sexta-feira, 30 de maio de 2014

20º Capitulo - « o eu e o tu chega-me perfeitamente »

- Estás com…ciúmes? – perguntou olhando-me com uma certa satisfação.
- Mario não. Eu? Ciúmes? Ainda por cima dela? – perguntei colocando a minha mão na sua perna. – Teria que ser muito burra para ter ciúmes da tua ex-namorada.
- Era? – perguntou.
- Sim, era Mario. Tu traíste-a comigo por alguma razão…se eu tivesse ciúmes dela era completamente estupido. Só achei estranho, ela te estar a ligar.
A ligar…à pouco ela estava a ligar ao Mario mas o telemóvel tinha parado de tocar tínhamo-nos perdido naquela conversa e esquecido o telemóvel.
- Já não está. – disse ele olhando para mim.
- Não lhe vais ligar? – perguntei.
- Para quê?
- Isso tu é que sabes.
- Thaís…- disse colocando a sua mão na minha cara virando-me para ele – porque é que tens ciúmes?
- Não tenho ciúmes. – respondi virando a cara.
O Mario riu. Odiava quando conseguia levar a melhor.
- O quê? – perguntei nem um pouco contente com o seu riso.
- Oh sabes uma coisa? – perguntou continuando a sorrir – estás a precisar de uns beijos do Mario. – disse chegando o seu rosto perto do meu.
- Não, não estou! Guarda os beijos para a Ann. – respondi afastando o meu rosto do seu.
- Olha que tu! Quando tens ciúmes tens mesmo a sério!
- Não tenho ciúmes!
- Tens sim. – insistiu.
- Cala-te! – ordenei tentando com que a conversa parasse.
- Oh pipoca… - disse tirando o cinto e chegando para junto de mim.
- Nem pipoca nem meia pipoca!
- És mesmo teimosa, tu.
- Estás mal mudas-te! – disse.
- O problema é que gosto mesmo de ti sabes?
Olhei para ele de lado esperando por algo mais.
- Sim! Gosto de ti apesar de seres rabugenta, teimosa e de vez em quando chata.
- Muito obrigada pelos insultos! – disse irónica.
- Thaís…- sussurrou chegando perto de mim e poisando a sua mão na minha perna – vamos acabar com isto sim?
- Gosto tanto de ti! – disse impulsivamente beijando-o em seguida.
- Isso foi…- disse esperando que eu acabasse.
- Hormonas Mario, habitua-te.


- Devíamos dormir – disse passando a minha mão pela cara dele.
Estávamos já há algum tempo deitados naquela cama apenas a recuperar o tempo perdido.
- Tens sono? – perguntou com uma voz doce, diferente da que tinha maior parte das vezes.
- Não. – respondi sorrindo.
- Então vamos continuar a falar.
- Do que é que queres mais falar? – perguntei dando meia volta na cama e ficando mais perto dele.
- Vamos falar de ex-namorados.
- Ui, um bom assunto por acaso eu conheço já duas. – atirei – como é o nome dela? Sabine?
- Não Thaís, não foi minha namorada.
- Ah pois claro, amiga de infância…
- Lembro-me bem o ataque de ciúmes que tiveste!
- Não tive nenhum ataque de ciúmes! – neguei defendendo-me.
- Tiveste sim e dos grandes.
Como eu me lembrava daquele dia, daquela tal Sabine e de a Emma pensar que eramos namorados.

- Era a Sabine. – disse-nos.
Sabine, como se isso me interessasse- pensei.
- Andar de cima? – perguntei virando-me para a Emma.
- Sim. – respondeu com o seu típico sorriso. – Anda Marito! –disse agarrando a mão dele e ficando entre nós os dois.

- Oh ciumenta. – disse o Mario chegando perto de mim e rodeando-me a cintura com os seus braços.
- Deixa-me em paz! – disse-lhe afastando-me dele.
- A Sabine é minha amiga de infância.
- A Sabine é minha amiga de infância – disse tentando imitar a voz dele – o que é que eu tenho a ver com isso?
- Que ciumeira Thaís! – disse aproximando-se novamente de mim.
- Deixa-me! – ordenei-lhe.
Reparei que a Emma já estava novamente presente.
- És mesmo ciumenta. – atirou.
- É normal Marito, a Tha é tua namorada tem que ter ciúmes.

- E conheço a Ann não é? – disse sem grande vontade de entrar naquela conversa da Ann.
- Não conheceste a Julia. – disse-me.
- Era suposto conhecer?
- Foi assim a primeira verdadeira. – disse de uma forma  bonita e com um sorriso na cara.
- Oh que querido Mario. – disse chegando junto dele e ficando com o meu rosto a milímetros do dele – isso é tão  bonito.
- Mas também foi a primeira a fazer-me sofrer. – disse desta vez mais triste.
Estava a conhecer um Mario completamente diferente muito mais…sensível.
- E tu? – perguntou despertando-me dos meus pensamentos.
- Nos primeiros anos de faculdade deve ter sido onde tive a relação mais séria da minha vida mas não durou muito…foram – pensei durante um bocado fazendo as contas – precisamente três meses. Foi uma relação bonita até, ele agora deve ser enfermeiro e quem sabe ainda pode cuidar de mim.
- Thaís!
- Ele era bem sexy. – disse tentando provocar o Mario.
- Já não estou a gostar da conversa. – disse olhando para mim estranho.
- Eu sei, eu sei. Sabes? Afinal não sou só eu que tenho ciúmes.
Ele nada disse, olhou para mim e sorriu e o silêncio tomou conta de nós e apenas nos olhávamos.
- Quando começas o estágio? – perguntou-me quebrando o silêncio.
­- Por volta de Abril. – respondi.
- Munique?
- Já estive mais virada para Munique já.
- Estavas mais perto de mim não era tão bom?
- Não – respondi fazendo cara séria.
- Podes sempre estagiar em mim. – respondeu provocador.
- Por vezes pergunto-me se me devo rir ou ficar escandalizada com essas tuas saídas mais…uau mas a verdade é que não sou nenhuma santa mas tu ainda me pões pior!
- Pois tu de santa não tens nada não. – atirou.
- Olha quem fala! E fica sabendo que eu já fui muito boa menina e inocente.
- Então porque é que deixaste de ser inocente? Sim, porque tu boa menina continuas a ser não é?
- Foi o meu ex-namorado aquele que deve ser enfermeiro e é sexy.
- Começo a não gostar nada do rapaz ainda sem o conhecer.
- Não o podes conhecer Mario, depois começas a achar-te inferior e lá se vai a tua autoestima. – disse gozando com ele.
- A minha autoestima não se vai com um rapaz qualquer. – defendeu.
- Mario sabes qual é o problema? Ele não é um rapaz qualquer.
- Podemos acabar com esta conversa? – pediu colocando as suas mãos em torno da minha cintura e deslocou-me para cima do corpo dele.
- Poder até que podemos mas não sei se quero. – respondi já em cima dele.
- Vamos acabar com o assunto de ex-namorados.
- Foste tu que tiveste a brilhante ideia desta conversa, lembras-te? – perguntei encostando os meus lábios aos dele.
- Concentremo-nos em nós. – disse mordendo-me ligeiramente o pescoço.
- Não uses essa palavra Mario Götze, é demasiado complexa.
- Queres algo mais simples? – perguntou colocando a mão no interior da minha camisola.
- Quero sim, o eu e o tu chega-me perfeitamente.
- Isso não é um nós? – perguntou levando as suas mãos ao meu rabo deixando-as lá.
- Não Mario. Sou eu e tu e o resto não importa. – disse levantando-me de cima dele – mas agora aqui a Thaís vai embora.
- Tha fica comigo…não íamos dormir os dois?
- Tenho aulas amanhã e preciso de dormir e sei que contigo ao meu lado não o ia conseguir fazer. – admiti compondo a camisola e pegando nas minhas coisas.
- Não me resistes é? – perguntou convencido.
- Mario és tu quem não me resistes sim? – disse chegando-me perto dele e juntando os nossos lábios.
- Eu ligo-te – disse puxando-me pela camisola para junto dele.
- Tenho de ir.
- Não tens não, tu é que queres ir.
- Tenho. E nem vou dormir a casa da Halle porque tenho medo.
- Medo?
­- Ela e o Marco, aquilo é perigoso…
- Perigoso? – perguntou não percebendo nada.
- Mario, nós nunca demonstrámos ser inocentes não é? Eles parecem muito inocentes mas são piores que nós e quando digo que são piores que nós são mesmo naquele sentido.
- Vida noturna?
- Sim, nesse sentido mesmo. Ela anda muito alegre e de certeza que não é de me ver todas as manhãs. – disse séria.
O Mario começou a rir-se na minha cara, ria-se mesmo muito.
- Tha, amor…
- Oh não me chames isso! – repreendi-o.
- Pipoca ouve-me é normal sim? E é bom vê-los assim não?
- É claro que é mas o que me afeta é eles dizerem que nós é que temos vida noturna ativa.
- Nós temos cara de quem…tem vida noturna ativa? – perguntou o Mario contendo-se para não rir.
- Isso é por caras?
- Não sei mas eles basearam-se em alguma coisa pra dizerem isso.
- Mas não tem sentido – argumentei – sim estivemos no Dubai sozinhos e sim a Halle apanhou-nos a vias de…mas…sim eles têm bases para dizer o que disseram. – admiti no fim de pensar em tudo – vou embora, tenho de ir. – disse beijando o Mario uma ultima vez antes de sair do seu quarto.



Caminhávamos por aquele jardim em silêncio, na verdade não havia muito para dizer. Acabei por parar e sentamo-nos as duas num banco.
- Saímos hoje? – perguntei-lhe.
- Eu já…eu já combinei coisas com o Marco – disse a medo – como ele não foi convocado decidimos aproveitar este tempo a dois.
- Muito bem, trocada pelo Reus, podia ser pior… - disse-lhe de forma a que ela percebesse que estava a brincar com a situação.
- Não estás chateada? – perguntou.
- Não meu amor, claro que não, tens que aproveitar o tempo com o teu namorado. – disse-lhe sorrindo.
- Então e tu e o Mario?
- O que é que tem? – perguntei.
- Vocês…
- Nós nada, Halle.
- Vocês tudo, Thaís.
- És tão irritante! – disse reparando no sorriso que tinha na cara.
- Ai – suspirou – estamos destinadas aqueles dois.
- Ei! Fala por ti minha amiga.
- Thaís, admite lá. – disse pegando-me na mão – tu e o Mario estão destinados um ao outro.
- E tu estás destinada a um manicómio.
- Goza minha cara, depois quando andares com filhos pelas mãos e chamares de marido ao Mario falamos.
- Não falamos não porque isso não vai acontecer. – disse segura de mim.
- És muito teimosa tu e orgulhosa também, custa-te assim tanto admitir que gostas dele?
- Não gosto dele. – neguei.
- Um dia sei que vais admitir. – fez a sua mão passar sobre a minha – por enquanto ainda é cedo eu entendo.
- Halle, começo a achar que o Marco te faz mal.
- Faz-me tão bem. – disse encostando a sua cabeça ao meu ombro.
- Mas olha Halle, vive lá o teu amor com o Marco mas deixa-me a mim e ao Mario de lado. Não nos tentes juntar, sim?
- Vocês já estão juntos! – atirou.
- Somos amigos. – defendi-me.
- Amigos…sim, tens toda a razão amigos…simples amigos, já vi coisas mais sérias, incluindo amor, começar com muito menos.
- Explica-me porque é que queres que eu e o Mario juntos?
- Porque quem te conhece a ti e a ele percebe que vocês são muito mais que amigos, têm algo de diferente que não consigo explicar mas é bonito sabes?
- Não sinceramente não sei. Não quero nada com ele nem com ninguém estou demasiado bem sozinha. Não preciso de namorado para me sentir feliz. E acaba lá esta conversa.
- Não vais ver o jogo hoje? – perguntou.
- Tenho lá tempo para isso por acaso.
- Vá alguém perceber-te…a ti e a ele.



- Mudança de planos – disse a Halle quando entrei na sua casa. – quer dizer não sei que queres mas…
- Se for festa eu vou. – disse sentando-me no sofá.
- É festa é e como não tens aulas amanhã pensei que quisesses ir connosco.
- Quero, leva-me que já estou a desesperar, não saio à noite há tanto tempo.
- Mas não é uma festa qualquer. – disse-me – é assim…
- Halle fala lá! – disse impaciente.
- Implica amigos do Marco que jogam com ele e isso. Ele quer-me apresentar aos rapazes.
- Que giro, isso é muito bonito e se tem rapazes estou nessa!
- Espera – disse colocando a mão sobre a minha perna – há uma coisa que…
- Diz.
- O Marco pode ter comentado que…levava a namorada do Mario Götze…
- O quê? – perguntei incrédula. – onde é que está essa coisa? Eu juro que quando o apanhar não sei o que lhe faço!
- Thaís, tem calma. Ele não fez por mal.
- Fez por bem, queres ver?
- Calma não é nada que não possas negar mas sei que não o vais fazer.
- Aí é que te enganas, vou fazer sim senhora!
- Thaís…
- Halle percebe ele não…ai – tentava falar mas as palavras não saiam da forma como eu queria – espera – coloquei os óculos de sol na cara para tentar falar sem me desmanchar toda – o Mario, bem o Mario é diferente de tudo o que já conheci. Ele sonha, luta e alcança é estranho eu sei mas…tenho que ser sincera e dizer que a ideia que tinha dele é errada. Ele consegue ter duas facetas muito diferentes tanto sabe ser um querido como sabe ser cabrão. Se gosto dele? Gosto até mais do que pensas. Porque é que me afasto dele? É a pergunta que tu fazes? Eu respondo-te é fácil, bastante fácil até…quem trai uma pode muito bem trair duas e eu não estou para me sujeitar a tal coisa. Por isso não, isto não é aquelas histórias bonitas com um final feliz todo bonito, isto foi apenas uma etapa em que eu me meti com o rapaz comprometido e não medi as consequências.
- Se voltasses atrás voltavas a fazer isso?
- Sinceramente? – perguntei. A Halle assentiu com a cabeça – sim, eu voltava a fazer tudo outra vez porque não me arrependo nem um pouco dos momentos que passei com ele.
- Arrisca, um dia pode ser tarde de mais.
- Eu não lhe dou muito tempo até ele voltar para a Ann.
- Porque é que dizes Thaís? – perguntou agarrando-me as mãos.
- Há diferenças entre mim e ela e uma delas é que ele não me tem na mão como a tinha a ela.
- Ele não te quer ter na mão.
- Halle, ele deu-me garantida e eu só lhe estou a mostrar que as coisas não são assim.
- Mas sabes que mais? Acho que o Mario vai-te provar que não és mais uma, ouve o que te digo, ele não está a levar isto na brincadeira até está a levar as coisas bem sérias.
- Que leve.
- Esse teu feitio…
- É o meu!
- Raio da miúda tem sempre resposta para tudo! – disse séria acabando por se desmanchar depois a rir comigo



O Marco entrou em casa da Halle e cumprimentaram-se, tal cumprimento que durou bastante tempo.
- Ainda não acabaram? – perguntei brincando com a situação.
- Não me faças falar…- disse o Marco.
- Não me faças falar tu! O que é que andaste a dizer lá para os teus amigos?
- Nada. – defendeu-se o Marco – a não ser a verdade.
- A tua definição de verdade deve ser um pouco diferente da minha.
- Já falaste com o teu namorado hoje? – perguntou atirando-me com uma das almofadas.
- Não tenho namorado nenhum! E não falei com o teu amigo não, se é isso que queres saber.
- Logo vi, isso é a falta de Gotze que te faz ficar assim toda violenta.
- Vamos fazer um acordo, sim? – perguntei. Não esperei que respondessem e continuei – eu não vos chateio esta noite e tudo o que se passar na festa não sai daqui, com isto quero que dizer que nem uma palavra a Mario Gotze independentemente do que se passar hoje.
- Pensas traí-lo? – perguntou o Marco olhando-me sério.
- Como é que se trai alguém sem se ter nada com essa pessoa?
- Uma traição psicológica.
- Isso existe por acaso?
- Existe! – insistiu – Tu vais trair o Mario psicologicamente porque vais estar a engatar algum mas vais estar a pensar nele.
Fiquei paralisada a olhá-lo por vezes até sabia o que dizia.
- Vamos embora! – disse levantando-me e pegando na minha mala.
- Viste, quando a conversa não lhe cheira foge. – disse a Halle suficientemente alto para eu conseguir ouvir.
- Podiam ajudar-me nesta fuga e despacharem-se não? – perguntei enquanto vestiam os casacos.
- Calma minha amiga, calma. – disse o Marco colocando a sua mão no meu ombro.
- Não me queiras manipular Marco, ainda tens uma coisinha a fazer tu.
- Tenho?
- Desmentir a minha suposta relação com o teu amigo.
- Thaís, ouve-me minha cara. Eles são alemães tal como eu e tal como o Mario. Alemães bons como nós vão para a seleção, a seleção implica muitos alemães juntos logo eu só adiantei a notícia para quando for oficial os rapazes não se chocarem.
- Marco mas porque é que haveriam de se chocar?
- Ah, isso são outros assuntos que não são para aqui chamados. – disse abrindo a porta de casa.
- Ainda me tens que contar isso. – disse-lhe a Halle.
- E a mim também que eu quero saber. – disse saindo para o exterior da casa.



- Então? És tu a namorada do Gotze? – perguntou um rapaz chegando junto a mim.
- Não, não sou eu. – respondi.
- Tens a certeza? – perguntou olhando para mim como que me «tirando as medidas».
- Tenho.
- Mas tens mesmo? É que o Marco disse que eras tu.
- O Marco nem sabe o em que dia o Mario faz anos muito menos se eu namoro com ele.
- 3 de Junho. – ouvi a voz do Marco atrás de mim e assustei-me. – quem disse que eu não sei? Sei mais datas que um professor de história.
- Sabes…claro que sabes.
- Thaís o Erik vai meter-se contigo mas é normal não te assustes. – disse o Marco afastando-se novamente de mim e do tal rapaz.
- O Erik…tem uma conversa de engate bastante fraca por isso, prepara-te. – disse também se afastando.
Olhei para todo o lado procurando pela Halle, estava junto ao Marco.
- Olha lá quem era aquele que estava a falar comigo? – perguntei.
- Não sei. Marco quem era? – perguntou-lhe a Halle.
- O Oliver. – respondeu o Marco.
- E o que é que estás a beber? – perguntou a Halle pegando no copo que eu trazia na mão.
- Não sei. – respondi sincera – uma mistura qualquer.
- Isso ainda te vai fazer mal. – avisou a Halle entregando-me o copo.
- E quem é o Erik afinal?
- Ah essa eu sei – disse a Halle rindo – é aquele ali ao fundo. – disse apontando para um rapaz loiro e alto como maior parte dos alemães.
- Ele vai-me engatar? – perguntei sorrindo.
- Provavelmente… - concluiu o Marco abraçando-se à Halle.
- Eu vou… - disse afastando-me deles – ali coiso, tenham aí o vosso momento romântico.
Voltei para onde estava e discretamente olhava em volta tentando perceber se o tal Erik se aproximava ou não. Passado alguns minutos reparei que se aproximava.
- Doeu? – perguntou ele quando chegou junto de mim.
Aquela voz era algo fora do normal, conseguia ser doce mas ao mesmo tempo ter aquela ponta de provocação na voz.
- O quê? – perguntei virando-me para ele.
Aqueles olhos eram qualquer coisa de invulgar e espetacular.
- Quando caíste do céu? – perguntou olhando-me e sorrindo.
Bem me avisaram que a conversa de engate era fraca – pensei.
- Erik. – disse colocando a sua mão na minha cintura sem pedir qualquer coisa de permissão.
- Thaís. – disse enquanto ele encostava os seus lábios à minha bochecha.
- Bonito nome. – disse afastando-se um pouco de mim mantendo uma distância segura.
- Só o nome? – perguntei.
- Ui, já vi que és das minhas.
- Vamos admitir Erik…- disse olhando para o chão. Levantei a cabeça mirando-o e prossegui – a minha conversa de engate é muito melhor que a tua.
- Isso só saberei quando for alvo dela, algo que penso que já não é necessário.
- Verdade. – disse sorrindo.
- Por falar em verdades…é verdade que és namorada do Mario Gotze?
- Sinceramente preferia a consequência.
- A resposta é fácil: ou sim ou não.
- Não. – respondi.
- Muito mais descansado. – disse-me enquanto me olhava de cima a baixo – tens um vestido muito bonito.
- Obrigada. – agradeci.
- E sabes onde ficava ainda mais bonito? – não esperou que eu respondesse e prosseguiu – no chão do meu quarto.
- Leva-me a esse paraíso. – disse sem pensar, apenas o disse…
- Podemos ir acredita que não te vais arrepender. - disse agarrando-me uma das mãos e começando a percorrer aquele espaço até à saída.  
Naquele momento os pensamentos eram poucos, evitei em pensar porque se pensasse o Mario viria à minha cabeça e iria parar por ali a noite.
Chegamos ao exterior, o vento que fazia o frio que se sentia por momentos fez-me pensar, pensar demasiado...agarrou-me pela cintura e puxou-me para junto dele.
- Oh mas quem é que eu estou a enganar? – disse afastando-me dele – és giro e acredita que eu não me importava nada que me levasses para o teu quarto mas na…não consigo, tenho demasiados pensamentos na minha cabeça e a ligeira sensação que o estou a trair.
- Foi a tampa mais bonita que eu já recebi! – disse sorrindo e levando-me a faze-lo também.
- Não é uma tampa é algo que… - tentava arranjar as palavras certas mas nada me parecia adequado – olha és giro e eu vou voltar lá para dentro. Gostei de te conhecer. – disse dando-lhe um beijo na face.
Ele sorriu-me e eu voltei para dentro procurando por a Halle. Precisava dela, tinha acabado de dar uma tampa a um…Deus alemão por causa do Mario. Via ao longe e fui ao encontro dela em passo acelerado.
- Oh meu Deus. – disse pegando na bebida que a Halle tinha na mão e juntando com a minha.
- Tu fazes com cada mistura rapariga! –atirou a Halle – o que se passa?
- Acabei de dar para trás ao Erik!
A Halle olhou para mim e depois para o Marco. Olharam depois os dois para mim e começaram a rir bastante.
- Onde é que está a piada? – perguntei tentando entender.
- Minha flor – disse a Halle passando a sua mão pela minha face – admite que Mario é importante, que não conseguiste dar nenhum passo com o Erik porque na tua cabeça o estavas a trair e porque tu simplesmente gostas dele
- Sim…eu gosto dele e olhem que não é pouco! – disse chamando a atenção deles, olharam sérios para mim e sorriram.
- Custou? – perguntou a Halle.
- Sim, tive que fazer umas misturas de bebida para conseguir dizer isto. – disse rindo.
- Toma – disse a Halle entregando-me algo para a mão – come.
- Como? O que é isto? – perguntei.
- Nozes, ai Thaís não me digas que nunca comeste nozes.
- Não, nunca comi nada disso.
- É bom, come que é bom.


O tempo foi passando, a festa acabou ainda fomos até uma discoteca mas acabamos por vir parar a casa do Marco só os três.
- Thaís, tu ainda não paraste de te coçar! – disse a Halle saindo do colo do Marco e agarrando-me o braço.
- Tenho comichão é normal, não?
- Oh meu Deus… - pronunciou agarrando-me o outro braço – dá cá a tua perna – subi a minha perna até as suas colocando a minha em cima das dela. – olha para isto! Estás cheia de manchas vermelhas.
- Isto passa. – desvalorizei.
- Passa? Não passa nada! Isto deve ser uma reação alérgica e pode piorar, hospital já!
- Halle…são seis e meia da manhã eu quero é dormir.
- Thaís! Levanta-te e vamos.
- Não gosto de hospitais. – argumentei.
- Thaís, vamos lá, isso pode piorar – disse o Marco que até agora estava calado.
Voltei a passar as unhas pelos braços coçando toda a região que me fazia comichão. Estavam os dois em pé à minha frente esperando que eu me levantasse.
- Certo, vocês ganharam. – cedi levantando-me daquele sofá.

O caminho feito até ao hospital foi silencioso. A comichão matava-me a cada segundo e por mais que eu tentasse não coçar era mais forte que eu.
Aquela hora da manhã o movimento era pouco e rapidamente fui atendida.
O diagnóstico foi fácil: alergia provavelmente àquelas tais nozes.
- Vá Thaís agora levas com anti-histamínico na veia. – disse a Halle.
- Ai isso é que não, não quero cateteres, nem seringas próximas de mim.
- O médico foi bem claro e ainda ficas a soro durante algum tempo para ver se ficas boa e normal. O enfermeiro é giro que eu já vi por isso nada de queixas sua maricas.
Fomos até à sala a que o médio nos indicou, ia ser picada uma coisa que detesto.
- Alergia? Bem, isso passa, decerto que vir para o hospital como uma alergia pequena não é o mais correto.- disse o enfermeiro encarando-nos.
- Cada vez melhor o profissionalismo neste país. – atirei.
- Se as pessoas viessem todas para as urgências com coisas mínimas como essas estávamos nós sempre cheios de trabalho.
A Halle estava estática a olhar para a pequena discussão que se estava ali a passar.
- Pagam-lhe para alguma coisa, certo? – atirei.
- Não me pagam para aturar pessoas como sua alteza…porque eu sempre a aturei de graça.


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Boa noite :)
Estou tão contente por ter conseguido acabar este capitulo que nem imaginam, está enorme eu sei mas espero que não seja secante e gostem de ler.
Curiosamente comecei a escrever este capítulo pouco tempo depois de ter publicado o ultimo mas com tanta coisa a fazer o tempo tornou-se escasso, cada fim-de-semana fui acrescentando coisinhas e hoje terminei-o.
Espero que gostem. Peço desculpa pela demora.
Espero as vossas reações :)
Beijos,
Mahina 

2 comentários:

  1. Olá!
    Custou assim tanto Thais? Porque complicas tanto rapariga? Olha que meninos como o Mario não se encontram todos os dias! Eles ficam tão fofos e complicados juntos! I love it!
    Oh Erik valha-me Deus que esses piropos até tiram a "vontade"! XD
    E este enfermeiro quer o quê? Não percebi este otário!
    Espero o próximo!

    Beso
    Ana Santos

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