quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

6º Capitulo - « Ainda gostava de perceber porque é que estou na mesma cama que tu! »

(Halle)

Saí de casa perto das 6 da tarde, a minha próxima paragem ia ser a casa do Marco, tínhamos combinado um fim de tarde e um jantar, nada de muito especial apenas para estarmos juntos, o que já se tornou um vício.
A Thaís hoje não ia para minha casa, ontem tivemos a noite toda a conversar, ando a conhecer uma Thaís tão diferente do que estou habituada.
Quando cheguei a casa do Marco, bati á porta e para meu espanto quem me abriu a porta não foi o Marco mas sim o Mario.
No fim de me cumprimentar e de eu lhe perguntar pelo Marco voltou outra vez para o sofá.
- Ainda estás por cá? – Perguntei.
- Daqui a um bocado vou-me embora.
- Hum, estás esquisito.
- Tu sabes!
- Sei?
- Sabes!
- Ah – agora sei – Sim a Thaís contou-me.
- Ela ficou toda lixada comigo.
- É normal não?
- Eu não lhe fiz nada de mal.
- Também não lhe fizeste nada de bem.
- Oh.
- É oh é! Quem, quem é que tu queres Mario?
- A Ann…mas a Thaís…
- Passas a vida a provoca-la, uma mulher não é de ferro!
- Gosto!
- Eu também gosto de chocolate e não é por isso que passo a vida a comer.
- É diferente.
- Não é, se queres um conselho limita-te a ganhar a amizade dela por agora.
- Não me chega a amizade dela.
- Fogo, e depois nós raparigas é que somos complicadas! Tu disseste que querias a Ann, se queres a Ann não há lugar para a Thaís.
- Há, a Thaís é…
- Conhecendo a Thaís como conheço, duvido que tenhas sorte.
- Ela não me resiste.
- Ou tu é que não lhe resistes a ela.
Ele não respondeu porque o Marco acabou por chegar.
- Halle – deu-me um beijo na bochecha- já chegas-te.
- Parece que sim – respondi.
- Bem, e eu vou indo. Boa sorte para sábado. – disse o Mario, despedindo-se do Marco.
- Tu também.
- E Halle faz-me um favor.
- Diz.
- Convence a Thaís a ir ao meu jogo sábado, por favor.
- Vou tentar, mas não prometo nada.
- Obrigada. – Disse antes de sair.
- Enfim sós. – Disse o Marco atirando-se para o sofá e pondo a mão á volta do meu ombro.
- Não te ponhas com ideias.
- Não disse nada.
- Estou preocupada com…eles
- Eles?
- Sim eles, Thaís Mario.
- Porquê?
- Acho que se a Thaís for para Munique sábado, não vai sair de lá viva.
- Sim, se ela for para Munique eles vão-se comer vivos.
- Reza para não haver Ann.
- Essa só aparece em momentos inconvenientes, por isso não sei se não vai interromper a coisa.
- Acho que já odeio a miúda sem a conhecer.
- Eu conheço e não gosto dela na mesma, por isso.
Rimo-nos os dois, deu-me outro beijo na bochecha e encostou-me contra ele.
- Vamos começar o nosso fim de tarde.
- Sim, vamos começar o nosso fim de tarde.

***
(Thaís)

- Olha a Astrid! – Disse a minha mãe saindo de ao pé de mim.
Bonito, estou aqui contrariada e ainda por cima agora a minha mãe deixa-me sozinha para ir ter com a mãe daquela criatura.
Fiquei no mesmo sítio onde ela me deixou, e só tinha uma pergunta na minha cabeça: ‘’ porque é que eu vim? ‘’.
Devagar, muito devagar fui-me chegando ao pé delas.
- Olá Thaís! – Disse dando-me dois beijinhos.
- Olá Astrid.
- Que entusiasmo! – Comentou a Astrid na brincadeira.
Vi o Felix aproximar-se, acho que vou ter companhia para o jogo. Com um pedido e com muito carinho lá consegui trocar e ficar com o Felix bem longe da minha mãe e da Astrid.
- Que entusiasmo oh Thaís! – Disse o Felix quando estávamos a entrar no estádio.
- Qual das partes de estar aqui porque me obrigaram, ainda não percebes-te?
- Obrigaram-te?
- Maneira de dizer.
Entramos dentro do estádio e fomos até aos nossos lugares.
- O Mario está no onze inicial. – Disse o Felix.
- Que emocionante.
O Felix começou a rir muito e a olhar para mim de forma estranha.
- Desculpa…não devia ter dito isto.
- Não tem mal.
- Oh tem, ele é teu irmão e tu não tens culpa de ter um irmão parvo daqueles.
- Ele não é assim tão parvo, quando o conheceres melhor vais ver que por detrás daquela pequena faceta de puto…há uma enorme faceta de criança.
Bem, agora quem me ri fui eu.
- Agora sem gozar, ele é muito puto mas quando quer é uma pessoa altamente, quando o conheceres melhor vais perceber isso.
- Não sei se o quero conhecer melhor!
- Queres! Vê-se.
- Sou assim tão transparente? Parece que nos últimos tempos todos vêm o que se passa comigo, menos eu própria.
- Não se vê nada! Eu é que palpitei que o quisesses conhecer.
- Sem dúvida que vais ser boa companhia.
Por incrível que fosse sentia-me bem a falar com o Félix, o irmão mais novo do Mário.
- Isto comparado com as claques do Dortmund, ui ui.
- Nem lhe dão metade, temos assim as melhores claques do mundo.
- Nunca fui com a ideia do Mario vir para o Bayern, odeio o Bayern.
- Somos dois, imagina tu que consigo gostar mais do teu irmão do que do Bayern.
- Também não é muito difícil!
- Oh Felix!
- Relaxa, não disse nada que não saibas.
Frontal, bem direto e diz o que lhe vem á cabeça, sim é mesmo irmão do Mario.
- Jogas no Dortmund não é?
- Sim, e não penso sair de lá, é no Dortmund que me sinto bem.
O jogo começou, e é sempre bom o Bayern começar a marcar logo aos primeiros minutos, seca, foi uma seca de jogo. O Mario saiu por volta dos 66 minutos, e bem o Bayern ganhou 3-0.
Ao mesmo tempo ia acompanhando o jogo do Dortmund, quer dizer a Halle ia-me informando de tudo, quando o Marco marcou o 0-1 recebi assim uma mensagem enorme a dizer:’’ ELE MARCOU, ELE MARCOU! ‘’, Mas acabou por perder 2-1.
No fim do jogo fomos ter com a minha mãe e a Astrid.
- Gostaram do jogo? – Perguntou a Astrid.
- Foi fixe, mas o nosso grande amor perdeu.
- Perdeu? – Perguntou a minha mãe.
- Perdeu – respondi – o Marquito marcou o único do Dortmund.
Fomos até ao exterior do estádio a conversar sobre o jogo do Dortmund, já que nenhum de nós gosta do Bayern.
- Sabes o que é que tivemos a pensar Thaís? – Perguntou a minha mãe.
- Não, mas também não sei se quero saber, são perigosas!
- Thaís, tu tens assuntos a resolver aqui…em Munique. – Disse a minha mãe.
- Não, não mesmo, devem estar enganadas.
- Nós tomamos a liberdade de te deixarmos cá.- Disse a Astrid.
- De quê?
- Vais ficar cá, em casa do Mário.
- Vocês estão a tentar que aconteça alguma coisa á força?
- Nós? – Perguntou a minha mãe.
- Claro que não. – Completou a Astrid.
- Só estamos a fazer o correto, filha. Tu estás chateada com o Mario.
- Se calhar porque tenho razoes não?
- Não! Têm que fazer as pazes – disse a Astrid.
- Eu faço já as pazes com ele, esqueçam lá é eu ficar cá! Isto é mais frio que Dortmund.
- Deixa lá Thaís a casa do Mario é quentinha – disse a Astrid.
- Ele sabe disto? – Perguntei.
- Não, mas não discorda de certeza.
- Não acham que já estou numa idade em que sei tomar as minhas próprias decisões?
- Não, não quando estás chateada com o rapaz.
- Thaís ele é muito parvo, mas tens que conseguir percebe-lo, ele quando quer é um bom miúdo, e não quer estar chateado contigo.
- Adeus! – Disseram elas e o Felix indo-se embora.
- Então e deixam-me aqui sozinha? – Perguntei perplexa.
Não me responderam, sorriram e foram embora.
- Isto é tudo doido! – Comentei.
- Olá Thaís! – Assustei-me com aquela voz atrás de mim. – então e vão-se embora, nem se despediram de mim!
- É, parece que sim.
- E tu estás aqui?
- Eu fiquei aqui.
- Ficaste?
- Fiquei.
- E porquê?
- Segundo a tua mãe e a minha eu vou ficar em tua casa.
- Uh – disse ele.
- Eu estou aqui contrariada.
- Já tens idade para tomar as tuas próprias decisões ou não?
- Ter até tenho, mas segundo a minha mãe estou chateada contigo e isso é mau, depois segundo a tua mãe tu és parvo e não gostas de estar chateado comigo.
- E elas têm razão.
- Sim, a tua mãe tem tu és mesmo parvo.
- Thaís, desculpa. Eu não queria que tu pensasses que…
- Tens namorada e te estás a atirar a mim?
- Não, que…
- És um grande parvo porque te atiras a mim, e nem tiveste coragem de me dizer na cara que tens namorada?
- Thaís, para!
- Não paro não, tu mereces ouvir!
- Até posso merecer mas não agora – agarrou-me as mãos e olhou para mim nos olhos – sei que mereço, sei que tu deves pensar que sou mesmo uma pessoa horrível, mas não o sou. Não te contei porque…sei lá porquê! O que nós temos é tão bom assim…
- Mas nós não temos nada Mario!
- O que para ti é nada, para mim é tudo.
- Não compliques, sim?
- Não há nada para complicar.
- Há uma Thaís que sou eu, e depois há um Mário comprometido que és tu e tens namorada, não queiras misturar o que não é para ser misturado.
- Quero-te pedir uma coisa.
- O quê?
- Que este sábado e este domingo, só exista uma Thaís e um Mário a conhecerem-se melhor, esquece a Ann.
- Por que razão é que a havia de esquecer?
- Porque eu te peço, ela não interessa, não para a nossa amizade.
- Deves ser o primeiro rapaz que conheço que pede para esquecer a namorada!
Sorriu para mim e eu…sorri também, o que é que pode acontecer de mal? Nós nos descontrolarmos e ela aparecer? Não acho que isso não vai acontecer.
- Vamos? – Perguntou.
- Não sei se quero ir. – Disse na brincadeira.
- Ou vais comigo ou dormes debaixo da ponte.
- Sim, é nestes momentos que ir contigo me parece a melhor opção.

***
Chegamos a casa do Mario e ele abriu a porta entrou depois de mim e atirou-se para o sofá.
Olhei para ele, sabia exatamente o que fazer, o pior que podia acontecer era eu não conseguir parar.
- Mario, Mario, Mario…
Dobrei-me sobre ele, olhei-o e mordi o lábio inferior. Levou os seus lábios perto dos meus mas movi a cabeça ligeiramente para o lado. Não ia ser assim tão fácil. Levei a minha mãe esquerda ao seu pescoço e os meus dentes á parte direita do pescoço dele, beijei mordi e tornei a morder, afastei-me novamente dele.
Poisou as suas mãos nas minhas costas e puxou-me para ele, coisa que não conseguiu mas continuou lá com as mãos. Quando me aproximei mais dele, não resisti, não consegui os meus lábios chocaram com os dele, nunca tinha acontecido, ele já o tinha tentado tantas vezes, mas eu não cedia sabia que se o beijasse a coisa podia-se tornar bem séria.
Aquele beijo foi como uma explosão de emoções mas não as consegui decifrar todas. A sua mão passeava nas minhas costas e foi mesmo para dentro da minha camisola. Agora sim é hora de parar.
Deixei os lábios dele e retirei a mão dele das minhas costas. Pus-me direita e ajeitei a camisola.
- Thaís…
- Na na , sabes a aposta que fizeste? Eu não gosto de perder!
- Podemos esquece-la por favor Thaís!
- Não esqueço apostas.
- E vais-me deixar assim?
- Vou pois, é a vida – disse piscando o olho.

***

- Ainda gostava de perceber porque é que estou na mesma cama que tu! – Disse olhando para o teto.
- Eu posso te dizer o porquê se quiseres.
- Não! Não quero, porque da tua boca vai sair uma coisa estupida, inútil, porca e eu vou ficar ainda mais irritada!
- Tem calma Thaís, não te irrites. Eu não ia dizer nada de mal apenas que…
- Não! Não quero saber!
- Que não tenho mais camas feitas e que nem eu nem tu as íamos fazer nem íamos dormir para o sofá.
Aliviada, muito mais aliviada, não disse coisas estupidas, nem inúteis, nem parvas. Olhei para ele e ele estava a olhar para mim, aquele olhar dá comigo em doida, quanto mais olho para ele mais vontade me dá de…ai! Olhei outra vez a olhar para o teto, fartei-me e olhei outra vez para ele e ele continuava a olhar para mim.
- Importas-te de parar de olhar para mim?
- Por acaso importo-me.
- Mario! A sério para!
- Incomoda-te assim tanto?
- Incomoda, vai dormir para o tapete!
- Vai tu, quem está mal muda-se.
- Para apenas de olhar para mim.
- Não.
- Olha eu vou-me embora!
- Deixa-me rir, e vais para onde?
- Tenho a certeza que o teu amigo Thomas Muller me recebia muito bem.
- Ele tem namorada!
- Tu também tens e não é por isso que não estou na tua cama.
- De vez em quando…tu sais-te com umas que me calas.
- Eu calo-te sempre!
Voltei a olhar para ele, e estava novamente com os olhos em mim mas desta vez não voltei a olhar para o teto, apenas continuei a olhar para ele.
- Posso-te fazer uma pergunta Mario?
- Já fizeste uma.
- Oh és mesmo criança!
- Diz lá.
- Porque é que no dia que nos conhecemos simplesmente apostas-te logo que me levavas para a cama em duas semanas? Pareço assim tão fácil? É isso?
- Não, é precisamente o contrário!
- O contrário?
- Sim Thaís, quando eu te conheci percebi que de fácil não tinhas nada, foi isso que mexeu comigo, se fosses outra qualquer não pensavas duas vezes e quando te provoquei tinhas levado a coisa até ao fim, mas tu não…não estavas minimamente interessada em mim, em quem eu era, querias apenas distância.
Estava sem saber bem o que dizer, continuei a olhar para ele sem saber bem o que dizer ou fazer.
- Vamos dormir? – Perguntei.
- Podíamos não o fazer.
- Já sabes que daqui não levas nada.
- Então vamos dormir.
Poisou as suas mãos no fundo nas minhas costas, chegou-se mais para ao pé de mim, beijou-me, sim ele beijou-me outra vez.
- Boa noite – disse a sorrir. 
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Boa noite minhas leitoras lindas.
Desculpem a demora :/ , mas aqui está ele.
Espero as vossas opiniões sobre o rumo que a história está a levar.
Se não nos ‘’virmos’’ até lá, Feliz Natal
Beijinhos,
Mahina


domingo, 1 de dezembro de 2013

5º Capitulo - « Independentemente do que exista entre vocês, é muito mais do que existe entre ele e a Ann »

- Traz a Halle esta noite.
Acordei um pouco quando o Marco disse aquilo, desde quinta que a minha cabeça anda um pouco complicada, ainda não falei mais com a Halle, não quero ‘’forçar’’ nada, ela não me diz nada e acho que ela precisa deste espaço para cair na realidade.
- Não sei, não sei se ela vai querer ir.
- Tenta.
- Eu acho que ela se fechou muito comigo desde o que aconteceu, não é a mesma Halle, desde quinta que não falamos, hoje faz cinco dias que não falamos, coisa que era impossível há uma semana atrás. – Enterrei a cabeça nos meus joelhos – ai isto está a ser tão complicado.
- Tem calma Thaís vais ver que tudo se vai resolver.
- Não sei se vai.
- Vai, vais ver que sim.
- Talvez eu precise da tua ajuda Marco.

***
- Thaís não vens connosco? – Perguntou a minha mãe quando sai do quarto em direção á porta de saída.
- Não, eu tenho que ir tratar de umas coisas, mas eu vou à mesma.
- Então vai lá, mas não chegues atrasada por favor.
- Não chego mãe vais ver que não.
Saí de casa, entrei no carro e segui para casa da Halle.
Quando cheguei fiquei em frente á porta da Halle, não sabia bem o que fazer, tinha a chave na mão mas o que fazer? Entrar com a minha chave, ou…simplesmente tocar à campainha? Queria agir como se nada tivesse acontecido, como se tudo estivesse normal. Tenho um certo medo do que posso encontrar lá dentro.
Meti a chave na porta e rodei-a com um certo medo, quando abri a porta a sala estava vazia, não se ouvia nada, nem um único barulho. Poisei as chaves e a minha mala no sofá.
Subi as escadas devagar e fui por aquele corredor à procura de algum sinal que a Halle estivesse ali. Abri a porta do quarto dela e deparei-me com o pior cenário possível.
A Halle estava no quarto enrolada numa manta, com lenços e toda despenteada. Parecia uma cena de filme.
- Halle meu amor… - cheguei perto dela e abracei-a.
- Tu tinhas razão, tu tens sempre razão. – abraçou-se a mim a chorar.
- Sabes? Odeio ter razão, odeio mesmo.
Não falei mais, peguei-lhe na mão e agarrei-lhe a mão para ela se levantar,  mandei-a para o banho e arrumei aquele quarto, fui buscar algo para ela comer e um comprimido para aquela constipação. Arranjei-lhe a roupa para vestir, tínhamos um jantar pela frente, e agora era a parte onde entrava o Marco, querido como ele é consegue mudar a minha Halle.
Ela saiu do banho e eu indiquei-lhe o que tinha que comer e o comprimido que tinha que tomar, barafustou a dizer que não queria comer, mas eu lá consegui mudar a minha princesa de ideias. Quando se acabou de vestir tinha a Halle de volta, a minha rainha estava linda. Estava na casa de banho a acabar de se maquilhar.
- Halle estão a ligar-te.
- Atende, atende.
- Não esta é mesmo para tu atenderes. – Dei-lhe o telemóvel para a mão desci as escadas e fui até á sala.
Sentei-me no sofá e fiquei á espera de uma reação o que não demorou muito.
- Thaís, Thaís , Thaís meu amor lindo. – Gritou enquanto descia as escadas á pressa.
- Sim.
- Ele disse que eu era linda!
- Ah disse?
- Disse – que sorriso perfeito naquela cara.
- E disse…
- E disse?
- Que a perfeição afinal existe.
Aquele sorriso naquela cara, fez-me ficar tão mas tão contente, tinha a Halle de volta, e eu sei que o Marco a vai conseguir trazer por completo.


***
(Halle)
A Thaís conseguiu que eu saísse de casa, conseguiu pôr-me com um sorriso na cara após vários dias sem sorrir, conseguiu que o Marco me pusesse um sorriso na cara, ele é maravilhoso é uma pessoa tão querida, mesmo conhecendo-o á tão pouco tempo, sinto que posso confiar nele e que tenho um grande amigo ao meu lado.
Saímos de casa, e sem mo dizer percebi que íamos para casa do Marco e tive a certeza quando chegamos.
- Estamos, atrasadas sabes? – Disse a Thaís quando chegamos perto da porta de casa do Marco.
- Desculpa. – Disse.
Bateu á porta, e foi uma senhora loira e bonita que abriu.
- Olá Heloísa.- Disse a Thaís.
- Olá Thaís! – Respondeu com um sorriso na cara.
- Desculpe lá o atraso. – Agarrou em mim e puxou-me mais para ao pé dela- Esta é a Halle.
- Finalmente conheço a Halle, quase há uma semana que oiço falar de ti. – Disse chegando-se junto a mim e dando-me um beijo. – Eu sou a Heloísa a mãe do Marco.
Fiquei um pouco envergonhada sem saber o que dizer, sem saber o que fazer. Estava a ser tudo muito bom mas muito repentino, o Marco na minha vida é estranhamente bom.
Entramos naquela casa e o meu olhar dirigiu-se para o do Marco e fui ter com ele, a Thaís ficou parada no mesmo sítio, achei esquisito e passado um pouco veio ter connosco.

(Thaís)
- Oh Marco...- disse chegando-me perto deles – o que é que o pai do Mario está aqui a fazer?
- O mesmo que tu.
- Pai do Mario implica Mario?
- Sim, implica.
- Olha que não sei se isto vai correr bem.
- Também implica a mãe e os irmãos dele.
- Não pode!
- Ai isso é que pode, estão ali. – O Marco apontou para um sítio da sala, para onde eu olhei também, família Götze em peso, não vou sair daqui viva. – O Fabian tem 23, e o Felix tem 15.
O Mario veio na nossa direção, e agarrou-me a cintura por trás. Estava-se a aproveitar mais uma vez da situação.
- Olha lá tu também chegas aqui tocas e tal!
- Até parece que não gostas!
O Marco e a Halle estavam-se a rir, a rir de nós.
- Tem uma piada ouve lá! Agora eu chego ali ao pé do rapaz que ali está e agarro-me a ele não?
- O rapaz é meu irmão! – Disse o Mario.
- E de ser? É mais bonito que tu! Também não é preciso muito não é verdade?
- Meu! Fala a miss Alemanha!
- Até parece que te tens queixado!
- Também não te costumas queixar!
A Halle e o marco continuavam-se a rir, a rir muito.
- Vá meninos, calma. Não se mantem já que primeiro vamos jantar. – Disse a Halle.
Fomos então para a mesa, e o jantar decorreu entre muitas gargalhadas e brincadeiras, fizemos uma pausa para café, para depois celebrarmos os anos de casado dos pais do Marco.
Estava com o Marco num sofá da sala, enquanto a Halle tinha ido retocar a maquilhagem, levantei-me do sofá e a minha intenção era ir ter com a minha mãe, mas foi o pai do Mario que não me deixou.
- Olá Thaís – disse-me – como está a Halle? – Disse com preocupação na voz - Parece bem, não?
- Sim, ela está bem. O Marco ajuda. – Disse na brincadeira.
Despedi-me dele e fui ter com a minha mãe.

(Mario)
Sai de ao pé do Marco e fui ter com os meus pais e os meus irmãos.
- Quem era aquela? – Perguntou o Felix, ao meu pai.
- É a Thaís a amiga do Mario!
- O que é que tem a Thaís? – Perguntei.
- É tua amiga.
- Pois é – disse.
- É tua namorada? – Perguntou o Felix.
- Não! Sabes bem que Ann é a única rapariga na minha vida.
- A Ann? – Perguntou a minha mãe com tom sarcástico – tu não gostas da Ann! A Ann muito menos gosta de ti! Quem é que queres enganar Mario?
- Astrid! – disse o meu pai.
- Eu estou a dizer alguma mentira? Ele não gosta da Ann! A Ann também não gosta dele!
- Mãe tu não sabes, nem tens a mínima ideia do que eu sinto!
- Mas sei o que é amor, sei o que é amor entre duas pessoas, e tu e a Ann…estão muito longe de se amarem um ao outro.
- Não te metas na minha vida! – Disse antes de sair de ao pé deles.

(Thaís)
Voltamos para a mesa, e com muitos risos acabamos de festejar tudo o que havia para festejar. Fui apresentada ao Fabian e ao Felix, aos dois irmãos do Mario.
Estava na sala sentada no sofá com o Felix ao meu lado, tenho a dizer que o miúdo é bem giro e não tem nada a ver com o irmão, loiro de olhos azuis, nem parece irmão do Mario.
A Halle que estava ao meu lado, saiu com o Marco da sala e eu fiquei entre irmãos Götze, algo me diz que não saio daqui inteira.
- Então? Tens uma amiga gira oh Mario. – Disse o Felix.
- Não tem é dentes para ela. – Disse o Fabian que passou pela sala naquele momento.
Bem, aquelas conversas assim estavam a meter-me um pouco de confusão, estávamos os três sozinhos outra vez.
- Então Thaís! Conta-me coisas! – Disse o Felix outra vez.
- O que e que queres que te diga?
- Sou mais bonito que o Mario.
- És sim senhora, se fosses mais velho…
- Oh então Thaís? Isso é conversa que se tenha? – Perguntou o Mario.
- Olha, fala aquele que disse que me levava para a cama em duas semanas!
O Felix começou-se a rir, agradeço mentalmente não estar ali nem os pais dele nem os meus.
- Ai ele não sabe?
- Não sei o quê? – Perguntou o Felix.
- Não há nada para saber!
- Ai não que não há!
- Thaís! – Repreendeu-me o Mario.
- Já não digo mais nada. – Levantei-me do sofá e fui até à cozinha.
Encostei-me à bancada da cozinha, a minha mãe, a Heloísa e a mão do Mario estavam na conversa e riam-se bastante.
- Então Thaís? Estás sozinha? A minha futura nora? – Perguntou a Heloísa.
- Trocou-me pelo seu filho acredita?
- Eles ficam tão bem juntos. – Disse a mãe do Mario.
- Se ficam – disse a minha mãe.
Bem, já tudo falava em Marco e Halle, notava-se de longe aquela proximidade deles, aquele carinho.
A minha mãe e a Heloísa saíram deixando-me apenas com a mãe do Mario.
- Thaís não é?
- Sim.
Ela sorriu e levantou-se da cadeira onde estava dirigindo-se a mim, encostou-se igualmente á bancada.
- Sou a Astrid a mãe do Mario.
- Sim, calculei.
Saiu de ao pé de mim e voltou a sentar-se na cadeira onde antes estava.
- Davas uma nora melhor do que aquela Ann, aposto. Não gosto nada dela.
- O Mario tem namorada? – Perguntei surpreendida.
- Não sabias?
- Ainda há uns dias disse-me que estava livre.
- Sim a negação é uma das provas que aquele namoro de real não tem nada.
- Thaís, eu notei que entre vocês há algo. – Surpreendeu-me o que disse, fui ter com ela e sentei-me numa cadeira.
- Não, não mesmo Astrid. Acredite que não, nada que se pareça a paixão muito menos a amor, apenas somos uma espécie de amigos percebe? Nem sei se chegamos a sê-lo.
- Independentemente do que exista entre vocês, é muito mais forte do que existe entre ele e a Ann.
- Não diga isso, eles devem gostar um do outro.
- Não, não gostam.
A firmeza com que Astrid dizia aquilo impressionava-me, era tão direta e estava bem segura quanto aquilo que dizia.

- Astrid, sem ofensa mas eles devem gostar um do outro – bem, nem sei porque estou a dizer isto ele provocou-me e fez-me uma proposta muito tentadora, afastei-me dos pensamentos e continuei – o Mario pode ter todas as raparigas que quiser, percebe o que estou a dizer?
- Sim Thaís, eu percebo, o problema é que ela como é, pode ter todos os rapazes que quer, percebe – agarrou a minha mão – posso? – disse apontando para a pulseira.
- Sim.
Tirou-me a pulseira com cuidado, pegou nela e olhou para mim.
- Eles usam-se um ao outro como tu usas essa pulseira, gostas muito dela, mas só a usas em ocasiões especiais ou seja poucas vezes. Durante semanas esta pulseira é trocada por um relógio ou até outras pulseiras, passado muito tempo voltas a usa-la, pulseira essa que usas para te mostrares, que usas para ficares ainda mais bonita.
Estava sem palavras, não sabia bem o que dizer sobre aquilo tudo.
- Bem não sei bem o que lhe dizer.
- Não digas nada. – voltou a pôr-me a pulseira no pulso – tenho a certeza que te vou ver mais vezes.
Sorri e ela retribuiu com um sorriso também.
 A minha mãe e a Heloísa chegaram e eu fui para a sala, estava o Mario com o Marco e a Halle no sofá. Sentei-me junto à Halle.
Não tinha vontade nenhuma de falar, nem eu fala nem nenhum dos restantes se pronunciava também. Estava ali um silencio no mínimo constrangedor.
Peguei na mão da Halle e comecei a brincar com ela a mexer nas unhas dela e nas pulseiras, não me sai da cabeça aquela de que eles se usam como eu uso a minha pulseira.
A Halle olhou para mim, virou-se para o outro lado e disse qualquer coisa ao Marco, pegou-me na mão e puxou-me levando-me para fora de casa.
- O que é que se passa? – Perguntou.
- O Mario tem namorada.
- Ui, que isso não é cara de quem está com ciúmes.
- Claro que não, eu não estou com ciúmes, só se tem ciúmes de quem nos pertence.
- Então que cara é essa?
- Cara de quem não sabe o que pensar.
- Então?
- Acabei de ter uma conversa bastante esquisita com a mãe dele, tens noção que ela me disse que eles não gostam minimamente um do outro e que se usam como eu uso a minha pulseira? E depois disse-me que o pouco, que é nenhum, que há entre mim e ele é mais forte do que há entre ele e a Ann!
- Cá para mim ela quer é ser tua sogra. – Disse a Halle a rir.
- Não gozes Halle! Não tem muita piada.
- Mas tem alguma!
- Tem… Oh Halle não, não tem.
- E tu ficaste a pensar nisso?
- Acho que sim.
- Não penses, é pior.
- E agora vou ali para dentro e ajo como se nada tivesse acontecido?
- E não aconteceu!
- Aconteceu sim senhora ele tem namorada.
- Agora vais agir como se ele não tivesse namorada.
- Vou?
- Vais! Ele disse-te que tinha?
- Não, ele disse que estava livre.
- Então, tu vais agir como se ele estivesse livre.
- Isto vai correr mal!
- Não vai nada, lembra-te que há aposta.
- Ele tem namorada!
- Aposto que isso nunca o impediu de nada.
- Porque é que agora me pareceste Mario a falar?
- Porque digo com todas as certezas que o facto de ele ter namorada nunca o impediu de fazer o que lhe apetece.
Sorrimos as duas, e voltamos lá para dentro. Os meus pais despediram-se de mim, e foram embora, fiquei com a Halle porque hoje ficava em casa dela. Voltamos para o sofá para junto do Marco e do Mario.
- Hoje durmo contigo Halle – disse-lhe.
- Mal empregada a tua companhia para dormir – disse o Marco.
- Oh Marco não te estiques!
- Só disse que é um desperdício a Halle dormir contigo!
- Eu durmo contigo Marco. – Disse a Halle.
- Já agora! E eu durmo sozinha não?
- O Mario acompanha-te nessa tua noite.
- Até acompanhava, e não me importava nada mas tenho que ir para Munique. – Disse o Mario.
- Resultado eu durmo com a Halle, amanhã dou-te autorização para dormires com a Halle, Marco, mas é mesmo só dormir.
- E eu disse o contrário?
- Esse teu ar de inocente não me convence nem um bocadinho.
- A mim nunca me convenceu – disse a Halle- acho que foi isso que me atraiu em ti.
Olhavam-se com uma intensidade enorme, estavam a olhar um para o outro com um grande sorriso na cara.
- Eu acho que estou aqui a mais – disse eu, em quanto me levantava.
- Somos dois – o Mario levantou-se também.
Saí da porta até ao lado de fora. Sentei-me na relva, o céu estava especialmente bonito hoje, mas estava tanto frio. Ele sentou-se ao meu lado, tirou o maço de tabaco do bolso e pôs um cigarro na boca.
Tirei-lhe o cigarro.
- Thaís!
- Agradeces-me depois. Vá não estragues a tua vida que eu estou a deixar de estragar a minha.
- Estás?
- Estou, ontem não peguei em nenhum.
- Que recorde! – Disse no gozo. – Nunca fumo em dia de jogos.
- E os outros?
- Tu que fumas sabes o porquê de o fazeres, sabes porque é que o fazes, e não é bem por te apetecer ou por já ser um vício.
Se sei, fumo quando estou mal, fumo para me ‘’esconder’’ dos problemas, fumo porque tenho necessidade de o fazer, fumo porque ainda não encontrei nada que me faça sentir melhor que o tabaco.
- Eu sei as razões porque comecei e sei as razoes que me levam a continuar, não sei é se são as mesmas que as tuas.
- Fumo principalmente porque não há nada que me faça sentir melhor.
Deitei-me e fiquei a olhar para as estrelas. Ele deitou-se também. O telemóvel dele tocou, tirou do bolso e ergueu-o no ar, queria mas não queria, acabei por olhar ‘’Ann’, era o nome que estava naquele ecrã.
- Não atendes? – Mas porque é que eu perguntei isto?
- Não estou com paciência. – Respondeu.
Sentei-me na relva novamente.
- E eu tenho que me ir embora – disse levantando-me.
- Não vás Thaís!– Disse o Mario agarrando-me a mão.