domingo, 30 de março de 2014

13º Capitulo - « Eu só me arrependo do que não faço »

- Isto é estranho – comentei.
Olhava aquela praia e nada fazia sentido na minha cabeça. Tinha o Mario com a cabeça assente nas minhas pernas enquanto eu lhe ia mexendo no cabelo.
- É bom, não é estranho. – disse-me.
- É estranho, tudo é estranho. É estranho eu estar aqui contigo, é estranho eu ter-te conhecido. Tudo é estranho.
- Eu habituava-me a isto.
- A não fazer nada o dia todo?
- Não, a ter-te por perto todos os dias.
- Isso não vai acontecer Mario.
- Fogo Thais, dás-me com cada tampa!
- Oh, não dou nada.
Levantou a sua mão da areia e juntou-a à minha, entrelaçando-as.
- Tens coisas programadas para o teu futuro?
- Não te aturar é uma delas.
- Tha…
- Desculpa, tu sabes como sou não é?
- Sei mas diz lá.
- Tenho coisas programadas sim.
- Como por exemplo?
- Sair de Dortmund.
- Sair…de Dortmund? – perguntou admirado.
- Sim, sair de Dortmund.
- Mas para fora de Dortmund?
- Não Mario sair de Dortmund para dentro de Dortmund.
- Não era isso que eu queria dizer. O que queria-me referir era se querias sair da Alemanha.
- Não precisamente.
- Munique?
- Mas para bem longe de ti.
Reparei na admiração do Mario quando percebeu que me referia de facto a Munique. Levantou-se e sentou-se na minha toalha de frente para mim.
- A sério?
- Sim a sério, desde que comecei a licenciatura que o meu sonho sempre foi um dia trabalhar no centro de reabilitação em Munique, aquilo é um mundo, é enorme e trata vários tipos de casos. Com sorte consigo lá fazer estágio em Maio.
- E vais ser a minha fisioterapeuta pessoal?
- Claro que não.
- Porquê?
- Porque não, o teu senhor fisioterapeuta do Bayern serve para isso, já eu não.
- E mãe?
- E mãe? – perguntei já não percebendo nada daquela conversa.
- Sim mãe, tu sonhas sê-lo?
- Não. – respondi calmamente.
- Não?
- Não.
- Todas as mulheres sonham ser mães.
- Eu não.
- Porquê?
- Sei lá porquê, simplesmente não me interessa percebes? Ser mãe não é um sonho porque não me vejo com um filho nos braços, nunca vi.
- Nunca viste?
- Não, filhos não. Gosto muito das minhas princesas mas ser mãe não está nos meus planos.
- Por agora.
- Nem agora nem daqui a um bocado, acho que nunca vai acontecer.
- Nunca digas nunca.
- Tu imaginas-te com um filho nos braços? – perguntei desta vez deitando a minha cabeça sobre as suas pernas.
- Quando tiver uns 30 anos talvez.
- Muito me contas oh fanático pelo Bieber.
- Como é que tu…
- Tu cantas de noite: ‘’ If I was your boyfriend, I'd never let you go’’.
- Que mentira!
- Por acaso é, o teu telemóvel é que só tem musicas dele.
- Se eu sou fanático pelo Bieber tu és pela Beyoncé.
- Não exageres, também canto de noite?
- Cantas sim, ‘You can be a sweet dream , or a beautiful nightmare ‘’
- Não canto tão mal! – atirei.
- Cantas pior. – disse-me enquanto mexia no meu cabelo.
Não lhe respondi e apenas fiquei a disfrutar do momento. O sol a bater-me na cara sabia maravilhosamente bem, sair de Dortmund com temperaturas negativas e vir para o Dubai para o sol é estranho mas ao mesmo tempo sabe mesmo bem.
- Hoje é o último dia de 2013…- disse ele calmamente.
- É verdade, ganhei uma aposta em 2013.
- Ganhaste.
- Logo tenho um pedido a que tu tens de obedecer Mario.
- Tu és maluca e eu tenho medo.
- Não te preocupes que eu não te vou mandar fazer nenhum striptease para mim.
- Tens a certeza que não queres?
- Sei que isso tu fazes de boa vontade sem eu te mandar.
- Viste como tu sabes?
- Quem não te conhecer que te compre Mario! – atirei mexendo na arreia com a mão e olhando para ele. – sabes? Nós precisamos de falar. – disse-lhe calmamente.
- Precisamos?
- Sim.
- Levanta-te então. – disse-me.
Assim o fiz e ele fez o mesmo, pegou nas suas coisas e eu nas minhas. Agarrou a minha mão e começamos a caminhar. Íamos caminhando pela praia e à medida que caminhávamos mais pessoas havia nas praias o Mario parou e trocou de lugar comigo ficando ele mais perto do mar, talvez para não ser reconhecido e ficar mais escondido.
- Diz então.
- Naquela noite…aquela tu sabes?
- Que noite?
- Aquela noite Mario.
- Que noite?
- Até parece que passámos muitas noites juntos!
- E passámos! Já lá vão algumas.
- Aquela em que eu bebi demasiado e que não me lembro de metade.
- Ah essa, sim lembro-me bem, tu querias agredir-me.
- Queria? - perguntei preocupada.
Saímos da praia em direção ao hotel continuando a caminhar.
- Querias!
- Eu era incapaz disso.
- Não eras não, só não me deste uma chapada porque eu te agarrei na mão.
- Fizeste ou disseste alguma porcaria de certeza para eu te querer bater.
- Eu disse que não gostava de ti…
- E eu quis bater-te… - concluí.
- Foi…será que posso tirar alguma conclusão daí?
- Que eu não estava em mim.
- Ou que se calhar não estando em ti mostraste a verdadeira Thaís e ficaste ofendida quando disse que não gostava de ti porque te magoei, porque se calhar tu gostas de mim!
Continuei a caminhar sem fazer ao caso ao que ele disse.
- Thaís! – disse parando. Não fiz o mesmo e continuei a andar, senti a mão dele no meu braço a impedir-me de continuar o meu caminho – não dizes nada?
- Que queres que diga?
- Quero que admitas de uma vez por todas que eu não te sou indiferente!
- E não és, se é isso que queres que te diga eu digo – fiz uma pausa olhei para o chão respirei fundo e voltei a olhar para ele – não me és indiferente. – acabei por dizer baixo.
- Eu sabia. – disse olhando para mim.
- Boa. E agora o que é que é suposto acontecer?
- Agora…agora é suposto…Thaís eu não sei o que é suposto acontecer!
- Nada é a resposta, não é suposto acontecer nada. Agora volta tudo ao normal, continuamos a caminhar como se nada tivesse acontecido e como vês ter dito que não me eras indiferente não ajudou nem prejudicou em nada.
- Não devia ser assim! Tu gostas de mim e eu gosto de ti, devíamos ficar juntos.
- Isto não é um filme Mario, nem todos os finais são felizes, aqui tudo é real. Qualquer palavra, por mais pequena que seja, pode magoar, não podemos voltar atrás para poder gravar novamente a cena, o que aconteceu…aconteceu, já não há nada a fazer para voltar atrás. Tu tens namorada e eu não estou minimamente interessada em ser a outra.
- Não precisas de ser a outra podes escolher ser a única.
- Já me sinto o suficientemente mal por estar aqui contigo e passarmos os momentos que passamos sabendo que tu tens namorada. Momentos bons Mario, nós passámos momentos bons não vou dizer que não mas sentir-me-ia pior se estragasse a tua relação com a tua namorada sabes? Um dia posso ser eu no lugar dela e…deve ser horrível.
- Thaís, nós combinamos que estes dias eram só nossos.
- Eu sei que sim, não devia ter tocado nesse assunto mas foi só para perceberes que o que temos nunca será nada para além…disto, entendes?
- Entender não entendo mas também quem é que te entende? – perguntou aliviando um pouco o ambiente.
Voltou a entrelaçar a minha mão e a seguir o nosso caminho.
- A Halle entende!
- Tenho muita pena da caniche realmente, há quanto tempo é que te atura?
- Desde 2010, há uns bons três anos.
- Não deve ser fácil.
- Fácil não deve ser o Marco aturar-te a ti!
- Atura há mais tempo que Halle te atura a ti e nunca se queixou! Há quatro anos.
- Tenho pena dele, aí sim tenho pena. – disse antes de nos rir-mos os dois.


- Thaís? – chamou do quarto.
- Espera mais cinco minutos. – pedi acabando de colocar o brinco direito.
- Cinco minutos de raparigas são o triplo dos cinco minutos, vocês fascinam-se com o espelho?
- Muito, nem tu imaginas o quanto. Nós, raparigas quando nos olhamos ao espelho vemos uma cara linda, já vocês, rapazes, poucos podem dizer o mesmo.
- Eu sou um dos poucos. – respondeu com aquele tom de voz superior.
- Sim verdade – disse saindo finalmente da casa de banho e encarando-o – és dos poucos que consegue ser egocêntrico, convencido, arrogante e orgulhoso ao mesmo tempo. – esperava uma reação dele, não esperava a melhor já eu o tinha insultado mas uma reação qualquer que não aparecia com o passar do tempo. Olhava-me com um olhar estranho e que me estava a assustar – o quê? – perguntei tentando com que ele saísse daquele mundo dele – Mario? – chamei tentando obter uma resposta – lá se foi a minha companhia para o jantar.
- Tha…
- ís! – completei – não me deixes o nome a meio, Tha chamam-me as meninas!
- Estás…linda. – disse agarrando-me na mão e puxando-a para cima. Acabei por dar uma volta sobre o seu olhar atento.
- Obrigada, tu também não estás nada mal.


Senti aquelas mãos dele, tão minhas conhecidas, na minha cintura e aos poucos foi aproximando-se de mim colando o seu corpo ao meu. Com a sua mão afastou-me uma pequena mexa de cabelo e aproximou a sua boca do meu ouvido.
- Podemos começar 2014 da melhor forma. – sussurrou.
Sentia cada respiração sua na minha pele. Levou as mãos às minhas nádegas deixando-as lá.
- Não aqui. - disse-lhe calmamente agarrando a sua mão.
Percorremos o caminho até ao quarto em passo acelerado. Durante o mesmo consegui retirar os meus sapatos que já me começavam a incomodar no fim de tudo.
A primeira coisa que fez quando abriu a porta do quarto foi beijar-me com um desejo brutal, tomou os meus lábios como seus sem pedir de permissão. Quando parou por um instante afastei-me dele e fui até à casa de banho retirar os brincos que trazia, não tardou muito até ter o Mario junto a mim a percorrer todo o meu pescoço com beijos.
- Mario - implorei - deixa-me tirar os brincos!
- Podem incomodar? – perguntou continuando com a sua boca a passear por todo o meu pescoço.
- Se não me deixares retirá-los vão incomodar de certeza.
Não disse mais nada e apenas me deixou retirar os brincos e o fio que eu tinha.
- Já está? – perguntou do quarto.
- Sou toda tua. – declarei ao entrar no quarto.
- Começamos por onde? – disse com aquele tom de voz provocador.
- Por…- aos poucos aproximei-me dele e levei as minhas mãos à camisa que trazia – está calor aqui. – atirei desapertando o primeiro botão.
Enquanto desapertava um a um cada botão da sua camisa o Mario desceu demoradamente o fecho do meu vestido quando acabei de desapertar cada botão e a sua camisa desaparecer do seu corpo, também o meu vestido caiu no chão.
- Sinceramente eu não sei como te resisti por tanto tempo – atirei antes de o beijar.
- O que interessa é que não é preciso me resistires…nunca mais. – disse.
Colou os nossos corpos já com pouca roupa. Os seus dedos percorreram as minhas costas com delicadeza, admirava-me como o fazia tão delicado, parecia que pensava antes de agir para fazer tudo com o máximo de carinho. A partir desse momento apenas trocamos sorrisos, suspiros e muitos beijos. Cada toque do Mario era uma sensação nova para mim, nunca antes me tinha sentido tão desejada e tão atraída por alguém. O facto de estarmos a fazer uma coisa que de todo não era correta mas que era tão desejada por ambos era uma sensação sobrenatural, pela primeira vez o «saltar a cerca» estava a dar-me um gozo enorme.
Em poucos segundos a única roupa que nos restava no corpo desapareceu ficando espalhada por o chão do quarto. As suas mãos percorriam todo o meu corpo como se o conhecessem desde sempre. Vergonha ou medo era algo que não existia, tudo se resumia a um desejo brutal que foi incapaz de ser incapaz de ser controlada por muito tempo.
A entrega um ao outro foi total, surreal e extremamente diferente do que alguma vez tinha sentido. Percebi no inicio que o Mario não fazia por mais uma noite, percebi que ele se dedicou em cada toque e cada caricia. Uma noite? Tenho a certeza que não vai ser relembrada como uma noite mas sim a noite.
As nossas energias foram todas concentradas naquele momento, todos os nossos pensamentos estavam ali.
No fim aquela sensação de felicidade invadiu-me, sentia-me completa e estranhamente…amada. As nossas respirações estavam totalmente descontroladas e quando caímos na cama um ao lado do outro a pequena gargalhada foi geral, mordi ligeiramente o lábio inferior e olhei-o estava com um sorriso tão parvo na cara. Virou-se para mim e ficou a olhar-me durante algum tempo.
- Arrependes-te? – perguntou-me.
- Eu só me arrependo do que não faço. – respondi-lhe sincera.
- É por isso que gosto tanto de ti. – atirou olhando-me com uma intensidade brutal chegou o seu rosto perto de mim e mordeu-me a bochecha.
- Mario! – queixei-me.
- Desculpa, deixas-me fora de mim…completamente fora de mim!
- Ainda bem que não estamos juntos.
- Porquê?
- Andavas fora de ti todos os dias.
- Era um sonho.
- Os teus sonhos costumam-se realizar?
- De vez em quando.
- Pode ser que sim pode ser que não.
Deslizou a sua mão sobre a minha entrelaçando-as.
- Estás feliz?
- Estou feliz. – assegurei-lhe.
- Sabes que podes estar sempre, certo?
- Sim Mario, eu sei que tu me podes fazer feliz.
- Não posso Thaís eu vou.
- Vai haver um nós? – perguntei sem saber bem o que perguntava, arrependendo-me segundos depois.
- Gostavas que houvesse? – perguntou.
- Não sei.
- Então vamos apenas…viver o momento.
- Sim, viver o momento. – repeti.
- Sem pensar num futuro – disse beijando o meu ombro descoberto.
- Sim. – acabei por dizer dando uma volta na cama e ficando com a cabeça no seu peito.


- Thaís? – chamou com aquela voz doce acariciando-me o cabelo – vamos tomar o pequeno-almoço?
Abri os olhos  e olhei para o lado ali estava ele deitado em cima dos lençóis meio vestido e sexy.
- Mario cala-te! – ordenei sem paciência para grandes conversas.
- Uma pessoa está aqui a ser querida contigo e é assim que tu me tratas.
- Desculpa mas eu estou enjoada e comida não é o ideal agora.
- Ah! – exclamou saindo de junto de mim e pondo-se em frente à cama.
- Ah o quê? – perguntei levantando a cabeça para poder mira-lo.
- Fizemos um bebé!
Peguei na almofada que estava junto a mim e atirei-lhe à cara, este rapaz de vez em quando não diz coisa certo.
- Mas que bebé? Tu tens lá potencial para isso?
- Para isso é para muito mais.
- Oh sim! – atirei gozando com ele.
Chegou perto de mim e deitou-se em cima de mim com todo o cuidado começou depois por fazer-me cócegas e dar umas mordidelas no meu pescoço.
- Mario! – queixei-me.
As cocegas pararam e o que se seguiu foram os beijos, beijos calmos e mãos a passear pelas minhas costas. Ouvimos um toque de um telemóvel e percebi de imediato que era o do Mario.
- Telemóvel, telemóvel! – disse entre beijos tentando com que ele saísse de cima de mim e fosse atender o mesmo.
- Raio do telemóvel interrompe sempre qualquer coisa!
Gargalhei com o que acabava de dizer, lá saiu de cima de mim e foi direto ao telemóvel

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Olá :)
Bem, desculpem a demora mas o tempo não tem sido muito.
Espero que gostem e deixem as vossas opiniões.
Beijinho,
Mahina 


5 comentários:

  1. Hola!!!
    Ai adorei!!!
    Primeiro de tudo, a Thais goleia o Mario a nivel de gostos musicais!! Queen B rocks!
    E depois aquela noite deles...amei! Juro que me davas um jeitaço! Ja escrevi mais de 250 capitulos na minha vida e nunca fico satisfeita quando escrevo uma cena caliente entre as minhas personagens!
    E agora? Agora quero o proximo!!

    Besazo
    Ana Santos

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  2. Olá

    Adorei *_* A thais tem de ser do Mario e ele só dela :P


    Beijinhos


    Catarina

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  3. Adorei quero próximo.bjs

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  4. Olá!!
    Ameiiiii!!!
    Amei o capítulo todo mas especialmente a noite deles! Foi perfeita! Eles são perfeitos!
    Agora tou pa ver quem interrompeu o beijo deles!
    Aqui vou eu para o 14°! Até ja xD

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