domingo, 26 de janeiro de 2014

8º Capitulo - « Senhora Thaís Götze »

            1 Semana depois

Uma semana se passou desde que estive com o Mario. Estiveram esta semana em concentração e nem uma palavra trocámos, nem telefonema nem mensagem. As saudades não são muitas mas sei lá…esperava que me dissesse alguma coisa.
Acordei bem-disposta, o que é para admirar. Levei a minha mão à mesa-de-cabeceira procurando pelo telemóvel. Fiquei surpreendida quando vi as horas, era tarde, muito tarde. Eram horas de me levantar comer qualquer coisa e sair de casa para ir ter com as minhas meninas.
            Levantei-me e fui tomar o meu banho. Quando acabei vesti-me e preparei-me para sair. Antes ainda passei pela cozinha e tirei um iogurte do frigorífico.
Estávamos em pleno Novembro, dia 21 e o que tenho pensado é no jogo que se aproxima já este sábado, Borussia Dortmund vs Bayern Munique.
             
Estava com uma enorme vontade de estar com às minhas pequenas, elas sim conheciam a Thais querida, simpática e com muito amor para dar.
 A Halle tinha-me dito que hoje vinha ter com as meninas. Elas adoram-na e apenas estiveram uma única vez com ela.
No fim de ter partilhado umas músicas com elas, chegaram as perguntas.
- A Halle? - perguntou a Irma.
- Bem, acho que me vou despedir disto. A Halle só esteve cá uma vez e agora vocês preferem a Halle a mim!
- Nós gostamos muito de ti Thais sabes? - disse a Loris agarrando-se ao meu pescoço. Aquelas meninas são tão amorosas.
- Sei - assegurei-lhe.
- Mas a Halle vem?
- Deve vir e com o namorado.
- A Halle tem namorado? - perguntaram.
 - Tem pois, eles não admitem mas eles namoram.
Ouvi pessoas a falar e os meus olhos viraram-se para a porta onde vi a Halle com o Marco e outro rapaz.
- Qual deles é o namorado da Halle? - perguntou uma delas baixinho.
- Aquele meio loiro e alto que está ao pé dela.
- Ola namorado da Halle! - disse uma das meninas chegando-se perto dele.
A Halle ficou com uma cara de assustada e o Marco estava muito envergonhado.


- Qual foi a tua Thais? Disseste às meninas que eu e o Marco namorávamos? – disse toda exaltada quando estávamos as duas à parte.
- Até parece que é mentira!
- E é!
- Não é nada! Quando é que lhe pedes em namoro?
- Thais! Tu estás bem?
- Estou ótima! Onde é que está a Halle doida que eu conheço?
- Eu estou igual.
- Ai isso é que não estás. O Marco conseguiu acalmar toda essa loucura dentro de ti?
- Mas o que é que tu estás a dizer?
- Tenho a certeza que isso há noite, debaixo dos lençóis volta a loucura toda.
- Thaís! – disse mandando-me uma chapada no braço. - Olha que não sou eu que atendo o telemóvel dele!
- Olha eu também não.
- Atendes o do Mário não é?
- Não tive hipótese ele deixou-me o telemóvel na mão e eu atendi. E nem queiras entrar por esse caminho.
- Tu sabes muito!
- Quem é aquele jeitozinho?
- Muda de assunto muda. É o Moritz, jogador do Dortmund não sabes?
- Jogador do Dortmund? Nunca o vi lá.
- Tu agora queres é saber do Bayern ou devo dizer do número 19 do Bayern.
- Halle não te atrevas! – saí dali e fui ter com os rapazes e as meninas.
- Então meninas? Já conheceram o Moritz? É que eu não.
- Já! – disse a Irma – é simpático.
- Marco! – pronunciei para ver se se decidia a apresentar-me o rapaz.
- Thaís é o Moritz, Moritz é a Thaís. – disse o Marco.
- Olá – disse-lhe.
- Olá – disse também retribuindo-me o sorriso.

***

- Combinaram alguma coisa? – perguntou a Halle quando entramos no meu quarto.
- Cusca! – atirei.
- Conta lá.
- Sim combinámos.
- Diz-me por favor que não combinaram algo para o fim do jogo de sábado.
Comecei a gargalhar que nem uma perdida.
- Thaís!
- O que foi?
- Pensei que ias estar com o Mario no sábado.
- Não sei, nunca mais falámos.
- Não?
- Não.
- Porquê?
- Sei lá porquê.
O meu telemóvel começou a tocar e agarrei logo nele, quem poderia ser? Sorri ao ver o nome do Mario no visor.
- Falando-se no diabo…- disse.
A Halle gargalhou.
- Quê? – atirei quando atendi o telemóvel.
- Thaís, não fales assim comigo! - Respondeu.
- Não é assim que falas com a outra?
- Ei, não fales nela. Não te liguei para isso, sim?
- Ligas-te para quê, tens saudades minhas?
- Até tenho.
- Eu também. – respondi. Tinha quase a certeza que tinha um sorriso parvo na cara.
- Tu também o quê? – perguntou a Halle.
- Não sejas cusca, cala-te!
- O quê? – perguntou o Mario provavelmente confuso.
- Estava a falar com Halle.
- Ah, está bem. Queria-te perguntar se querias estar comigo no sábado?
- No sábado?
- Sim, tenho aí jogo e…podíamos estar juntos no fim.
- Telemóvel desligado? – perguntei.
- Sim, telemóvel desligado respondeu a rir.
- Então eu espero por ti no sábado.
- Até sábado então, beijo.
- A onde?
- Naquele sítio onde te arrepias toda.
- Mario…           
- Thaís…
- Vá desliga lá.
- Beijo.
- Beijo.
Acabei por desligar a chamada e a cara com que a Halle estava assustava-me.
- O que foi? – perguntei.
- Vou falar muito a sério. Se eu não soubesse a relação que vocês não têm, eu dizia que eram namorados.
- Halle!
- Estou a ser o mais sincera possível mas agora quero explicações.
- Explicações? – perguntei confusa.
- Sim, aquele telemóvel desligado e o resto da conversa.
- Tem a ver com o domingo.
- Domingo? Por falar em domingo, Thaís tu não me contaste nada do que aconteceu.
- Não aconteceu nada de mais.
- Não?
- Não Halle, a Ann não deixou!
- O quê?
- Isso que ouviste.
- Thaís conta-me. Conta-me porque é que mudas-te de opinião em relação ao Mario, porque é que já não te importas com a namorada dele.
Contar o meu domingo à Halle não estava nos meus planos mas agora ia faze-lo.
Por momentos voltei à manhã daquele domingo tão fantástico.


‘’Acordei com uma sensação de cama vazia. Estiquei a minha perna e reparei que o Mario não estava lá.
Sentei-me na cama e cruzei as pernas mantendo ainda sobre mim o lençol. O Mario vestia-se à minha frente ainda com o cabelo molhado ia ajeitando-o fazendo uns movimentos esquisitos o que me levou a gargalhar.
- Vais ficar aí o dia todo? – perguntou.
- Até ficava – disse acabando por me deitar para trás e fechar os olhos – a tua cama é fofinha – acabei por dizer ainda de olhos fechados.
- E não é só a minha cama. – ouvi aquela voz demasiado perto, acabei por abri os olhos e deparei-me com o Mario em cima de mim, estava só com um par de calças vestido, nada mais. Tinha as mão apoiadas na cama ao lado dos meus braços e de certa forma sentia-me presa.
- Esquece lá isso.
- Sabes que podemos fazer um acordo. Nada que anule a aposta apenas uns parenteses na aposta.
- Mas ouve lá Mario – dei meia volta na cama saindo debaixo dos braços dele – quem é que te disse que eu, Thaís, quero ir para a cama contigo?
- Sou rapaz, os rapazes deduzem estas coisas.
- Então os rapazes deduzem mal! – atirei logo de seguida.
- Diz-me lá, não tens vontade disso? Nem assim uma pequenina vontade?
- No, nenhuma mesmo.
- Thata…
- Nem penses em inventar-me nomes, nem diminutivos. Para ti é senhora Thaís.
- Senhora Thaís Götze.
- Oh, olha que eu não sou da tua família!
- Podias ser.
- Não me deixas ter uma relação com o teu irmão, não há nada que eu possa fazer.
- O miúdo é menor.
- Mas é mais bonito que tu.
Ficou um silêncio bem profundo naquele quarto. O Mario levantou-se da cama e vestiu uma camisola. Levantei a cabeça e reparei que estava todo chateado, aquela cara de parvo não engana ninguém.
Levantei-me da cama e fui aos saltinhos até ele, o chão estava frio e eu descalça. Poisei as minhas mãos nas costas dele e nada disse. Sem saltos estava um pouco mais baixa que ele, abracei-o por trás e esperei por uma reação dele o que não aconteceu.
- Marinho – disse pondo-me em biquinho de pés e dando um beijo no pescoço dele.
- O quê? – respondeu de uma forma grosseira, estava mesmo mal humorado.
- Não trates mal aqui a tua princesa.
Virou-se para mim e poisou as suas mãos na minha cintura.
- Disseste que eu era feio.
- Na na não, eu disse que o Felix era mais bonito que tu.
- Isso é a mesma coisa que chamares-me feio!
- Pronto o meu menino está com ciúmes do irmão.
- E estou!
- Isto fica só entre nós sim? – Pus-me novamente de biquinho de pés e cheguei até ao ouvido dele – contigo – sussurrei – posso fazer coisas que com o teu irmão ainda não dá muito jeito.
Assentou as suas mãos nas minhas nádegas e num impulso saltei para o colo dele, rodeei a sua cintura com as minhas pernas e foi ele quem tomou a iniciativa de me beijar. Só ele me beijava assim, só ele é que com um beijo me conseguia deixar fora de mim. Acabou por dar uns passos e deixar-me cair em cima da cama. Debruçou-se sobre mim o que me permitiu retirar-lhe a camisola que há pouco tinha vestido. Atirou o seu telemóvel para a cama e deitou-se sobre mim, percorreu o meu pescoço e voltou a tomar os meus lábios como seus. As suas mãos foram parar ao interior da minha camisola, levantei um pouco o meu tronco e também os meus braços e acabou por me retirar por completo a barreira entre a sua boca e a minha pele. A cara com que ficou no fim de ficar só de soutien foi bem estranha.
- Thaís, oh meu Deus! – percorreu o meu tronco com os olhos e voltou a beijar-me.
Levei as minhas mãos às suas costas e foi impossível não arranhar aquelas costas. Nunca desejei tanto um rapaz, nunca nenhum me fez delirar ao ponto de ficar fora de mim apenas com um toque, um beijo, uma palavra, a voz dele, sim aquela voz dele mexe tanto mas tanto comigo. A única coisa que pensava era: que se lixe a aposta, ao Mario não resisto por muito mais tempo. Acabou por levar as mãos às minhas costas e num pequeno gesto desapertar-me o soutien. Senti um som naquele quarto e uma música a começar, era o telemóvel do Mario que começava a tocar bem perto dos meus ouvidos. Ele percorria o meu pescoço com os seus lábios e não parecia muito importado com o telemóvel.
- Mario...
- Sim…- disse continuando o que estava a fazer. Levei a minha mão ao telemóvel e levando-o para perto dele.
- O teu telemóvel.
- Ignora Thaís – disse mordendo-me o ombro e percorrendo o meu corpo com as mãos.
- Mario…- olhei para o visor do telemóvel- creio que seja a mulher com quem estás comprometido.
- Tu és mais importante, isto é mais importante!
- Mario! – disse afastando-me dele e dando-lhe o telemóvel para as mãos.
Lá pegou no telemóvel. E eu afastei-me para o outro lado da cama.
- Quê? – bem se eu fosse namorada dele não admitia que me fala-se assim.
- Não se passou nada. – disse ele , imaginei que a pergunta dela tivesse sido ‘’ o que se passou?’’.
Ia ouvindo o que ele dizia, e ia deduzindo o que dizia ela.
- Porque estava a fazer uma coisa. – disse com pouco entusiasmo – Uma coisa – voltou a dizer.
Olhei para o Mario enquanto falava ao telemóvel e só tinha uma pergunta na minha cabeça: como é que ele me consegue deixar fora de mim?
- Não posso, já tenho coisas combinadas para hoje com o pessoal – disse despertando-me. – sim, falamos amanha beijos. – acabou por dizer antes de desligar a chamada.
Nem um ‘’adoro-te’’ , não pedia um ‘’amo-te’’ porque essa palavra acho que nunca vou ouvir vinda do Mario, mas um ‘’adoro-te’’ podia pelo menos pronunciar.
Atirou o telemóvel para cima da cama e chegou-se perto de mim.
- Onde é que ficámos? – perguntou voltando a beijar-me o pescoço.
- Em lado nenhum – disse desviando-me dele e levantando-me.
- Thaís…
- Thaís nada – sentei-me junto dele – aperta aí – disse referindo-me ao soutien.
E Mario como é não fez nada do que lhe mandei. Começou por beijar-me as costas, respirei fundo e tentei resistir.
- Mario anda lá, faz o que te pedi.
- Está bem – ele lá apertou o meu soutien e eu levantei-me da cama e fui buscar a minha roupa e vesti-me.
O Mario também se levantou e vestiu novamente a sua camisola.
Fui até à casa de banho e maquilhei-me, andar ao natural não é de todo para mim sobretudo quando fico com a cara de quem não dormiu nada a noite passada.
- Que queres fazer hoje? – perguntou quando cheguei novamente ao quarto.
- Eu?
- Estás a ver aqui mais alguém?
- Não…mas não sei.
- Não sabes?
- Bem, a mim apetecia-me comer daqueles bolos de chocolate…mesmo bons que a Heloísa faz.
Heloísa a mãe do Marco, faz com cada sobremesa melhor que outra. A melhor de todas é aquele bolo de chocolate, ninguém resiste àquilo.
- Aquele com cobertura?
- Esse mesmo.
- Não sei fazer.
- Eu também não.
- Mas podemos tentar.
Foi impossível não gargalhar com o que o Mario disse.
- O que foi? – perguntou.
- Eu e tu a fazermos um bolo?
- Sim eu e tu a fazermos um bolo.
- Isso não vai correr bem.
- Vai, vais ver que sim – assegurou-me – temos é que ir comprar o que leva o bolo.
- Que é…- tinha quase a certeza que ele não sabia.
- O que leva um bolo.
- E o que leva um bolo?
- Ingredientes – respondeu-me – tu sabes. Vamos?- disse esticando-me a mão.
- Vamos. – respondi pegando na mala e agarrando a mão dele.


- E depois? – perguntou a Halle como que uma miúda esperando pelo final de uma história.
- Depois nada.
- Vocês não se envolveram depois nessa tarde?
- Talvez sim, talvez não…
- Thaís, eu sou a tua melhor amiga…
- Pois és meu amor.
- Não me vais contar o resto?
- No, talvez outro dia…
- Obrigadinha. Sabes se eu fosse a ti as coisa não ficavam assim!
- Han? – perguntei completamente confusa.
- A namorada do teu amigo! Interrompeu a vossa coisa.
- Oh sim, claro. Que achas de chegar ao pé dela e dizer: Oh miúda mas porque é que tinhas que ligar ao teu namorado? Interrompes-te uma possível manhã de sexo!
A Halle começou a gargalhar e eu acompanhei-a.
- Vá Halle, vamos que eu combinei hoje á noite com o Moritz.
- Ai combinas-te?
- Sim e tu também vens meu amor, com o teu namorado.
- Thaís!
- Pronto com o teu amigo colorido.
- Aceito assim.
- Compras? Preciso de vestidos!
- Para quem não queria usar vestidos há umas semanas estás muito adepta deles.
- Ficam-me bem! Temos que admitir não é?
- Sim, ficam-te bem é verdade.
Saímos de minha casa e fomos até ao centro de Dortmund. Hoje ia conhecer o meu novo amigo e precisava de estar bem…interessante.

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Olá :)
Um enorme pedido de desculpas pela demora e um obrigada por continuarem desse lado e as palavras que deixaram no último capitulo de I Will Wait For You.
8º capitulo de Boundless Love, espero que gostem porque eu gostei de ‘’voltar’’ e adorei escreve-lo.
Espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina

sábado, 4 de janeiro de 2014

7º Capitulo - « Thaís, estás a apalpar-me »

Deitei a mão à mesa-de-cabeceira para ver se encontrava o telemóvel, quando o apanhei peguei nele e vi as horas 4:05 da manhã. Desde que nos deitamos ainda não consegui dormir nada, é cama estranha e…é Mario estranho mas estranhamente bom o que me preocupa.
Tentei acima de tudo não me mexer muito não o queria acordar.
Voltei a poisar o telemóvel e tentei acalmar-me, num impulso cheguei-me mais para ao pé dele, ficando frente a frente com ele, sentia-me mais quente sentia-me sobretudo protegida. Fiquei por momentos a olhá-lo assim sim ele estava bem calado que é como ele nunca costuma estar. De certo modo até tinha o seu encanto até é engraçado…e Thaís já estás a pensar em coisas que não deves.
Levei a minha mão direita às costas do Mario, estavam quentes ao contrário da minha mão, senti-o de certo modo a arrepiar-se. Percebi que ele não estava a dormir e que também ele estava acordado. Senti também a mão dele a percorrer o meu corpo indo até dentro da minha minúscula camisola permanecendo lá.
***

- Quando é que volto a ver? – Perguntou.
- Não sei. – Respondi.
- Quinta há concentração da seleção, vejo-te quarta à noite?
- Vês-me quarta à noite.
- É o dia em que acaba a nossa aposta.
- Pois é. – Respondi.
Peguei na minha mala e preparei-me para sair do carro do Mario.
- Thaís? – Chamou, detendo-me e agarrando-me no braço.
- Sim. – Disse olhando para ele.
- Obrigada, foi um dos melhores domingos da minha vida.
- Obrigada eu por me mostrares quem és realmente. – Cheguei perto dele e dei-lhe um beijo na bochecha.
Não resisti e antes de sair completamente do carro roubei-lhe um beijo, ele sorriu no fim e eu comecei a caminhar em direção à porta de casa.
Procurei a chave entre a confusão de coisas que ia naquela mala, peguei finalmente em algo que me parecia uma chave, e era…era uma chave mas não a chave de minha casa. Sorri ao relembrar-me de tudo, de como aquela chave tinha ido parar à minha mala. Sorri ao relembrar todo aquele domingo.
Peguei finalmente na chave certa e abri a porta. Cheguei à conclusão que não estava ninguém em casa. Num domingo à tarde como hoje provavelmente os meus pais estariam em casa dos pais do Marco ou da Halle, ou se calhar tudo junto.
Não pensei muito mais tempo nisso, atirei-me para a minha cama e fechei os olhos. O domingo não podia ter sido melhor passado.

***

Quarta à noite é sempre dia de sair e hoje não é exceção, até porque a companhia vai ser boa, e sim quando digo que vai ser boa refiro-me ao Mario. Nestes dias a companhia dele tem-se tornado fundamental e é a melhor companhia que posso ter.
 Amanhã tenho as minhas pequenas para aturar, por isso não me posso deitar muito tarde.
- Vais sair Thaís? – Perguntou a minha mãe à porta do quarto.
- Vou mãe, a Halle deve estar a chegar.
- Então vais sair com a Halle?
- Sim. – Respondi, percebi bem até onde é que ela queria chegar, já que eu não disse nem uma palavra sobre o meu fim-de-semana.
- E é só mesmo com a Halle?
- Com o Marco e com o Mario também.
- Vais sair com o Mario.
- Vou mãe e para de ser cusca. – Ela continuava a olhar para mim da porta do quarto – vou-me arranjar, está bem?
- Porque é que ainda não disseste uma palavra quanto ao teu fim-de-semana?
- Porque não há nada para dizer.
- Há sim!
- Não há não. – Respondi-lhe.
- Fizeram as pazes?
- Se fizemos… - respondi.
- Já percebi que não vou conseguir arrancar-te nada.
Saiu do meu quarto e eu comecei por ver o que vestir. Algo justo, algo sexy. Escolhi a roupa e comecei a arranjar-me.
- A Halle já chegou! – Ouvi a minha mãe a dizer.
Acabei de me vestir e de me calçar, antes de sair revolvi a minha mala à procura da chave e quando a encontrei abri a pequena gaveta da minha mesa-de-cabeceira e depositei-a lá, em seguida fui até à sala.
- Uh lá lá.- Disse a Halle.
Não vesti nada mais que uma saia preta justa, uma camisola larga e tencionava levar um casaco porque o frio faz-se sentir em Dortmund.


Cheguei-me perto de um pequeno espelho que estava ali.
- Halle tira-me daí um gloss da mala.
A Halle abriu a minha mala e procurou por o gloss.
- Este? – Disse mostrando-me um – Ou este?
- Qualquer um. – Respondi não muito importada.
- Este é mais bonito. – Disse dando-me um para a mão.
Fui até ao espelho e comecei a aplica-lo, no fim dei à Halle.
- Dura 8 horas – disse ela.
- Nas mãos do Mario nem meia quanto mais 8 horas.
- Oh Thaís!
- Não disse mentira nenhuma.
- Não posso acreditar que teve que vir o Mario para revelar a parte mais doida da Thaís. Onde está a minha amiga Thaís? O que lhe fizeste?
- A Thaís está aqui, mas na sua forma mais doida, provocadora e animada.
- Ainda estou para ver o que é que vai acontecer esta noite.
- Nada, ainda estou em pacto de freira.
- Nada?
- Nada até à meia-noite.
- Ai Thaís que doida! Tu não eras contra isso?
- Isso?
- Tu e ele.
- Eu e ele somos amigos.
- Amigos?
- Amigos.
- E a Ann?
- Oh amigos amigos namorada dele à parte.
Acabamos por sair de casa entre muita risada, para onde íamos? Não faço a mínima ideia mas que era para uma festa era.
Chegamos a uma casa e o Marco estava cá fora provavelmente à espera da Halle, que de mim ele nem quer saber.
Como eu disse de mim ele não quer saber e cumprimentou a Halle e começaram logo a falar.
- Eu estou aqui! – Disse.
- Oh olá Thaís. – Disse o Marco.
- Eu sei que vocês gostam muito um do outro mas daí a ignorarem-me.
- Não te estávamos a ignorar.
- Que ideia…mas pronto, onde é que está o Marinho?
- Como isso já anda – disse o Marco a rir-se – está lá dentro.
- E vão levar-me até ele, para convivermos claro, não pensei outras coisas!
Eles riram-se e lá fomos para dentro e fomos ter com o Mario.
- Aqui tens! – Disse o Marco.
- Thaís – disse o Mario.
- Mario. – Disse eu.
Deu-me um beijo em cada bochecha e ficamos os quatro a conversar.
- Ai Thaís essa tua saia. – Disse o Mario.
- Calma Mario, daqui a nada é toda tua.
- Oh meninos! Controlem-se não? – Disse a Halle.
- Nós estamos controlados! Só não sei se é por muito tempo. – Respondi.
- Comportem-se, estão em público.
- Podemos já deixar o público. – Disse o Mario.
- Era uma boa ideia não era? – Perguntei.
- Se era… - Respondeu pondo a mão à volta da minha cintura.
- O que é que aconteceu no vosso domingo? – Perguntou a Halle.
- Queres saber o que se passou no domingo? – Perguntei.
- No nosso domingo? – Perguntou o Mario.
- Sim.
- Nada! – Respondi.
- Nada? – Perguntou o Marco.
- Nada! – Respondeu o Mario.
- E eu sou o pai Natal! – Disse a Halle.
- Fizemos um bolo!
- E jogaram xadrez? – Perguntou a Halle a gozar.
- Jogamos pois. E a quantidade de xeque-mate que fizemos?
- E olha que não foram poucos – disse o Mario.
O Marco e a Halle olhavam-nos confusos provavelmente.
O Mario pegou na minha mãe e levou-nos até às bebidas.
- Não está cá gente a mais? – Perguntei. – Não é melhor dar menos nas vistas.
- Não te preocupes. È impossível não dar nas vistas. Thaís já olhaste bem para ti?
- Estás tão querido hoje.
- Eu sou querido todos os dias.
- Sim, isso é metade verdade.
- Só metade? – Perguntou.
- Sim, só metade.
Agarrou-me outra vez na mão e levou-me com ele até à parte exterior daquela casa que eu desconhecia o dono até ao momento.
Fomos caminhando pelo jardim num silêncio constrangedor até que ele tomou a palavra.
- A seguir à seleção vem o jogo com o Dortmund. – Disse – tenho medo…
- Medo?
- Vou voltar à minha casa, vou voltar aquele relvado, vou estar perante a melhor claque do mundo mas…na equipa adversária.
- A decisão foi tua.
- Eu sei que foi mas não deixo de sentir amor ao Dortmund, nunca vou deixar de sentir. Dortmund é a minha casa.
- Vai ser só mais um dia, vais ver que nem vai custar assim tanto.
- Sabes do que tenho medo? – Olhei para ele à espera da continuação – que tenha oportunidades de marcar mas não saber o que fazer. Tenho medo de marcar e de não saber o que fazer a seguir.
- Isto vai-me custar mas eu vou dizer-te que se estás no Bayern tens que lutar para o Bayern ganhar. Mudas-te de clube, agora só tens de fazer o que estiver ao teu alcance para o Bayern ganhar.
- Consegues ter as palavras certas para os momentos certos.
- Parece que sim. – Disse a sorrir.
Continuamos a caminhar até a uns pequenos degraus que se encontravam junto a uma porta.
O Mario sentou-se num e eu sentei-me no degrau a baixo no meio das suas pernas. Virei-me para trás assentando os meus braços nas pernas dele. Levei a minha mão aos bolsos do Mario mas nada do que procurava encontrei.
- Thaís, estás a apalpar-me.
- Até parece que não gostas.
- Não vamos falar nesses assuntos agora. Queres tabaco é?
- Querer até queria.
- Não tens?
- Não, ando a tentar evitar.
- Também não tenho.
- Agora dava-me tanto jeito.
Voltei a virar-me para a frente de costas para o Mario. Senti a mão dele no meu cabelo e começou a brincar que nem uma criança. Como eu odeio quando me mexem no cabelo
- Mario, eu odeio que me mexam no cabelo.
- Thaís..- Enquanto pronunciou o meu nome afastou suavemente o meu cabelo deixando o meu ombro direito descoberto – sabes o que era lindo? – Disse junto do meu ouvido.
- Até sei…
- Sabes que horas são?
- Não faço a mínima.
- São precisamente…- fez uma pausa e deu um pequeno beijo no meu ombro descoberto – 23 e 57.
- Bonita hora realmente.
- Sabes que dia é daqui a 3 minutos e um segundo? – Quando terminou de fazer a pergunta percorreu o meu ombro com os seus lábios até chegar ao meu pescoço e acabou por morder-me.
- Quinta…Mario. – Tentava controlar-me o que estava a ser complicado, o que ele estava a fazer-me estava a deixar-me completamente fora de mim.
- Lembras-te o que aconteceu há duas semanas atrás?
- Não, tenho amnésia e esqueci-me.
Voltou a percorrer o meu ombro com pequenos beijos e voltou novamente ao meu pescoço.
- Conhecemo-nos.
- E não achas que duas semanas são pouco para estas confianças?
- Acho que até são demais.
Levantei-me do sítio onde estava e sentei-me na perna esquerda do Mario e ele poisou a sua mão na minha perna.
- Até és fofinho. – Disse.
- Também és fofinha. Eu adoro os teus olhos.
- Não…-Disse abanando a cabeça – Esta faceta não nos fica bem.
- Tens razão.- Acabou por dizer – Convencida.
- Egocêntrico.
- Orgulhosa.
- Arrogante.
Acabamos por rir os dois.
Olhei para ele e ele retribuiu o olhar e ficámos assim um a olhar para o outro. Levou uma das suas mãos à minha bochecha acariciando.
- Estamos a ir por caminhos perigosos, não? – Perguntei.
- Já andamos por caminhos mais perigosos.- Acabou por dizer.
- Vamos lá para dentro?
- Sim.
Levantei-me do colo dele e ele fez o mesmo.
Voltámos para o interior da casa e aproximamo-nos da Halle que estava junto do Marco.
- Eu tenho que me ir embora, amanhã tenho as miúdas e não quero ser uma mal-humorada.
- Eu apareço por lá se conseguir. – Disse a Halle.
- Dava jeito, dava.
- Queres que te leve a casa? – Perguntou o Mario.
- Sim. Marco não te vou ver mais, boa sorte lá com os jogos e honra a nossa seleção. Batam a Itália.
- Vamos fazer por isso. – Disse ele a sorrir.
- Adeus gente. – Disse.
Acabámos por sair da festa e entrar no carro do Mario.
- Sentes? – Olhei para ele, um pouco confusa – este carro tem o teu cheiro.
- És doido. – Disse a sorrir. – Não é preciso dar-te indicações, pois não?
- Não, sei bem o caminho.
- Até parece que já o fizeste muitas vezes.
- Fiz uma mas nunca mais me esqueço.
Sentia que estava a entrar por caminhos perigosos, estávamos a dar-nos bem pela primeira vez mas havia qualquer coisa…o à vontade que temos um com um outro, toda a sinceridade nas nossas conversas, tenho medo que me esteja a…apaixonar? Não! Eu não me apaixono, só me apaixono por vestidos, sapatos, relógios e…talvez ele? Não! Isso está fora de questão. Afastei os pensamentos e olhei para a estrada, estávamos muito perto de minha casa.
- Aqui estás tu. – Disse-me.
Peguei na minha mala e procurei pelas chaves de casa. Consegui encontra-las à primeira.
- Adeus Mario.
- Adeus Thaís.
- Perdes-te a aposta – Disse baixinho.
- Não sei se perdi – Disse no mesmo tom.
- Aposta é aposta e acordo é acordo.
- Vou pensar nisso.
- Boa sorte para os jogos.
- Obrigada.
- É melhor fechar a porta se não lá se vai o meu cheiro. – Disse no gozo.
- Ele também está na minha cama.
- Tonto. – Disse a sorrir – Adeus.
- Adeus – Disse por fim.
Afastei-me do carro em direção à porta de casa. Peguei na chave a abri a porta devagar, não queria acordar os meus pais. Acabei por entrar em casa e ir logo em direção ao meu quarto. Atirei a mala para cama e também eu me atirei para ela. Dei meia volta e cheguei-me perto da mesa-de-cabeceira abrindo a pequena gaveta. E ela continuava lá, à espera de ser usada.

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Boa noite meninas.
Primeiro capitulo do ano, e espero apenas que gostem.
Desejo-vos um 2014 maravilhoso, muito amor e saúde é o que é preciso.
Beijinhos,
Mahina