estranha! – foi impossível não rir com a cara que o Marco fez ao dizer aquilo.
- A nossa passagem de ano foi magnifica – comentei – com os nossos meninos no Dubai.
- Mas foi na passagem de ano que te afastaste um pouco de mim e eu cheguei a desesperar.
- Depressa voltei para ti. No dia em que eles chegaram apanharam-nos aos beijos.
- Na sala da Thaís…


Eu e o Marco, os dois sozinhos naquele espaço e o quanto isto ainda me faz impressão.
- Passas a noite comigo hoje? – perguntou rodeando-me a cintura e fazendo-me tremer mais uma vez com aquele toque.
- Não sei se a Thaís deixa. – disse na brincadeira.
- Se for preciso eu rapto-te.
- Uh, a ideia de ser sua refém agrada-me bastante Marco Reus.
Aproximou-se mais de mim e percebi o que queria. Roçou o seu nariz no meu e fez os seus lábios irem ao encontro dos meus delicadamente.
- Ei! – foi sem dúvida a voz da Thaís que interrompeu aquele momento – na minha sala não!
- Depois ainda tem a lata de dizer que somos nós que coiso! – disse o Mario.
- É! Andam aos beijos na minha sala!
- Vocês de inocentes não têm nada! – disse o Mario.
- Pronto já percebemos. – disse o Marco.


- No dia a seguir à Thaís ter terminado com o Mario foi o dia em que o Torsten me fez mais uma visitinha, arruinando mais um bocadinho da minha vida.
- Estivemos juntos nesse dia. Passado algum tempo acabaste por fazer as pazes com a Thaís mas nunca lhe chegaste a falar dela.
- Esse ainda é um assunto que eu quero resolver mas bem. Servimos de pombos-correios entre o Mario e a Thaís.
- No dia dos namorados – iniciou o Marco.
- Pediste-me em namoro! – sorri lembrando aquele momento.


- Toma – disse entregando-me um dos ramos para as mãos e colocando o outro sobre a mesa. – sei que não somos namorados… - disse chegando perto de mim – na realidade nem sei bem o que somos mas…não interessa não precisamos de nomes ou coisas parecidas para dar-mos nome ao que temos precisamos apenas de sermos nós e conservarmos o que temos.
- Oh Marco, és realmente tão especial.
- Espero o tempo necessário para que te sintas preparada para…
- Eu sinto! – disse aproximando-me dele e colocando a minha mão sobre a dele.
- Sentes? – perguntou confuso.
- Sinto, se calhar até já me sinto há mais tempo mas eu sinto! Eu sinto-me mesmo preparada para isto! Para esta nova aventura, para me sentir tua todos os dias. Para poder acordar poder olhar para o meu lado e ter-te ali sempre apoiar-me, sempre a proteger-me de tudo e todos como tu tens feito durante todos estes dias.
- Então e tu queres namorar comigo Halle…bem eu não estava preparado para te pedir em namoro mas…
- Claro que quero. – disse interrompendo-o.- não há nada que eu queira mais neste momento.


- E a partir desse dia a minha vida ganhou logo outro sentido, Halle.
- Até que temos uma história bonita.
- Temos – disse o Marco enquanto passava a sua mão pelo meu braço – e ainda só agora começou.
Unimos os nossos lábios num beijo calmo, foi o toque do meu telemóvel que nos interrompeu.
- Halle! – era a Thaís quem me ligava.
- Sim fofinha, está tudo bem? – perguntei.
- Não sei.
- Não sabes? Que se passa? – perguntei. Ela estava em Munique, olhei para o relógio e reparei que já era quase hora do jogo do Mario.
- Ontem reencontrei a Cíntia, ela está grávida, estou no exterior do Allianz Arena para ver o jogo do Mario e estar com ela e oh Halle eu, Thaís Baden, neguei sexo ao Mario ontem, acreditas? – falou depressa, percebia o seu estado de nervosismo mas foi impossível não rir com o que disse no final.



________________________________________________________


Olá meninas (:
Desculpem o tamanho, é enorme eu sei mas não pude controlar.
Este é um capítulo diferente, o reencontro da Cíntia com a Thaís e a história do Marco e da Halle. Com este capítulo quero-vos mostrar Marco e Halle como nunca os viram.
Espero mesmo que tenham gostado e espero os vossos comentários.
Boas férias! (para quem já as tem)
Beijinhos,
Mahina

1 comentário:

  1. Olá

    Gostei muito , o reencontro delas foi fantástico e inesperado :)
    E agora esta frase no final dá mesmo para rir xD



    Beijinhos



    Catarina

    ResponderEliminar