domingo, 24 de novembro de 2013

4º Capitulo - « (..) ensinaram-me que sem amor não se vive, que ter uma mãe e um pai é tudo na vida »

Quando cheguei à receção daquele hospital a única coisa que eu queria fazer era correr, correr pelos corredores em alguma daquelas portas havia de estar a Halle, eu precisava dela, eu precisava de saber dela. Não tenho uma explicação nenhuma até agora, simplesmente não sei o que aconteceu, não sei o porquê de ela estar aqui.
Sem cabeça para ouvir o que a senhora da receção tinha para dizer comecei a caminhar em direção á porta que dava para o corredor, abri a porta e senti alguém a agarrar-me o braço.
- Nem penses Tháis! – disse o Mário.
A porta fechou-se e eu fiquei em frente a ela, levei a minha mão á testa, e puxei ligeiramente o cabelo para trás.
- Percebe, eu não sei nada dela, não sei o que lhe aconteceu, não sei o motivo pelo qual ela está aqui. Não sei se ela está bem ou está mal, é horrível a sensação de não saber nada de uma pessoa que tanto amas.
- Tem calma, o Marco deve estar por aqui.
- Não dá, a sério, eu vou entrar por aquela porta!
- Thaís!
- Não sejas teimoso.
Abri a porta e comecei a caminhar, enquanto o Mário me chamava e me agarrava, embati contra alguém.
- Desculpe.
- Mário? – Perguntou o senhor, que tinha aparência de ser médico.
- Pai? – Perguntou o Mário.
Tive a ligeira sensação que ambos estavam admirados de se verem ali.
- O que é que estás a fazer em Dortmund?
- Vim ter com o Marco, umas cenas para tratar. – tinha imensa vontade de me rir, mas não o ia fazer, estava em frente ao pai dele, umas cenas para tratar, eu cá acho que foram mais festas para frequentar – e tu? Porque é que estás a fazer turno da noite?
- Porque troquei com um colega, e o que é que estás aqui a fazer? No hospital?
- Uma amiga da Thaís – apontou para mim. – é o meu pai Thaís. – disse o Mário.
- Não vou dizer que é um prazer, porque isso é outra coisa, mas muito gosto em conhece-la Thaís.
Momento em que o que me apetece mesmo é rir, mas não o vou fazer. Agora percebo a quem é que o Mário sai.
Consigo aliviar um bocado a preocupação com a Halle.
- Conhecer-te porque eu tenho a idade do seu filho.
- Então tenho muito gosto em conhecer-te Thaís.
- Igualmente.
- Pai, sabes alguma coisa da amiga da Thaís? A Halle?
- A Halle? Sim estou a acompanhar o caso dela, foi uma dose pesada.
- Uma dose pesada? – perguntei completamente perdida naquela troca de palavras.
- Sim, a Halle apenas reagiu á droga.
- Droga? Que droga? – nada fazia sentido na minha cabeça, a Halle tinha reagido á droga, mas que droga?
- A Halle droga-se? – perguntou o Mário virando-se para mim.
- Não, claro que não! Conheço a Halle como a palma da minha mão e posso garantir-lhe que a Halle não se droga.
- Se ela estivesse habituada a consumir, não ficava neste estado pai, acho eu. – disse o Mário.
- Fala a voz da experiência não é Mário?
- Eu não me drogo e nunca me droguei!
- Fumas que ainda é pior!
Não me vou pronunciar, isto está a ser uma conversa de pai para filho e eu não me vou mesmo meter.
- Deixa lá essas tuas teorias e diz á Thaís informações da Halle.
- Tivemos que fazer uma lavagem gástrica, e é bem possível que ela fique enjoada nos próximos tempos, nós vamos só ver como é que ela está a reagir e já te chamamos Thaís, vão para a sala de espera.
- Obrigada. – disse antes de voltar para a sala de espera.
Ele sentou-se, e eu fiquei de pé, não conseguia estar parada, andava de um lado para o outro, senti-o a agarrar-me a mão e puxou-me para ao pé dele.
- Acalma-te Thaís. – disse-me.
- Não consigo.
- Consegues sim. – puxou-me para ele – senta-te.
Olhei para ele, sentar-me no colo dele? Acho que isto está a ir para caminhos perigosos, eu tenho noção que qualquer coisa que aconteça hoje não vai passar de passado amanha.
Bem, e porque não sentar-me? Foi isso que fiz, sentei-me no colo dele e ele rodeou-me a cintura com a mão.
- Tens de ter calma Thaís, ela esta bem , tu ouviste o meu pai.
- Como é que queres que tenha calma? Ela está neste hospital porque foi drogada, mas como é que isso aconteceu? Eu não sei, eu não percebo eu não arranjo explicação.
Estar no colo dele não é assim tão mau, é bom, é aconchegante. Levou a sua mão á minha perna e começou a passar a mão por ela.
- Mário, tu nem penses! Não te aproveites da situação!
- Não me estou a aproveitar de nada!
- Não…que ideia.
Apertou-me um pouco mais contra ele e deu-me um beijo na bochecha, incrível como é que estamos assim e daqui a uns minutos já estamos outra vez a mandar bocas um ao outro.
Virei-me pare ele com intenção de falar, mas não consegui, fiquei um pouco petrificada naquele olhar, principalmente naqueles lábios.
- Achas bem fumar? – perguntei-lhe.
- Thaís, tu não te armes em minha mãe!
- Não me estou a armar em mãe coisíssima nenhuma, estou a falar contigo como amiga, tu és jogador de futebol, isso faz-te mal!
- Eu não fumo muito, só de vez em quando! Não chego a dois cigarros por dia.
- Mesmo assim! Isso faz-te mal!
Levou a sua mão á parte de trás dos meus calções, ao meu bolso direito e bem tirou de lá o meu maço de tabaco.
- Ainda falas de mim, Thaís?
- Como é que tu sabias?
- Vi e eu cheiro.
- No máximo três, eu nunca passo disso por dia.
- Se eu não devo fumar tu também não!
- Sim tens razão. – Admiti.
Deixou descair as pernas dele levando-me quase a cair, depois agarrou-me e puxou-me mais para ele no colo dele.
- Sou assim tão pesada?
- Não, era mesmo só para te tocar.
Olhei para ele e com o meu dedo toquei-lhe no nariz.
- És mesmo parvinho.
- Já temos alguma coisa em comum.
- Parvo meu!
- Tu estás livre e eu estou livre.
- Tu não sabes se estou livre.
- Não tens cara de estar ocupada.
- Isso agora é por caras?
Disse que sim com a cabeça, e continuamos a olhar um para o outro.
- Sabes que ainda há aposta, não sabes?
- Isso pouco mexe comigo, haver aposta não haver. E tu não desemparas a loja de Dortmund?
- Relaxa, amanhã já não me vês. Sim eu sei, vais ter saudades minhas.
- Não sei se vou.
- Vais sim, mas para a semana já me vês.
- Vou ter saudades. – Disse em tom de gozo.
- É eu também. – Respondeu no mesmo tom.
- Já podem ir ter com a Halle. – disse o pai do Mário entrando na sala de espera.
Não sei o que ele pensou, nem sei se quero saber, mas vi aquele sorriso na cara, sorriso esquisito.
Levantei-me e o Mário fez o mesmo, seguimos o pai dele e fomos até ao quarto onde estava a Halle.
- Eu deixo-vos sozinhas – disse o Mário indo embora com o pai.
Sentei-me ao pé da Halle e dei-lhe um pequeno beijo na testa.
- Antes que me perguntes não sei o que se passou, não sei como é que ingeri a droga, não sei como é que ela veio parar ao meu organismo.
- Eu sei!
- Tu sabes? Como é que tu sabes?
- Halle a explicação é fácil, lembras-te bem qual foi a causa da nossa discussão hoje não te lembras?
- O que é que o Torsten tem a ver com tudo isto?
- Ainda perguntas?
- Thaís, não inventes coisas! Não há maneira possível de ele me ter drogado!
- Não há? Tens a certeza? O que é que fizeram em quanto estiveram a conversar?
- Falámos, apenas falámos.
- Não bebes-te nada? Em quanto falavam?
- Tinha um copo de sumo ao meu lado, mas ele não lhe tocou.
- Não, não lhe tocou! Que ideia Halle! Se não foi ele foi quem? Fui eu?
- Não culpes o Torsten!
- Põe juízo nessa cabeça miúda! Abre os olhos Halle.
Virou a cara para o outro lado, e manteve-se assim durante algum tempo, é incrível como ela está cega, completamente cega.
- Vais cá ficar durante a noite, eu tenho aulas mas mesmo assim eu ficava aqui, mas não vou ficar Halle, porque eu ficar aqui é a mesma coisa que não ficar, tu não me dás ouvidos, mas pode ser que dês ouvidos á tua mãe. Fica chateada comigo, podes odiar-me mas Halle, eu só quero o teu bem.
Fui para o outro lado cama para onde ela estava virada e dei-lhe um beijo igual ao que tinha dado quando tinha chegado.
- Se não me ouves a mim, ouve pelo menos a tua mãe.
Saí do quarto e fui até á sala de espera, estava lá a Elmara a falar com o pai do Mário junto do Marco e do Mário.
- Thaís, como é que ela está? – perguntou-me a Elmara.
- A nível físico ela está ótima, o pior é a nível psicológico.
- Como assim?
- O Torsten voltou, e eu tenho a certeza que foi ele quem drogou a Halle!
- Ele…voltou?
- Sim, e…eu posso estar a ser uma péssima amiga mas eu não vou cá ficar com ela esta noite, ela não me ouve, ela não quer saber do que eu digo! Para ela o Torsten é um santo e sempre será.
- Eu fico com ela Thaís, vou tentar enfiar-lhe juízo naquela cabeça.
Deu-me um beijo na bochecha e foi até ao quarto da Halle, o pai do Mário despediu-se de nós e também foi para dentro.
- Já não te via há um tempito – disse ao Marco.
- Vim com a Halle e depois andei por aí, estive com ela no fim da lavagem gástrica.
- Vá meninos eu tenho que ir, amanhã tenho aulas e este dia foi longo.
- Eu também tenho de ir para Munique – disse o Mário.
Dei um beijo ao Marco e saí para fora acompanhada do Mário. Parámos juntos ao meu carro.
- Então adeus. – disse eu.
- Sim, adeus.
Agarrou-me pela cintura e deu-me um beijo na bochecha, eu retribui , piscou-me o olho e foice embora.

***
Mandei-me para o sofá da sala, não ia conseguir dormir, havia tanta coisa que não fazia sentido. O Mário, o Marco apareceram os dois assim de repente na minha vida, e ao mesmo tempo volta o Torsten, aquele que destruiu a vida da Halle. E depois há a Halle e o Marco, eles são tão parecidos mas ao mesmo tempo tão diferentes, o à vontade deles , um com o outro é fantástico, naquela noite de quarta feira eu vi aquilo que já não via á seculos, aquele olhar da Halle amarrado ao olhar do Marco, mas há o Torsten, algo que não está a fazer sentido nenhum, porque é que ele apareceu agora? No dia a seguir à Halle ter conhecido o Marco?
No meio dos meus pensamentos, foi o meu pai que apareceu na sala.
- Então Thaís? Não te vais deitar?
- Não sei pai.
Ele sentou-se ao meu lado e eu deixei descair a minha cabeça no ombro dele.
- Então a Halle?
- Não sei o que te diga.
- Mas ela está bem?
- Vai ficar…ela vai ficar.
- Já comes-te alguma coisa Thaís?
- Não tenho fome, isto fez-me tudo perder o apetite.
- Isso faz-te mal filha.
- Não te preocupes, eu estou bem.
- Não sei se estás Thaís, eu conheço-te sei que podes estar muito mal aí dentro mas nunca o demonstras.
- Há pessoas com problemas mais graves que eu neste momento.
- Sabes? Tenho um orgulho enorme na mulher que te tornas-te, lembro-me como se fosse ontem da tua reação quando começas-te a ir para a escola, não querias ir porque eras a única com cabelo diferente, eras a única morena e ás vezes chegavas a chorar por isso.
Sorri com tudo aquilo que ele estava a dizer, a verdade é que eu quando entrei para a escola, não gostava nada, eram só loiras por todo o lado e eu de certa forma sentia-me sozinha.
- Passado uns tempos começas-te a aceitar essa diferença, pouco a pouco, depois dizias que ser diferente era bom, e desde pequena que me deixas orgulhoso cada dia, és uma mulher especial, vai chegar o momento em que vais ter filhos mas nunca vais deixar de ser a minha filha, a minha princesa.
- E eu cada dia agradeço a Deus por vocês terem entrado na minha vida, se sou o que sou hoje é graças a ti pai, é graças á mãe, sou o que sou porque vocês me ensinaram a ser verdadeira, ensinaram-me a ser uma boa pessoa, ensinaram-me que sem amor não se vive, que ter uma mãe e um pai é tudo na vida, sinto-me protegida a cada dia, porque sei que vocês estão aqui para me proteger. Não sei que pessoa é que eu seria se não me tivessem adotado, eu amo-vos tanto, não vos troco por nada deste mundo, ter o vosso amor é tudo. Tantas vezes que ouvia os meus colegas na escola a dizer que odiavam a mãe, que odiavam o pai, e eu não sei o que é isso, porque eu…eu percebi cedo a importância que vocês têm na minha vida, percebi que sem vocês eu não estava aqui e não tinha a vida que tenho. E vocês tiveram uma atitude linda, quando não esconderam que eu era adotada nem um segundo, sempre mo disseram, vocês são uma bênção na minha vida.
- Tenho tanto, mas tanto orgulho em ti Thaís, és realmente a melhor coisa que podia ter aparecido na nossa vida.
- Pois és. – Olhamos ambos para trás e estava lá a minha mãe, veio ter connosco e sentou-se ao meu lado.
Abraçou-me e deu-me um beijinho na testa.
- Sempre sonhei ter uma filha, assim muito linda como a mãe claro – todos nos rimos – mas acho que foi horrível quando me apercebi que não podia ter. Chorei durante muito tempo, é horrível veres um sonho cair assim. Depois pensamos na hipótese de adotar e quando te vimos foi assim um amor á primeira vista, sempre quis ter uma filha linda, mas tu abusas da palavra Thaís!
- Oh mãe.
- Verdade, tudo o que disse é verdade, e como o teu pai disse temos assim um grande orgulho em ti.
- Eu tenho é uma sorte em vos ter como pais.
- E nós temos a sorte em te ter como filha oh princesa- disse o meu pai.
A dor de cabeça estava a voltar, abracei-me a eles e dei um beijo em cada um e fui até ao meu quarto, tomei um comprimido antes de me deitar, não sei como é que vou aguentar amanhã o dia de aulas.

Só espero que a Halle esteja bem, e que quando acordar amanhã se lembre da vida fantástica que tem, e que se lembre também que o Torsten não é pessoa para ela porque se ela pensar em dar-lhe uma segunda oportunidade vou-a perder para sempre.
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Olá (:
Aqui está o quarto capitulo, não sei o que acham do rumo que a história está a levar, o que espero mesmo é que estejam a gostar.
Espero as vossas opiniões.
Beijinhos,
Mahina

*E ontem os meninos jogaram os dois, o Götze marcou, mas não festejou nem o golo dele nem nenhum dos outros. Pena é não ser como nos velhos tempos, que eram na mesma equipa. A mim custa-me tanto vê-los separados :') . Mas estão sempre unidos :)
PS: Grande homem das cavernas que aquele Götze parece :o 





6 comentários:

  1. Olá!
    Que dizer de tudo isto? A Halle está a ser parva! Está completamente estúpida e a deixar aqueles que a amam para trás por causa de um otário que só devia estar era no polo norte! Ai a sério odeio-o!
    Depois: a Thaís e o Mario não sabem não ser fofos? Opá...eles são fofos e mega fofinhos! São fofos, é isso.

    Quero que venham mais e mais capitulos porque cada vez gosto mais deles os quatro. Do dito cujo em particular que tu sabes quem é.
    Besos mi guapa!

    Ana Patrícia Moreira.

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  2. Olá...gostei muito e só te digo para continuares porque eu cada vez me preendo mais a esta fic :)
    Bjs e ontem o Gotze marcou um grande golo e teve uma grande atitude 8não festejou) :D

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  3. Olá!
    Sou completamente viciada nas tuas historias! Chega ao domingo e começo a pensar: "A Mahina costuma postar ao domingo, sera que vai postar?" A culpa é tua! Fazes as historias tao interessantes que depois e dificil nao querermos sempre mais e mais!

    Bem, aquele Mario tem bem a quem sair! Que pai taradao xD Mas tambem um papá que sabe puxar as orelhas ao filhote! Entao os meninos fumam? Seria interessante fazerem um pacto para deixarem de o fazer (sim, porque fumar faz mal a saude, depois os pulmoes ficam fraquinhos e falta resistencia para certos momentos xD).
    Mas estes dois APAIXONAM-ME! Eles sao fofos, eles discutem, eles picam-se... Nossa!!! Adoro adoro adoro!
    E esta Halle? Acho que esta a precisar que alguem pegue naquele coraçao cego e que o cure. Alguem tipo...Marco ;)
    Espero o proximo muitooooo ANSIOSAMENTE (a culpa e tua que fazes historias tao boas!!)

    Beso
    Ana Santos

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  4. Olá!
    Ameiiii!!!
    Opa a Thais e o Mário são lindoss!! Aquele momento dela sentada ao colo dele foi mega fofo *_*
    Agora em relação à Halle espero que ela abra os olhos e perceba que o outro não é para ela! Ele não merece ninguém...é um grande otário! E o Marco devia ajudar...e sabes bem como!
    Mas eu amo esta história! E quero mais! Mais coisas destes 4 lindões!
    Próxximmmoo guapa!
    Beijinhos!

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  5. Amei <3
    Está perfeito...
    Espero que a Halle de ouvidos a Thaís... Ela está a ser uma idiota, devia dar ouvidos à amiga e esquecer o outro palhaço.... Preciso de virar a página, para uma página como o Marco. Sim ou claro? ^^
    Oh, a Thaís e o Mario são tão fofos juntos *-* Quero-os como casal :) Eles são super adoráveis...
    Ah, e, como se costuma dizer: "Tal pai, tal filho", aquele pai do Mario xD
    Ansiosissima e cheia de vontade de ler o próximo ( e espero que muito em breve). Quero MAIS e Rapidinho, pleaseee....
    As tuas histórias são espetaculares, fantásticas, maravilhosas... Amo muito <3

    Beijinhos
    Joana

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