domingo, 6 de abril de 2014

15º Capitulo - « Porque me estás a fazer isto? »

- Preciso de falar contigo Thaís! – disse-me a Halle quando entrei em casa dela logo pela manhã.
- Isso não pode ficar para depois?
- Para depois? Que cara é essa? Passou-se alguma coisa? – perguntou a Halle rapidamente.
- Pensei muito durante estas duas semanas e eu preciso de ir a Munique. – disse sentando-me no sofá.
- E quando vais?
- Hoje.
- Queres que vá contigo?
- Halle não é preciso, tu trabalhas e eu pedi ao Moritz.
- Vais com ele?
- Sim mas tenho medo…
- Vai correr tudo bem, tu vais ver.
- Mas…e o que tu me queres dizer?
- Nada de importante – disse depositando-me um beijo na testa – quando vieres falamos.
- Andas estranha Halle e não é de agora.
- Ando normal, quando voltares vem ter comigo sim?
- Sim, quando eu voltar falamos.


Estava com um certo receio de entrar em casa dele mas também que mal podia acontecer? Se me deu aquela chave a intenção era ela ser usada.
Abri a porta e acabei por entrar, aquele cheiro tão característico dele era uma das coisas que eu gostava na casa dele, era tudo à Mario e até bem arrumado.
Olhei para o relógio e pelas horas não faltava muito para ele chegar a casa, talvez estivesse perto ou mesmo atrás daquela porta. Todo o tipo de pensamentos invadiam a minha cabeça tinha medo, medo de tudo, principalmente desta conversa posso estar a cometer o maior erro da minha vida ou então a evitar que ele aconteça.
Ouvi barulhos e deduzi que fosse o Mario a entrar em casa, não estava sozinho percebia que estava acompanhado e a voz era-me familiar, Muller só podia ser ele.
Levantei-me apressadamente e fiquei em pé em frente ao sofá esperando pela sua entrada naquela casa. Abriu finalmente a porta e quando olhou na minha direção vi a sua cara de espanto seguida de um sorriso. Largou o saco mesmo ali à entrada e veio na minha direção sem nada dizer. Rodeou-me com os seus braços abraçando-me.
- Thaís…- sussurrou beijando-me a seguir.
- Mario – disse olhando para o Muller que era apenas espetador daquilo que se estava a passar.
- Não te preocupes, ele sabe.
- Ele…ele sabe? – perguntei espantada ainda com o Mario agarrado a mim.
- Sei, para o caso de se lembrarem eu estou aqui e sei sim que és aí a miúda do Mario – disse levando-nos a gargalhar – Olá Thaís! – disse acenando com mão.
- Olá – respondi-lhe.
- Tinha saudades tuas – sussurrou ignorando o que nos rodeava.
- Mario só passou duas semanas desde que estivemos juntos, apenas duas semanas.
- Até um dia sem ti já se torna insuportável, quanto mais duas semanas.
Nada respondi, a verdade é que não sabia o que responder.
- Eu vou embora, acho que já tens companhia – disse Muller.
O Mario largou-me e foi até ele, despediram-se e em seguida veio ter comigo. Sentou-se no sofá e eu fiz o mesmo.
- Acho que precisamos de falar – disse-lhe.
- Eu também. – disse mas com uma expressão diferente da minha, tinha um sorriso, um sorriso enorme no rosto.
- Mario…- enchi-me de coragem e tentei falar.
- Thaís espera…- disse agarrando-me nas mãos – deixa-me falar primeiro – e se…o que ele fosse dizer não me deixasse dizer-lhe o que verdadeiramente me trouxe aqui? – Tenho mesmo que te dizer uma coisa. – disse afastando os meus pensamentos -  E é importante, é muito importante. – continuou olhando-me nos olhos – Eu tomei uma decisão que vai mudar tudo. – assegurou-me.
- Não Mario, deixa-me falar eu, deixa-me dizer-te o que realmente me trouxe aqui.
- O que se passa? – perguntou um pouco preocupado.
- Acabou – disse de cabeça baixa.
- Acabou? Como assim acabou? – perguntou confuso.
- Acabou eu e tu. – disse tentando-me manter firme.
- Thaís…o que dizes?
- Digo que acabou, isto tem de acabar! – atirei sem medir as palavras ou o tom de voz.
- Mas…Thaís! – ergueu a voz levantando-se do sofá – Porquê agora? Diz-me! Porquê agora?
- Porque ou era agora ou nunca. Porque temos que por um ponto final a isto, acabou! Isto ficou a sério, cheguei a uma fase em que ser a outra não me chega e por isso o melhor é cortar o mal pela raiz. Mario…- tentei falar calma – eu não quero ser responsável pelo teu fim de namoro com a Ann, não quero mesmo.
- Mas isso pode acabar! Eu quero-te a ti ao meu lado não a ela. – falava mais calmo e continuava com aquele olhar bem intenso.
- Mas é com ela que tens que estar percebe isso, é ela a tua namorada.
- Pára Thaís! – desta vez voltou a erguer a voz para no fim o silêncio se apoderar de nós. Contive as minhas lágrimas, a dor estava a apoderar-se de mim a cada segundo que passava. – Porque me estás a fazer isto? Porquê, quando sabes que eu quero ficar ao teu lado?
- Porque tem de ser! Mario…por favor sê sincero comigo.
- Sempre fui e sempre o serei.
- Tu alguma vez te empenhaste na relação que tens com a Ann? Alguma vez tentaste com que esse relacionamento desse certo? – perguntei olhando-o e esperando por a mais sincera das respostas.
- Não…-admitiu- acho que nunca me esforcei para isso. – finalizou.
- Então esforça-te Mario. – disse levantando-me do sofá e ficando junto dele.
- O quê? – perguntou confuso.
- Eu quero que te esforces. Quero que sejas para ela o homem que demonstras-te ser para mim, quero que invistas nesse relacionamento que lhe dês o amor que ela merece porque eu sei…- cheguei-me perto dele – Mario eu sei que lá no fundo – disse colocando a minha mão no seu peito – lá no fundo sei que gostas dela, sei que sentes um carinho enorme pela Ann e também sei que o teu lugar é ao lado dela. Eu não a conheço mas sei que se ela está contigo é porque também gosta muito de ti, por isso tenta, tenta que tudo dê certo. Eu quero que sejas feliz e tenho a certeza que ao lado dela o serás. – andei uns passos para trás indo ao encontro da minha mala. Procurei pela chave de casa dele, reparei que a minha mão termia, afinal estava a tomar uma decisão que toda a minha vida ia mudar daqui para a frente, acabei por encontrar a chave e ir até ao seu encontro novamente – sei que serás feliz – voltei a repetir abrindo a sua mão e deixando lá a chave, fechando-a depois – és uma pessoa muito especial, o Mario que me demonstraste ser nas ultimas semanas foi o que mais gostei de conhecer. Acredita que gosto muito de ti, se calhar até mais do que imaginas mas é melhor assim, tanto para mim como para ti, cada um segue com a sua vida em frente – Cheguei perto dele e depositei-lhe um beijo na face…talvez o ultimo beijo. O Mario ficou imóvel, aliás desde que tinha começado a falar ele não se tinha mexido nem pronunciado palavra alguma. – sê feliz meu amor. – finalizei sem pensar no nome carinhoso que o chamava, pronunciei-o instintivamente e aquele meu amor foi talvez a forma carinhosa que arranjei para me despedir dele.
Olhei uma última vez para ele e mais uma vez não se mexeu nem disse nada. Olhei para a porta e dirigi-me a ela, a minha intenção era mesmo sair dali, respirar o ar frio de Janeiro e livrar-me de vários pensamentos.
Fechei a porta de sua casa e encarei a realidade. Uma nova vida para mim. O vento embatia-me na cara conforme eu ia caminhando e as lágrimas apoderando-se de mim.
Caminhei calmamente até ao sítio onde estaria o Moritz à minha espera. Avistei-o ao longe e com cuidado limpei algumas lágrimas que me cobriam o rosto.
- Oh Thaís… - disse antes de chegar junto dele e o abraçar. Precisava daquele abraço dele tão reconfortante. – estás bem?
- Vou ficar Mo…eu vou ficar.


Já era tarde e voltar ao Dortmund foi bom, o pior é as memórias que não estão são em Munique mas também aqui. O Moritz abriu a porta de casa dele e entrámos. Há muito que já não chorava, estava mais calma e conseguia ter um sorriso na cara, talvez porque o Moritz fez de tudo para me alegrar.
- Não a vendeste? – perguntei referindo-me à casa.
- Achas? Oh Thaís estou só emprestado ao Estugarda, eu penso voltar para a próxima época.
- Pensei que quisesses ficar lá.
- Não, Dortmund é outro mundo.
- Não tens nada para me contar?
- Como assim? – perguntou.
­- Porque é que não me contas seu estúpido? – perguntei brincando levando o Moritz a rir.
- Porque não há nada para contar sua estúpida!
- Mente para mim que eu gosto.
- Não estou a mentir.
- Sim, claro.
- Lisa… - sussurrou.
- Eu sabia, é loira e te faz feliz?
- Sim é isso.
- Ela é de cá? – perguntei curiosa, tentando arrancar algumas informações.
- É.
- E só quando foste para Estugarda é que a coisa se deu?
- Sim, sabes Thaís a distância por vezes faz entender o quanto importante é uma pessoa para nós.
- É, realmente é.
- Sentes aquele aperto no coração que se calhar nunca tinhas sentido, é uma coisa do outro mundo.
- É bonito ouvir-te a falar assim.
O meu telemóvel voltou a fazer som de mensagem, olhei-o e acabei por desliga-lo atirando-o para a mala.
- Não vais lhe vais dizer nada?
- É a Halle e a mim não me está a apetecer nada falar com ela nem com ninguém.
- E ele?
- Ele não disse nada se calhar apercebeu-se que eu tinha razão, agora há que refazer a minha vida sem ele, não vai ser difícil.
- Não?
- Não agora tenho só e unicamente as pessoas certas ao meu lado.
- Sentes-te segura com a decisão que tomaste?
- Para ser sincera não.
- Não te precipitaste?
- Há coisas que não estão destinadas a acontecer e nós os dois era uma delas.
- Uma coisinha linda como tu encontra o homem perfeito num piscar de olhos.
- Tu já encontraste a tua alma gémea não é verdade? E em vez de estares com a rapariga estás aqui a aturar a chata da Thaís.
- Não te estou a aturar não, somos amigos e os amigos servem para isso.
- Tenho uma sorte em te ter Mo, bem que te podia ter conhecido a ti naquela noite e não a ele.
- O que é que ele conseguiu ter de especial para te ter conquistado? – perguntou levando-me a olhar para ele de uma forma estranha – desculpa, não devia tocar neste assunto.
- Não é isso é que eu não sei, a sério que não sei. Ele passado algum tempo mostrou-me um rapaz tão diferente da ideia que eu tinha dele…isso de certa forma, olha não sei mas não falemos mais dele, há que enterrar esse assunto.
- Desculpa Thaís.
- Não peças desculpa, não fizeste nada de mal.
- Lembrei-me agora, as tuas meninas são tão lindas.
- São não são? Elas dançam tudo e com aquela idade, oh meu Deus.
- Tens que me ensinar a dançar aquela onde elas esticam os braços e mexem as mãos é tão engraçado.
- É pena estares em Estugarda, bem que podias estar comigo e com elas às quintas.
- Gostas muito dela não gostas?
- São tudo. Elas não desiludem, elas dão-te carinho quando mais precisas, elas não dececionam. Aquelas crianças são por vezes o maior motivo do meu sorriso.

***

Respirei fundo, limpei as lágrimas e abri a porta de casa da Halle. Poisei as chaves na pequena mesa que estava à entrada e atirei a mala para o sofá. Percorri a casa à procura dela, pela voz percebi que estava na cozinha.
- Porque é que eu acho que estou a ter um dejá vu? – perguntei perplexa com o que via à minha frente.

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Boa tarde meninas :)
Este capitulo veio rápido, espero as vossas opiniões sobre esta reviravolta.
Beijo,
Mahina 

6 comentários:

  1. Bem..um olá primeiro.
    Por muito que já soubesse que isto se ia passar, por muito que soubesse que estes dois se iam separar...ler tudo, perceber que está mesmo terminado olha...é assim uma big facada no meu coração.
    É triste...chorei, óbvio que chorei. Eles...não devem ficar separados e com tudo o que este fim representa...a Thaís não merece!
    Ai carajo olha...que venham mais capitulos! E que não seja mesmo o meio tá??

    Besos.
    Ana Patrícia.

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  2. Estou revoltada!
    Ok, primeiro de tudo olá! E agora sim : estou revoltada! Não gosto de separações! Não gosto, odeio, detesto, abomino! Ok, já percebeste a ideia!
    E porque é que eu tenho a sensação que o idiota do Mario ia dizer que só a queria a ela mas feito otário depois calou -se?! Ai que nervos, que nervos!
    Deja vu? O que vem daí?
    O cap16 não pode chegar a velocidade do cap15? Era tão bom <3

    Beso
    Ana Santos

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  3. Olá :)
    Mas a Thais terminou tudo com o Mário?...epah não pode ser, isto não pode ter acontecido, eles amam-se e não se podem separar, aposto que a Thais se vai arrepender disto porque o Mário não lhe contou o que queria contar :/.
    Espero pelo próximo e sem tristezas, para tristezas, já bastou este capitulo 15 :'(
    Bjs :*

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  4. Ola :D
    Esta fic é viciante :p
    Fiquei triste por ela ter acabado tudo com ele :( Espero que ele lute por ela!
    Aguardo o proximo
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  5. Olá

    A Thais não se pode separar dele .... Junta-os :P


    Adorei


    Beijinhos


    Catarina

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  6. Olá!
    Agora não é um adorei mas sim o detestei principalmente a separação dels.
    Eu tou a brincar...gosto sempre mas esta separação matou-me mesmo.
    Vou ler o proximo!

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