domingo, 30 de março de 2014

13º Capitulo - « Eu só me arrependo do que não faço »

- Isto é estranho – comentei.
Olhava aquela praia e nada fazia sentido na minha cabeça. Tinha o Mario com a cabeça assente nas minhas pernas enquanto eu lhe ia mexendo no cabelo.
- É bom, não é estranho. – disse-me.
- É estranho, tudo é estranho. É estranho eu estar aqui contigo, é estranho eu ter-te conhecido. Tudo é estranho.
- Eu habituava-me a isto.
- A não fazer nada o dia todo?
- Não, a ter-te por perto todos os dias.
- Isso não vai acontecer Mario.
- Fogo Thais, dás-me com cada tampa!
- Oh, não dou nada.
Levantou a sua mão da areia e juntou-a à minha, entrelaçando-as.
- Tens coisas programadas para o teu futuro?
- Não te aturar é uma delas.
- Tha…
- Desculpa, tu sabes como sou não é?
- Sei mas diz lá.
- Tenho coisas programadas sim.
- Como por exemplo?
- Sair de Dortmund.
- Sair…de Dortmund? – perguntou admirado.
- Sim, sair de Dortmund.
- Mas para fora de Dortmund?
- Não Mario sair de Dortmund para dentro de Dortmund.
- Não era isso que eu queria dizer. O que queria-me referir era se querias sair da Alemanha.
- Não precisamente.
- Munique?
- Mas para bem longe de ti.
Reparei na admiração do Mario quando percebeu que me referia de facto a Munique. Levantou-se e sentou-se na minha toalha de frente para mim.
- A sério?
- Sim a sério, desde que comecei a licenciatura que o meu sonho sempre foi um dia trabalhar no centro de reabilitação em Munique, aquilo é um mundo, é enorme e trata vários tipos de casos. Com sorte consigo lá fazer estágio em Maio.
- E vais ser a minha fisioterapeuta pessoal?
- Claro que não.
- Porquê?
- Porque não, o teu senhor fisioterapeuta do Bayern serve para isso, já eu não.
- E mãe?
- E mãe? – perguntei já não percebendo nada daquela conversa.
- Sim mãe, tu sonhas sê-lo?
- Não. – respondi calmamente.
- Não?
- Não.
- Todas as mulheres sonham ser mães.
- Eu não.
- Porquê?
- Sei lá porquê, simplesmente não me interessa percebes? Ser mãe não é um sonho porque não me vejo com um filho nos braços, nunca vi.
- Nunca viste?
- Não, filhos não. Gosto muito das minhas princesas mas ser mãe não está nos meus planos.
- Por agora.
- Nem agora nem daqui a um bocado, acho que nunca vai acontecer.
- Nunca digas nunca.
- Tu imaginas-te com um filho nos braços? – perguntei desta vez deitando a minha cabeça sobre as suas pernas.
- Quando tiver uns 30 anos talvez.
- Muito me contas oh fanático pelo Bieber.
- Como é que tu…
- Tu cantas de noite: ‘’ If I was your boyfriend, I'd never let you go’’.
- Que mentira!
- Por acaso é, o teu telemóvel é que só tem musicas dele.
- Se eu sou fanático pelo Bieber tu és pela Beyoncé.
- Não exageres, também canto de noite?
- Cantas sim, ‘You can be a sweet dream , or a beautiful nightmare ‘’
- Não canto tão mal! – atirei.
- Cantas pior. – disse-me enquanto mexia no meu cabelo.
Não lhe respondi e apenas fiquei a disfrutar do momento. O sol a bater-me na cara sabia maravilhosamente bem, sair de Dortmund com temperaturas negativas e vir para o Dubai para o sol é estranho mas ao mesmo tempo sabe mesmo bem.
- Hoje é o último dia de 2013…- disse ele calmamente.
- É verdade, ganhei uma aposta em 2013.
- Ganhaste.
- Logo tenho um pedido a que tu tens de obedecer Mario.
- Tu és maluca e eu tenho medo.
- Não te preocupes que eu não te vou mandar fazer nenhum striptease para mim.
- Tens a certeza que não queres?
- Sei que isso tu fazes de boa vontade sem eu te mandar.
- Viste como tu sabes?
- Quem não te conhecer que te compre Mario! – atirei mexendo na arreia com a mão e olhando para ele. – sabes? Nós precisamos de falar. – disse-lhe calmamente.
- Precisamos?
- Sim.
- Levanta-te então. – disse-me.
Assim o fiz e ele fez o mesmo, pegou nas suas coisas e eu nas minhas. Agarrou a minha mão e começamos a caminhar. Íamos caminhando pela praia e à medida que caminhávamos mais pessoas havia nas praias o Mario parou e trocou de lugar comigo ficando ele mais perto do mar, talvez para não ser reconhecido e ficar mais escondido.
- Diz então.
- Naquela noite…aquela tu sabes?
- Que noite?
- Aquela noite Mario.
- Que noite?
- Até parece que passámos muitas noites juntos!
- E passámos! Já lá vão algumas.
- Aquela em que eu bebi demasiado e que não me lembro de metade.
- Ah essa, sim lembro-me bem, tu querias agredir-me.
- Queria? - perguntei preocupada.
Saímos da praia em direção ao hotel continuando a caminhar.
- Querias!
- Eu era incapaz disso.
- Não eras não, só não me deste uma chapada porque eu te agarrei na mão.
- Fizeste ou disseste alguma porcaria de certeza para eu te querer bater.
- Eu disse que não gostava de ti…
- E eu quis bater-te… - concluí.
- Foi…será que posso tirar alguma conclusão daí?
- Que eu não estava em mim.
- Ou que se calhar não estando em ti mostraste a verdadeira Thaís e ficaste ofendida quando disse que não gostava de ti porque te magoei, porque se calhar tu gostas de mim!
Continuei a caminhar sem fazer ao caso ao que ele disse.
- Thaís! – disse parando. Não fiz o mesmo e continuei a andar, senti a mão dele no meu braço a impedir-me de continuar o meu caminho – não dizes nada?
- Que queres que diga?
- Quero que admitas de uma vez por todas que eu não te sou indiferente!
- E não és, se é isso que queres que te diga eu digo – fiz uma pausa olhei para o chão respirei fundo e voltei a olhar para ele – não me és indiferente. – acabei por dizer baixo.
- Eu sabia. – disse olhando para mim.
- Boa. E agora o que é que é suposto acontecer?
- Agora…agora é suposto…Thaís eu não sei o que é suposto acontecer!
- Nada é a resposta, não é suposto acontecer nada. Agora volta tudo ao normal, continuamos a caminhar como se nada tivesse acontecido e como vês ter dito que não me eras indiferente não ajudou nem prejudicou em nada.
- Não devia ser assim! Tu gostas de mim e eu gosto de ti, devíamos ficar juntos.
- Isto não é um filme Mario, nem todos os finais são felizes, aqui tudo é real. Qualquer palavra, por mais pequena que seja, pode magoar, não podemos voltar atrás para poder gravar novamente a cena, o que aconteceu…aconteceu, já não há nada a fazer para voltar atrás. Tu tens namorada e eu não estou minimamente interessada em ser a outra.
- Não precisas de ser a outra podes escolher ser a única.
- Já me sinto o suficientemente mal por estar aqui contigo e passarmos os momentos que passamos sabendo que tu tens namorada. Momentos bons Mario, nós passámos momentos bons não vou dizer que não mas sentir-me-ia pior se estragasse a tua relação com a tua namorada sabes? Um dia posso ser eu no lugar dela e…deve ser horrível.
- Thaís, nós combinamos que estes dias eram só nossos.
- Eu sei que sim, não devia ter tocado nesse assunto mas foi só para perceberes que o que temos nunca será nada para além…disto, entendes?
- Entender não entendo mas também quem é que te entende? – perguntou aliviando um pouco o ambiente.
Voltou a entrelaçar a minha mão e a seguir o nosso caminho.
- A Halle entende!
- Tenho muita pena da caniche realmente, há quanto tempo é que te atura?
- Desde 2010, há uns bons três anos.
- Não deve ser fácil.
- Fácil não deve ser o Marco aturar-te a ti!
- Atura há mais tempo que Halle te atura a ti e nunca se queixou! Há quatro anos.
- Tenho pena dele, aí sim tenho pena. – disse antes de nos rir-mos os dois.


- Thaís? – chamou do quarto.
- Espera mais cinco minutos. – pedi acabando de colocar o brinco direito.
- Cinco minutos de raparigas são o triplo dos cinco minutos, vocês fascinam-se com o espelho?
- Muito, nem tu imaginas o quanto. Nós, raparigas quando nos olhamos ao espelho vemos uma cara linda, já vocês, rapazes, poucos podem dizer o mesmo.
- Eu sou um dos poucos. – respondeu com aquele tom de voz superior.
- Sim verdade – disse saindo finalmente da casa de banho e encarando-o – és dos poucos que consegue ser egocêntrico, convencido, arrogante e orgulhoso ao mesmo tempo. – esperava uma reação dele, não esperava a melhor já eu o tinha insultado mas uma reação qualquer que não aparecia com o passar do tempo. Olhava-me com um olhar estranho e que me estava a assustar – o quê? – perguntei tentando com que ele saísse daquele mundo dele – Mario? – chamei tentando obter uma resposta – lá se foi a minha companhia para o jantar.
- Tha…
- ís! – completei – não me deixes o nome a meio, Tha chamam-me as meninas!
- Estás…linda. – disse agarrando-me na mão e puxando-a para cima. Acabei por dar uma volta sobre o seu olhar atento.
- Obrigada, tu também não estás nada mal.


Senti aquelas mãos dele, tão minhas conhecidas, na minha cintura e aos poucos foi aproximando-se de mim colando o seu corpo ao meu. Com a sua mão afastou-me uma pequena mexa de cabelo e aproximou a sua boca do meu ouvido.
- Podemos começar 2014 da melhor forma. – sussurrou.
Sentia cada respiração sua na minha pele. Levou as mãos às minhas nádegas deixando-as lá.
- Não aqui. - disse-lhe calmamente agarrando a sua mão.
Percorremos o caminho até ao quarto em passo acelerado. Durante o mesmo consegui retirar os meus sapatos que já me começavam a incomodar no fim de tudo.
A primeira coisa que fez quando abriu a porta do quarto foi beijar-me com um desejo brutal, tomou os meus lábios como seus sem pedir de permissão. Quando parou por um instante afastei-me dele e fui até à casa de banho retirar os brincos que trazia, não tardou muito até ter o Mario junto a mim a percorrer todo o meu pescoço com beijos.
- Mario - implorei - deixa-me tirar os brincos!
- Podem incomodar? – perguntou continuando com a sua boca a passear por todo o meu pescoço.
- Se não me deixares retirá-los vão incomodar de certeza.
Não disse mais nada e apenas me deixou retirar os brincos e o fio que eu tinha.
- Já está? – perguntou do quarto.
- Sou toda tua. – declarei ao entrar no quarto.
- Começamos por onde? – disse com aquele tom de voz provocador.
- Por…- aos poucos aproximei-me dele e levei as minhas mãos à camisa que trazia – está calor aqui. – atirei desapertando o primeiro botão.
Enquanto desapertava um a um cada botão da sua camisa o Mario desceu demoradamente o fecho do meu vestido quando acabei de desapertar cada botão e a sua camisa desaparecer do seu corpo, também o meu vestido caiu no chão.
- Sinceramente eu não sei como te resisti por tanto tempo – atirei antes de o beijar.
- O que interessa é que não é preciso me resistires…nunca mais. – disse.
Colou os nossos corpos já com pouca roupa. Os seus dedos percorreram as minhas costas com delicadeza, admirava-me como o fazia tão delicado, parecia que pensava antes de agir para fazer tudo com o máximo de carinho. A partir desse momento apenas trocamos sorrisos, suspiros e muitos beijos. Cada toque do Mario era uma sensação nova para mim, nunca antes me tinha sentido tão desejada e tão atraída por alguém. O facto de estarmos a fazer uma coisa que de todo não era correta mas que era tão desejada por ambos era uma sensação sobrenatural, pela primeira vez o «saltar a cerca» estava a dar-me um gozo enorme.
Em poucos segundos a única roupa que nos restava no corpo desapareceu ficando espalhada por o chão do quarto. As suas mãos percorriam todo o meu corpo como se o conhecessem desde sempre. Vergonha ou medo era algo que não existia, tudo se resumia a um desejo brutal que foi incapaz de ser incapaz de ser controlada por muito tempo.
A entrega um ao outro foi total, surreal e extremamente diferente do que alguma vez tinha sentido. Percebi no inicio que o Mario não fazia por mais uma noite, percebi que ele se dedicou em cada toque e cada caricia. Uma noite? Tenho a certeza que não vai ser relembrada como uma noite mas sim a noite.
As nossas energias foram todas concentradas naquele momento, todos os nossos pensamentos estavam ali.
No fim aquela sensação de felicidade invadiu-me, sentia-me completa e estranhamente…amada. As nossas respirações estavam totalmente descontroladas e quando caímos na cama um ao lado do outro a pequena gargalhada foi geral, mordi ligeiramente o lábio inferior e olhei-o estava com um sorriso tão parvo na cara. Virou-se para mim e ficou a olhar-me durante algum tempo.
- Arrependes-te? – perguntou-me.
- Eu só me arrependo do que não faço. – respondi-lhe sincera.
- É por isso que gosto tanto de ti. – atirou olhando-me com uma intensidade brutal chegou o seu rosto perto de mim e mordeu-me a bochecha.
- Mario! – queixei-me.
- Desculpa, deixas-me fora de mim…completamente fora de mim!
- Ainda bem que não estamos juntos.
- Porquê?
- Andavas fora de ti todos os dias.
- Era um sonho.
- Os teus sonhos costumam-se realizar?
- De vez em quando.
- Pode ser que sim pode ser que não.
Deslizou a sua mão sobre a minha entrelaçando-as.
- Estás feliz?
- Estou feliz. – assegurei-lhe.
- Sabes que podes estar sempre, certo?
- Sim Mario, eu sei que tu me podes fazer feliz.
- Não posso Thaís eu vou.
- Vai haver um nós? – perguntei sem saber bem o que perguntava, arrependendo-me segundos depois.
- Gostavas que houvesse? – perguntou.
- Não sei.
- Então vamos apenas…viver o momento.
- Sim, viver o momento. – repeti.
- Sem pensar num futuro – disse beijando o meu ombro descoberto.
- Sim. – acabei por dizer dando uma volta na cama e ficando com a cabeça no seu peito.


- Thaís? – chamou com aquela voz doce acariciando-me o cabelo – vamos tomar o pequeno-almoço?
Abri os olhos  e olhei para o lado ali estava ele deitado em cima dos lençóis meio vestido e sexy.
- Mario cala-te! – ordenei sem paciência para grandes conversas.
- Uma pessoa está aqui a ser querida contigo e é assim que tu me tratas.
- Desculpa mas eu estou enjoada e comida não é o ideal agora.
- Ah! – exclamou saindo de junto de mim e pondo-se em frente à cama.
- Ah o quê? – perguntei levantando a cabeça para poder mira-lo.
- Fizemos um bebé!
Peguei na almofada que estava junto a mim e atirei-lhe à cara, este rapaz de vez em quando não diz coisa certo.
- Mas que bebé? Tu tens lá potencial para isso?
- Para isso é para muito mais.
- Oh sim! – atirei gozando com ele.
Chegou perto de mim e deitou-se em cima de mim com todo o cuidado começou depois por fazer-me cócegas e dar umas mordidelas no meu pescoço.
- Mario! – queixei-me.
As cocegas pararam e o que se seguiu foram os beijos, beijos calmos e mãos a passear pelas minhas costas. Ouvimos um toque de um telemóvel e percebi de imediato que era o do Mario.
- Telemóvel, telemóvel! – disse entre beijos tentando com que ele saísse de cima de mim e fosse atender o mesmo.
- Raio do telemóvel interrompe sempre qualquer coisa!
Gargalhei com o que acabava de dizer, lá saiu de cima de mim e foi direto ao telemóvel

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Olá :)
Bem, desculpem a demora mas o tempo não tem sido muito.
Espero que gostem e deixem as vossas opiniões.
Beijinho,
Mahina 


domingo, 9 de março de 2014

12º Capitulo - «Queremos não queremos, discutimos, beijamo-nos, somos nós…»

- Que tal eu e tu no Dubai?
- Não. – respondi abrindo a porta de casa.
- Não? Porque não Thaís?
Acabei por entrar em casa e atirar a mala para o sofá fui até ao meu quarto e atirei o telemóvel para cima da cama já em alta voz.
- Porque…deixa-me pensar – abri o armário procurando por algo para vestir – porque não!
- Tha… -implorou.
- Mario tu tens namorada, tem todo o sentido que vás com…ela!
- Não faz quando não quero ir com ela.
- Mas eu não vou contigo.
- És teimosa!
- Tu é que és – olhei para dois vestidos que estavam à minha frente – Mario ajuda-me, o preto assim com aquele decote atrás ou o azul-escuro com aqueles brilhantes em cima?
- O preto, tenho boas recordações com esse vestido.
Com boas recordações referia-se ao dia em que nos conhecemos era aquele vestido que eu levava naquela noite de Novembro. A noite em que o conheci, a noite que talvez gostava que nunca tivesses existido.
- Obrigada.
- Agora vens comigo passar a passagem de ano no Dubai.
- Não!
- Sim!
- Não! – respondi segura.
- É a tua ultima resposta?
- Não sei! – respondi no mesmo tom.
Ouvi a gargalhada do Mario do outro lado.
- Tu queres ir eu sei.
- Mas não é o correto.
- Se nós desde o inicio tivéssemos ido pelo que é correto eu agora não estava a falar contigo e muito menos estava a convidar-te para isto.
- Aí está uma prova que devíamos ter ido pelo que está correto.
- Não! –disse ele.
- Sim!
- Eu sabia que ias aceitar ir comigo.
- Mario!
- Tu disseste sim, por isso Dubai nos espera.
- Olha eu tenho que me vestir que estou atrasada. Falamos sobre isto depois.
- Depois é quando?
- Hoje à tarde talvez.
- Aqui?
- Não, não vou passar mais vergonhas à frente da tua mãe.
- Tha, tu não passaste vergonhas.
- Passei sim. Sabes bem que quando ela entrou no teu quarto nós estávamos os dois a dormir.
- E qual é o mal?
- Imagina que eras pai e entravas no quarto do teu filho e ele estava com uma rapariga.
- Se ele tivesse os meus 21 anos eu não me importava.
- Sim, dizes isso agora. Depois quero ver isso. Tenho de desligar que eu tenho que me vestir.
- Depois passas por cá ou não?
- Passo. Mandas-me mensagem?
- Mando. Bom almoço.
- Beijinho.
Desliguei a chamada e acabei de me preparar para o almoço em casa dos pais da Halle.
Pensei duas vezes antes de pegar novamente no carro do Mario mas acabei por leva-lo assim de casa da Halle ia logo ter com ele.

Acabei por tirar uma foto já no carro dele.

Já atrasada para almoço de Natal
- Porque é que o carro do Mario está lá fora? – perguntou-me a Halle quando fui ter com ela à sala.
- Porque ele veio comigo só que eu escondi-o no teu quarto para os meus pais não verem.
- Tu…estás a brincar não é?
- Eu não brinco.
- Passaste a noite com ele, só pode. Esse teu humor diz tudo.
- Passei mas nada aconteceu, exageramos ontem não é verdade? Então e a tua noite?
- A minha…noite.- o seu tom de voz estava estranho.
- Está tudo bem?
- Sim.
- Sim? Passou-se alguma coisa?
- Não meu amor, nada se passou. Adoro-te sim?
- Eu também te adoro muito. Estás estranha Halle.
- Nada que não passe com almoço da Elmara. – disse-me a sorrir.
- Fizeram-me um convite hoje de manhã.
- Foi?
- Dubai , passagem de ano, Mario Götze.
- Ui, aceitaste?
- Ainda não.
- E vais aceitar?
- Não sei.
- É uma boa oportunidade para vocês se conhecerem.
- Eu conheço-o Halle.
- É uma oportunidade de estarem sozinhos e passarem bons momentos.
- É…bons momentos.
- Não queres?
- Ele tem namorada, percebes?
- Amigos não passam férias juntos?
- Amigos não fazem o que nós andamos a fazer. Amigos não passam noites juntos, amigos não se beijam, amigos não têm as conversas que temos, amigos…é o que nós não somos.
- Ninguém disse que vocês não podiam ser mais que isso.
- Ninguém disse que podíamos.
- Essa cabeça anda uma confusão – disse depositando-me um beijo na testa.- Deixa-te levar apenas.
Deixar-me levar, além de perigoso pode ser a melhor coisa do mundo. O meu telemóvel tocou com som de mensagem e abri-a.

Ás 3.30 está bom para ti?
Espero-te, tem cuidado com o meu bebé.
Beijinho.

- É ele? – perguntou-me.
- Ás três e trinta dou-lhe resposta.
- Pensa bem.
- Vou pensar no melhor para mim.


***

- Odeio fazer malas – disse já farta de escolher roupa para as minhas miniférias.
- Sinceramente nem sei porque precisas disso tudo, tenho a certeza que roupa é o que vocês menos vão usar ou precisar. – atirou a Halle.
- Halle!
- Até parece que estou a dizer alguma mentira. É que eu nem sei…olha – começou a rir-se enquanto falava.
- Não sabes o quê?
- Como é que vocês, vocês que são…vocês ainda não, dizendo de uma maneira bonita, praticaram o amor.
- Se calhar porque é esse o problema.
- Qual?
- O amor.
- O quê? – disse sentando-se na cama junto a mim.
- Se nós nos envolvermos…
- Não! - disse interrompendo-me – diz antes quando vocês se envolverem.
- Tu andas com umas piadas. – encostei a palma da minha mão à testa dela – febre Marco?
- Que piada.
- Desculpa lá mas tem se estivesse aqui o Mario ele ia rir-se.
- Continuando a nossa conversa sobre ele.
- Pronto vamos continuar. O problema é que se quando nos envolvermos a coisa ficar séria.
- Ficar séria em que sentido?
- No sentido de…ele mexe comigo.
- Já tinha reparado.
- Ando farta disto. Prometi uma coisa a mim mesma.
- O quê?
- Que vou aproveitar bem o tempo lá e esquecer todos os problemas que andam na minha cabeça.
- Ligas-me?
- Não, ligas-me tu. – disse-lhe a rir.
- Vou ter saudades tuas, sabes?
- São só cinco dias. Dia 3 já cá estou à noite. Aqui ou em Munique.
- Agrada-me mais em Munique.
- Não te ponhas com ideias mas é!
- O que é que a tua mãe disse sobre esta viajem maravilhosa?
- Disse: Oh vais com o Mario que bom!
A Halle começou a rir-se muito enquanto eu continuava a fazer a mala.
- E tu?
- Perguntei-lhe porque é que ela não me proibia de ir.
- E ela?
- Disse: Thaís, filha tens 21 anos, tens idade para tomar as tuas decisões e liberdade de escolher.
- Isto tem piada.
- Uma piada louca.
- Vais amanhã?
- Sim.
- Escala?
- Nop, é voo direto de Munique. Ainda tenho que ir hoje à noite para Munique para amanhã ir para o Dubai.
- Uh que cansativo nem vais estar com o teu Mario nem nada.
- Oh! Da mãe dele se faz favor.
- Não digo mais nada.
- Acho que me estou a meter por um caminho bem perigoso.
- Vai correr tudo bem – assegurou-me.

***

Acordei com uma dor enorme no pescoço, levantei cuidadosamente o meu pescoço do ombro do Mario e olhei para ele. Sorriu-me serenamente e eu tentei retribuir-lhe o sorriso.
- Estás bem? – perguntou-me.
- Estou, apenas com uma dor no pescoço de ter adormecido assim.
- Ainda estás com cara de sono.
- Não tenho descansado nada.
- Estes dias vais descansar.
Sorri-lhe e olhei novamente para ele. Estava com um ar sereno diferente do normal. Peguei no meu telemóvel e vi as horas, pelas minhas contas faltava cerca de meia hora para chegarmos ao destino.
- Mario quando chegarmos que horas vão ser lá?
- Por volta das onze da noite acho eu.
Olhei novamente para o telemóvel e depois para ele, havia qualquer coisa de diferente nele eu notava, apesar de não saber bem o quê havia algo de diferente.
- Tha porque é que ainda não paraste de olhar para mim.
- Estás diferente hoje.- disse virando-me totalmente para ele ficando cara a cara com o Mario.
- Estou? – disse com o sorriso capaz de iluminar qualquer dia cinzento.
- Estás, olha bem para esse sorriso!
- É no que dá estar contigo.
- Sabes qual é a minha vontade agora?
- Qual?
- Beijar-te.
Sorriu novamente e levou a sua mão ao meu pescoço chegando-se perto de mim, uniu os nossos lábios com uma calma imensa. Pela primeira vez senti uma necessidade de ter os seus lábios colados aos meus e pela primeira vez também senti uma dedicação da parte do Mario naquele beijo, senti um carinho especial da sua parte. Foi talvez o primeiro beijo com sentimentos tão fortes. Quando separou os nossos lábios e olhou para mim sorrindo mais uma vez.
- Pronta para sol, mar, praia e muita loucura?
- Sim. Já estou a precisar de bronzear. Com o Inverno diz-se adeus ao bronze.
- Vais ser só minha durante uns bons dias.
- Eu só tua? A ideia agrada-me. – disse sorrindo-lhe.
Voltou a unir os nossos lábios e mais uma vez o beijo foi calmo a sensação ótima.
  
A chegada foi calma. Acabámos por nos dirigirmos ao hotel e tomarmos cada um o nosso banho e ir para cama. A viagem tinha sido cansativa e o sono apoderou-se pelo menos de mim rapidamente. Adormeci com as caricias do Mario no meu cabelo.

- Mario já te divertiste o suficiente? – perguntei-lhe olhando para as minhas pernas cheias de pedras.
- Não, deixa-me acabar.
- Criancinha! – atirei.
- Eu agora até te fazia uma coisa mas não quero estragar a minha obra de arte.
Continuou a encher a minha perna de pequenas pedras. Enquanto eu olhava em volta reparei no quanto calmo estava a praia. Pouca gente se via por ali, o silêncio era enorme mas bom. Ouvi o telemóvel do Mario a tocar, tirou-o de cima da toalha, olhou-o e deu-mo para a mão.
- Atende.
- Atendo? – perguntei confusa. Olhei para o visor e atendi com a maior calma do mundo. – Boa tarde.
- Boa tarde minha futura cunhada. – atirou o Fabian.
- Oh, respeito se faz favor.
- Agora és secretária do meu irmão?
- É, agora sou.
- Qual é a tua primeira medida como secretária dele?
- Mandá-lo de volta para o Dortmund, que achas? – perguntei na brincadeira. O Mario sorriu percebendo a conversa.
- Acho muito bem, assim está perto de ti.
- Bem, diz lá o que tu queres.
- Quando é que vêm?
- Dia três? – perguntei virando-me para o Mario. Abanou a cabeça dizendo que sim. – É, dia três estamos aí.
- Comportem-se não se entusiasmem demasiado.
- Não tens nada a ver com a nossa vida íntima! – atirei.
- Vocês têm vida íntima?
- Temos sim senhora. O teu irmão manda-te beijinhos. – disse mentindo.
- Porque é que isso cheira-me a mentira?
- Porque é! Os beijos dele são só para Thaís.
- Vocês andam a sair fora da casca, andam.
- Nós? Não, não.
- Tenho de ir, beijinhos e portem-se bem.
- Portamos sim, beijinho.
Acabei por desligar a chamada e olhar para o Mario que acabava de por a última pedra que cabia na minha perna.
- Acabei. – disse-me.

Peguei no meu telemóvel e tirei foto.

Alguns chamam-lhe ''obra de arte'', eu prefiro chamar-lhe brincadeira de criança.
- És tão má para mim.
- Não sou nada.
Levantou-se e deu-me a mão para também eu me levantar. Agarrei também a sua mão e levantei-me sem a largar.
- Lá se foi a tua obra de arte.
- Tenho tempo para fazer mais deixa lá.
De mão unida com a dele percorremos o pouco caminho até à água entre brincadeiras e alguns beijos trocados.

Quando o pôr-do-sol estava perto dirigimo-nos para o hotel que ficava perto de uma das praias. Já perto do hotel o Mario foi abordado por uma fã.
- Só lhe faltava dares-lhe o teu número, não?
- Até ciúmes dela tiveste? – perguntou espantado.
- Não são ciúmes, qualquer pessoa que passasse ali notava a…como é que eu vou dizer isto? Para a próxima não dês tanto nas vistas e olha menos para o decote da rapariga.
- Ei, oh Thaís eu nem olhei para nada disso. – disse abrindo a porta do quarto.
- Que ideia! – atirei poisando a minha mala em cima de uma cadeira e olhando para ele.
- Thaís… - disse chegando-se junto a mim – são fãs, pessoas que me admiram pelo meu trabalho e que nem me conhecem como tu conheces.
- Ainda bem que não te conhecem como eu conheço não é?
- Se me conhecessem como tu conheces apaixonavam-se.
Virei-lhe as costas indo até ao espelho da casa de banho. Soltei o meu cabelo que até ao momento estava preso. Olhei para o espelho e vi o reflexo do Mario que estava atrás de mim. Rodeou-me a cintura e depositou um pequeno beijo no meu pescoço.
- Estás chateada?
- Não. – respondi calmamente.
- Então?
- Tive um ataque de ciúmes daqueles mesmo estúpidos.
- Foi? – perguntou colocando a sua cabeça no meu ombro.
- Foi.
- E porquê?
- Porque de vez em quando tenho a ideia de que tu és só meu e o resto do mundo não interessa. – disse de cabeça baixa.
- Isso era o meu sonho.
- O quê? – perguntei-lhe virando-me para ele.
- Que eu fosse só teu e tu só minha. E sempre podíamos ser um do outro pelo menos por estes dias.
Sorri-lhe e ele retribuiu-me o sorriso.
- Somos uma confusão – disse num suspiro.
- Queremos não queremos, discutimos, beijamo-nos, somos nós…
- Somos nós.
- Está aqui calor não está?
- Eu agora até te dava o calor mas é melhor não.
-Eu ainda gostava de ver isso.
- Verás, verás. – disse-lhe a rir.
O resto do tempo até ao jantar foi passado na brincadeira no quarto.
Quando chegou a hora de jantar jantámos e no fim fomos passear. Passeamos durante algum tempo pelas praias. Hoje era a nossa última noite de 2013 já que amanhã é o ultimo dia do ano.
Conversámos até tarde onde o tema da conversa era quase sempre o mesmo: a nossa família. Falei-lhe mais um pouco sobre os meus pais e toda a minha família e o Mario fez o mesmo.
Mantínhamo-nos na cama a conversar, a diferença horária era de três horas e habituarmo-nos a isso era complicado.
- Não é assim! – disse o Mario tirando-me o telemóvel das mãos.
- Então como é, diga lá menino Mario.
- Assim! – disse completando-me mais um nível de flow.- a Halle está a ligar-te.- disse dando-me novamente o telemóvel para as mãos.
- Olha sabes que horas são? – disse atendendo o telemóvel.
- Ai não, desculpa. Estavas a dormir? – perguntou preocupada.
- Claro que não.
- Estupida! – atirou.
- Que se passa para me ligares às três da madrugada? Estás grávida?
- Não!
- Foste para a cama com o Marco? – perguntei ouvindo a gargalhado do Mario a seguir.
- Não!
- Tens a certeza? – perguntei novamente.
- Tenho sua parva.
- Pronto já não digo mais nada, está tudo bem?
- Isso era o que eu queria saber.
- Está tudo bem está, pelo menos ainda não nos matámos.
- O Mario está vivo?
- Não, matei-o e atirei-o ao mar.
- É o que dá dormires com ele, volto a repetir, ficas cá com um humor.
- Aí está tudo bem?
- Está. Bem eu também me vou deitar e durmam bem.
- Sim, também gosto muito de ti.
- Eu também. Beijinhos.
- Beijos.
- És doida não és? – perguntou-me o Mario a seguir a eu desligar a chamada.
- Sou assim. Aposto como eles vão passar a passagem de ano juntos mas não vão admitir.
- Aí também eu concordo.
Continuamos a conversar mas por pouco tempo, acabámos por adormecer mais uma vez nos braços um do outro.

Senti aquelas mãos frias a passar nas minhas costas, aqueles lábios a percorrer o meu pescoço e arrepiei com tudo aquilo. Não me mexi, estava com sono, parecia que tinha acabado de adormecer estava mesmo cheia de sono.
De repente deixei de sentir a presença do Mario naquela cama, não o sentir junto a mim incomodava-me de certo modo. Abri os olhos e olhei para fora dos lençóis queria ver se o via e encontrei-o. Estava em pé, de costas para a cama. Aquele corpo cada vez mexe mais comigo. Virou-se de frente para mim.
- E não nos vamos levantar?
- Mario! Que horas são?
- São precisamente onze e trinta.
- Oito e trinta na Alemanha! Vá Mario anda cá.
- Para quê?
- Anda cá. – ordenei-lhe.
Chegou perto de mim, afastei os lençóis que me cobriam o corpo.
- Deita-te ao pé de mim.
- Para quê?
- Dormir se calhar.
Sem barafustar mais deitou-se junto a mim. Cobriu-nos novamente e colou o seu corpo ao meu.
- Viste? Já estavas a ficar frio.
- És muito doida tu.
- Agora até te respondia com aquele por ti mas estou cheia de sono.
- Eu sei que és doida por mim.
- Convencido – disse antes de encostar a minha cabeça ao seu peito e receber um beijo dele na minha testa.


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Olá :)
Mais um capitulo, espero as vossas opiniões.
Beijinhos, 
Mahina