sábado, 5 de abril de 2014

14º Capitulo - « O Mario é especial »

O Mario pegou no telemóvel e lá o entendeu. Pelo inicio da conversa percebi que era o Marco com quem falava.
- Estás em alta voz – disse o Mario atirando o telemóvel para cima da cama.
- Marco!
- Thaís! – disse ele do outro lado.
- Foste para a cama com a Halle? – perguntou o Mario.
- Ei! Oh Mario essa fala é minha! – atirei levando-o a gargalhar.
- Eu tento ter uma conversa séria convosco, juro que tento mas vocês não fazem por isso!disse o Marco.
- Vamos falar a sério, estás com a Halle? – perguntou o Mario.
- Não e é sobre isso que eu preciso de falar com vocês.
- Fala lá então. – disse-lhe eu.
- É difícil chegar ao coração dela não é?
- Muito. – disse suspirando – mas quando conseguires vais ter nas tuas mãos a coisa mais valiosa de todo o mundo. É difícil, não vou dizer que não o vai ser porque estaria a mentir. Ela precisa de voltar a confiar, de se sentir segura e o mais importante ela precisa de se sentir amada.
- Ela é tão especial. – disse o Marco.
- Eu sei disso.
- Não é por qualquer razão que ela atura a Thaís não é verdade? – disse o Mario.
- Pronto, tinham que vir as teorias do menino. A Halle ama-me, sabes o que é isso?
- Cada vez percebo mais o que é isso. – disse ele olhando-me.


***

O Mario abriu a porta de casa e reparei na cara de espanto da Astrid sentada na sala e com um pequeno livro na mão.
- Já chegaram? – perguntou levantando-se do sofá e chegando perto de nós.
- Parece que sim. – respondeu o Mario dando um beijo na testa da Astrid. – vou tomar um banho e já venho.
- Já vou ter contigo. – disse-lhe sorrindo.
A Astrid voltou a sentar-se no sofá e eu sentei-me ao seu lado. Olhou para mim e sorriu, aquele sorriso era tão ternurento. Com ela sentia-me à vontade para falar apesar de ser a mãe do Mario.
- Foi bom? – perguntou-me.
- Muito. – respondi sincera.
- Esse sorriso não engana ninguém, muito menos a mim.
- A Astrid sabe que isto é complicado.
- Vocês é que complicam, o amor não é uma coisa complicada.
- Ninguém falou de amor.
- Falei eu que sempre sei o que digo e ele…aquele meu filho está pela primeira vez a sentir a sério.
- O Mario é especial.
- É e quando o quer até consegue ser bem especial. Vai lá ter com ele.
Saí de junto dela e subi as escadas dirigindo-me para o quarto do Mario. Qual foi o meu espanto com a barulheira que vinha de lá.
- Ainda não foste Mario? – perguntei vendo que ainda continuava vestido.
- Ele desafiou-me! – disse referindo-se ao Felix e ao jogo a que jogavam.
- E tu pareces um miúdo!
- Ele é um miúdo! – atirou o Felix.
Cheguei –me perto do Mario e sentei-me no colo dele, mesmo continuando concentrado no jogo não resisti em provocar.
- Sabes, gostava tanto de passar esta noite contigo – sussurrei tentando que o Felix não ouvisse.
- És doida! – disse alto.
- Para estar contigo também só podia não é verdade? – disse o Felix olhando para trás.
- O teu irmão sabe umas coisitas. – disse-lhe – vai-te lá embora que ainda temos que encontrar os miúdos apaixonados. – disse levantando-me para também ele se levantar – e despacha-te!
- Vou fazer por isso. – disse passando a sua mão na minha cintura.
- Agora nós . – disse sentando-me perto do Felix. – eu fico com…deixa-me pensar, Real Madrid e tu livra-te de ficares com a equipa rasca do teu irmão.
- Porquê?
- Quero ganhar! Quando não ganho fico chata.
- Não vais ganhar, acredita em mim.
- Pronto, está bem. Vamos começar?
- Não espera.
- O quê foi?
- Thaís…
- Sim.
- Eu…
- Tu… - disse tentando com que ele falasse de vez.
- Tenho…
- Tens.
- Tha para de repetir o que eu digo!
- Peço desculpa, continua lá.
- Preciso da tua ajuda.
- Minha? Para quê? Acredita que eu não sou a melhor pessoa a ajudar os outros, até porque não tenho ajudado ninguém. Olha bem para a namorada do teu irmão, está a ser traída por minha causa.
- Oh ela deve fazer o mesmo.
- Não digas isso.
- Não a conheces, por isso não tens noção da peça que ela é.
- Mas…tu não gostas dela?
- Thaís, isto é mais ou menos assim, a minha mãe não gosta muito, quer dizer nada, dela. Ela bem que tenta aceitar porque o Mario é filho dela e tal mas desde o início que Ann nunca lhe inspirou grande confiança. Eu também nunca fui com a cara dela e nunca foi simpática comigo como tu és por exemplo. O meu pai e o Fabian aceitam, sempre aceitaram e até se dão bem com ela mas agora vamos ao que interessa preciso dos teus conselhos.
- Meus?
- Sim, teus.
- Os do teu irmão não te davam mais jeito?
- Não, ele ia gozar comigo.
- Ele também goza com toda a gente aquele espantalho.
- È. Bem, eu tenho namorada e…
- Não digas mais nada que não vale a pena. Até aos meus dezassete, dezoito anos os meus namorados nunca duraram mais do que uma semana e andei à estalada muitas vezes, por isso de todo não sou a melhor pessoa a dar conselhos.
- Oh Thaís…
- Bem, olha vou-te dar conselhos então, se calhar nada do que estás à espera mas vou.
- Diz lá então.
- Vive o momento sem pensar no futuro é uma das coisas mais importantes. É normal, bastante normal até, que comeces a pensar como seria o futuro ao lado dela, vida a dois e filhos daqui por uns anos mas não penses nisso porque te podes desiludir. No fim de uns nove anos de namoro começa a pensar nisso.
- Nove?
- Não, desculpa eu estou a exagerar. Não é tanto tempo basta quando achares que está a ficar mesmo sério tanto para ela como para ti aí sim podem começar a pensar no futuro. Se começares a pensar agora podes desiludir-te, tu ainda podes mudar muito como pessoa, tu e ela e leva tempo até conheceres bem, uma pessoa tanto por dentro como por fora, e se forem muito repentinos podem não ter tempo de se conhecerem um ao outro e depois ficas magoado com alguém que realmente não era quem tu pensavas nem sentia o mesmo por ti, por isso no inicio não leves tudo muito a sério, atenção que não estou a dizer para levares a brincar, isso nunca porque com uma rapariga nunca se brinca.
- E com um rapaz sim?
- Não foi isso que eu quis dizer mas tens de admitir que há rapazes que levam relações de meses ou por vezes até de anos na brincadeira e uma rapariga não, claro que há sempre aquelas exceção mas por norma nós levamos sempre a relação a sério claro que nos primeiros meses fazemos aquela barreira, principalmente aquelas que já foram magoadas, entre nós e eles. E se ela fez essa barreira tu só tens que provar que não há razões para ela existir.
- Afinal não és assim tão má a dar conselhos, ajudaste-me bem.
- Aposto que vocês estiveram o tempo todo a falar sobre mim – disse o Mario entrando no quarto e despertando-me.
- E o mundo gira à tua volta!
- Já tive mais dúvidas disso.
- Há coisa mais convencida de que isto? – perguntei agarrando a mão do Mario e indo ao seu encontro.
- Vamos embora? – perguntou.
- Vamos. Adeus Felix.
- Adeus e obrigado.
- De nada. – disse acabando por sair do quarto junto do Mario.
- Obrigado de quê? – perguntou-me o Mario.
- Nada que te interesse.
- Agora tens segredos com o meu irmão?
- E se tiver?
- Já não digo nada. – disse entrelaçando a sua mão com a minha e continuando a caminhar.
Perto das escadas um pequeno grupo de rapazes passou por nós deduzi que fossem amigos do Felix. Todos cumprimentaram o Mario e seguiram o seu caminho.
- Olha, olha o último piscou-te o olho.
- Afinal parece que o mundo gira à minha volta e não à tua.


- Olá! – dissemos os dois em conjunto.
O Marco e Halle olharam para trás e vi a cara de espantados de ambos.
- Vocês? Aqui? – perguntou a Halle.
- Não, nós ali. – gozou o Mario.
- Não era suposto só dia três? – pergunto novamente a Halle.
- Nunca o que é suposto acontece Halle. E além do mais já estava um bocado farta de aturar este chato. – disse levando-os a gargalhar exceto o Mario.
- Queres que eu fale? – perguntou o Mario.
- Não, não. Fica calado que é melhor para toda a gente.
- O que é que…- começou o Marco.
- Nada. O teu amigo é que enfim... – respondi.
- Foram boas as férias? – perguntou a Halle.
- Muito boas. – respondeu o Mario.
- E eu ainda não pus os pés em casa desde que cheguei.
- Então vamos lá? – perguntou a Halle.
- Vamos? – perguntei confusa.
- Sim, vamos preciso de falar com a tua mãe sobre umas coisas.
- Precisas?
- Sim preciso.

(Halle)

Entramos em casa da Thaís e ela dirigiu-se para o quarto deixando-nos aos três na sala. A Minna apareceu pouco depois e cumprimentou-nos.
- O Marco já o conhece não é? Depois o Mario também já o deve conhecer.
- È mais ao menos conheço melhor a Astrid. Eu e o Mario nunca fomos apresentados. – disse ela.
- A Thaís é mesmo desnaturada nem o próprio...- pensei duas vezes antes de voltar a dizer algo – amigo apresenta. – finalizei reparando na cara do Mario de assustado – É o Mario o amigo da Thaís – disse fazendo sobressair a palavra amigo – e é Minna a mãe da Tha.
Podia ter quase a certeza que o Mario estava assustado, aquela cara não enganava ninguém. A Minna cumprimentou-o com aquele sorriso enorme na cara e poucas palavras trocaram.
A Minna saiu da sala deixando-nos novamente sozinhos. Olhei novamente para o Mario e continuava com a mesma expressão de à pouco.
- Sabes que há pouca gente que tem a sorte de ter uma sogra como esta toda à maneira! – atirei levando o Marco a gargalhar.
- Cala-te oh caniche!
- Mario. – disse fazendo-me de ofendida – não me trates assim.
- Posso ir ter com a Thaís? – perguntou-me.
- Estás a perguntar-me a mim? Acho que podes, é a segunda porta à direita.
- Eu vou. – disse o Mario abandonando a sala.
Eu e o Marco, os dois sozinhos naquele espaço e o quanto isto ainda me faz impressão.
- Passas a noite comigo hoje? – perguntou rodeando-me a cintura e fazendo-me tremer mais uma vez com aquele toque.
- Não sei se a Thaís deixa. – disse na brincadeira.
- Se for preciso eu rapto-te.
- Uh, a ideia de ser sua refém agrada-me bastante Marco Reus.
Aproximou-se mais de mim e percebi o que queria. Roçou o seu nariz no meu e fez os seus lábios irem ao encontro dos meus delicadamente.
- Ei! – foi sem dúvida a voz da Thaís que interrompeu aquele momento – na minha sala não!
- Depois ainda tem a lata de dizer que somos nós que coiso! – disse o Mario.
- É! Andam aos beijos na minha sala!
- Vocês de inocentes não têm nada! – disse o Mario.
- Pronto já percebemos. – disse o Marco – lanchamos os quatro?
- É uma boa ideia! – concordei tentando que a conversa ficasse por ali.
- Não se livram de uma conversa séria! – disse a Thaís.

***

(Thaís)

- Já estás com saudades minhas? – perguntei atendendo o telemóvel.
- Oh Thaís vou para o Qatar em estágio sabes?
- E o que e que isso me interessa?
- Vou ficar longe bem que podias mostrar um pouco de compaixão.
- Não sei fazer isso. – disse-lhe - Your love is bright as ever – sussurrei - Even in the shadows - continuei
- Baby kiss me – disse o Mario.
- Cala-te! Estás a estragar o meu momento musical!
- Estou a torna-lo mais bonito.
- Sabes lá tu o que é bonito!
- Eu sou bonito. – disse com aquele tom de voz superior.
- Quase isso Mario, quase isso.
- Thaís, eu posso fazer-te uma pergunta?
- Não.
- Thaís...
- Pergunta lá o que quiseres só não te garanto que te responda não é?
- Tu eras capaz de ter uma relação comigo?
- Uma relação contigo? – perguntei confusa.
- Sim, uma relação comigo tipo namorados.
- Isso não vai acontecer.
- Porquê?
- Porque tu não és solteiro e mesmo que fosses duvido que acontecesse. E agora eu tenho que desligar tenho coisas para fazer.
- Estás a fugir da conversa…
- Não, não estou. Tenho que ir.
- Vai lá então, beijo.
- Beijo.

***

Sentei-me num banco ali perto e a Alícia fez o mesmo. A Alícia uma rapariga simpática, minha colega de faculdade há três anos, com ideias fixas na vida e um feitio muito especial.
- Lá vai a nariz empinado. – comentou quando a Luna passou à nossa frente.
- Vais implicar com a rapariga para o resto da vida?
- Não gosto dela, sim? E tu também não.
- Não ponhas palavras na minha boca que eu não pronunciei. Apenas nunca nos demos assim tipo…nunca falamos assim muito, não a posso julgar porque não a conheço.
- Não somos as primeiras nem as últimas de quem ela fala mal nas costas, dela distância!
- Eu não sei de nada, não a vou julgar pelos boatos que andam por aí.
- Não julgas tu, julgo eu que sei que é verdade.
Nada disse apenas olhava para a minha volta, estava frio mas o céu estava limpo e até tinha o seu encanto.
- Thaís mas tu tens a certeza que estás bem? – perguntou mais uma vez hoje.
- Sim, tenho. – respondi-lhe.
- É ele não é?
Ele, a forma como lhe falava do Mario, sem nomear qualquer tipo de nomes, apenas era ele, falava-lhe por alto não porque não confiasse nela ou talvez fosse esse mesmo o problema a minha dificuldade em confiar nas pessoas.
- É ou não? – perguntou novamente, batendo-me ligeiramente no braço.
- É! – respondi já farta de ouvi-la.
- Mas ele já acabou com a namorada?
- Não.
- Não? Mas ele não gosta de ti? Porque é que continua com ela?
- Não sei, não sei.
- Será que não és uma boneca nas mãos dele, que ele usa e manipula conforme lhe dá jeito, ele até pode dizer que gosta de ti mas nada o faz para comprovar certo?
Nada respondi apenas ouvia o que ela dizia com atenção e refleti, talvez…talvez fosse verdade tudo o que ela dizia.
- Thaís sabes que quanto mais alto se sobe maior é a queda, neste caso quanto mais longe fores mais te magoas.

_________________________________________________________

Olá :)
Mais um capitulo, espero as vossas opiniões e talvez o capitulo 15 saia bem mais rápido do que o esperado ;) 
Beijinhos,
Mahina 



4 comentários:

  1. Hola!
    Eu adoooooro Thais e Mario. Andam SEMPRE a picar-se, raramente tem uma conversa mais seria e nao é possivel nao rir quando o Mario se começa a fingir um grande convencido! Eu adoro-os e punha logo a Ann fora desta equaçao! Eu nem sei porque é que o Mario nao o faz! Ou melhor, se calhar até sei: como nao tem certezas que a Thais fique com ele, tem medo que ela a deixe e ele fique sozinho. Mas se nao se livrar da Ann, sempre a tem "garantida" caso as coisas com a Tha corram mal. É isto? Ou nem por isso?
    Eu so sei que esta utima conversa com a Alicia nao vai ajudar nadinha a esta relação!
    Ja espero o proximo!

    Beso
    Ana Santos

    ResponderEliminar
  2. Olá!!
    Mais uma vez amei!!
    Só quero dizer que cada vez odeio mais a Ann!!
    Agora vou ler o próximo!

    ResponderEliminar