domingo, 13 de abril de 2014

16º Capitulo - « Perco-me no tempo só de ouvir o nome dele »

(Halle)

Ouvi barulhos e percebi que era a Thaís que tinha entrado em casa. Depressa entrou na cozinha e percorreu o espaço com o olhos mas o seu olhar parou nele precisamente.
- Porque é que eu acho que estou a ter um dejá vu? – perguntou nada convencida com o que via.
Não consegui pronunciar uma só palavra talvez com medo. A Thaís continuava estática possivelmente à procura de alguma resposta, alguma explicação para a presença dele.
- O que é que estás aqui a fazer? – perguntou virando-se para ele – a ultima vez que nos cruzamos eu deixei bem claro que devias fazer um favor a ti próprio e desaparecer. – disse calma.
- Há coisas que ficaram por resolver ou será mais segredos para contar? Sempre pensei que entre amigas não houvesse segredos mas parece que vocês são diferentes.- atirou de forma rude.
- Cala-te! – ordenei sem medir o tom de voz.
- Sim, cala-te Tornsten. Da tua boca verdades não saem e se eu bem me lembro a ultima vez que estiveste aqui decidiste drogar a Halle.
- Nada que ela não estivesse habituada há uns anos.
- O quê? – perguntou a Thaís.
- Para! – disse descontrolada – Acaba com isto! Acaba com as chantagens, queres contar-lhe? Força! Estraga mais um bocadinho a minha vida, não é por lhe contares que vais ficar melhor visto!
- Sai! – disse a Thaís – Sai Tornsten, ninguém te quer aqui! Desaparece de vez.
Ele atravessou a cozinha até ao corredor indo até à porta de entrada.
- Livra-te mas livra-te mesmo de voltares a aparecer aqui, não tens bem noção do quanto posso ser agressiva e se eu fosse a ti não queria descobrir. – finalizou a Thaís antes de lhe fechar a porta.
Sentei-me no sofá com receio de toda a conversa que podia vir a seguir.
- Estás bem? – perguntou-me.
- Sim. – respondi sem a olhar, o medo de certa forma apoderava-se de mim.
- Do que falava ele? – perguntou ela também com um certo receio na voz.
- Desculpa – acabei por dizer olhando-a.
- De quê? – perguntou.
- Thaís há certas coisas que tu não sabes sobre mim. – comecei por dizer.
- Como assim?
- Deixa-me falar – pedi – o Tornsten como tu sabes esteve na minha vida bastante tempo apanhou-me nos bons e maus momentos e ele sabe algo sobre mim, algo que eu sempre tentei evitar falar. E há pouco ele referiu-se às drogas e…- as palavras pareciam não querer sair. Fechei os olhos tentando ganhar coragem para tudo – a minha vida já foi isso. A droga fazia-me sentir coisas que mais ninguém o conseguia fazer, dava-me uma realidade completamente diferente da verdadeira, deixava-me tão bem, tão distante de tudo e todos. A minha mãe delirou com tudo, ela dizia que só me queria de volta – vi a tristeza nos olhos da Thaís, aquele olhar dizia tudo. O assunto da droga mexia com ela mais do que qualquer pessoa talvez por isso eu tivesse evitado este assunto durante tanto tempo. – várias vezes te tentei contar este meu passado mas a coragem era pouco e sei que ao tocar nisto lembras-te de coisas que não te queres lembrar, acho que por isso adiei tanto isto. – fiz uma pausa tentando ganhar coragem para acabar de contar tudo – eu era nova, frágil e com pouca noção das consequências e…eu engravidei aos dezasseis anos.
Conseguia ver a magoa nos olhos dela, a raiva, reparei no quanto estava…desiludida? Será que a tinha desiludido? Consegui ver o quanto frágil estava, prestes a desfazer-se em lágrimas. O Mario…talvez a conversa não tivesse corrido bem, talvez tudo tivesse dado para o torto e agora…agora ela sabia de tudo.
Levantou-se do sofá onde estava sentada até ao momento levantou-se sem nada dizer e percorreu o pequeno caminho até à porta saindo.
Peguei no meu telemóvel e marquei o número dele.
- Estás perto? – perguntei mal ele atendeu.
- Ia agora a casa dos meus pais mas…
- Deixa Marco, os teus pais são mais importantes. – disse-lhe sincera.
- Halle o que se passou?
Aquela voz, aquela pergunta sincera era difícil mentir-lhe principalmente a ele.
- A Thaís esteve cá e…
- Estou aí em dez minutos. – disse interrompendo-me.
- Marco! Os teus pais…
- Agora és mais importante.
Em pouco mais de dez minutos o Marco estava à porta de minha casa. Sentou-se no lugar onde a Thaís tinha estado antes junto a mim.
- Estás bem?
- Bem não deve ser de todo a palavra certa para como me estou a sentir.
- Como é que ela reagiu? – perguntou colocando a sua mão sobre a minha.
- Não reagiu, ela saiu pela porta sem eu puder ter dito algo.
Chegou mais perto de mim de forma com que eu o pudesse sentir, abracei-o ficando com a minha cabeça no seu peito.
- E se isto for o fim? – perguntei receosa.
- Não é meu amor, acredita que não é, isto vai passar.
- Tenho medo Marco, muito medo do que se pode seguir.- sussurrei.
- Não tenhas, eu estou aqui.
Como é que uma simples frase me dava aquela segurança toda? Aquela calma, eu sabia que com ele estava protegida de tudo e de todos.
- E o teu cabelo também está aqui e acho que gosta da minha boca.
- Também quem é que não gosta? – atirei sem pensar duas vezes.
- Ui, parece que estou a conhecer a tal Halle doida e selvagem que tanto ouvi falar.
- A Halle selvagem tu já a conheceste!
- É mas não me importava de conhecer mais.
- Não abuses.
- Não, eu não abuso. Afasta só aqui o teu cabelo.
- Hoje está fera difícil de domar, está com tanto volume…
- Ainda ficas mais selvagem assim.
- Andas a sair da casca Marco Reus.
- Eu nunca me mostrei inocente, temos que admitir.
- Tu sabes muito.
- Nem tu imaginas quanto! – disse atacando os meus lábios de uma maneira quase louca. Era raro o problema que com ele não se esquecia.


(Thaís)

Sentimentos deve ser a coisa mais difícil no mundo de explicar, de demonstrar…e muitos deles nem sabemos bem o que são.
Considero-me uma pessoa confusa, muito confusa até. Sei o que quero mas não o sei demonstrar. Se quero o Mario? Neste momento não há outra coisa que queira mais na minha vida do que o Mario, é essa a verdade mas escolhe entre o que está certo e o que está errado, sem dúvida que prefiro o que está certo.
Demoro tempo a aceitar pessoas novas na minha vida mas parece que o Mario foi um tipo de exceção. Foi estranho a forma como me habituei a ele e a necessidade que comecei a ter de o sentir junto de mim, de o sentir me, algo que é…impossível.
Perco-me no tempo só de ouvir o nome dele, é algo estranho e que eu quero esquecer. Não quero mais sentir aquela sensação de felicidade quando o vejo, aqueles arrepios quando ele me toca, e aquela loucura quando ele me beija.
Saber aquelas coisas sobre o passado da Halle também não me deixou de todo bem. Senti-me desiludida por nunca me ter contado aquilo, e senti-me confusa com tudo. Vejo-me numa situação em que não sei o que fazer. Afastei-me do Mario e as circunstâncias levaram ao meu afastamento da Halle, a minha melhor amiga, a minha confidente, a minha irmã.
Cheguei a casa e quando entrei atirei-me para o sofá. Era demasiada coisa para dirigir em poucos dias.
Peguei no meu telemóvel procurando por alguém…nestes momentos sinto-me incapaz de estar sozinha e o que mais necessito é de sair. Percorri a minha lista telefónica de cima para baixo e de baixo para cima à procura de alguém que não tardei a encontrar.
- Diz minha sobrinha linda. – disse a minha tia Evelyn quando tendeu a chamada.
- Estás em Dortmund?
- Sim, estou e fico cá até ao final do mês de Janeiro.
- Preciso de ti.
- Ginásio? – perguntou.
- Dá-me assim uns vinte minutos.
- Ei oh Thaís, dez minutos e está bom.
- Quinze!
- Temos acordo. – disse gargalhando.


- Já tinha saudades disto! – admiti com a respiração ainda acelerada.
- Aquele homem é qualquer coisa de fantástico a dançar. – disse a Evelyn.
- Se é…
- E já viste bem aqueles músculos bem definidos?
- Oh tia!
- Cala-te Thaís, não me chames tia! Passo muito bem por tua irmã. – gargalhámos as duas a caminho dos balneários – e o que é que se passa?
- Pensei que não ias perguntar…
- E não porque sei como tu és mas no fim de uma aulinha destas já gastaste todas as energias deves estar bem para falar.
- Acho que não.
- Ainda fumas? – perguntou. O tabaco algo que me faz lembrar dele.
- Iria deixar porquê?
- Faz mal á saúde.
- O amor também faz mal à saúde e não é por isso que as pessoas deixam de amar não é verdade?
- Oh meu Deus, Thaís Baden que dizes tu?
- Não sei, acho que é esse o problema eu não sei o que digo.
- Qual é o problema dele?
- Comprometido.
- É casado? – perguntou espantada.
- Não! Tem namorada. – acabei por responder.
- Essas vêm e vão.
- Obrigada, ajudaste muito.
- Eu também já tive esse problema uma vez. – disse-me.
- Só uma?
- A tua mãe já te andou a contar coisas, vê-se logo. Sim mais do que uma, o que queres que te diga? Homens comprometidos têm um certo charme.
- É…chama-lhe charme.
- E é charme! – disse gargalhando dando-me uma chapada no ombro. – sabes? Estou a começar a minha nova coleção, em Fevereiro vou para Berlim e começo.
- As tuas coleções demoram quase um ano a sair!
- Thaís eu não trabalho sozinha, preciso de opiniões e sabes como sou, quando não gosto do que vejo é sempre melhor esquecer tudo e começar de novo.
- Que haja quem te entenda!
- Por não haver quem me entenda é que estou solteira e feliz. Não tenho tempo para andar com namorados atrás, ando sempre de um lado para o outro. A minha não me permite isso.
- Tudo se consegue com esforço e dedicação.
- Tens que dizer isso para ti não é para mim.


***

- Ela está mal Thaís. – disse-me o Marco.
- Eu também estou, acredita.
- Mas não é nada de grave, vocês vão fazer as pazes certo?
- Não há pazes a fazer Marco…não há desculpas a pedir, existe apenas uma Thaís que tem que conseguir lidar com tudo, conseguir aceitar e perceber porque é que ela nunca me contou isto antes.
- É difícil para ela.
- Tu sabias? Antes de mim?
- Sim eu sabia porque naquela noite em que vocês estavam mais para lá do que para cá ela contou-me isso sem estar em si e no dia a seguir quando estava normal, se é assim que posso dizer, contou-me tudo direito.
- Não percebo o porquê de ela me ter escondido tudo isto durante tanto tempo.
- Porque agora tudo veio ao de cima.
- Como assim? – perguntei sem perceber o que ele dizia.
- Espera, afinal o que é que ela te contou mesmo?
- A parte da droga e que esteve grávida, depois eu saí…mas há mais?
- Há mais uma coisa mas é com ela que tens de falar.
- Por enquanto não consigo Marco, quando tiver a capacidade de aceitar tudo aí sim talvez vá falar com ela, é tudo muito recente e depois de…tudo o que aconteceu ouvir aquilo da boca dela não foi de todo perfeito.
- A tua vida está complicada não é?
- Nada que não se resolva. – disse tentando convencer-me a mim mesma.
- Estiveste com o Moritz?
- Estive sim. Anda lá com uma princesa debaixo de olho.
- Ele contou-te isso a ti?
- Ia contar-te a ti queres ver! Rapazes costumam pedir conselhos a raparigas normalmente, não é? A quem é que costumas ir pedir conselhos para a Halle? Aqui à Thaís.
- O Mario pede-me conselhos a mim de ti.
- Tinhas que falar nele não é verdade?
- Para que é que o queres esquecer à força?
- Marco…não se esquece uma coisa que não existiu na nossa vida.
- Mas ele existiu na tua vida e ainda existe é esse o problema Thaís, e tu és demasiado orgulhosa para admitir isso.
- Começo a não gostar de conversar contigo.
- Olha a conversa não lhe cheira agora.
- E não! – admiti.
- Nunca pensei que tu desistisses assim, pensei que lutasses.
- Não há nada para lutar Marco percebe isso.
- Há, se tu quiseres há muito para lutar.
- Se ele quisesse o mesmo que eu quero já me tinha dito alguma coisa não?
- Então admites que queres?
- És impossível.
- Ele não te disse nada porque tem medo.
- Medo?
- Sim, tem medo. Tu puseste-o de lado assim de um momento para o outro. Achas que ele se sente como? O Mario pode não demonstrar mas ele tem sentimentos. Ele anda há algum tempo a empurrar a Ann para o lado dela. No dia em que tu falaste com ele, o previsto era ele te dizer que a Ann ia deixar de existir na vida dele para tomares tu o lugar dela. Só que depois tu disseste-lhe aquilo e o Mario tem pressão em cima dele.
- Pressão? Como assim pressão?
- Eu não te posso dizer muito, apenas que o Mario se está com a Ann, metade das razões para tal coisa é o facto de ele achar que lhe deve algo.
- Boa, então que fique com ela no seu lugar e eu fico no meu.
- És complicada tu.
- Bastante, pouca gente me percebe.
- O Mario percebe!
- Marco só não te respondo mal porque…olha porque és tu o amor da minha menina.
- Continua a ser a tua menina?
- Sempre foi, continua a ser e será sempre a minha menina. Só estou magoada com ela, nada que com o tempo não passe.


Cheguei a casa já tarde, atirei-me para o sofá e escondi a minha cara numa das almofadas.
- Thaís…- disse a minha mãe entrando na sala com uma cara estranha.
- Passou-se alguma coisa?
- Há uma carta para ti. – disse pegando em algo que estava em cima da mesa.
- Para mim?
- Sim…e – falava de uma maneira preocupada, parecia que as palavras não lhe saíam.
Entregou-me a carta para a mão e permaneceu estática a olhar para mim. Olhei para o remetente e aquele nome…foi como se ficasse sem chão naquele preciso momento.


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Olá :)
Espero que gostem do capitulo, as revelações começam e não vão ficar por aqui. Algumas podem não gostar desta parte (afastamento da Thaís e Mario) mas juro que farei tudo para vos surpreender e vos prender desse lado.
Espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina 

4 comentários:

  1. Olá...mais uma vez adorei *.*
    Que capitulo tão bombástico :O
    Espero pelos próximos capítulos bjs

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  2. Olá!
    Comentar este capítulo sem me desfazer em lágrimas, é esse o objectivo...
    Bom..eu sou das privilegiadas que pode ler certas coisas antes de saírem em capitulo mas depois, quando um capitulo sai...o meu coraçãozinho dispara! "Boundless Love"...ainda me lembro do primeiro dia em que me disseste que ias começar e de quando fizemos "a divisão" dos meninos. Sabes? É graças a ti e a isto, a esta história linda, que tenho vivido coisas...que nem sei explicar. Conseguiste dar-me novas inspirações, cresci com a tua escrita...faço tudo com o objectivo de te surpreender a ti. És a minha inspiração como escritora e como pessoa.

    Em relação ao capitulo em si...bem, eu já sabia disto né? XD mas...me matou por dentro, aquela conversa entre as estrelinhas, depois a tristeza da Tha e da Halle...e depois o Marco (meu noivo maravilhoso) a ser tão lindo com a minha menina pequenina...me "matou" aos poucos, mas de tão maravilhoso que está. Juro...é tão lindo e tão perfeito. Isto só tem é de continuar e sem qualquer tipo de barreiras!
    Este fim...ai este fim!! Que venha!!

    Espero o próximo.
    Beijinhos.
    Ana Patrícia.

    PS: Objectivo não cumprido :D

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  3. Realmente tens razão eu não gosto deste afastamento! Não gosto, não gosto, não gosto! Esperei que a Thais tivesse um momento do fraqueza e que procurasse o apoio do Mario, mas não, enganei me redondamente!
    E esta história da Halle já deu para ver que ainda não acabou! Aquele rapaz do início com aquele nome estranho esta metido ao barulho! Terei lido "chantagem" ou já sou eu a imaginar?
    E a Ann? Aquilo há algo de suspeito há volta dela e eu quero saber o que é!

    Beso
    Ana Santos

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  4. Olá

    Amei ! Adorei ! *_*


    Beijinhos


    Catarina

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