domingo, 27 de abril de 2014

19º Capitulo « Fomos apanhados pela Halle »

- Thaís? – ouvi chamar quando já me dirigia para junto do meu carro.
Olhei para trás encarando o Mario pela segunda vez após o nosso afastamento. Percorreu o pequeno espaço que nos separava aceleradamente ficando finalmente frente a frente comigo.
- Não fujas. – disse agarrando-me o braço permitindo-lhe assim ter a certeza que eu não virava costas e me ia embora.
- Não o ia fazer…- disse-lhe de cabeça baixa.
- Olha para mim. – pediu levantando-me ligeiramente o queixo.
Encarei-o finalmente e pude finalmente vê-lo, mirar cada traço do seu rosto e aquele olhar que me dizia tanto.
- Estás bem? – perguntou deixando a sua mão que antes permanecia no meu rosto ir até à minha mão agarrando-a.
- Sim…- respondi.
- Impressionante como ao fim de tanto tempo continuas a tentar-me mentir mas sem sucesso.
- Até parece que nos conhecemos assim há tanto tempo…- disse-lhe.
- Há tempo suficiente para perceber pelos teus olhos e pela forma como reages que não estás bem.
A conversa estava estranha, bastante estranha. Havia desconforto entre nós, tal coisa que nunca existiu…não connosco. O meu olhar continuava preso ao dele como…sempre.
- Porquê?
- O quê? – perguntei confusa.
- Porque te afastaste? – perguntou olhando-me e esperando certamente uma resposta vinda de mim.
- Mario…fui bem clara quanto aos motivos quando o fiz.
- Esses teus motivos nunca me convenceram, nunca te preocupaste com ela quando estivemos juntos.
- Isso é mentira…muitas vezes ela foi nosso tema de conversa porque era errado estar contigo existindo ela.
- Agora ela não existe e o errado agora é correto.
- Não é assim tão fácil.
- Fácil é…nós é que gostamos de complicar, neste caso tu gostas de complicar.
- É melhor acabar a conversa. – disse tentando escapar-me à parte séria  da conversa.
- Thaís…eu não te quero perder, não outra vez.
- Tu nunca me tiveste…percebe isso Mario.
- Contigo não dá, pois não? Eu vou voltar para aquela casa e tu vais-te embora? Vamos voltar a ver-nos mas vamos sempre fugir um do outro? Nunca vamos conseguir ter uma conversa porque tu parece que tens medo…escapas-te à primeira oportunidade que arranjas! Thaís! Deixa o teu orgulho de lado pelo menos uma vez na vida porque eu já deixei o meu…
Olhava talvez com um pouco de desilusão no olhar. Fiquei estática a olhar para ele. Esperava algo de mim.
Olhou uma ultima vez para mim antes de me virar as costas. Ou era agora ou nunca…
- Mario! – chamei agarrando-lhe o braço impedindo assim que se fosse embora – desculpa – sussurrei chegando-me bem perto dele – fazes-me tanta falta– disse por fim caindo nos braços dele e abraçando-o.
Os minutos seguintes foram passados sem pronunciar uma única palavra. Apenas com o seu toque na minha pele e aquela segurança de estar nos seus braços.
Que saudades de tudo aquilo, que saudades de o sentir assim junto a mim.
- És tão orgulhosa. – disse quebrando aquele silêncio e momento de ternura.
- Aquela nossa mania de pôr o orgulho em primeiro lugar…- disse lembrando-me da frase que me tinha mandado umas semanas antes.
- Temos algo em comum.
- É a única coisa que temos em comum! – disse largando os seus braços e ficando frente a frente com ele.
- Não é a única. – disse agarrando as minhas mãos.
- É a única e mesmo assim és muito mais orgulhoso que eu.
- Eu cedi…
- Cedeste.
- Temos coisas a tratar Tha. – disse abrindo um sorriso.
- Temos? – perguntei confusa olhando para ele onde reparei naquele sorriso provocador. – Ai temos…tens que? – perguntei olhando para casa e tentando perceber se ele precisava de ir lá.
- Não.      
- Então podemos…- disse olhando para o meu carro.
- É…podemos sim. – disse chegando perto de mim e unindo os nossos lábios a primeira vez desde que nos tínhamos separado.
Agarrei a sua mão e fui até ao meu carro. Entrei e retirei algumas coisas que estavam em cima do banco onde se iria sentir o Mario.
- Vê-se mesmo que é carro de mulher. – atirou. Peguei na minha mala e coloquei-a em cima das suas pernas. – o que é isto? – perguntou pegando num livro que estava tapete.
- Neuropsicofisiologia.
- O quê?
- Não queiras saber…
- Thaís, o teu carro parece a feira!
- Mario o meu carro pode parecer a feira mas o meu quarto não ao contrário do teu…
- Isto é batons por todo o lado, livros e o que é isto? – perguntou pegando no meu eyeliner.
- Eyeliner. – respondi.
- Tenho medo. – disse olhando para mim.
- De quê?
- Tenho a ligeira sensação que és perigo na estrada.
- Mario! – disse batendo-lhe no braço.
- Olha para a estrada! – disse quase gritando.
- Não te dava tão maricas Mario… - disse rindo.
- Não sou maricas! – disse indignado.
- És pouco. – atirei virando-me para o lado e rápido depositar um beijo perto da boca do Mario.
- Thaís! Se eu morro…
- És enterrado.
- Realmente eu já tinha saudades disto.
Acabei por estacionar o carro à porta de casa da Halle e saímos os dois para fora.
- Vivo? – perguntei gozando.
- Conto ficar ainda mais vivo dentro dessa casa.
- Não sejas tarado. – disse enquanto abria a porta e o Mario me rodeava a cintura.
Acabei por conseguir abrir a porta e entrar dentro daquela casa. O Mario virou-me para ele e beijou-me. As saudades falavam mais alto e o desejo de sermos novamente um do outro também.
Atirei a mala para o sofá e agarrei-me ao Mario, com cuidado retirei-lhe a única camisola que tinha.
- Oh meu Deus! – ouvi. Reconheci rapidamente aquela voz…a Halle , eu tinha-me esquecido que a Halle estaria em casa…dela, o que é normal. – Eu não vi nada!
Peguei na camisola do Mario e coloquei-a à frente dele, olhei para a Halle e ela estava com as mãos a tapar os olhos. Via desaparecer do cimo das escadas e voltar a seguir com a sua mala na mão.
- Eu vou-me embora, façam lá o que quiserem mas há quartos lá em cima.
- Halle…- tentei dizer alguma coisa.
- Vou ter com o Marco…beijinhos, gosto de vos ver outra vez juntos.
Saiu da porta e fiquei estática a olhar para o Mario.
- Fomos apanhados pela Halle. – disse-me.
- Em casa da Halle – disse-lhe atirando a camisola dele para o sofá. – lá em cima ou cá em baixo? – perguntei tomando os seus lábios como meus.
- E a Halle?
- Foi ter lá com o seu namorado e depois eu falo com ela. Agora nós, sofá, cama ou chão?
- Podemos passar pelos três.
- Não queiras tudo de uma vez. – disse retirando o meu casaco.
- Tenho saudades tuas Tha, tenho mesmo… - disse colocando as suas mãos no interior da minha camisola.
- Cima? – perguntei
- Sim. – respondeu começando a caminhar atrás de mim para o andar de cima. – que quarto? – perguntou parando no meio do corredor e retirando-me a camisola atirando-a para o chão.
- O da Halle não, é demasiado mau. – disse rindo e encaminhando-me para o quarto onde costumava dormir quando ficava por cá.
- Tonight his is the night… - sussurrou ao meu ouvido enquanto me beijava o pescoço.
- We'll fight till it's over – continuei aproximando a minha boca do seu pescoço mordendo-lhe um pedaço de pele.
Fechei a porta do quarto aonde o Mario me encostou e beijou, percorreu as suas mãos pelo meu corpo a uma velocidade estrondosa. Parou um pouco e foi a minha vez de lhe percorrer o corpo. Andei uns passos até chegar à cama atirando o Mario para cima dela num movimento brusco. Sentei-me um pouco a cima da sua cintura e percorri o seu peito com as minhas mãos para depois percorre-lo com alguns beijos e mordidelas.
- Thaís. – sussurrou levantando o seu tronco e colocando as suas mãos nas minhas nádegas puxando-me para junto dele. – não me deixes outra vez – disse afastando-me levemente o cabelo e deixando a sua boca tomar conta de cada pedaço da minha pele.
- Ficas necessitado depois, é? – perguntei percorrendo as suas costas com os meus dedos.
- Nem tu imaginas quanto.
- Coitadinho do meu Mario.
- Agora está aqui a minha Thaís.
- Deixa-te lá de conversas, sim? – pedi mordendo-lhe ligeiramente o ombro.
- E eu a pensar que era o único necessitado.
- Mario… – supliquei esperando algo dele.
Deixou de falar e começou a agir. Deixou as suas mãos começaram por retirar a roupa que me restavam e as minhas fizeram o mesmo.
A loucura tinha tomado conta de nós, o desejo de ser só dele era enorme e entre beijos e suspiros amamo-nos ali, naquele quarto, naquela cama, sem barreiras nem impedimentos.
O cansaço apoderou-se de nós e os nossos corpos caíram naquela cama. Cheguei-me para junto dele e coloquei a minha cabeça sobre o seu peito adormecendo ali.


Acordei, larguei-me dos braços do Mario e olhei para o telemóvel. Era tarde, não queria acreditar que já eram nove horas. Levantei-me cuidadosamente e vesti uns calções que ali estavam, uma camisola e apanhei o cabelo para não me atrapalhar. Abri a porta do quarto e saí. Percorri o corredor e apanhei a minha camisola que permanecia no chão, desci as escadas e apanhei a camisola do Mario do chão e o meu casaco do sofá. Com tudo nas mãos virei-me para trás com intenção de voltar ao quarto. Para meu espanto o Mario estava ali apenas de boxers. Sorria e olhava-me provocador.
- Mario veste-te! – disse dando-lhe a sua camisola para a mão. – imagina que a Halle aparece aqui outra vez e tu aí todo despido!
- Tha… - disse rodeando-me a cintura com as suas mãos.
- Nem Tha nem meia Tha, vai-te vestir. – ordenei-lhe.
- Um beijo?
- Depois.
- Agora. – disse roçando o seu nariz no meu.
Deixei cair a roupa no chão e coloquei as minhas mãos em torno do seu pescoço. Os seus lábios encontraram-se com uns meus num beijo calmo. As saudades ainda não estavam de todo mortas e o Mario procurou por algo mais quando as suas mãos entraram dentro da minha camisola.
- Mario… - disse separando os nossos lábios e olhando para ele – é a casa da Halle e ela pode estar a chegar, vai-te vestir.
Nada disse e apenas me beijou uma última vez antes de se encaminhar para o andar de cima. Desceu poucos minutos depois e sentou-se junto a mim no sofá.
- Preciso de falar contigo e contar-te algo. – disse-lhe.
- Anda cá. – disse enquanto me agarrou e puxou para o seu colo.
- Eu tenho uma irmã. – disse-lhe.
- Uma irmã, como assim uma irmã? Dos teus pais biológicos?
- Não, não. Uma irmã que também foi adotada pelos meus pais. – expliquei.
- É suposto eu saber de quem estás a falar? – perguntou confuso.
- Não Mario. A minha irmã afastou-se de mim e dos meus pais quando eu tinha uns dezassete, dezoito anos. Andava na droga e isso.
- Nunca mais soubeste dela?
- Não até há um mês e meio mais ao menos. Ela mandou-me uma carta. – fiz um esforço para chegar à minha mala e retirar a carta que lá permanecia. Entreguei-a ao Mario para ele a poder ler.
Enquanto a lia olhei para ele, para aquela cara linda. Quando estava assim…sossegado e calado tinha um encanto especial. Olhou para mim e apanhou-me completamente desprevenida a olhar para ele. Sorriu e aproximou os seus lábios da minha bochecha deixando um pequeno beijo.
- Lembras-te quando me preguntaste o porquê do meu ‘’C’’ tatuado do pulso? – perguntei olhando-o.
- Sim…é ela? – perguntou.
- Sim, Cíntia é daí que vem o ‘’C’’.
- Mas ela agora está cá. – disse.
- A verdade é que ela sempre esteve cá Mario, tão perto de mim e eu passei estes anos todos a pensar que ela tinha…eu cheguei a pôr a hipótese de nunca mais a ver, pensei que ela tivesse morrido…
- Mas ela está bem Tha e perto de ti.
- É difícil de aceitar. – disse-lhe poisando a minha cabeça sobre o seu ombro.
- Agora só tens de aproveitar o tempo perdido. – disse sorrindo-me – tal como nós.
- Nós…isso ainda é uma conversa para ter.
- Não agora. – disse interrompendo-me e beijando-me mais uma vez.
Foi o toque do meu telemóvel que interrompeu o momento, reparei que era a Halle e atendi.
- Sim. – disse-lhe ao atender.
- É seguro entrar na minha casa? – perguntou o que me levou a rir.
- Oh Halle!
- Oh Hale nada, eu vi-vos quase despidos! Sem roupa! A vias de…coiso!
- Que mentira, o Mario estava apenas sem camisola.
- Apenas? Mais um bocado e estavam os dois só de roupa interior.
- Halle…
- É seguro?
- É.
Desligou a chamada e atirei o telemóvel para a sofá. O som da porta a abrir despertou-nos, e fiquei boquiaberta quando vi a Halle entrar em casa com o Marco.
- Diz-me que não estavas atrás daquela porta. – disse-lhe.
- Estava atrás daquela porta e à espera que me dissesses que era seguro entrar.
- Traumatizaram a minha Halle! – disse o Marco levando o Mario a rir.
- Que mentira! – disse indignada. – o Mario estava apenas sem camisola. Estava com calor.
- Calor…Onde é que isto já se viu?
- Vá vamos lá esquecer o lapso das cinco da tarde. – disse-lhes.
- Vocês já comeram alguma coisa? – perguntou-nos a Halle.
- Não. – disse o Mario
- Deixa lá, já se devem ter comido o suficiente um ao outro. – atirou o Marco.
- Ai. – disse-lhes. – não inventem. E nós temos que ir embora.
- Vens comigo? Amanha vou-me embora – disse o Mario junto do meu ouvido.
- Sim, eu vou contigo. – respondi-lhe também junto do seu ouvido.
- Ai que lindos. – disse a Halle gozando.
- Eh pá – barafustei – Não, é que não mesmo! E…nós vamos embora.
- Que lindo, chegam aqui coiso e adeus.
- Também te amo. – respondi levantando-me do sofá e vestindo o casaco.
- Vais ter frio lá fora de calções. – avisou-me a Halle.
- O Mario aquece. – olhei-o e riu-se enquanto a Halle se fingia escandalizada.
- Começo a ficar assustada com vocês os dois juntos. – disse quando depositou um beijo na minha bochecha.
- Vemo-nos amanhã, beijinhos. – disse-lhes.
Acabamos por nos despedir e sair de casa da Halle. Ela tinha razão estava frio no exterior. Entrei no meu carro e o Mario fez o mesmo.
Comecei a ouvir um barulho vindo da minha mala, o meu telemóvel não tocava assim e aí percebi que era o do Mario, ele tinha colocado as suas coisas na minha mala quando entramos em casa da Halle. Peguei no seu telemóvel e o nome Ann saltou-me logo à vista.
- Porque é que ela te está a ligar? – perguntei entregando-lhe o telemóvel para a mão. 

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Boa tarde :)
Espero que estejam todas bem. 
Aqui vos deixo o 19º capitulo. Espero mesmo que gostem.
Espero as vossas opiniões :)
Beijinho,
Mahina  

sexta-feira, 18 de abril de 2014

18º Capitulo - « it's simple , you complete me »

- Desculpa – acabei por quebrar o aquele silêncio enquanto a Halle me passava a mão pelo rosto. Estava com a cabeça deitada no seu colo desde que tinha chegado àquela casa.
- Essa fala não devia ser a minha? – perguntou sorrindo.
- Não, do que é que queres pedir desculpas? Da pessoa maravilhosa que és?
- Se calhar da pessoa maravilhosa que não fui ao esconder-te tudo durante os nossos três anos de amizade.
- Todos nós temos segredos que preferimos esconder. Preferimos que não passem disso…segredos, e se é segredo pouca gente ou ninguém além de nós o sabe.
- Não estás magoada comigo?
- Não, já passou. Neste tempo que passei longe de ti percebi bem que sem ti eu não consigo fazer nada, custa-me sair de casa e voltar sem passar por aqui, custa-me não te ver e não falar contigo a toda a hora, especialmente custa-me não ter-te junto a mim. Ocupaste lugar muito importante na minha vida que precisava de ser ocupado…foste a irmã que…a Cíntia deixou de ser.
- A Cíntia? Thaís porque é que… - percebi a sua admiração quando toquei no nome dela, talvez porque nunca antes o tinha feito, contei-lhe e enterrei o assunto para nunca mais voltar a falar nele.
Levantei-me e peguei na minha mala, retirei de lá a carta e entreguei à Halle.
- Queres que eu…
- Sim, quero que leias.
Voltei a poisar a minha cabeça nas suas pernas enquanto jogava um jogo qualquer no telemóvel só para passar o tempo enquanto a Halle lia a carta. Enquanto jogava lembrei-me das mensagens não eram umas simples mensagens mas sim, as mensagens.
Impulsivamente fui até às mensagens do Mario…percorrias de cima para baixo procurando por algo que me fizesse voltar a sentir aquele sentimento que só ele me faz sentir e que eu ainda não consegui decifrar.


Mario: Vamos fugir?
Eu: Para onde?
Mario: Qualquer sítio, desde que fiquemos só os dois.



Mario: Sabes o que era perfeito?
Eu: O quê?
Mario: Dortmund ficar ali ao virar da esquina.

Eu: Realmente era fantástico Munique ficar perto, teria muito mais lojas
a onde ir.
Mario: Tha…queria-me mesmo referir a estar perto de ti.

Eu: Eu sei…também não me importava nada de adormecer nos teus braços.

O toque de mensagem despertou-me e congelei quando reparei que a mensagem era do Mario, andei devagar para baixo procurando a mensagem que acabara de receber.

«Às vezes nós temos que ficar longe para perceber que tínhamos que ter ficado perto.»

Começo a sentir-me pequenina neste mundo, a achar que isto não é realidade, não a minha…
Subi lentamente o telemóvel para que a Halle também pudesse visualizar aquela mensagem.
- Viste? Mesmo indo buscar frases à internet consegue ser um querido?
Abri um pequeno sorriso face aquele comentário da Halle.
- Consegui um sorriso? – perguntou espantada.
- Conseguiste.
- Posso fazer uma pergunta meu amor?
- Sim, diz.
- Queres continuar a conversa que estávamos a ter no outro dia.
- Não Halle, por agora não. Já consegui aceitar isto mas deixa passar um tempo por favor, depois sim voltamos a tocar nesse assunto, pode ser?
- Claro.


(Halle)

Acordei de manhã com uma sensação inexplicável, estava contente, feliz e hoje era dia dos namorados. Tinha adormecido ao lado do Marco e tinha recuperado a minha amizade com a Thaís há dois dias, não me podia sentir mais feliz e completa. Quando me movimentei a primeira vez naquela manhã pude notar na ausência…a ausência dele. Acordar e não ter a pessoa com quem adormecemos ao pé é talvez das piores sensações do mundo.
Levantei-me e de pijama fui até ao andar de baixo procurando por ele mas não o avistei. Percorri o pequeno caminho até à cozinha e liguei a máquina do café, estava mesmo a precisar de um. Ouvi a porta da entrada a bater mas…ele tinhas as chaves?
- Levei as chaves que estavam aqui, achei que não te importavas…- disse-me quando cheguei à sala.
- Sim…quer dizer não, claro que não me importo. – disse atrapalhada.
Reparei que trazia dois ramos de flores nas mãos, seria algum para mim?
- Toma – disse entregando-me um dos ramos para as mãos e colocando o outro sobre a mesa. – sei que não somos namorados… - disse chegando perto de mim – na realidade nem sei bem o que somos mas…não interessa não precisamos de nomes ou coisas parecidas para dar-mos nome ao que temos precisamos apenas de sermos nós e conservarmos o que temos.
- Oh Marco, és realmente tão especial.
- Espero o tempo necessário para que te sintas preparada para…
- Eu sinto! – disse aproximando-me dele e colocando a minha mão sobre a dele.
- Sentes? – perguntou confuso.
- Sinto, se calhar até já me sinto há mais tempo mas eu sinto! Eu sinto-me mesmo preparada para isto! Para esta nova aventura, para me sentir tua todos os dias. Para poder acordar poder olhar para o meu lado e ter-te ali sempre apoiar-me, sempre a proteger-me de tudo e todos como tu tens feito durante todos estes dias.
- Então e tu queres namorar comigo Halle…bem eu não estava preparado para te pedir em namoro mas…
- Claro que quero. – disse interrompendo-o.- não há nada que eu queira mais neste momento.
- Isto vai mudar alguma coisa do que tínhamos? – perguntou.
- Acho que não, nós já fazemos vida de namorados há algum tempo.
- Estamos oficializados – disse rodeando-me a cintura – Halle Reus.
- Ei Marco, somos namorados não estamos casados.
- Acredita que também não falta muito para isso.
- És tão doido mas…e aquele ramo? – perguntei com uma certa curiosidade.
- Aquele…bem, digamos que hoje vamos fazer de cupidos.
- Até tenho medo. – disse rindo.


(Thaís)

Dia 14 de Fevereiro, dia de São Valentim, o dia mais foleiro de sempre. Não entendo mesmo porque é que ele existe. Namorados, casados ou juntos não precisam de um dia específico para mostrarem o amor que sentem um pelo outro.
Quando acordei reparei que tinha duas mensagens, uma era da Halle que dizia para passar em casa dela. Congelei quando reparei que a outra mensagem era do Mario, é daqueles momentos em que parece que o tempo passa e temos medo do que pode conter aquela mensagem. Abri-a e pude ver o que continha ela.

«O passado está na tua cabeça. O futuro está nas tuas mãos.»

Pensar naquela mensagem era massacrar-me. Voltar a pensar nele não era novidade por estes dias. A recordação da última discussão que tivemos estava bem presente, assim como cada beijo e cada toque dele. Por mais que tentasse esquecer tudo estava a tornar-se cada vez mais impossível.
Acabei por atirar o telemóvel para a cama e procurar uma roupa pra vestir e para rumar a casa da Halle.

- Bom dia! – disse quando entrei naquela sala e deparei-me com o Marco junto da Halle com um ramo de flores nas mãos.
- Bom dia. – disseram os dois.
- Não me digam que esperaram por mim para o Marco te oferecer flores e te pedir em namoro?
- Olha, voltou a Thaís com o seu típico humor matinal. – disse o Marco.
- Acordei bem-disposta por acaso. – disse-lhes tentando convencer.
- Ainda bem que sim, e ainda vais ficar melhor espero. – comentou o Marco – São para ti. – disse ele entregando-me as flores para as mãos.
- Marco…deves estar a enganar-te na pessoa. – cheguei perto dele e virei-o para o lado onde se encontrava a Halle – é ela a tua musa.
- São para ti Thaís! – disse a Halle com aquele sorriso típico nos lábios.
- Ok, está aqui alguma coisa que não está a bater certo. – comentei não percebendo nada.
- Pega lá nisto e vê o cartão. – disse o Marco.
Peguei no ramo de flores e reparei que havia um cartão preso a uma das extremidades.
- Se isto for do teu…amigo, eu não sei…
- Já vais ficar a saber. – disse o Marco.
Abri o cartão e olhei em para ele, aquela letra desajeitada só podia ser de uma pessoa…o Mario. Mais frases da internet – pensei.

Tell me, was it worth it? (Diz-me, valeu a pena?)
We were so perfect (Nós eramos tão perfeitos)
But baby I just want you to see (Mas amor, eu só quero que tu vejas)

There's nothing like us (Não há nada como nós)
There's nothing like you and me (Não há nada como eu e tu)
Together through the storm (Juntos no meio da tempestade)
There's nothing like us (Não há nada como nós)
There's nothing like you and me (Não há nada como eu e tu)
Together (Juntos)

Acabei de ler aquilo e olhei para eles.
- Sim…- pronunciou a Halle à espera de alguma reação minha.
- Justin Bieber? Isto é horrível! E vocês estão metidos nisto.
- Estamos metidos nisto sim e há outro cartão – disse a Halle apontando para a parte de trás do ramo.

I miss you, like everyday (Eu sinto a tua falta, como todos os dias)
Wanna be with you, but you're away (Quero estar contigo, mas estás longe)
I miss you, missing you insane (Eu sinto a tua falta, loucamente)
But if I got with you, could it feel the same? (Mas se eu estivesse contigo, sentiria o mesmo?)

Como eu conhecia e amava aquela música, agora sim tinha-me deixado completamente à toa sem saber o que dizer ou o que fazer. Se o que ali estava escrito fosse verdade talvez o meu futuro fosse bem promissor. Talvez ele gostasse mesmo de mim mas não fazia sentido…não na minha cabeça. Para mim havia um Mario que passou uns momentos comigo, apenas isso…porque bons momentos não passaram de bons momentos.
- Thaís…vais dizer alguma coisa? – perguntou o Marco.
- Isto é totalmente, como é que vou dizer isto? – perguntei tentando arranjar as palavras certas – horrível!
- Horrível? – perguntou a Halle – Oh Thaís! – repreendeu-me.
- Não gosto de Justin Bieber, e Bey por um rapaz é muito desinteressante.
- Tinhas razão – disse o Marco colocando a sua mão na cintura da Halle.
- Eu avisei-te que a Thaís é esquisita!
- Não sou esquisita! – defendi-me.
- És e bastante o Mario está solteiro e empenhado em te reconquistar. – disse o Marco.
Ele estava…solteiro? A tentar…reconquistar-me?
- Desculpa? Reconquistar o quê? Ele nunca me conquistou! – atirei.
Reparei no telemóvel que tocou, olhei-o e reparei que era algo do Mario, uma imagem.



Se me está a tentar conquistar…acho que vai num bom caminho.


***

Fevereiro…passou de uma forma rápida e com o fim dele chegou março com melhores temperaturas e quem sabe muitas mudanças.
Primeiro dia de março, um sábado. Esta noite a Halle tinha-me convidado para ir para casa dela. Apesar de eu passar lá a vida hoje era diferente, tinha convidado a Noemy e a Safira, duas amigas dela que passaram a ser minhas, para uma noite de raparigas.
A ideia agradava-me, não podia dizer que não mas hoje tinha acordado estranha e hoje que tanto precisava não havia mensagem do Mario. Apercebi-me o quanto estava agarrada aquelas simples frases que recebia todos os dias. Frases como:

«Aquela nossa mania de pôr o orgulho em primeiro lugar»

«…a cabeça não apaga o que o coração já gravou…»

«Fiquei em silêncio quando devia ter dito tudo»

Passei o dia todo por volta do telemóvel ainda com esperança que aquela mensagem chegasse.
A noite chegou, arranjei as minhas coisas e rumei a casa da Halle.
- Olá meninas. – disse quando entrei na casa dela e reparei que a Noemy e a Safira já estavam lá.
- Que cara é essa? – perguntou a Halle.
- Cara de quem não recebeu a mensagem que estou habituada. – disse sentando-me no sofá e retirando os sapatos que já me incomodavam.
- Olha! – atirou a Halle – Marito habituou-te mal agora não queres outra coisa.
- Oh. - disse sem muita paciência.
- Vamos lá ver, quem é o rapaz? A Halle anda metida com o Reus e tu, Thaís? – perguntou a Noemy.
- O Marito. – disse a Halle sentando-se junto a mim.
- Que Mario? – perguntou a Safira.
- Mandzukic. – gozei.
- A sério? Mas esse não é casado e não tem filhos? – perguntou a Noemy confusa.
- Ela está a gozar. É o Götze.
- Tens olho para a coisa tens! – comentou a Safira a rir.
- Mas vocês não sabem do melhor!
- Halle, tu vê lá o que vais contar! – avisei.
- Oh Thaís, nós gostamos de histórias destas.
- No dia em que se conheceram o Mario apostou com a Thaís que a conseguia levar para a cama em duas semanas.
- Jura! – disse a Noemy. – Não o deixaste ganhar a aposta pois não?
- Fiquem descansadas que não caí na cama dele em duas semanas.
- Caiu passado dois/três meses. – atirou a Halle.
- Halle! – repreendia-a.
- Uh, ele mexe-se bem?
- Não, não, não e não eu não vos vou falar disso!
- É uma pergunta fácil. – começou a Safira – ou sim, ou não.
- Não vou falar sobre a minha vida intima.
- Uh la la, que eles têm vida intima. – atitou a Noemy.
- Tínhamos. – corrigi – vá Halle dá-me uma caixa de gelado, lenços de papel e põe O Diário da nossa paixão e serei feliz nas próximas duas horas.
- E eu a pensar que íamos ver Amizade colorida com o jeitoso do Justin Timberlake.
- Não! Isso faz-me lembrar o Mario. – disse sincera.
- Então vamos ver Melodia do adeus. – sugeriu a Noemy.
- Não isso faz-me lembrar o Mario! Tem praia e água.
- Afinal o que é que não te faz lembrar o Mario?
- O Diário da nossa paixão! – disse-lhes.
- E saímos daqui todas a chorar…
- Que tal Velocidade furiosa? Pelo menos não choramos… - sugeriu a Halle.
- Concordo. – disse.
- Assim vemos o jeitoso do Vin Diesel é tão hot. – atirou a Noemy.
- Oh meu Deus ele tem quê? Cinquenta anos? – perguntei.
- Quarenta e seis. – disse a Safira olhando para o telemóvel.
- Ei, não, não mesmo…já está bom para a reforma. – disse levando-as a rir.
- Olha que com aquele corpo não deve desiludir. – disse a Noemy.
- Não! Deixa-me lá com os meus pensamentos bons, toca a afastar esses pensamentos feios.
- Tradução. – começou a Noemy – deixa-me afastar os pensamentos do Vin Diesel ao natural e pensar na noite escaldante com Mario Götze. – terminou levando-nos a rir.
- Não se pode ter uma conversa convosco, desisto! – acabei por dizer.
Aconcheguei-me no sofá com uma manta em torno de mim. Ouvi o toque de mensagem do telemóvel e olhei-o.

«Fica comigo mesmo que seja difícil ou complicado mas fica»

Sorri ao olhar para aquela frase que tanto esperava.
- Não me digas que estás a ver fotos do Vin Diesel sem roupa? – perguntou a Safira gozando.
- Não! Ela é que recebeu a mensagem do seu príncipe encantando. – atirou a Halle colocando o filme.
- O filme vai começar. – disse tentando escapar à conversa.


***


(Mario)

Cheguei a Dortmund por volta das quatro da tarde seguindo depois o meu caminho até casa. Hoje não tinha mandado nenhuma mensagem a Thaís esperava puder fazer-lhe uma surpresa cara a cara, estar perto dela e puder dizer-lhe tudo o que queria dizer.
Entrei em casa e fiquei espantado quando a vi sentada no sofá da sala, não a esperava ali junto da minha mãe na minha casa.
- Olá. – disse esperando alguma resposta da parte de alguma delas.
- Oh, olá Mario. – pronunciou a minha mãe.
Não obtive nenhuma resposta da parte da Thaís, notei que estava incomodada com a minha presença. Disse algo à minha mãe que não me foi audível e levantou-se saindo pela porta por onde eu acabava de entrar.
- Vais deixá-la fugir…outra vez? – perguntou a minha mãe.



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Boa tarde meninas :)
Deixo-vos aqui mais um, surpreendidas?
Espero as vossas opiniões. ( é tão bom lê-las, um grande OBRIGADO)
Beijinhos e bom fim de semana, 
Mahina