domingo, 27 de abril de 2014

19º Capitulo « Fomos apanhados pela Halle »

- Thaís? – ouvi chamar quando já me dirigia para junto do meu carro.
Olhei para trás encarando o Mario pela segunda vez após o nosso afastamento. Percorreu o pequeno espaço que nos separava aceleradamente ficando finalmente frente a frente comigo.
- Não fujas. – disse agarrando-me o braço permitindo-lhe assim ter a certeza que eu não virava costas e me ia embora.
- Não o ia fazer…- disse-lhe de cabeça baixa.
- Olha para mim. – pediu levantando-me ligeiramente o queixo.
Encarei-o finalmente e pude finalmente vê-lo, mirar cada traço do seu rosto e aquele olhar que me dizia tanto.
- Estás bem? – perguntou deixando a sua mão que antes permanecia no meu rosto ir até à minha mão agarrando-a.
- Sim…- respondi.
- Impressionante como ao fim de tanto tempo continuas a tentar-me mentir mas sem sucesso.
- Até parece que nos conhecemos assim há tanto tempo…- disse-lhe.
- Há tempo suficiente para perceber pelos teus olhos e pela forma como reages que não estás bem.
A conversa estava estranha, bastante estranha. Havia desconforto entre nós, tal coisa que nunca existiu…não connosco. O meu olhar continuava preso ao dele como…sempre.
- Porquê?
- O quê? – perguntei confusa.
- Porque te afastaste? – perguntou olhando-me e esperando certamente uma resposta vinda de mim.
- Mario…fui bem clara quanto aos motivos quando o fiz.
- Esses teus motivos nunca me convenceram, nunca te preocupaste com ela quando estivemos juntos.
- Isso é mentira…muitas vezes ela foi nosso tema de conversa porque era errado estar contigo existindo ela.
- Agora ela não existe e o errado agora é correto.
- Não é assim tão fácil.
- Fácil é…nós é que gostamos de complicar, neste caso tu gostas de complicar.
- É melhor acabar a conversa. – disse tentando escapar-me à parte séria  da conversa.
- Thaís…eu não te quero perder, não outra vez.
- Tu nunca me tiveste…percebe isso Mario.
- Contigo não dá, pois não? Eu vou voltar para aquela casa e tu vais-te embora? Vamos voltar a ver-nos mas vamos sempre fugir um do outro? Nunca vamos conseguir ter uma conversa porque tu parece que tens medo…escapas-te à primeira oportunidade que arranjas! Thaís! Deixa o teu orgulho de lado pelo menos uma vez na vida porque eu já deixei o meu…
Olhava talvez com um pouco de desilusão no olhar. Fiquei estática a olhar para ele. Esperava algo de mim.
Olhou uma ultima vez para mim antes de me virar as costas. Ou era agora ou nunca…
- Mario! – chamei agarrando-lhe o braço impedindo assim que se fosse embora – desculpa – sussurrei chegando-me bem perto dele – fazes-me tanta falta– disse por fim caindo nos braços dele e abraçando-o.
Os minutos seguintes foram passados sem pronunciar uma única palavra. Apenas com o seu toque na minha pele e aquela segurança de estar nos seus braços.
Que saudades de tudo aquilo, que saudades de o sentir assim junto a mim.
- És tão orgulhosa. – disse quebrando aquele silêncio e momento de ternura.
- Aquela nossa mania de pôr o orgulho em primeiro lugar…- disse lembrando-me da frase que me tinha mandado umas semanas antes.
- Temos algo em comum.
- É a única coisa que temos em comum! – disse largando os seus braços e ficando frente a frente com ele.
- Não é a única. – disse agarrando as minhas mãos.
- É a única e mesmo assim és muito mais orgulhoso que eu.
- Eu cedi…
- Cedeste.
- Temos coisas a tratar Tha. – disse abrindo um sorriso.
- Temos? – perguntei confusa olhando para ele onde reparei naquele sorriso provocador. – Ai temos…tens que? – perguntei olhando para casa e tentando perceber se ele precisava de ir lá.
- Não.      
- Então podemos…- disse olhando para o meu carro.
- É…podemos sim. – disse chegando perto de mim e unindo os nossos lábios a primeira vez desde que nos tínhamos separado.
Agarrei a sua mão e fui até ao meu carro. Entrei e retirei algumas coisas que estavam em cima do banco onde se iria sentir o Mario.
- Vê-se mesmo que é carro de mulher. – atirou. Peguei na minha mala e coloquei-a em cima das suas pernas. – o que é isto? – perguntou pegando num livro que estava tapete.
- Neuropsicofisiologia.
- O quê?
- Não queiras saber…
- Thaís, o teu carro parece a feira!
- Mario o meu carro pode parecer a feira mas o meu quarto não ao contrário do teu…
- Isto é batons por todo o lado, livros e o que é isto? – perguntou pegando no meu eyeliner.
- Eyeliner. – respondi.
- Tenho medo. – disse olhando para mim.
- De quê?
- Tenho a ligeira sensação que és perigo na estrada.
- Mario! – disse batendo-lhe no braço.
- Olha para a estrada! – disse quase gritando.
- Não te dava tão maricas Mario… - disse rindo.
- Não sou maricas! – disse indignado.
- És pouco. – atirei virando-me para o lado e rápido depositar um beijo perto da boca do Mario.
- Thaís! Se eu morro…
- És enterrado.
- Realmente eu já tinha saudades disto.
Acabei por estacionar o carro à porta de casa da Halle e saímos os dois para fora.
- Vivo? – perguntei gozando.
- Conto ficar ainda mais vivo dentro dessa casa.
- Não sejas tarado. – disse enquanto abria a porta e o Mario me rodeava a cintura.
Acabei por conseguir abrir a porta e entrar dentro daquela casa. O Mario virou-me para ele e beijou-me. As saudades falavam mais alto e o desejo de sermos novamente um do outro também.
Atirei a mala para o sofá e agarrei-me ao Mario, com cuidado retirei-lhe a única camisola que tinha.
- Oh meu Deus! – ouvi. Reconheci rapidamente aquela voz…a Halle , eu tinha-me esquecido que a Halle estaria em casa…dela, o que é normal. – Eu não vi nada!
Peguei na camisola do Mario e coloquei-a à frente dele, olhei para a Halle e ela estava com as mãos a tapar os olhos. Via desaparecer do cimo das escadas e voltar a seguir com a sua mala na mão.
- Eu vou-me embora, façam lá o que quiserem mas há quartos lá em cima.
- Halle…- tentei dizer alguma coisa.
- Vou ter com o Marco…beijinhos, gosto de vos ver outra vez juntos.
Saiu da porta e fiquei estática a olhar para o Mario.
- Fomos apanhados pela Halle. – disse-me.
- Em casa da Halle – disse-lhe atirando a camisola dele para o sofá. – lá em cima ou cá em baixo? – perguntei tomando os seus lábios como meus.
- E a Halle?
- Foi ter lá com o seu namorado e depois eu falo com ela. Agora nós, sofá, cama ou chão?
- Podemos passar pelos três.
- Não queiras tudo de uma vez. – disse retirando o meu casaco.
- Tenho saudades tuas Tha, tenho mesmo… - disse colocando as suas mãos no interior da minha camisola.
- Cima? – perguntei
- Sim. – respondeu começando a caminhar atrás de mim para o andar de cima. – que quarto? – perguntou parando no meio do corredor e retirando-me a camisola atirando-a para o chão.
- O da Halle não, é demasiado mau. – disse rindo e encaminhando-me para o quarto onde costumava dormir quando ficava por cá.
- Tonight his is the night… - sussurrou ao meu ouvido enquanto me beijava o pescoço.
- We'll fight till it's over – continuei aproximando a minha boca do seu pescoço mordendo-lhe um pedaço de pele.
Fechei a porta do quarto aonde o Mario me encostou e beijou, percorreu as suas mãos pelo meu corpo a uma velocidade estrondosa. Parou um pouco e foi a minha vez de lhe percorrer o corpo. Andei uns passos até chegar à cama atirando o Mario para cima dela num movimento brusco. Sentei-me um pouco a cima da sua cintura e percorri o seu peito com as minhas mãos para depois percorre-lo com alguns beijos e mordidelas.
- Thaís. – sussurrou levantando o seu tronco e colocando as suas mãos nas minhas nádegas puxando-me para junto dele. – não me deixes outra vez – disse afastando-me levemente o cabelo e deixando a sua boca tomar conta de cada pedaço da minha pele.
- Ficas necessitado depois, é? – perguntei percorrendo as suas costas com os meus dedos.
- Nem tu imaginas quanto.
- Coitadinho do meu Mario.
- Agora está aqui a minha Thaís.
- Deixa-te lá de conversas, sim? – pedi mordendo-lhe ligeiramente o ombro.
- E eu a pensar que era o único necessitado.
- Mario… – supliquei esperando algo dele.
Deixou de falar e começou a agir. Deixou as suas mãos começaram por retirar a roupa que me restavam e as minhas fizeram o mesmo.
A loucura tinha tomado conta de nós, o desejo de ser só dele era enorme e entre beijos e suspiros amamo-nos ali, naquele quarto, naquela cama, sem barreiras nem impedimentos.
O cansaço apoderou-se de nós e os nossos corpos caíram naquela cama. Cheguei-me para junto dele e coloquei a minha cabeça sobre o seu peito adormecendo ali.


Acordei, larguei-me dos braços do Mario e olhei para o telemóvel. Era tarde, não queria acreditar que já eram nove horas. Levantei-me cuidadosamente e vesti uns calções que ali estavam, uma camisola e apanhei o cabelo para não me atrapalhar. Abri a porta do quarto e saí. Percorri o corredor e apanhei a minha camisola que permanecia no chão, desci as escadas e apanhei a camisola do Mario do chão e o meu casaco do sofá. Com tudo nas mãos virei-me para trás com intenção de voltar ao quarto. Para meu espanto o Mario estava ali apenas de boxers. Sorria e olhava-me provocador.
- Mario veste-te! – disse dando-lhe a sua camisola para a mão. – imagina que a Halle aparece aqui outra vez e tu aí todo despido!
- Tha… - disse rodeando-me a cintura com as suas mãos.
- Nem Tha nem meia Tha, vai-te vestir. – ordenei-lhe.
- Um beijo?
- Depois.
- Agora. – disse roçando o seu nariz no meu.
Deixei cair a roupa no chão e coloquei as minhas mãos em torno do seu pescoço. Os seus lábios encontraram-se com uns meus num beijo calmo. As saudades ainda não estavam de todo mortas e o Mario procurou por algo mais quando as suas mãos entraram dentro da minha camisola.
- Mario… - disse separando os nossos lábios e olhando para ele – é a casa da Halle e ela pode estar a chegar, vai-te vestir.
Nada disse e apenas me beijou uma última vez antes de se encaminhar para o andar de cima. Desceu poucos minutos depois e sentou-se junto a mim no sofá.
- Preciso de falar contigo e contar-te algo. – disse-lhe.
- Anda cá. – disse enquanto me agarrou e puxou para o seu colo.
- Eu tenho uma irmã. – disse-lhe.
- Uma irmã, como assim uma irmã? Dos teus pais biológicos?
- Não, não. Uma irmã que também foi adotada pelos meus pais. – expliquei.
- É suposto eu saber de quem estás a falar? – perguntou confuso.
- Não Mario. A minha irmã afastou-se de mim e dos meus pais quando eu tinha uns dezassete, dezoito anos. Andava na droga e isso.
- Nunca mais soubeste dela?
- Não até há um mês e meio mais ao menos. Ela mandou-me uma carta. – fiz um esforço para chegar à minha mala e retirar a carta que lá permanecia. Entreguei-a ao Mario para ele a poder ler.
Enquanto a lia olhei para ele, para aquela cara linda. Quando estava assim…sossegado e calado tinha um encanto especial. Olhou para mim e apanhou-me completamente desprevenida a olhar para ele. Sorriu e aproximou os seus lábios da minha bochecha deixando um pequeno beijo.
- Lembras-te quando me preguntaste o porquê do meu ‘’C’’ tatuado do pulso? – perguntei olhando-o.
- Sim…é ela? – perguntou.
- Sim, Cíntia é daí que vem o ‘’C’’.
- Mas ela agora está cá. – disse.
- A verdade é que ela sempre esteve cá Mario, tão perto de mim e eu passei estes anos todos a pensar que ela tinha…eu cheguei a pôr a hipótese de nunca mais a ver, pensei que ela tivesse morrido…
- Mas ela está bem Tha e perto de ti.
- É difícil de aceitar. – disse-lhe poisando a minha cabeça sobre o seu ombro.
- Agora só tens de aproveitar o tempo perdido. – disse sorrindo-me – tal como nós.
- Nós…isso ainda é uma conversa para ter.
- Não agora. – disse interrompendo-me e beijando-me mais uma vez.
Foi o toque do meu telemóvel que interrompeu o momento, reparei que era a Halle e atendi.
- Sim. – disse-lhe ao atender.
- É seguro entrar na minha casa? – perguntou o que me levou a rir.
- Oh Halle!
- Oh Hale nada, eu vi-vos quase despidos! Sem roupa! A vias de…coiso!
- Que mentira, o Mario estava apenas sem camisola.
- Apenas? Mais um bocado e estavam os dois só de roupa interior.
- Halle…
- É seguro?
- É.
Desligou a chamada e atirei o telemóvel para a sofá. O som da porta a abrir despertou-nos, e fiquei boquiaberta quando vi a Halle entrar em casa com o Marco.
- Diz-me que não estavas atrás daquela porta. – disse-lhe.
- Estava atrás daquela porta e à espera que me dissesses que era seguro entrar.
- Traumatizaram a minha Halle! – disse o Marco levando o Mario a rir.
- Que mentira! – disse indignada. – o Mario estava apenas sem camisola. Estava com calor.
- Calor…Onde é que isto já se viu?
- Vá vamos lá esquecer o lapso das cinco da tarde. – disse-lhes.
- Vocês já comeram alguma coisa? – perguntou-nos a Halle.
- Não. – disse o Mario
- Deixa lá, já se devem ter comido o suficiente um ao outro. – atirou o Marco.
- Ai. – disse-lhes. – não inventem. E nós temos que ir embora.
- Vens comigo? Amanha vou-me embora – disse o Mario junto do meu ouvido.
- Sim, eu vou contigo. – respondi-lhe também junto do seu ouvido.
- Ai que lindos. – disse a Halle gozando.
- Eh pá – barafustei – Não, é que não mesmo! E…nós vamos embora.
- Que lindo, chegam aqui coiso e adeus.
- Também te amo. – respondi levantando-me do sofá e vestindo o casaco.
- Vais ter frio lá fora de calções. – avisou-me a Halle.
- O Mario aquece. – olhei-o e riu-se enquanto a Halle se fingia escandalizada.
- Começo a ficar assustada com vocês os dois juntos. – disse quando depositou um beijo na minha bochecha.
- Vemo-nos amanhã, beijinhos. – disse-lhes.
Acabamos por nos despedir e sair de casa da Halle. Ela tinha razão estava frio no exterior. Entrei no meu carro e o Mario fez o mesmo.
Comecei a ouvir um barulho vindo da minha mala, o meu telemóvel não tocava assim e aí percebi que era o do Mario, ele tinha colocado as suas coisas na minha mala quando entramos em casa da Halle. Peguei no seu telemóvel e o nome Ann saltou-me logo à vista.
- Porque é que ela te está a ligar? – perguntei entregando-lhe o telemóvel para a mão. 

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Boa tarde :)
Espero que estejam todas bem. 
Aqui vos deixo o 19º capitulo. Espero mesmo que gostem.
Espero as vossas opiniões :)
Beijinho,
Mahina  

6 comentários:

  1. Olá :)
    Adorei este capitulo *.*
    Até que enfim que o casal Mário e Thais falaram e fizeram as pazes ;)
    Coitada da Halle...ver o Mário em tronco nu :P
    Adoro quando o Mário e a Thais começam as conversas deles, ri-me tanto na parte em que o Mário tem medo de morrer :P
    Espero pelo próximo sff :)
    Bjs :*

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  2. Olá!!
    Eu normalmente guardo os caps para os ler nos intervalos das aulas, mas os teus nao costumo resistir a lê-los no momento!
    Ai que isto foi tão bom de ler!! Os dois tão coisinhos (adoro esta palavra, serve sempre para tudo xD). Opá mas eu adoro o carater mais...humorado disto! Faz-me sempre rir para o pc como se eu fosse louca!
    Eu adoro ve-los assim: juntos, parvinhos, tarados!
    E agora a Ann...ui quero ver como isso acaba!!

    Besito
    Ana Santos

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  3. Olá

    Ameiiiiiiiiiiiiiii


    Beijinhos


    Catarina

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  4. Porque é que ela lhe está a ligar ???
    Isto não pode acabar assim, estou muittooo curiosa para saber o porque de ela lhe estar a ligar!!
    Fico ansiosa pelo próximo, bjs

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  5. Olâ!
    O meu comentário vai ser pequeno e rápido!
    Quero só dizer que amei muito mesmo este capitulo!
    Amei a reconciliação da Thais e do Mario! E amo esta fic tambem por todas as partes divertidas em que me ponho a rir agarrada ao tablet xD
    Agora quero é saber porque é que a Ann está a ligar ao Mario! Proximo sff
    Beijinhos,
    Sofia

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