sábado, 22 de fevereiro de 2014

10º Capitulo - «Adoro quando finges que eu não tenho importância nenhuma na tua vida.»

Olhei mais uma vez para o telemóvel e saí de casa do Marco. Sentei-me num pequeno muro e atendi a chamada.
- Olá. – disse tentando transparecer uma voz animada.
- Olá Thaís. – disse com aquela voz que tanto adoro.
- Como estás? – perguntei-lhe.
- Bem e tu?
- Também.
- Disseste para eu te ligar, foi o que fiz – disse-me.
- És tão querido. Quando é que te vejo?
- Hoje é melhor não, de certeza que estás bem acompanhada. – aquelas palavras pronunciadas por ele deixaram-me um pouco surpreendida. – Amanha?
- Sim, por mim amanho está perfeito.
- Sítio do costume?
- Sim, sítio do costume.
- Beijinho.
- Beijinho. – disse antes de desligar o telemóvel e voltar para dentro.
Percorri o mesmo caminho e entrei novamente na sala.
Sentei-me no mesmo sítio e peguei novamente na revista. O Mario olhava para mim de forma estranha enquanto a Halle e o Marco mantinham uma conversa a dois.
- O quê? – perguntei poisando a revista ao meu lado e olhando para ele.
- Nada – respondeu.
- Nada? Estás com uma cara.
- Não te vais embora?
- Eu? Embora? Porque me haveria de ir embora?
- Sei lá podias ir!
- Nós é que já podíamos ir embora isto está a ficar romântico.
- O quê? – perguntou a Halle.
- Nada caniche. Nós vamos embora.
- Vão? – perguntou o Marco surpreendido.
- Claro que vamos! O meu domingo ideal não é assistir a…a, como é que havemos de chamar a isto Thaís? – perguntou o Mario.
- Conversas românticas dos nossos melhores amigos. – disse a rir.
- Claro vocês são aquele tipo de pessoas que preferem passar um domingo na cama.
- Nada mal pensado! – comentei.
- Vamos? – perguntou o Mario levantando-se e estendendo-me a mão.
- Sim. – agarrei a mão dele e começamos a caminhar.
- Adeus meninos, portem-se bem – disse já perto da porta.
- Porque é que vocês vão de mãos dadas? – perguntou a Halle.
- Não tens nada a ver com isso. – atirou o Mario.
Acabamos todos por gargalhar e eu e o Mario saímos de casa do Marco.


- Olá Thaís – cumprimentou-me Astrid quando entrámos em casa do Mario.
- Olá – disse retribuindo-lhe o sorriso.
- Mãe, nós vamos para o quarto.
Vamos? Perguntei a mim própria. Talvez fossemos mesmo, agarrou novamente a minha mão e levou-me com ele até ao seu quarto, quarto esse que já não me era estranho.
- Deixa que te diga que a tua cama em Munique é mais confortável.
- É maior, dá para dar mais voltinhas.
Ele deitou-se na cama e eu sentei-me cruzando as pernas. Atirou-me uma revista para a mão aberta numa entrevista dele.
- Para que é que eu vou ler isto? – perguntei-lhe.
- Interessa-te!
- Não, interessa não.
- Interessa sim, lê!
Percorri a entrevista com os olhos só para ver o que ia para ali. Reparei na data de nascimento.
- Nasceste no dia 3 de Junho? – perguntei surpreendida.
- Sim, porquê?
- Eu nasci no dia 4 de Junho.
- Uh, temos que fazer festa….a dois.
- Não te ponhas com ideias!
- Sabes? O Fabian também faz dia 3 de Junho.
- Jura que os teus pais conseguiram fazer isso.
- Conseguiram. – disse a sorrir.
- Também quero! – disse a rir.
- Nós fazemos isso um dia destes.
Dei-lhe uma chapada no braço.
- Não se consegue ter uma conversa contigo, inseres sempre um, nós onde não existe.
- Existe pois.- disse levantando-se e ficando ao meu nível.
Senti-o a aproximar-se cada vez mais e os seus lábios a chocarem com os meus num beijo calmo. Senti a porta do quarto a abrir-se e afastei-me rapidamente do Mario.
- Desculpem, não sabia que vocês estavam aqui, assim. – disse o Felix.
- Não te preocupes Felix, estávamos só a conversar- disse já que o Mario deitou-se na cama sem nada dizer. Estava amuado e eu percebia-o.
- Tens aí o PES? – perguntou o Felix.
- Aí na mesa-de-cabeceira – respondeu o Mario.
Andei um pouco para o lado e peguei no jogo, dando ao Felix.
- Obrigada Thaís. – disse-me.
- De nada.
O Felix acabou por sair do quarto e eu deitei-me sobre o Mario ficando muito próxima dele mais uma vez.
- É melhor fechar a porta à chave! – disse-me.
- Não vamos fazer nada que seja impróprio de ser visto.
Vi aquele olhar dele e aquele sorriso que não engana ninguém formar-se na sua cara.
- Sim, eu sei que por tua vontade fazíamos.
- Viste como tu sabes. – disse agarrando-me e dando uma volta na cama que levou com que eu ficasse por baixo dele.
- Diz-me uma coisa.- disse-lhe.
- Diz lá.
- O que é aquilo? – disse apontando para um diploma que estava emoldurado.
- Qualquer coisa da escola.
- Mas tu andas-te na escola?
- Tu muito gozas comigo! Essa já não é nova, já me perguntas-te isso ou já te esqueces-te? – disse mordendo-me o lábio.
- Ai, parvo! – queixei-me – não, não me esqueço.
- Ficas-te com ciúmes delas, não?
- Não! Quem é que tem ciúmes daquelas miúdas que só vêm Götze à frente?
- Tu!
- Oh, cala-te – disse juntando os nossos lábios.
Eu ciúmes das miúdas que me gritaram aos ouvidos: GÖTZE és mesmo tu!, naquela tarde de domingo.

- Isto de andar na rua contigo não é perigoso?
- Não te preocupes.
Íamos caminhando em direção ao supermercado mais próximo quando vi duas raparigas que se aproximavam.
- Mario?
- O quê?
- Tenho medo delas!
Ele olhou para onde eu olhava e começou a rir-se.
- Elas não mordem de certeza.
Nos minutos que se seguiram ouvi gritos de: Ai , é ele , é mesmo o Götze, ai és tão lindo ao vivo.
- Quem é ela? – perguntou uma olhando para mim de lado.
- Olha grande lata! – atirei.
- Thaís tem calma. É minha amiga. – respondeu-lhes o Mario com todo o carinho ( que agora não era necessário).
A minha vontade de lhes dizer que era mais que amiga era muita mas não o ia fazer, além de tudo ele tem namorada e não ia correr bem.
- Vais dar-nos autógrafos?
- Mas tu sabes escrever? – perguntei-lhe chegando-me bem perto dele.- tu por a caso andas-te na escola?
- És tão parva. – disse-me.
Ele lá deu o suposto autografo ás raparigas que acabaram por descolar de vez.

- Admite lá que ficaste com ciúmes. – disse mais uma vez.
- Não, não fiquei.
- Ficaste sim!
- Tu é que ficaste com ciúmes do Moritz!
- E fiquei e fico e vou ficar porque vais ficar cá com ele!
- Ainda admites – disse surpreendida.
- E admito.
- Sabes que teres ciúmes do Moritz é estupido não sabes?
- É?
- Claro que é. Primeiro de tudo eu e o Moritz somos amigos e segundo tu não tens nada a ver com a minha vida, nós não somos namorados e mesmo se fossemos nunca te admitia que ficasses com ciúmes de um amigo meu.
- Puseste a hipótese de sermos namorados. – disse com o sorriso na cara.
- Mario!
- Parei na parte em que disseste: e mesmo que fossemos.
- Tu não és normal.
- Pessoas normais não se apaixonam?
- Estás a delirar. – disse colocando a minha mão na sua testa.
- Estás a tornar-te tão importante. – disse olhando-me nos olhos.
- Mario!
- Mario nada!
- Eh pá Dortmund faz-te mal!
- Tenho voo esta noite não me apetece nada ir embora.
- Em Munique é que estás bem!
- Quando é que vens ter comigo a Munique?
- Nunca.
- Oh Thaís!
- Munique é feio, Dortmund é lindo.
- Só no Natal é que venho cá.
- E o que é que eu tenho a ver com isso?
- Adoro quando finges que eu não tenho importância nenhuma na tua vida.
- E não tens.
- Diz que sim que eu acredito. – disse juntando novamente os nossos lábios.
Ouvi alguém a bater á porta. Tente sair debaixo do Mario mas ele não me deixou
- Entra.- disse o Mario.
- A Thaís janta –fez uma pausa porque deve ter visto as nossas figuras bem pior que as de há pouco. – cá? – finalizou o Felix.
- Não, obrigada – respondi.
- Sim, janta. – disse o Mario.
- Não posso a sério, tenho aulas amanhã e ainda tenho que ir a casa.
- Então? – inquiriu o Felix.
- Não mas obrigada – disse-lhe.
O Felix acabou por sair do quarto.
- Traumatizas-te o teu irmão!
- Oh, traumatizei o quê!
- Levas-me a casa?
- Levo. – respondeu saindo de cima de mim e roubando-me mais um beijo.


- Já te podes ir embora. – assegurei-lhe quando entrámos em casa da Halle.
- A Halle está cá?
- No.
- Então – disse assentando as suas mãos na minha cintura – podíamos…
- Não podíamos nada menino Mario – disse largando-me dele – não tinhas voo?
- Ter até tenho – olhou para o relógio que tinha no pulso – mas ainda falta um bocado e sempre podíamos…
- No, vai-te embora! – disse empurrando-o até à porta.
- Porque é que me estás sempre a dar para trás?
- Um dia vais agradecer-me de te ter dado para trás.
- Vou? – perguntou confuso.
- Sim, vais. Agora vai-te embora.
- Oh Thaís.
- O quê?
- Anda lá.
- Não vou para lado nenhum, estou cansada e quero dormir.
- Vou ter saudades tuas.
- Não vais nada, basta só veres um rabo de saia ali fora que esqueces-te logo que eu existo.
- Que mentira- disse fazendo-se de ofendido.
- Adeus! – disse tentado fechar a porta com ele já do lado de fora.
- Nem um beijo?
- Os amigos não se beijam!
- Mas nós somos mais que amigos.
- Não, vai lá beijar a tua namorada!
- Estás com ciúmes.
- Adeus! – disse mais uma vez tentando fechar-lhe a porta coisa que não conseguia porque a força que ele tinha era superior à minha.
- Que ciumenta!
- Queres beijo ou não? Se queres é agora ou vais-te embora sem beijo!
- Ui que ela está irritada –disse chegando-se junto a mim e abrindo a porta por completo.
Juntou o seu corpo ao meu e mais uma vez fez chocar os nossos lábios num beijo calmo e já bem conhecido por nós.
Afastou-se de mim e dirigiu-se à porta e eu fiz o mesmo.
- Gosto muito de ti. – disse-me já do lado de fora da casa.
- Adeus.
- Bruta! – disse descaindo o seu corpo sobre o meu e dando-me mais um beijo.
- Eu disse um!
- Hum hum – chegou-se novamente junto a mim e beijou-me.
- Vai-te embora daqui!
- Até um dia.
- E que esse dia nunca chegue.
- Estás mesmo parva hoje. É por eu me ir embora não é?- não lhe respondi e apenas olhei para ele- Venho cá passar o Natal.
- Fixe.
- Também gosto muito de ti. – disse antes de se afastar.
Eu também, pensei.



Fim de aulas o que significa Natal a chegar, prendas e muito espirito natalício.
Saí da minha ultima aula do ano em direção ao café perto da universidade, tinha combinado com o Moritz e quando cheguei lá estava ele à minha espera.
- Que cara é essa? – perguntou-me quando me sentei junto dele.
- Cara de quem ainda tem trabalhos para entregar.
- Ui, só isso?
- Só. – disse-lhe sorrindo.
- Tenho uma coisa para te contar.
- Diz lá.
- Talvez vá para o Stuttgart…
- Emprestado?
- Sim.
- Mas isso é bom?
- É…
- Então temos que ficar felizes não é?
- Penso que sim…
- Pensas?
- Thaís, nós estávamos a construir uma amizade.
- E vamos continuar a construir.
- Não é a mesma coisa Thaís mas por um lado é bom afastar-me de ti.
- É? – perguntei confusa com toda aquela conversa.
- É – disse de cabeça baixa – Thaís…
Tive a ligeira impressão que da boca do Moritz ia sair conversa séria, palavras duras e que talvez magoar era o que me iriam fazer.
- Diz – sussurrei.
- Tu és uma miúda especial e quando te conheci percebi isso. Temos estado muito juntos desde que o Marco nos apresentou e tenho conhecido a pessoa maravilhosa que tu és e eu…- fez uma pausa e colocou a sua mão por cima da minha e continuou a falar – eu tenho vindo a apaixonar-me por ti mas cada vez me apercebo mais que o que sentes por mim é amizade, uma amizade bonita, e que esse teu coração só começa a acelerar quando ouve uma voz, recebe uma mensagem ou se fala num nome e essa pessoa por quem o teu coração bate tão rápido não sou eu e lamento todos os dias por não o ser. Tu sabes quem é e ele tem uma sorte que não imagina bem.
Fiquei sem palavras, apoiei a minha cabeça nas minhas mãos e desejei que tudo aquilo não passasse de um sonho, que a realidade fosse diferente que o Moritz só sentisse apenas amizade por mim e que tudo continuasse igual ao que era, que afinal não era bem o que eu imaginava.
Levantou-se da cadeira onde permanecia sentado até ao momento, chegou junto a mim e depositou um pequeno beijo na minha testa.
- Vemo-nos por aí Thaís. – começou a caminhar para fora dali.
Levantei-me e fui até ele agarrando-lhe no braço.
- Não te vás embora, por favor Moritz.
- Thaís…
- Sabes o quanto desejo todos os dias que tudo fosse diferente? Que nunca me tivesse apaixonado por ele...odeio sentir aquelas borboletas na barriga quando falo para ele, e eu que pensava que só acontecia aos adolescentes! Detesto quando ele me faz sentir bem, detesto porque ele tem namorada e ele nunca pôs a hipótese de acabar com ela porque talvez eu não seja tão importante.
Faço de tudo para o ter longe de mim mas ele consegue aproximar-se, consegue chegar ao meu coração da maneira mais absurda que possa existir. Magoa-me a cada dia que passa mas só ele tem a capacidade de curar cada ferida que faz em mim.
Já te disse o quanto desejava ser apaixonada por ti, és tão diferente de todos os outros. Eu não te quero perder Moritz, não quero que te afastes de mim. Não quero ficar sem ti – disse abraçando-o.
- Sabes que vai ser difícil? Estar contigo e ter que conter a enorme vontade que tenho de te beijar?
- Eu não te quero perder, não quero que te afastes de mim.
Continuei abraçada a ele, não o queria largar. Vejo o Moritz como o irmão que nunca tive um refúgio, um porto seguro, um confidente. Abri-me para ele naquele preciso momento sem pensar nas consequências, fi-lo porque confio nele de olhos fechados.
- Se não queres que me afaste de ti eu não o vou fazer – disse por fim. – a distância vai fazer-nos bem, ajudar a nossa amizade ainda melhor e ver-te só e unicamente como minha amiga, a minha irmã mais nova.
- Sabes que sou mais velha que tu seis meses não sabes?
- Sei princesa. – disse dando-me novamente um beijo na testa.



Peguei no telemóvel e iniciei chamada para o Mario.
- Marito! - disse quando percebi que ele atendeu.
- Marito? - fiquei estática com aquela voz, de todo não era a voz do Mario, era uma voz feminina - quem fala? - aquela pergunta fez-me estremecer e ter medo do que pudesse vir a seguir. 
Andei uns passos para trás e sentei-me na cama, sabia que este dia podia chegar mas não o esperava tão cedo.
- Mas quem fala? – voltei a ouvir aquela voz, desta vez mais forte…parecia chateada e irritada. Senti-me a desmoronar.

Tinha a respiração acelerada, levantei-me da cama e percorri o curto caminho até à cozinha, apoiei a minha mão na bancada e tirei um copo do armário enchendo-o com água.
Nunca pensei em ter estes sonhos muito menos com ela, a rapariga que desconheço totalmente. Apenas sei o seu nome e o básico mas mesmo assim tenho sonhos com ela, o que me deixa assustada e com medo que aquele sonho se possa tornar realidade.
Bebi a água e voltei para o quarto, deitei-me na cama e tentei acalmar-me, amanhã era quinta-feira e tinha as minhas princesas para estar.
Quando acordei de manhã acordei bem, afinal não tinha passado de um pesadelo, nada mais. Passei a manhã a ver televisão, almocei sozinha e passei mais algum tempo no sofá.
Entre televisão e conversa com a Halle (que veio ter comigo), a hora de ir ter com as meninas chegou e foi a Halle quem me levou.
A tarde foi passada entre muitas brincadeiras e pouca dança.
Desliguei a música e vi as meninas a deitarem-se todas no chão. Gargalhei um pouco com a reação delas.
- Finalmente Thaís! – comentou uma das meninas.
- Nós hoje nem dançamos quase nada! – disse-lhes.
- Cansei-me muito. – disse outra.
- Vocês já estão de férias e tudo. – comentei a rir.
- Tu também Thaís?
- Sim, eu também. Agora só nos vemos em Janeiro não é? Todas nós precisamos de férias.
As meninas despediram-se de mim, deram-me muitos beijinhos e disseram que gostavam de mim. Iam-se embora aos poucos. Ia ter saudades delas durante aquela semaninha.
Arrumei as minhas coisas e peguei no telemóvel, tinha que mandar uma mensagem à Halle para ela me vir buscar.
Senti alguém a tocar-me no ombro e olhei para trás.
- Mario? – disse espantada.
- Olá Thaís.
- Mas tu estás aqui? A fazer o quê?
Olhei para o seu lado e estava de mão dada com a Emma.
- Vim buscar a minha pequena, melhor dizendo as minhas duas pequenas. A Emma é minha prima.
Por esta é que eu não esperava de todo.

Entrei no carro do Mario algo que ele não fez, abriu a porta à Emma e colocou o cinto de segurança à menina. De seguida entrou no carro e sorriu para mim. Por momentos fiquei impressionada da atenção que dava à Emma, o carinho com que a tratava era algo bonito.
- Marito? - chamou a Emma, o que me levou a sorrir.
- Sim - respondeu-lhe numa voz doce.
- Tu e a Thaís namoram? 
Aquela pergunta teve de tudo menos de normal, foi uma pergunta inesperada tanto para mim como para o Mario, notei isso pela cara com que ficou. 
- Ela não sabe que tu namoras com a Ann? - perguntei baixinho com a intenção de só ele ouvir.
- Nop, nem vai saber! - respondeu-me no mesmo tom de voz - sim, nós namoramos - disse colocando a sua mão na minha perna.
- És doido. – sussurrei.
- Vamos às compras não é Marito? – perguntou novamente a Emma.
- Vamos, certo Thaís?
- Devemos ir. – respondi.
- Fim de tarde com as minhas duas princesas, que poderia ser melhor? – questionou o Mario.
Para mim…nada poderia ser melhor.

Parei na secção dos bebes e no lugar onde estavam uns sapatos mesmo pequeninos e fofos, acho que toda a gente se delicia com aquilo.
Tinha a Emma agarrada à minha mão e o Mario junto a mim com a mão à volta da minha cintura.
- Apaixonei-me – sussurrei mirando todas aquelas peças pequeninas.
- Thaís não estás grávida nem estamos a pensar ter filhos em breve por isso…
- Mario? O que estás aqui a fazer? – ouvi alguém chamar, aquela voz…tinha a certeza que já a tinha ouvido em algum lado.

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Olá :)
Deixo-vos aqui mais um capitulo que espero que gostem muito mesmo.
Ana Patrícia Moreira, este capitulo é especialmente dedicado a ti que fizeste anos ontem ( vem um bocadinho atrasado), que me apoias-te em tudo isto e me incentivas-te a publicar. PARABÉNS mais uma vez mas desta vez atrasados. 
Mais uma vez espero que gostem, tanto do capitulo como o rumo que a história está a levar.
Beijinhos, deixem as vossas opiniões :)
Mahina 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

9º Capitulo - « Tu magoas-me Mario.»

Apoiei as minhas mãos no ombro direito do Moritz, isto de ter saltos altos tem a sua vantagem, fiquei a olhá-lo durante um tempo.
- Os meus olhos dizem o quê?
- Dizem que estás com muito sono.
- Verdade. – mal o acabou de dizer bocejou o que nos levou a rir muito. – não vou ter a tua companhia, verdade?
- É, infelizmente deixa que te diga.
- É?
- Até é porque tu…
- Eu?
- Moritz…tu tratas-me tão bem, como uma autêntica princesa.
- Trato-te como mereces ser tratada, é o que tu és Thaís, uma princesa.
- És mesmo real?
- Sou Thaís.
- Oh – cheguei-me perto dele e abracei-o – posso apaixonar-me por ti?
Tinha a minha cabeça perto do seu pescoço e ouvi o seu pequeno riso.
- Podes – respondeu afastando-me um pouco e depositando um pequeno beijo na minha testa.
Continuei agarrada a ele, é tão bom.
- É melhor eu ir Thais.
Larguei-me dele e olhei para onde ele olhava, estava o Marco, a Halle e o Mario. O Mario…não estava lá com uma cara muito animada. Tive a ligeira impressão que o Moritz estava incomodado por causa do Mario. Será?
- Ligas-me amanhã? – perguntei.
- Sim, eu ligo-te amanhã.
- A sério?
- A sério. – levou uma das suas mãos á minha cintura, tudo com uma delicadeza tão grande. Depositou-me um beijo na face e sorriu para mim. – vejo-te amanhã.- disse por fim.
Não me deixou sequer retribuir o beijo, vi-o a afastar-se e as nossas mãos que até ali estavam juntas a separarem-se.
Virei-me para a direção da Halle e dos outros e fui ao encontro deles.
- Olá – saudei sem muito entusiasmo.
- Estás com uma cara…- disse a Halle.
- O Dortmund perdeu, quando o Dortmund perde fico assim. – respondi.
- Nós vamos embora, vocês ficam os dois, certo? – perguntou o Marco.
- Sim – respondeu o Mario.
O Marco e Halle despediram-se de nós para depois se irem embora.
- O que é que tu tens? – perguntou.
- Nada. – respondi.
- Estás toda mal disposta!
- Por a caso até estou bem animada.
- Ah! – olhei para ele, até tinha medo do que ia sair daquela boca – ele conseguiu e eu não? – agora é que eu não estava a perceber nada.
- O quê?
- O Moritz!
- O que é que tem o Moritz?
- Ele conseguiu?
- O quê?
- Ter a noite que eu não consegui.
- Eu não acredito – tentei controlar-me ao máximo – a sério que não acredito Mario! Juro-te que não! Tu neste momento metes-te nojo!
- Porquê?
- Porquê? Ainda perguntas porquê? É isso que queres de mim? Uma noite, é isso?
- Não Thaís, não foi isso que quis dizer…
- Então foi o quê? O que é que pensas que eu sou Mario? – respirei fundo para depois continuar - Quem? – perguntei numa voz calma- Diz-me quem é que pensas que sou?
- Thaís…
- Não sei se quero ouvir mais alguma coisa. Houve um dia em que tu me fizeste acreditar que tu não eras essa pessoa…a pessoa que me estás agora a mostrar que és. Eu acreditei em ti Mario, em tudo o que disseste sabes? Mas tu de repente falas como se o que quisesses de mim fosse só uma noite…
- Mas não é Thaís acredita.
- Não sei. O Moritz é tão boa pessoa e acredita que mais cedo tenho algo com ele do que contigo. Ele trata-me bem, ele respeita-me Mario.
- Eu também o sei fazer.
- Então faz! Mostra-me quem és, não te escondas por detrás deste Mario – disse embatendo com a minha mão no peito dele.- Tu magoas-me Mario.
- Desculpa – disse chegando-se perto de mim e segurando a minha cara entre as suas mãos – eu não queria, a sério que não. Desculpa.
- Esquece Mario, isto não dá! - sem pensar virei costas e tentei sair dali.
- Não Thaís – disse agarrando-me no braço – não me faças isto. Não me deixes aqui não queiras acabar assim.
- Isto tem que acabar, percebe isso.
- Anda – disse agarrando-me pela mão e caminhando para fora dali.
Para onde íamos? Não fazia a mínima ideia, caminhava em passo acelerado e eu era levada atrás. Parou finalmente, olhei à minha volta e apercebi-me que estava num jardim, jardim esse que não fazia a mínima ideia que existia. Posicionou-se à minha frente, havia uma tensão estranha entre nós e percebia que o Mario estava…nervoso.
- Thaís, precisamos de falar seriamente.
- Oh não, não faças isso. Seja o que for que vais dizer não digas. Vais piorar as coisas.
- Mas eu preciso de te dizer coisas que estão presas há muito tempo aqui dentro. Quero começar por te dizer que tu me faças sentir coisas esquisitas de certa forma – levou uma das suas mãos à minha entrelaçando-as – sabes a sensação de querer andar assim o dia todo? A sensação de só me sentir completo com o simples facto de ter a minha pele em contacto com a tua?
- Cala-te! – ordenei-lhe.
- Não me vou calar antes de te dizer tudo o que tenho a dizer! Thaís tu és diferente! Sabes o tempo que tenho passado em Dortmund, de certeza que não é por ser uma cidade maravilhosa, é porque te tem cá a ti. De um momento para o outro eu deixei de me sentir vazio, tu ocupas-te um lugar que precisava de ser ocupado há muito tempo por alguém…e esse alguém és tu.
- Cala-te Mario! Não estragues tudo! Não digas mais nada… - baixei o meu tom de voz - por favor – disse num sussurro. Uma lágrima teimosa acabou por me cair pela face.
- Thaís, tu estás a chorar? – apressei-me a limpar a lágrima – tu estás a chorar? – reparei na admiração na sua voz.
- E tu estás a dizer coisas queridas! De todo nenhum de nós está bem!
- Mas tu estás a chorar…por minha causa?
- Eu não estou a chorar! – disse já farta da conversa.
- Thaís…
- Mario, para! Esquece isto, esquece esta conversa.
- Porquê?
- Porque sim, esquece tudo sim?
Chegou-se perto de mim e beijou-me, de todo não esperava isto dele neste momento. Contudo foi o melhor que podia ter feito, de facto esqueci tudo naquele momento e concentrei-me nele, apenas nele.
- Eu esqueço tudo desde que fiques comigo.
- Eu fico contigo Mario mas como amiga e apenas isso.
- Coloridos?
Soltei uma pequena gargalhada, o ambiente aliviou de repente.
- Sim Mario, coloridos.
Sinto-me cada vez mais estranha, sinto uma certa bipolaridade no que quer que seja que tenho com o Mario.
Quando tive aquele momento com o Moritz depois do jogo foi muito especial, de facto o Moritz trata-me bem e é o rapaz ideal, é querido, é simpático, é amigo e em pouco tempo ganhou a minha amizade. Ele trata-me como uma verdadeira princesa mas depois, como eu odeio este mas, há o Mario e mesmo sendo um cabrão comigo não há ninguém que me faça sentir como ele. Discutimos, rimos e até choramos mas basta apenas um beijo dele para ficar tudo bem. Depois de estarmos calmos tratamo-nos bem e passamos bons momentos juntos…mas o ciclo volta ao início mais tarde ou mais cedo e aí voltam as discussões.


***




- Sabes que não me sinto confortável aqui não sabes?
- Porquê?
- Se eu sair deste quarto e entrar no da direita encontro o Felix e se eu por a caso decidir-me pelo da esquerda…
- Encontras o quarto vazio do Fabian. – disse sem me deixar acabar de falar.
- Mesmo assim…- disse chegando-me mais para junto dele.
- Estás a chegar-te muito para junto de mim hoje – olhou seriamente para mim – estás bem?
- Estou normal. Mas afasto-me já de ti! – disse afastando-me dele e dando meia volta na cama.
- Não – disse agarrando-me o braço – chega-te aqui, eu gosto de te ter perto.- assim fiz e voltei para junto dele – fala-me das tuas tatuagens.
- Hum, queres que te fale das minhas tatuagens.
- Sim. De onde vem esse teu ‘’C’’ ?
Referia-se à tatuagem que tinha no meu pulso, um ‘’C’’ tatuado, história estranha, comprida e sem vontade de falar neste momento.
- Não Mario, falar do meu ‘’C’’ não está nos meus planos por agora.
- Ex-namorado?
- Ai que horror, achas que eu fazia isso?
- Não sei…
- Não, não tatuava nem iniciais de nomes nem nomes de namorados.
- Porquê?
- Porque te pode…dizendo de uma forma suave, pôr-te os cornos a qualquer momento!
Nada disse e continuou acariciando-me o cabelo.
- Mario fala-me da Ann. – pedi.
- O que Thaís?
- Sim fala-me da tua namorada.
- Porquê?
- Fala lá.
- Eu falo…a Ann tem 23 anos, é modelo e por isso anda sempre de um lado para o outro.
- Estão muito tempo juntos?
- Nem por isso, nas férias e alguns dias livres por mês.
- Como a conheces-te?
- Numa saída de amigos.
- Namoram há muito tempo?
- Desde o verão.
- Está bem.
Começo a ter a sensação que ainda vou estragar a relação dele com a namorada mas por outro lado ele não parece muito interessado e como ele diz: se eu quiser somos os dois a querer. A verdade é que já estive bem mais longe de recusar algo ao Mario.
- A minha mãe gosta de ti. – disse-me.
- Eu também gosto muito da tua mãe.
Estar assim com ele era algo novo, estranho. Estava agarrada a ele e estávamos os dois deitados na cama dele estava a ser tudo tão diferente.
- Não vamos dormir pois não? – perguntou.
- Acho que não vamos dormir não mas eu tenho que sair de tua casa antes que alguém entre neste quarto!
- Tens medo? – disse a rir.
- Medo não é de todo a palavra certa. Imagina eu a sair do teu quarto e encontrar-me com o teu pai, havia de ser bonito!
- Eu gostava de ver!
- Sabes o que eu também gostava de ver? Tu um dia a saíres do meu quarto e encontrares-te com o meu pai!
- Quando isso acontecer o teu pai já me deve tratar como genro e não se vai importar.
Sorri e encostei a minha cabeça ao seu peito.
- Amanhã almoçamos em casa do Marco.
- Sério?
- Sim.
Virou-se deixando-me por baixo dele. Chegou a sua cara perto da minha e beijou-me.
- Uh…morango e limão eu gosto – disse dando-me uma serie de beijos seguidos.
- Trident splash – disse a rir.
Começou a fazer-me cocegas e não consegui conter o riso.
- Mario para! Vamos acordar o teu irmão!
- O puto tem sono pesado. – respondeu-me continuando a fazer-me cocegas.
Não sei como mas conseguiu levar-nos para debaixo dos lençóis. Continuei-me a rir que nem uma perdida, cocegas é o meu ponto fraco.


***

(Halle)
A noite passada tinha sido complicada...o regresso do Mario a Dortmund tinha sido tudo menos pacífico. Os adeptos tinham um certo tipo de ódio a ele e o facto de ter ajudado nos 3-0 à derrotada do Borussia não ajudou em nada. Só fez piorar a situação.
Tentei compreender os dois lados: o lado do Mario...e o lado do Marco. O Mario, via-se que lhe tinha custado aquele regresso, mesmo quando o jogo já tinha acabado e que estávamos só os 4, ele estava meio abatido. E o Marco? Pior ainda...perdeu, reencontrou-se com o seu melhor amigo em campo a jogarem em equipas adversárias...e esse amigo marcou. Mesmo em campo pouco era o contacto que ele quis ter com o Mario...só no fim do jogo é que o abraçou, mas ele estava muito mal.
Queria ter ficado com ele...ampará-lo de alguma maneira. Como ele o faz comigo. Não sei que tipo de relação é a nossa, não somos simples amigos, mas não somos namorados...pelo menos nenhum de nós se assume como isso. E ainda bem, porque ando meio perdida. Depois de ele me deixar em casa, a noite foi curta: adormeci pouco depois e só acordei quando o despertador tocou. Se não tivesse colocado o alarme o mais certo era acordar às quatro da tarde.
Tinha de me despachar. Tinha de ir ter com o Marco para lhe dizer que a Thaís e o Mario iam almoçar a casa dele, ou melhor íamos todos mas era para, ao menos, ver se eles já estão melhor. Despachei-me o mais depressa que consegui e fui até casa do Marco. Queria surpreende-lo...mas como? Ele estaria a dormir, muito provavelmente, e não tinha mais ninguém em casa. Estava parada em frente do portão sem saber muito bem o que fazer...quando uma senhora com um saco preto abre o portão.
- A menina precisa de alguma coisa? - perguntou ela, depois de deitar o saco no lixo.
- Eu sou amiga do Marco...e queria fazer-lhe uma surpresa.
- Hum...isso dizem muitas fãs dele.
- Não...eu sou mesmo amiga dele. Halle...
- Andler? Com esses olhos e esse cabelo deveria ter percebido logo, entre - não sei como, mas aquela senhora sabia coisas a meu respeito. Sabia, por obra de alguém que eu era Andler...deveria saber quem eu era.
Caminhei atrás da senhora, entrando em casa do Marco.
- O Marco ainda está a dormir, pode ir lá acordá-lo que já está mais que na hora - confesso que não estava à espera que a senhora me dissesse algo do género, mas era exatamente o que queria ouvir.
- Obrigada... - deixei a minha mala em cima do sofá e subi até ao quarto do Marco. Abri a porta devagar e entrei. E ele estava mesmo a dormir, meio destapado, meio tapado. Todo torto e com um braço pendurado de fora na cama. Ri sozinha, aproximando-me da cama dele e ajoelhei-me junto dele, dando-lhe um beijo na bochecha.
Esperei um sinal da parte dele, mas este rapaz a dormir mais parece pedra! Inclinei a minha cabeça um pouco para junto da dele, fazendo com que os meus caracóis tocassem ao de leve nele e aí sim! Ele mexeu levantou a mão afastando os cabelos dele.
- Deixem-me dormir...!
- Estavas à espera de mais pessoas? - percebi que só ao ouvir a minha voz é que percebeu que era eu.
- Halle?! - ele abriu os olhos, sorrindo.
- Surpresa, pedra dorminhoca!
- Sabes perfeitamente que eu sou assim, além do mais era suposto teres ficado cá!
- Sabes perfeitamente que isto não pode ser um hábito.
- Qual é o mal de dois amigos dormirem juntos?
- O mal é que todos pensam que somos namorados. E se eu dormir aqui todas as noites ainda pensam mais. Principalmente a senhora que me deixou entrar.
- A Reich?
- Deve ser...
- Oh ela...é querida.
- Sim, deixou-me entrar porque sabe o meu apelido!
- Devo ter dado detalhes a mais...
- Pois, até que o meu cabelo era assim e os meus olhos...
- Os mais bonitos de toda a Alemanha.
- Marco...
- Ai Halle, pronto eu já não digo nada, mas anda cá - ele puxou-me pelo braço e acabei por ir para cima dele. Da cintura para cima estava deitada ao lado dele, da cintura para baixo estava por cima dele.
- Marco! Olha se alguém entra, deixa-me levantar - tentei, a todo o custo levantar-me, mas ele acabou por meter a cabeça dele no meu peito, fazendo força para eu não sair dali.
- Pensas demasiado nos outros...somos amigos e o que eu e tu pensamos deveria ser o mais importante - ele olhou para mim...e aquela proximidade era terrível para o meu coração. Há Marco todos os dias...há sempre qualquer coisa dele para mim durante o meu dia: uma mensagem, um telefonema, um passeio...e depois há o Torsten que, apesar de não fazer nada disso, continua a ser parte de mim...porque o foi e voltou a procurar-me.
Parecia que o Marco ia investir em algo mais...num beijo, mas o telemóvel dele tocou. Ele virou-se para o outro lado da cama para atender e eu levantei-me ajeitando-me. Percebi que, pela maneira que ele falava, era o Mario.
- Tens o telemóvel desligado? - perguntou-me ele - puto, calma deixa que ela responda sim? - disse ele dirigindo-se ao Mario.
- Está no silêncio.
- O telemóvel da Halle está no silêncio. Tranquiliza a Thaís. Ei, se a Thaís está aí qual é o mal da Halle estar aqui? - portanto: a Thaís estava com o Mario e, pelos vistos, já tinha tentado ligar para mim. Tirei o telemóvel da mala e tinha uma chamada e uma mensagem. A dizer que já estavam a vir para casa do Marco. Boa! Ainda não tinha dito ao Marco!! - estão a vir para cá? Como assim? - ele olhou para mim e...ups - acho que o recado ficou perdido pelo caminho...esquece, sim venham. Vá, até já - o Marco desligou o telemóvel, deixando-o em cima da mesa-de-cabeceira e olhou para mim.
- Era suposto eu ter-te dito, só que demorei a cá chegar e depois a entrar..e depois...
- Ei, é na boa. É só o Mario e a Thaís.
- Desculpa.
- Nada disso - ele veio até junto de mim, dando-me um beijo na testa - desculpa eu por andar a insistir...não é minha intenção.
- Não tem mal...mas, Marco, eu dormi cá duas noite porque adormeci, porque precisei de desabafar contigo e acabei por adormecer...mas sabes que o que há entre nós.
- Amizade...especial.
- Isso.
- Desculpa.
- Já disse que não tem mal - ele voltou a dar-me um beijo na testa, afastando-se.
- Vou tomar um duche e vestir-me. Podes avisar a Reich para fazer o almoço a contar com vocês?
- Sim... - o Marco entrou na casa de banho e eu fiz o que ele me pediu.
Estava a ajudar a Reich (a pessoa que ajuda o Marco nos dias depois de jogos) a por a mesa, quando tocaram à campainha.
- Eu vou lá...deve ser o Mario e a Thaís.
Fui até à porta e confirmei as minhas suspeitas, eram eles.
- Vejam só se não é a nova companheira de cama de Marco Reus! - atirou o Mario, dando-me dois beijinhos e entrou, seguido da Thaís. Cumprimentei-a com um abraço e fechei a porta.
- Ei, oh menino veja lá a educação sim? Para tua informação eu não troquei a minha cama pela do Marco - atirei, naquela de brincadeira como sempre é.
- Vocês não dormiram juntos? - perguntou a Thaís.
- Não! Lá porque vocês passam mais que uma noite juntos...
- Como é que tu sabes? - perguntou o Mario.
- Sabes? Quem tem mais de dois dedos de testa compreende isso...e vocês coiso!
- Não, Halle! - a Thaís muito rapidamente me deu um encontrão no braço escandalizada.
- Sim, peço desculpa...vocês só fazem bolos juntos...
Acho que fui a única a rir-me, mas nem liguei. O Mario já estava sentado em frente da televisão e a Thaís sentou-se ao lado dele. Esperávamos o Marco que, como sempre, demora um bocadinho a arranjar o cabelo. A Reich veio ter comigo:
- Menina, diga ao Marco que o comer está no forno. Está na minha hora de ir.
- Claro. Obrigada Reich.
- Foi um prazer conhece-la.
- Obrigada e igualmente.
A Reich foi embora e o Mario voltou a olhar para mim.
- Que é que se passa, Mario Götze?
- Nada, nada...só faltou seres Menina Reus.
- Ai trata-te! - sentei-me no sofá que não estava a ser ocupado por eles e poucos segundos depois apareceu o Marco.
- Aleluia menina! - disse o Mario e, por incrível que pareça, nem pareciam os mesmos rapazes de ontem. E era assim que deveria ser porque, apesar de tudo o que acontece em campo, eles têm uma relação muito boa para além disso.
Era altura de irmos almoçar, por isso o Marco foi até à cozinha e eu fui ajudar.
- Que é que precisas que eu leve para dentro? - perguntei.
- Podes levar as bebidas.
- Ok - fui até ao frigorifico e retirei de lá as bebidas, ao fechar a porta tinha o Marco especado a olhar para mim - que é que se passa?
- Nada...
- Então e...porque é que olhas assim para mim?
- Halle... - ele retirou as bebidas da minha mão, pousando-as na bancada. Colocou as suas mãos na minha cintura puxando-me um bocadinho para junto dele...e é coisas assim que me baralham toda - acho que já passou algum tempo para sabermos que isto anda um bocado sem nome.
- Marco...
- Tu és especial para mim...
- E tu para mim, és uma das pessoas que mais sabe da minha vida...tens sido maravilhoso comigo.
- Só porque o que sinto por ti...é forte.
- Marco...mas...
- Eu sei que tu ainda não esqueceste o Torsten, eu sei disso! Mas...nada me impede a mim de gostar de ti. Porque tu...
- Marco, não a sério, não pode ser - tentei afastar-me dele, mas ele acabou por me puxar para junto dele e beijou-me.
Foi uma coisa estranha e esquisita porque parece que nada em mim mudou, parece que a resposta que eu procurava não estava cá. Mas...ambos estávamos a querer aquele beijo, só o parámos quando ouvimos da sala o Mario a reclamar. Foi a minha oportunidade de fugir das mãos do Marco e ir para a sala.
O almoço correu bem...muita boca, muita piada...mas as coisas entre mim e o Marco...não sei não. Tenho medo que a partir de agora as coisas se comecem a correr mal, não sei...não o queria perder por isto.
Depois de almoço enquanto eles ficaram na sala a Thaís fugiu comigo para o jardim, por algum motivo em particular, mas que acabava por ser bom para mim...não sei como encarar o Marco, nem como falar com ele.

(Thaís)

- O que é que tens? – perguntei-lhe.
- Olha! Foste tu que me trouxeste cá para fora. – respondeu-me.
- Estás estranha.
- O Marco…
- O Marco?
- Ele mexe comigo.
- Que novidade!
- Tha…
- Queres colinho? – perguntei-lhe a brincar, a cara esquisita com que ficou…- sim é melhor pedires ao Marco!
- Eu não sei porque é que ainda falo contigo!
- Porque me amas.
­- Sim é verdade.
Voltamos as duas para dentro. Sentei-me junto do Mario e o marco atirou-me uma revista para a mão. Pequei na revista e reparei no que estava no canto direito: Entrevista a Mario Götze em 28 segundos.
- Lê aí a pequena entrevista ao teu amigo colorido! – disse o Marco.
Comecei por ler nada de muito interessante: ídolo de infância, comida favorita, se preferia jogar na Champions ou na Bundesliga mas ouve algo que me chamou à atenção.


Hobbies?
Qualquer tipo de desporto - ténis, voleibol, natação, ténis de mesa – jogo tudo.


- Ai tu jogas tudo! – comentei a rir.
- Até jogo e tu ainda não viste metade se queres que te diga. – respondeu-me.
- Nos hobbies falta aí o ‘’ fazer bolos’’. – comentou a Halle.
- Ah! E jogar xadrez – acrescentou o Marco.
- Que piada! – ironizou o Mario.
Levantei as minhas pernas poisando-as em cima das pernas do Mario.
- Vá Mario, estou cansada faz-me uma massagem.
- Oh meninos! Livrem-se de fazer figuras tristes no meu sofá!
- Oh Marco? Vai dar banho ao cão! – atirou o Mario.
- Melhor, vai dar banho ao Caniche.
Tanto eu como o Mario rimo-nos mas nenhum dos outros dois percebeu.
- Sim porque a Halle com esse cabelo! – disse o Mario.
- Tens algum problema com o meu cabelo? – perguntou a Halle.
- Não, de todo. Quem me dera ter um assim – ironizou o Mario. Foi impossível não rir.
- E tu menina Thaís para quem nunca quis ser loira estás no bom caminho.
- Oh Halle o claro fica-me melhor, não é Mario? – perguntei virando-me agora para o Mario agora.
- Fica sim senhor.
- Agora o Mario é que trata do visual da menina? – perguntou o Marco no gozo.
- Claro, foi ele que escolheu a minha roupa de hoje.
- Assim já percebemos o porquê da saia ser tão curta! – atirou a Halle.

Estes momentos a quatro são de todo os melhores. Senti o telemóvel a vibrar, olhei-o e reparei que era o Moritz que me estava a ligar. O que fazer? Atender ou não atender? 


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Olá
Grande, enorme? Acho que o maior que escrevi até agora mas com a minha grande ajuda.
Bem eu sempre tive alguma dificuldade em escrever para Halle e Marco, aquele ‘’casal’’ fofinho que de casal ainda não tem nada. Neste capitulo houve Halle & Marco, Ana Patrícia Moreira deu-vos Halle & Marco e ficou lindo, perfeito. Eu adorei toda essa parte.
Quanto ao resto do capítulo espero que tenham gostado, espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina