terça-feira, 22 de julho de 2014

24º Capitulo - « eu posso dormir convosco? »

Sentia-me totalmente estranha em casa do Mario. Casa estranha e continuava a ser cama estranha. Ele tinha-me dito que vinha almoçar comigo por isso vesti-me e esperei por ele na sala.
Vi-a um filme quando ouvi a porta abrir-se. Era o Mario com…o David Alaba.
- Porque é que trouxeste essa coisa atrás? – juro que tento ser menos má com as pessoas mas aquele rapaz irrita-me profundamente.
- Thaís…sempre tão simpática a tua amiga Mario!
- Namorada para tua informação!
- Vocês dão-se tão bem – o Mario tomou a palavra e sentou-se junto a mim beijando-me depois – estás bem?
- Sim – respondi colocando as minhas pernas por cima das suas.
- Eu já venho – pegou nas minhas pernas e levantou-as levantando-se do sofá e saindo.
- Thaís… - pronto, deixou-me sozinha e eu agora tenho que levar com este. Sentou-se junto a mim, no lugar onde o Mario estava há pouco.
- O quê?
- Não sejas bruta!
- O que é que queres? – perguntei num tom mais calmo e doce do que antes.
- Devíamo-nos dar bem.
- Eu não me dou mal com ninguém.
- É assim, tu és a namorada ali do mano…
- Mario, o nome dele é Mario. É mano do Felix, do Fabian e por vezes do Marco.
- Não sejas bruta! Eu nunca te tratei mal, podíamos ser amigos.
- Porque é que havíamos de ser amigos?
- Thaís! – era a voz do Mario, ele estava no quarto provavelmente – não sejas desagradável com ele! Tu nunca és assim com ninguém! mas eu estava a gostar de ser assim com ele!
- Então…Thaís porque é que estás a ser assim comigo? Tens medo que eu te roube o Mario?
- É…sou ciumenta e possessiva.
- Relaxa – deu-me duas leves palmadas no ombro – eu não te roubo o…Mario.
- Fico mais descansada e agora bem que podias ir embora e deixar-nos a sós…não sei é só uma ideia.
O Mario apareceu novamente na sala e mandou afastar o David para depois se sentar junto a mim.
- Então? – colocou o seu braço em volta dos meus ombros. – a Thaís foi má contigo?
- Mario…eu não sou má com ninguém.
- Foste comigo. austríaco estupido, que agora faz queixas ao Mario.
O Mario olhou-me como se perguntando se era verdade. Olhei para ele séria para depois desviar o olhar para o lado.
- És muito bruta, tu! – atirou o Mario colocando a sua mão na minha cintura.
- Sabes bem que só sou bruta na cama.Eu não acredito que acabaste de dizer isto Thaís mas bem tenho que o mandar embora de alguma maneira. – no chão… - cheguei mais perto do Mario mordendo-lhe ligeiramente o lábio inferior – e no sofá também sei ser bruta.
- Ah! – disse o David olhando para nós, estava escandalizado. É um bom começo. – vocês são tarados!
- Não, nada disso – neguei – apenas demonstramos o nosso amor…
- Podiam demonstrá-lo quando estão a sós.
- Ora aí está algo em que concordamos os dois – levantei-me e coloquei-me em cima das pernas do Mario – nós também gostamos mais de demonstrar a sós mas… - o Mario riu-se baixo, assim só eu o pude ouvir – há coisas que não podem esperar sabes? – era a minha oportunidade para dar o toque final. Virei-me de frente para o Mario, ele sorriu, decerto sabia o que eu ia fazer. Fiz com que as mãos dele fossem para o meu rabo, e em vagarosamente ataquei o seu pescoço com pequenas mordidelas – e sabes…?
- Eu…acho que me vou embora – disse levantando-se indo até à porta – adeus meninos.
- Adeus. – disse o Mario antes de se começar a rir – mais um bocadinho e tiravas-me as calças! – disse depois de a porta se fechar.
- Olha que…para a próxima faço isso. – saí de cima do Mario e compus a minha camisola que já ia mais acima que o normal – vamos almoçar?




Depois de passar três noites com o Mario voltar a dormir sozinha tornou-se estranho.
Estava em casa da Halle, como sempre, mas não estava a dormir com ela e tive que me acomodar no outro quarto. Eu compreendo…claro que compreendo, ela está a esta hora a trocar miminhos com o Marco e eu aqui sozinha abandonada a precisar de amor. Não exageres Thaís! Estás apenas sozinha nesta cama grande e espaçosa. A precisar que o Mario te coloque uma das suas mãos no teu rabo e que encoste bem o seu corpo ao teu, aí conseguirias dormir não era?
Porque não ir dormir com eles? São meus amigos e de certeza que não se vão importar comigo lá no meio deles…se calhar até vão mas aqui sozinha é que não.
Levantei-me da cama e peguei na minha almofada caminhando até ao quarto da Halle. A porta estava encostada e bati levemente nela.
- Sim Thaís? – era a voz da Halle, eles estavam acordados às duas da manhã, impressionante. – entra. – disse-me segundos depois.
Abri e aporta e dei uns passos em frente olhando para eles.
- Como é que sabias que era eu?
- Thaís! Não vive mais ninguém nesta casa.
- Ah, pois é. Tens razão sim. – o sono começava a afetar-me verdadeiramente.
- E…então? – perguntou a Halle esperando que eu lhes desse uma razão para estar aqui a estas horas.
- É assim… - dei uns passos para a frente sentando-me no fundo da cama – eu não consigo dormir, eu sinto-me sozinha e…eu posso dormir convosco?
A Halle disse um ‘’oh’’ ternurento e sorriu enquanto o Marco se riu.
- Não te rias! – a Halle bateu-lhe no braço chamando-o a atenção – ela é tão fofa, ela vai dormir connosco.
- Deixam? – perguntei sorrindo.
- Claro que deixamos. Anda cá. – disse fazendo-me sinal para eu ir para junto dela. – ficas no meio.
- Não! – disse o Marco.
- Sim! – disse a Halle.
- Eu posso ficar do lado da Halle. Eu não quero estragar-vos a cena.
- O Marco está…
- Com falta – completei levando o Marco a olhar sério para mim. – eu sei o que isso é – disse fazendo a minha mão passar pelo seu ombro – mas eu não tenho disso.
- Pudera! Tu e o Mario não devem ter passado os dias a brincar com as barbies não! – disse o Marco. – ressonas?
- Não…
- Vamos avisar o Mario disto e perguntar-lhe se ressonas.
- Ele não te vai atender. – disse a Halle.
- Vai…se for o Marco a ligar, ele atende só não te garanto que o trate bem.
Deitei-me no meio deles enquanto o Marco iniciava chamada para o Mario. Pôs em alta voz e tocou umas cinco vezes até o Mario atender.
- O que é que tu queres? – voz de sono, mau humor e…é o Mario.
- Calma… - começou o Marco – a tua namorada ressona?
- A Thaís?
- Tens outra, oh? – foi impossível não reagir.
- Thaís? Ai…mas...
- A Thaís sente a tua falta e veio dormir connosco. – disse a Halle.
- Sentes, princesa?
- Não!
- Sente sim – disse o Marco – ela não quer é admitir. Se não sentisse não vinha dormir connosco.
- Cuidem bem dela.
- Que querido – comentou a Halle – ela dorme connosco assim toda quentinha e amada.
- Ai de vocês que façam figuras triste à frente da minha menina!
- Eu não me chamo Mario nem a Halle se chama Thaís.
- Ok, eles estão a insinuar que nós somos tarados sexuais e que só pensamos em sexo, Mario.
- O que é mentira!
- Ou não… - disse a Halle.
- Tenho sono! – barafustei – quero dormir!
- Vai dormir para a tua cama! – atirou o Marco.
- Ai, olha se é assim que pensas conquistar aqui a irmã da tua namorada, estás em mau caminho! – peguei na minha almofada e bati ao Marco com ela – e que eu saiba esta cama também não te pertence! Por isso cala-te!
- Essa noite vai correr muito bem vai… - disse o Mario ainda em linha.
- Amorzinho e aí a tua amante como é que vai? – perguntei.
- Vai bem, vai bem. Trabalha bem com as mãos! – disse o Mario entrando na brincadeira.
- Melhor de que eu?
- Não Thaís isso é impossível, as tuas mãos são de ouro.
Olhei para o Marco e a Halle que me olhavam escandalizados.
- Ei! Meu Deus, depois os tarados somos nós?
- É! Vocês estão a falar de quê? – perguntou o Marco.
- Massagens. Costas, pernas depende…a Thaís tem boas mãos.
- Nisso concordo! – disse a Halle – tem mãos leves.
- Para o que quer!
- Olha todas as chapadas que levaste até hoje foram merecidas.
- Que aposto que não foi nenhuma…- disse a Halle.
- Pois não – assegurei – eu nunca bati no Mario, sou uma menina bem comportada.
- Sim, és sim. Tirando a cena que fizeste à frente do Alaba, és uma boa menina.
Foi impossível não rir ao lembrar-me.
- O que é que fizeste Thaís Baden? – perguntou a Halle a olhar-me séria.
- A Thaís? Ela apenas saltou para cima de mim à frente dele.
- E depois diz que não tem falta! – atirou o Marco.
- Tu cala-te! – ordenei dando-lhe um encontrão – hoje estás chato! Estás naqueles dias, é?
- Eu não tenho isso.
- Já tive mais certezas disso.
O Marco deu-me com uma das almofadas que estava no chão. E rapidamente me agarrei-me à Halle para não levar mais. Era impossível não rir com as figuras que fazíamos ali.
- Já se mataram? – perguntou o Mario.
- Amorzinho o teu namorado agrediu-me. – escusado será dizer que a Halle se começou a rir tal e qual como o Marco.
- Isso vai ser animado aí.
- Aí também pode ser, Mario! Liga ao teu amigo David Alaba e fazes aí a festa.
- O que é que tens contra o David, oh estúpida? – o Marco trata-me sempre tão bem.
- Marco! Vais dormir para o tapete! Não tratas assim a minha Thaís. – disse a Halle agarrando-me nos seus braços.
- Minha se faz favor! – isto a ainda me faz confusão, sou dele.
- Vieste em último, olha agora! – atirou a Halle – primeiro é minha e depois tua.
- Continuando, estupido… - continuei agarrada à Halle para garantir que não levava porrada do Marco – eu não tenho nada contra ele, ele é que tem contra mim!
- Deixei lá a conversa, daqui a pouco o Mario está a ressonar.
- Eu não faço disso.
- Pois não. Isso é verdade por acaso. Eu vou dormir – disse largando-me da Halle e agarrando-me à minha almofada.
- Também gosto muito de ti ouvi o Mario.
- Eu não! – atirei.
- É do sono, não lhe ligues. – disse a Halle – adeus Mario, dorme bem. Nós adoramos-te todos, a Thaís um bocadinho mais.
Acabaram por desligar a chamada e por desligar também os candeeiros ficando tudo às escuras. Estava virada de frente para a Halle e a minha mão estava junta com a sua como sempre.
- Thaís? – disse o Marco abanando-me.
- O que é que tu queres? – disse ainda virada para a Halle.
- Dá um beijinho à Halle por mim.
- Dás amanhã, tu.
- Mas eu quero hoje.
- Mas eu não.
- Estúpida!
- Anormal!
A Halle ria-se assistindo aquilo tudo. Peguei na mão da Halle e estiquei o seu braço passando por cima de mim.
- Dá beijinho aí na mão da princesa – disse-lhe.
Esperava que me insulta-se (novamente) e me mandasse dar uma volta mas nada disso aconteceu. Beijou a mão da Halle e disse:
- Amo-te minha flor.
- Eu também te amo e muito meu loiro.
- E burro. – pronto e agora levei dos dois, um empurrão do Marco e outro da Halle – desculpem não devia ter interrompido este vosso momento românticos. Gosto muito de vocês, sim?
- Nós também gostamos muito de ti, Thaís. – disse o Marco.



Acordei de manhã e sensação que tive de imediato foi de felicidade. Nem acreditava que tinha mesmo dormido com eles. Estiquei um dos meus braços batendo na cara do Marco.
- Estúpida! – atirou o Marco.
- Ui, começamos já bem de manhã. – disse a Halle.
- Ela faz de propósito para me enervar, pensa que por agora ser namorada do Mario que já tem o direito de me tratar mal!
Levantei-me da cama e coloquei-me de joelhos de frente para eles.
- Bom dia! – disse tentando começar bem o dia. Cheguei perto da Halle e dei-lhe um beijo na testa – vou-me preparar que tenho umas aulas hoje – cheguei perto do Marco e dei-lhe uma chapada na testa.
- Vês? Tu vês? Aquela miúda é uma peste!
- E tem 21 anos, imagina quando tinha 10… - disse a Halle rindo-se.
- Adeus – disse-lhes saindo do quarto.



- Os meninos que vão para Munique em estágio – agora sim comecei a ligar ao que a coordenadora dizia – as vossas propostas estão aceites. Thaís, Luke e Liam no centro de reabilitação e a Alicia e a Luna conseguiram lá o lugar no centro de treinos do Bayern de Munique. Deu trabalho mas conseguimos pôr-vos lá, aproveitem!
Olha agora que penso nisso ter lá estagiarias a rondar os jogadores do Bayern de Munique e juntando o facto de o Mario ser um deles…isto se calhar não me agrada.
- … certo Thaís? – foi apenas o que ouvi, só ao ouvir o meu nome prestei atenção e não tinha apanhado nada.
- Diga.
- Estás na lua rapariga! – disse rindo – estava a dizer que vocês ficam os cinco no mesmo apartamento no centro de Munique para conseguirem estar perto tanto do centro de treinos como do centro de reabilitação.
- E agora já não há preocupação de raparigas para um lado e rapazes para o outro? – perguntou o Liam.
- Vocês não têm 12 anos! – disse a coordenadora rindo-se.
- Pois não mas olhe que nós ainda nos podemos divertir! – falou o Luke, um dos rapazes que ia fazer estágio connosco. Olhou para trás e colocou o seu cotovelo em cima da mesa onde eu e a Alicia estávamos sentadas.
- Isso é com vocês! – falou por fim saindo daquela sala.
Luke continuava a olhar para mim e a Alicia.
- Vamo-nos conhecer melhor depois e tal, não é? – perguntou o Luke.
- Oh meu amigo, daqui não levas nada – falou a Alicia com um tom rude.
- Thaís, não é? – perguntou virando-se para mim.
- Isso não vai acontecer, acredita em mim… - sou namorada do Mario Götze e não sei se lhe vai agradar eu estar dois meses com dois rapazes na mesma casa que eu.
- Vamos ter tempo para nos conhecermos e tenho a certeza que nos daremos bem! – virou-se novamente para a frente.
- Há com cada um – comentou a Alicia.
- Só temos que os ‘’conhecer’’ em Abril, temos muito tempo até lá.
- Um mês Thaís, um mês e estamos em Munique! Estou tão feliz se tu estás feliz imagina eu que tenho lá o meu namorado.
- Vai ser bom, sim.
Dizer-lhe sobre o Mario? Demasiado perigoso, prefiro que só saiba quem precisa mesmo de saber.



Cheguei a casa, não a casa da Halle mas mesmo à minha. Fui até ao meu quarto e atirei-me para cama. Sentia-me cansada mesmo sem o dia ter sido muito cansativo. Senti alguém a entrar no quarto, era a minha mãe.
- Thaís…podemos falar? – perguntou sentando-se na minha cama.
- Passa-se alguma coisa? – perguntei preocupada. Não era normal ser a minha mãe a ter aquela fala.
- Apenas queria…falar contigo.
- Diz lá mãe. – movi-me na cama colocando a minha cabeça nas suas pernas e olhei-a.
- É a Cíntia.
- Já falaste com ela?
- Não e eu não sei se consigo, entendes?
- Mãe…se quiseres eu falo com ela para vir cá ter contigo.
- Achas que…?
- Ela está ansiosa por ver-te, acredita que está.
- Isto é estranho não é? – ia mexendo-me no cabelo. Se gosto? Não, na verdade não gosto nada que me mexam no cabelo mas quando é a minha mãe que o faz é…diferente – a Cíntia veio assim de repente. Não é que não esteja contente porque eu estou, a sério que estou…isto faz-me apenas um pouco de confusão.
- A mim também mãe.
- Obrigada por me ouvires. – percebia que se ia levantar mas eu queria falar com ela.
- Espera! – disse agarrando-lhe um dos braços – agora preciso eu de falar contigo.
- Estou aqui filha.
- Eu tenho uma pergunta… - já algum tempo que tinha aquela pergunta na cabeça na realidade – porque é que tu e a Astrid se ‘’empenharam’’, dizendo assim, em que eu e o Mario ficássemos juntos. Porque é que quase me obrigaram a ficar em Munique daquela vez que fomos lá?
- Porque Thaís…mesmo tu continuando a negar eu percebi que o Mario tinha mexido contigo e…dei-me tão bem com a Astrid é uma pessoa cinco estrelas como o Mario imagino.
- O Mario é estranho, mãe.
- Estranho?
- Sim ele…eu não sei, ele confunde-me, ele baralha-me…
- Ele faz-te feliz.
- Sim faz, de uma maneira completamente diferente do que alguma vez o pensei ser mas sim…ele faz-me feliz de verdade.
- A distância agora custa?
- Não…na verdade não. É verdade que ele está longe de mim mas…ainda não estou muito à vontade com esta relação e por isso ainda não me faz diferença.
- Estás feliz, certo?
- Sim.
- Então é isso que importa.
Deu-me um leve beijo na testa saindo depois do meu quarto, o meu telemóvel tocou e apressei-me a atender.
- Pipoca… - a voz do Mario, foi a voz que ouvi quando atendi mas era uma voz diferente sem dúvida.
- Mario…estás bem?
- Sim, claro. Melhor que nunca.
- A tua voz está diferente.
- É a minha voz de apaixonado... - foi impossível não rir com o que o Mario tinhas acabado de dizer.
- Apaixonaste-te por umas chuteiras ou por uma t-shirt?
- Apaixonei-me por ti!
- Isso é muito bonito realmente.
Levantei-me da cama e sentei-me numa cadeira na secretária. Peguei na minha mala dos vernizes e coloquei-a em cima da secretária. Pus o telemóvel em alta voz e perguntei:
- Esta nossa conversa é para durar?
- Se quiseres...
- Assim pinto as unhas enquanto falo contigo. Poupa-se tempo!
- Foi boa a noite?
- Foi, olha que até foi. Senti-me a irmã mais nova deles os dois.
- Não dormiste no meio deles pois não?
- Dormi! – o Mario riu-se quando lhe respondi.
- Coitados Tha…estragaste-lhes a noite!
- Não estraguei nada…eles gostaram de me ter lá.
- Eu não gostava de ter a Halle a dormir connosco.
- Dormias sozinho e dormia eu com ela, fácil!
- Não queria a Halle a dormir connosco porque te queria só para mim.- esclareceu -  Como é que têm corrido aí as coisas?
- Bem, aulas e aulas e aí?
- Treinos e treinos.
- Cor: rosa claro ou coral? – perguntei pegando em dois vernizes.
- Rosa é melhor.
- Davas-me agora aqui um jeitão para me pintares as unhas.
- Por falar nisso…
- Em unhas…?
- Não, Tha…em eu aí…
- O que é que tem? – não estava a perceber nada daquela conversa.
- Tem que nos próximos tempos Dortmund se torna destino impossível para mim.
- Munique para mim também não vai ser fácil, daqui a um mês vou para estágio e isto vai-se tornar complicado.
- Sobrevivemos?
- Claro que sobrevivemos. Sê-me sincero Mario…o que é que mudou desde que eu aceitei namorar contigo? – o Mario ficou em silêncio, percebi que não entendeu a onde quis chegar – não digo isto por mal, a sério, digo porque…é verdade. Nada em nós mudou, continuamos a fazer o mesmo que fazíamos antes de ser namorados.
- Não, não! Isso é mentira.
- É? Tens certeza que é?
- Tenho...e se tenho! O sexo por exemplo não é igual entrendes? - ouvi um barulho e olhei para trás era a minha mãe e a Astrid, as duas tinham acabado de entrar no quarto. Se podia ter avisado o Mario? Podia...mas bonito vai ser vê-lo embaraçado perante a Astrid - e sabes porque é que não é igual? - perguntou, proceguindo depois - tu continuas a ser uma louca e selvagem - não era bem isto que era suposto ele dizer - na verdade o sexo continua igual – eu agora devia mandá-lo calar – mas no fim de toda aquela loucura sei que és completamente minha, entendes? – esta parte tinha sido bonita, até – já tenho é saudades tuas Thaís…com as vontades que eu estou te garanto que era toda a noite…
- Mario! – a Astrid tinha reagido e eu tinha uma enorme vontade de me rir. Dava tudo para ver a cara do Mario agora.
- Mãe…tu estás aí…há quanto tempo, mesmo?
- Há tempo suficiente para…Mario eu não te conhecia assim! – disse a Astrid, olhei para ela e reparei a vontade que também ela tinha de se rir.
- Oh mãe… - a voz do Mario, aquela de menino inocente – sogrinha…?
- Olá Mario – a minha mãe falou rindo baixo.
- Ai meu Deus…
- Isso digo eu! – a Astrid chegou mais perto de mim dando-me um beijo na bochecha já que ainda não me tinha cumprimentado desde que tinha chegado, também eu lhe dei um beijo na bochecha e ela continuou – tu não eras assim!
- Ai não…que não era! Se soubesse o que ele me disse quando me conheceu…
- Thaís! – repreendeu-me o Mario.
- Meu amor…as mães são assim, podemos não lhes contar nada mas no fim…elas acabam sempre por saber.e uma grande prova disso é que a tua mãe agora sabe o tarado que és, pensei. A Astrid sorriu-me cúmplice e…eu sou feliz.


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Bom dia :)
Espero as vossas opiniões à cerca do capitulo.
Espero que as vossas férias estejam a correr bem.
Espreitem - Be my forever - capitulo 2 , estou a precisar das vossas opiniões.
Beijos,
Mahina ღ  


quinta-feira, 17 de julho de 2014

23º Capitulo - « Porque te amo! »

- Vê mas é se te divertes e não deixas o Mario a zeros. Beijinhos Tha! – foram as ultimas frases que a Halle pronunciou antes de desligar a chamada.
Estar em frente ao Allianz Arena, prestes a entrar e a ir ver um jogo do Bayern de Munique…eu só posso estar doida!
Senti um ligeiro toque no meu braço e olhei de imediato para trás. Era a Cíntia.
- Entramos? – perguntou sorrindo.
- Sim – respirei fundo e olhei para o chão, voltando depois a olhá-la – vamos – acabei por dizer.
Entramos as duas no estádio em silêncio e no fim de estarmos sentadas o silêncio permaneceu.
Sentia-me estranha. Estar junto da Cíntia novamente é algo completamente maravilhoso mas de certa forma sinto que já não a conheço, vai demorar algum tempo até eu voltar a chamá-la de irmã. Sinto-me até um pouco perdida na verdade. Demasiadas mudanças na minha vida têm este efeito em mim. Estar com o Mario assim…os dois tal e qual como um casal, casal que não somos na verdade, faz-me confusão e depois há a Cíntia que aparece assim e…são demasiadas coisas para eu conseguir digerir em tão pouco tempo.
- Thaís, tu estás bem? – provavelmente tinha notado como estava afastada deste mundo.
- Sim…eu acho que sim.
- Estás assim por minha causa?
- Não, quer dizer…se calhar sim. São muitas mudanças, estou…confusa.
- Entendo – colocou a sua mão em cima da minha e prosseguiu – não voltei com essa intenção mas sim com a de conseguir recuperar a minha verdadeira família.
Sorri-lhe, na verdade não sabia o que lhe dizer. A conversa estava tão diferente de ontem. Ontem consegui ser muito mais solta e até manter uma conversa aberta com ela, por mais pequena que tenha sido, mas hoje…nem conseguia falar muito bem. Tinha a sensação que estava a falar com um estranho mas não…é apenas a Cíntia, a minha irmã mais velha.
- Thaís – olhei de novo para ela esperando a continuação – eu…bem isto está estranho e compreende-se mas fala comigo por favor. Fala-me de como está a tua vida.
Respirei fundo algumas vezes e olhei em volta, queria-me sentir à vontade para falar com ela.
- Bem, as coisas mudaram tanto. Estou no quarto ano de fisioterapia. Foi o que sempre quis e está tudo a correr bem e…eu sou feliz. – não foi mau, consegui falar e libertar-me um pouco.
- Estás a falar de tudo isso com um sorriso na cara e é tão bom ver-te assim. Conta-me mais coisas, o que mudou e como foi a tua vida nestes quase cinco anos?
- Cíntia, tudo mudou desde que tu nos deixaste, senti-me cada vez mais vazia dia após dia. Senti-me fraca porque na verdade eu só era forte porque tu me davas a força que eu precisava. Eu nunca fui forte, foi a tua partida que me obrigou a tornar-me forte mas não foi fácil…dormi muitas noites no teu quarto e chorei por muitas mais. Senti-me totalmente desamparada porque sem ti eu não encontrava o caminho para prosseguir a minha vida. Sempre foste a minha segunda mãe – parei e olhei-a, na sua face pude ver algumas lágrimas. Sentiria ela o mesmo? – a decisão que tomaste em desaparecer da minha vida levou a que parte de mim também desaparecesse contigo...mas eu habituei-me, demorou, na verdade mais do que um ano, mas a tua ausência começou a tornar-se normal. Passado algum tempo de fazer os meus dezoito anos fiz a tatuagem mais importante da minha vida – puxei ligeiramente a minha camisola para cima ficando o meu pulso destapado, tornando-se visível assim o ‘’ C ‘’ que eu tinha tatuado – deves imaginar que depois de mais um ano sem apareceres foi impossível não pensar o pior – a sinceridade permanecia no meu discurso, não lhe iria mentir apenas dizer a verdade – e bem…aqui estou eu mais forte que nunca.
Expor assim os meus sentimentos. Há quanto tempo não o fazias, Thaís!
- A minha intenção nunca foi magoar-te, nunca foi deixar-te assim…- limpou as lágrimas que lhe cobriam o rosto – a minha intenção era precisamente o contrário. Não queria que vocês sofressem mais por minha causa e na altura desaparecer pareceu-me a melhor opção.
Neste momento sentia a cumplicidade entre nós a crescer. Agarrei as suas mãos entre as minhas, acho que eu lhe devia dizer o que realmente sentia em relação a isto.
- Cíntia, na minha opinião…bem eu vou sincera e direta.
- Sempre o foste.
- Acho que não deves ficar arrependida desse passado, nada mesmo na verdade. Ajudou-te a crescer Cíntia, estiveste longe de nós sim mas vê tudo o que o destino de trouxe! O teu namorado, o teu filho ou filha. Tens uma vida espetacular.
- Mas eu não me sinto completa Thaís, eu não vos tenho a vocês, a ti, à mãe e ao pai eu sinto saudades.
- E…a partir de agora terás todo o tempo do mundo para as matar.
- Tenho medo das reações deles. A mãe sabe?
- A mãe leu a carta.
- E o pai?
- O pai não tem estado cá, com as coisas da empresa ele já está há dois meses em Berlim.
- Portanto ele não sabe?
- Acho que nem desconfia. A mãe tem falado com ele mas não lhe contou nada.
- Com o pai em Berlim e tu aqui em Munique, Dona Minna está sozinha em Dortmund.
- Deixa lá que sozinha não está que ela arranjou uma nova amiga. – falei com uma ponta de ironia.
- Uma nova amiga?
- Astrid…Götze – acabei de falar quando a equipa do Bayern de Munique entrou em campo para aquecer.
Olhei para o campo procurando pelo Mario, ele estava ali. Voltei a olhar para a Cíntia e ela estava a rir-se, bastante até, olhei para ela séria, afinal porque é que se estava a rir?
- Astrid Götze, a sogra – sussurrou rindo-se.
- Cíntia! – repreendia dando-lhe um leve encontrão no ombro.
- Tem piada!
- Ai isso é que não tem! A nossa mãe e a mãe daquele…coisito juntas não é nada bom, deixa-me que te diga.
- Falas como se fossem perigosas ou assim.
- E são! Eu vou-te contar uma coisa…
- Só uma? – interrompeu – eu queria que me contasses a vossa história toda, desde o inicio.
- Nossa história? Que história?
- A tua e do Mario. O teu sobrinho ou sobrinha quer saber.
- Por falar nisso…quantos meses? – perguntei tentando desviar aquele assunto ao máximo.
- Cinco meses.
- Já mexe?
- Sim, Thaís já mexe, dá pontapés.
- Que estranho.
- Estranho?eu tinha dito estranho? E é…na verdade é bastante estranho. – isto é tão maravilhoso, teres uma vida a crescer dentro de ti.
- Isso não é para mim, de todo… - bebés, não obrigada.
- O teu sobrinho não gostou da tua resposta! – pegou na minha mão e encostou-a à sua barriga. Aquilo é que era um pontapé? Que coisa estranha…
- Thaís! Olha para a tua cara! Até parece que isto é alguma coisa do outro mundo!
- E é. Dormes de noite?
- Claro que durmo! Aliás desde que engravidei dormir sabe-me ainda melhor.
- É bom?
- O quê?
- Estar grávida.
- Já te disse que sim, é uma sensação única.
- Um dia destes experimento isso! – atirei brincando. A Cíntia sorria a olhar para mim, provavelmente não tinha notado a ironia com que o disse – estava a brincar!
- Oh, sabes Thaís? Devias pensar nisso, o Mario daria um bom pai.
- Mario? Um bom pai? Oh Cíntia! Nós…nem namorados somos! Não gostamos suficientemente um do outro para tal coisa.
- Isso achas tu! Se calhar até gostam.
- Não.
- Como é que se conheceram? – agora tinha que levar com interrogatório – oh espera, eu sei! Foi numa festa em casa do Marco.
Olhei para ela espantada, ela sabia…será que ele lhe tinha contado? Será que ele lhe falava sobre mim?
- Ele contou-me – disse apontando para o campo. As equipas já estavam em campo e…o jogo ia começar.




- Quais os planos para o resto do dia? – o Mario abriu a porta de casa deu-me espaço para eu entrar, entrando ele em seguida.
- Dormir.
- Thaís! dormir?
- Sim, eu gosto de dormir! Toda a gente gosta de dormir.
O Mario agarrou a minha mão levando-me com ele até à sala. Atirou-se para o sofá levando-me com ele atrás.
- Este é um bom sítio para dormir. – falei encostando a minha cabeça ao seu ombro.
- Vieste para Munique para dormir?
- Não. Eu vim para Munique para estar com o meu…amigo.
- Tu ias dizer namorado?
- Não! Claro que não.
- Ias sim.
- Não estou com paciência para discutir contigo. Vamos dormir.
- São sete horas da tarde, tens a certeza que queres dormir?
- Mario – pronunciei chegando-me para junto dele, levantei-me e sentei-me no seu colo colocando as minhas mãos em torno do seu pescoço enquanto ele colocou as suas no fundo das minhas costas – vais-me fazer o jantar?
- Vou?
- Vais,…eu quero conhecer os teus dotes culinários.
- Não queres conhecer antes outros dotes? – afastou-me ligeiramente o cabelo dando-me um pequeno beijo no pescoço.
- Esses, eu já conheço!
- Não queres conhecer melhor?
- Depois de comer o jantar que me vais preparar…penso nisso.
- Vou ter mesmo que cozinhar para ti? – perguntou dando uma volta no sofá fazendo com que eu ficasse por baixo do seu corpo.
- Mario,…tu eras capaz de deixar aqui a tua miúda à fome?
- Eu não – disse enquanto se levantava – em nenhum dos sentidos. – levantei-me compondo a minha camisola – já tu…- disse saindo da sala.
Acabei por me compor e rumar até à cozinha. De certeza que era para lá que ele tinha ido.
- Mario – falei fazendo com que ele me olhasse – eu hoje compenso-te.
- E se eu não quiser?
- Tu queres sempre! – cheguei mais perto dele e coloquei as minhas mão nas suas costas – queres ajuda?
- Não – falou enquanto me pegou ao colo. Coloquei as minhas pernas em volta da sua cintura enquanto as suas mãos estavam no meu rabo – tu ficas aqui – disse colocando-me em cima da bancada da cozinha. Ele só podia estar a gozar!és a minha inspiração.
- Uh – pronunciei enquanto me ajeitava para ficar confortável ali sentada – à tua inspiração apetecia-lhe algo.
- Ferrero rocher?
- Não pipoca, és mesmo tu.
- Thaís não querias o jantar?
- E quero! Um beijo…
- E depois?
- Depois?
- Sim, depois do beijo que queres que te dê.
- Eu vou dormir enquanto fazes o jantar.
- Dormir?
- Mario… - desci a bancada e percorri os meus bolsos – o meu telemóvel?
- Não sei, onde é que o deixaste?
- Não sei.
- No carro?
- Muito provavelmente…eu queria ligar à minha mãe.
- Toma – disse dando-me o telemóvel dele para a mão.
- Vou para a sala – cheguei perto dele e beijei-o – o beijo – esclareci antes de sair da cozinha.
Peguei no telemóvel do Mario e…oh espetáculo uma fotografia minha no fundo.



Aquela fotografia…tinha sido tirada nas nossas férias no Dubai. Porque raio tinha ele uma foto minha no telemóvel dele.
- Mario? – chamei o suficientemente alto para ele puder ouvir.
- Diz.
- Porquê esta fotografia? – perguntei virando o telemóvel para ele.
- Porque perdi as minhas fotos.
- Desculpa mais estúpida…- sussurrei.
- Sabes bem porque te tenho a ti como fundo! – disse saindo em direção à cozinha.
- Oh sei! – disse já sem ele ouvir.
Ligar à minha mãe era esse o objetivo. Marquei o numero dela e incrivelmente o Mario já o tinha na lista telefónica e o nome era sogra e…ele só pode estar a gozar comigo.
- Mario? – chamei. Desta vez levantei-me e fui até à cozinha. O Mario estava no fogão da cozinha. Ficava bastante sexy a cozinhar – porquê sogra? – perguntei virando o telemóvel para ele.
Continuou o que estava a fazer, simplesmente nem se virou. Cheguei-me um pouco mais perto dele e toquei-lhe levemente no braço.
- Porque te amo! – virou-se para trás de repente e agarrou os meus pulsos. O seu tom de voz tinha mudado e os seus olhos olhavam-me de uma forma completamente intensa.
Sentia-me estranha, ele continuava a olhar-me e nenhum dos dois pronunciava uma única palavra. Tentava sair dali mas parecia que não conseguia, sentia-me presa àquele lugar. Dei apenas meia volta sem mexer mais nada a não ser os meus pés. Agora estava de costas para ele podia voltar respirar. Aquilo tinha sido estranho!
Virei-me novamente para ele. O Mario continuava no mesmo sítio a olhar-me.
- É melhor nós… - as palavras pareciam falhar-me mas ainda consegui dizer aquilo.
- Esquecermos isto. – continuou ele virando-se para o fogão novamente
- Sim…isso mesmo. – voltei-me em direção à porta e voltei para a sala mas…eu tinha que voltar.
Voltei para a cozinha e quando ia a entrar bati contra o Mario, também ele ia ter comigo. Ficamos ali os dois a olhar um para o outro sem dizer uma palavra sequer.
Senti os lábios dele a embaterem contra os meus num beijo rápido e desprevenido.
- Gosto de ti, Thaís. – disse quando acabou aquele beijo.
- Eu também…Mario. – sussurrei.

Voltei novamente para a sala e sentei-me no sofá. Incrivelmente tinha perdido a vontade de dormir.
Na cozinha aquilo tinha sido estranho, demasiado estranho,…aquelas palavras que o Mario tinha pronunciado, nunca pensei ouvi-las da boca dele, muito menos para mim.  
Ligar à minha mãe…era esse o plano inicial e era isso que eu precisava de fazer.
- Olá Thaís – disse quando atendeu a chamada.
- Estive com a Cíntia, ela está grávida e bonita! – disse sem me preocupar muito com a forma como dizia. Apenas o disse porque a minha mãe precisava de saber.
- Isso é bom…é bom Thaís.
- Estás chocada?
- Não, nada disso. Estou admirada.
- Ao início foi estranho – admiti – mas depois a conversa foi fluindo. Tens de falar com ela.
- Claro, ela é minha…filha. Como é que estão as coisas com o Mario? Tinha de vir esta conversa!
- Bem, bem…porque é que haveriam de estar mal?
- Tens a certeza que as coisas estão bem?
- Sim, o Mario está a fazer o jantar.
- Olha que querido, também vai fazer para a sogra um dia destes?
- Mãe…por favor.
- Pronto, está bem. Eu vou ter com a Astrid, adeus.Está tudo maluco. Porque raio não fica em casa?
- Vai sim, beijinho.
- Beijinho. – desligou a chamada.



- Thaís… - ouvia a voz doce do Mario e a sua mão deslizava sobre o meu braço – pipoca – devagar abri os olhos.
Senti o seu corpo em cima do meu, com cuidado o Mario deitou-se sobre mim.
- És pesado! – barafustei.
- Tem calma – disse dando-me um leve beijo no pescoço – vamos jantar? – perguntou enquanto me mexia no cabelo.
- Mario… - tentei chegar ao bolso das minhas calças, consegui e retirei de lá o telemóvel dele – obrigada – disse entregando-lhe o telemóvel.
- A minha fotografia de fundo não é linda?
- Não!
- Ela é mais simpática que tu! – estes joguinhos a esta hora são bons.
- Já viste? Mas sou eu que te aturo.
- Tenho mais fotografias, queres ver?
- Não.
- Eu mostro-te à mesma.
Chato, ele é mesmo chato e teimoso. Começou a mostrar-me as fotografias, as minhas fotografias.
- Gosto desta. – disse virando o telemóvel para mim.


- E aqui estás muito sexy.


- E os teus olhos aqui estão ainda mais bonitos!


- Mario…
- É verdade! – com cuidado levantou-se de cima de mim – vamos jantar?
- Sim, vamos jantar. – levantei-me também e fomos os dois até à cozinha – é possível eu ter uma intoxicação alimentar, depois disto?
- Não, sua parva!


O jantar ia decorrendo tranquilamente. Tenho que admitir o Mario tinha bastante jeito para cozinhar, estava admirada.
- Sabes…tens mais jeito para cozinhar do que para jogar futebol! – pela cara que o Mario fez percebi que não tinha gostado do que eu tinha dito – estou a brincar! Não na parte de que cozinhas bem mas na parte em que pus o futebol na conversa – um sorriso formou-se no seu rosto – aliás eu e futebol…nem nos damos bem nem mal apenas nos damos.
- Obrigada – agradeceu. – Thaís…
- Sim…?medo…
Sorriu nervoso e o medo que eu sentia começava a aumentar.
- Bem – ele ia falar mas começou a rir.
Percebi que não se ri porque algo tinha piada mas sim porque estava nervoso. Comigo acontecia o mesmo.
- Mario…
- Thaís… - pegou na minha mão e por momentos tremi – queres namorar comigo?
Pronto…agora era eu que me ria, não que tivesse piada mas as palavras pareciam que me tinham fugido todas. Tapei a minha cara com as mãos. Como é que eu me ia livrar disto agora?
- Tha?
- Ai – acho que foi a única coisa que consegui dizer.
- Ai?
- Ai.
- Thaís?
- Oh Mario. – que conversa mais estranha.
- Diz que sim.
Levantei-me da minha cadeira e fui em direção a ele. Sentei-me nas suas pernas e olhei-o.
- Mario…eu estou sem palavras. Prometo que te respondo antes de me ir embora mas dá-me tempo…dá-me tempo para assimilar as coisas.
- Eu dou – disse juntando os nossos lábios num beijo calmo – vens viver cá para casa? – perguntou acariciando-me a face.
- Porque haveria eu de vir viver para cá?
- Porque estás grávida. – colocou a mão na minha barriga e sorriu. Ele só podia estar maluco.
- Mario, querido, como o James Arthur diz isso é tipo impossible.
- Não é nada.
- É. Eu não estou grávida e isso não vai acontecer.
- Mas tu tens sono.
- Não és tu que fazes viagens Dortmund – Munique. As viagens cansam-me e tu também.
- Eu não te canso de certeza, aliás tu não me dás a possibilidade de eu te cansar, não é?
- Eu hoje dou-te toda a possibilidade para isso.
- Dás? – perguntou entre beijos.
- Dou. Esta tua cama é-me completamente desconhecida.
- Já dormiste cá.
- Tu não queres dormir Mario.
Não ouvi mais qualquer palavra da boca do Mario. Os beijos começaram a ser mais fugazes, as respirações mais aceleradas…e eu sabia como ia acabar isto e agradava-me bastante.



- Que tal Colónia? – acariciou-me a face e fez a sua mão encontrar-se com a minha.
- Continua igual desde que me lembro mas também já foi há algum tempo. Devia ter uns treze anos quando vim cá a última vez.
- E continua igual?
- Continua, apenas acho que este café não estava aqui.
Estávamos sentados numa esplanada, ainda que Março não fosse calorento estava-se agradável no exterior.
Esperava algo da parte do Mario mas estava calada, especado a olhar para mim. Admito que ainda me faz confusão quando ele me olha assim.
- Mario…? – passei a minha mão à frente dos seus olhos – Thaís chama Mario…
- Diz pipoca.
- Estavas fixado…
- És tão linda, sabes?
- Mario…
- Mario nada! Anda cá…- disse agarrando-me a mão.
Levantei-me da minha cadeira e ele puxou-me até si, fazendo-me em seguida sentar numa das suas pernas.
- Não te devo pesar…estás sempre a puxar-me para o teu colo.
- És magrinha e além disso gosto de te sentir bem perto de mim. – assentou a sua mão na minha perna – já pensaste na minha proposta?
- De ir viver contigo?
- Não…sim, vens viver comigo?
- Não.
- Porquê?
- Eu estudo em Dortmund ou já te esqueceste?
- E então?
- És tão parvo.
- Mas já pensaste no meu pedido de namoro?
- Mario… - aquele assunto outra vez não. Ainda não estava preparada para dar uma resposta.
- Desculpa…não te quero pressionar mas…
- Shhh – passei o meu dedo indicador pelos seus lábios fazendo assim com que não dissesse mais nenhuma palavra – Live in the moment…



O concerto da Beyoncé foi talvez o melhor que eu vi até hoje, toda aquela magia…aquele à-vontade dela em palco, a voz, aqueles movimentos tão sensuais…sem dúvida algo repetir.
Também foi a oportunidade do Mario para atacar, os beijos, as mordidelas, as mãos dele no meu corpo. Ele sabe o que faz e como faz. Sabe como seduzir, sabe como ser querido mas também sabe como ser parvo. Por isso ele me enerva tanto…por isso é que ainda não aprendi a lidar com ele.




Sentia demasiado movimento naquele quarto, talvez por isso tivesse acordado. Abri os olhos e muito vagarosamente comecei a espreguiçar-me. Mario…o Mario era quem me faltava ali, não havia um braço em torno da minha cintura nem uma perna dele por baixo das minhas.
Levantei o tronco podendo mirar o que se passava à minha volta o Mario ia embora, provavelmente treinos.
- Mario? – chamei esperando que ele viesse ao meu encontro.
- Tenho que ir embora – chegou perto de mim e deu-me um leve beijo na testa – bom dia!
- Não vás! – ele sorriu e sentou-se na cama junto a  mim.
- Não vou? – perguntou empurrando-me cuidadosamente para trás e atacando os meu lábios de uma forma feroz.
- Não – disse entre beijos – fica comigo – pedi agarrando o seu rosto entre as minhas mãos.
- E vais tu avisar Pep Guardiola que eu não vou?
- Sim.
- E o que lhe vais dizer?
- Que o Mario Götze precisa de ficar em casa a cuidar da namorada.
- Da…namorada? – um sorriso apareceu no seu rosto. Aquele sorriso…
- Sim, Thaís Baden é oficialmente namorada de Mario Götze. – disse enquanto o beijava.
- É para durar, certo? – interrompeu o beijo, percebi que tinha necessidade de fazer aquela pergunta.
- Eu espero que sim, meu amor.